{"id":28862,"date":"2015-09-28T07:00:17","date_gmt":"2015-09-28T10:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=28862"},"modified":"2015-09-27T20:13:04","modified_gmt":"2015-09-27T23:13:04","slug":"aguas-da-serra-da-mantiqueira-abastecem-a-regiao-mais-populosa-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aguas-da-serra-da-mantiqueira-abastecem-a-regiao-mais-populosa-do-pais\/","title":{"rendered":"\u00c1guas da Serra da Mantiqueira abastecem a regi\u00e3o mais populosa do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-28863\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A segunda parte da reportagem sobre o Almir Sater mostra que \u2018o pa\u00eds da Mantiqueira\u2019 \u00e9 tudo mata atl\u00e2ntica, mas em uma situa\u00e7\u00e3o bem particular por causa da altitude que pode chegar a quase tr\u00eas mil metros. S\u00e3o as chamadas terras altas com clima diferente e ecossistemas classificados como floresta montana e altamontana. A regi\u00e3o abriga uma riqueza fundamental.<\/p>\n<p>O nome Mantiqueira vem dos \u00edndios. Falavam amantikir e mantiquira, que tem tradu\u00e7\u00f5es diversas, mas todas ligadas \u00e0 \u00e1gua. \u00c9 a \u201cmorada das nuvens\u201d, \u201cabrigo das nascentes\u201d, \u201cserra que chora\u201d. H\u00e1 muito tempo se sabe que a serra \u00e9 uma imensa caixa d\u00b4\u00e1gua, de onde brotam in\u00fameros rios importantes como o Aiuruoca, o Rio Grande, formador do Paran\u00e1; escorrem afluentes do Para\u00edba do Sul, que vai para o Rio de Janeiro; e, exemplo mais momentoso, o Jaguari, o principal veio do Sistema Cantareira, que teve que ser explorado at\u00e9 o n\u00edvel do volume morto para garantir o abastecimento da capital paulista.<\/p>\n<p>\u201cQuem mant\u00e9m a floresta viva n\u00e3o precisa do volume morto\u201d. Este \u00e9 o lema de Extrema, Mantiqueira de Minas Gerais, de onde escoam as nascentes do Rio Jaguari, que abastece boa parte da popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo. Extrema foi o primeiro munic\u00edpio brasileiro a patrocinar a restaura\u00e7\u00e3o florestal em topo de morro, ponto de recarga das \u00e1guas nas montanhas. Uma turma planta esp\u00e9cies nativas em um pasto entre dois fragmentos de mata. Em pouco tempo, a clareira estar\u00e1 coberta de \u00e1rvores novamente, recompondo a floresta original.<\/p>\n<p>O programa de conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1gua coordenado h\u00e1 dez anos pelo bi\u00f3logo Paulo Henrique Pereira, secret\u00e1rio de Meio Ambiente de Extrema, virou modelo mundial e j\u00e1 recebeu premiado da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 ONU. \u201cN\u00f3s entendemos o agricultor como produtor de \u00e1gua e remuneramos ele por isso\u201d, diz.<\/p>\n<p>Com modesto apoio governamental federal e estadual de Minas Gerais, sem nenhuma ajuda de S\u00e3o Paulo, contando mais com recursos do munic\u00edpio e de ONG, Extrema j\u00e1 conseguiu recuperar sete mil hectares com o plantio de um milh\u00e3o de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>O promotor aposentado Jord\u00e3o Nunes recebe como produtor de \u00e1gua R$ 1,8 mil por m\u00eas. De uma \u00e1rea de 109 hectares, tem 82 reflorestados. Em 20 anos, a vaz\u00e3o das vertentes aumentou 20 vezes. \u201cQuando eu adquiri o im\u00f3vel eram tr\u00eas mil litros por hora. Depois de cinco anos, eu mensurei a vaz\u00e3o e constatei 28 mil litros. Agora, eu estimo 60 mil litros por hora\u201d, diz.<\/p>\n<p>Pelos crit\u00e9rios da ONU, o tanto de \u00e1gua que brota na propriedade de Jord\u00e3o Nunes d\u00e1 para atender cerca de dez mil pessoas, popula\u00e7\u00e3o de um bairro inteiro em S\u00e3o Paulo, por exemplo.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de Extrema se insere em um quadro de toporeabilita\u00e7\u00e3o. A Mantiqueira j\u00e1 foi intensamente explorada nos \u00faltimos s\u00e9culos. Mas a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi muito pior. Edgar Andrade J\u00fanior \u00e9 gestor de um conjunto de unidades de conserva\u00e7\u00e3o que tem o nome de Mosaico Mantiqueira. \u201cA grande import\u00e2ncia \u00e9 n\u00e3o ter fronteiras. Estamos em tr\u00eas estados ao mesmo tempo\u201d, diz.