{"id":28599,"date":"2015-09-23T11:00:15","date_gmt":"2015-09-23T14:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=28599"},"modified":"2015-09-22T21:29:52","modified_gmt":"2015-09-23T00:29:52","slug":"cacadora-sem-cerebro-e-musculo-planta-carnivora-ainda-intriga-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cacadora-sem-cerebro-e-musculo-planta-carnivora-ainda-intriga-cientistas\/","title":{"rendered":"Ca\u00e7adora sem c\u00e9rebro e m\u00fasculo, planta carn\u00edvora ainda intriga cientistas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-28600\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Charles Darwin era um cavalheiro vitoriano muito refinado e, naturalmente, tinha uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel pelo macabro. Poucas coisas o fascinavam mais do que a flora que zomba da cadeia alimentar convencional: as plantas carn\u00edvoras. Ele realizou experimentos com elas e escreveu um longo tratado a seu respeito. Para ele, a dioneia &#8212; com sua armadilha elaborada composta por filamentos sens\u00edveis e uma mistura letal de sucos g\u00e1stricos &#8212; era &#8220;uma das plantas mais maravilhosas do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Ele comparava tent\u00e1culos g\u00f3ticos e reluzentes da drosera com os &#8220;do animal mais sagaz&#8221;, e ainda dizia que iria &#8220;defender a drosera at\u00e9 o dia da minha morte&#8221;. Sagaz, a planta provavelmente responderia: &#8220;Obrigado, mas prefiro uma mosca&#8221;.<\/p>\n<p>Conforme in\u00fameros estudos recentes revelam, os bi\u00f3logos ainda adoram as plantas carn\u00edvoras e continuam a revelar detalhes sobre a anatomia, a evolu\u00e7\u00e3o, a bioqu\u00edmica e as t\u00e1ticas de ca\u00e7a das plantas que Rainer Hedrich, da Universidade de Wurzburg, chama carinhosamente de &#8220;verdinhas comedoras de carne&#8221;.<\/p>\n<p>Um grupo