<\/p>\n<p>O Mosaico Mantiqueira \u00e9 formado por v\u00e1rios tipos de unidades de conserva\u00e7\u00e3o federais, estaduais, municipais e mais RPPNs, as reservas particulares. H\u00e1, por exemplo, as \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Ambiental \u2013 APAs. Tem a APA Mantiqueira, a APA Fern\u00e3o Dias e assim por diante.<\/p>\n<p>Ao todo, o mosaico abrange 38 munic\u00edpios e ocupa uma \u00e1rea de 730 mil hectares. Deste quadro, \u00e9 poss\u00edvel ver a evolu\u00e7\u00e3o da Floresta Nacional de Passa Quatro \u2013 Flona. O \u00e1lbum de retratos dos anos 40 e 50 mostra que as matas nativas j\u00e1 tinham sido toradas e as rochas estavam aparentes. Hoje, a Flona \u00e9 um territ\u00f3rio recuperado. Nele se destaca a arauc\u00e1ria, pinheiro que representa n\u00e3o s\u00f3 o Paran\u00e1, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, mas, tamb\u00e9m as terras altas da Mantiqueira. Estima-se que atualmente a cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o nativa na Mantiqueira seja 30% maior que quatro d\u00e9cadas atr\u00e1s. A fauna agradece.<\/p>\n<p>A Flona fica aos p\u00e9s da serra fina, onde se localiza o ponto mais alto da Mantiqueira. A Pedra da Mina, com 2.797, fica ao lado do segundo ponto mais alto: o Pico das Agulhas Negras, j\u00e1 dentro do Parque Nacional de Itatiaia, cujo cen\u00e1rio convida a uma viagem no tempo.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o da Serra da Mantiqueira foi um fato geol\u00f3gico de impacto mundial. Resultado da acomoda\u00e7\u00e3o dos continentes primordiais ao redor do planeta. \u201cIsso aconteceu h\u00e1 mais de tr\u00eas bilh\u00f5es de anos, nos prim\u00f3rdios da evolu\u00e7\u00e3o da crosta terrestre. Naquela \u00e9poca, a Terra ainda em fogo come\u00e7ou a formar pequenos continentes. Esses continentes se chocaram formando um \u00fanico continente que chama-se Gondwana. Neste choque formou-se uma cordilheira de montanha coincide hoje com a linha litor\u00e2nea do Brasil\u201d, explica doutor em geologia Newton Litwinsk.<\/p>\n<p>Segundo o professor Litwinski, quando os continentes come\u00e7aram a se separar, h\u00e1 cerca de 900 milh\u00f5es de anos, essa cordilheira ancestral ficou no ponto de ruptura entre o que veio a ser a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul. Era do tamanho do Himalaia, dos Andes hoje. Passava dos sete mil metros de altitude. Muito tempo depois, h\u00e1 cerca de 60 milh\u00f5es de anos, ap\u00f3s v\u00e1rios soerguimentos, a cordilheira se partiu em duas dando origem, de um lado, \u00e0 serra do mar; e, do outro, \u00e0 serra da Mantiqueira.<\/p>\n<p>As rochas s\u00e3o de tipos diversos, mas o conjunto geol\u00f3gico tem uma caracter\u00edstica pr\u00f3pria: ele \u00e9 trincado. Facilmente, nas pedras expostas, \u00e9 poss\u00edvel ver as fraturas. Isso ocorre tamb\u00e9m dentro das montanhas. De modo que quando chove a \u00e1gua se infiltra r\u00e1pido. Mas, a caixa d\u00b4\u00e1gua que \u00e9 a Mantiqueira \u00e9 como se fosse uma caixa furada. Como dizem os especialistas, \u00e9 um aqu\u00edfero fraturado. Por um lado, isso pode ser ruim. \u00c9 um dep\u00f3sito que se esvazia r\u00e1pido. Por outro, confere \u00e0 \u00e1gua da Mantiqueira uma qualidade \u00fanica. \u00c9 uma \u00e1gua jovem, que est\u00e1 sendo constantemente renovada.<\/p>\n<p>O produtor de leite Jairo Costa \u00e9 um dos vizinhos da Flona, do Picu, da Pedra da Mina e tamb\u00e9m uma refer\u00eancia no munic\u00edpio de Passo Quatro. Mesmo aos 93 anos acorda \u00e0s 5hs para tirar leite e anda parte do dia a cavalo percorrendo os 800 hectares de pasto que formou. Ele \u00e9 tido como exemplo de respeito \u00e0 serra: manteve matas nativas em mais de 30% das terras dele muito antes que qualquer lei obrigasse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A segunda parte da reportagem sobre o Almir Sater mostra que \u2018o pa\u00eds da Mantiqueira\u2019<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/serra_mantiqueira.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A segunda parte da reportagem sobre o Almir Sater mostra que \u2018o pa\u00eds da Mantiqueira\u2019","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28862"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28862\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}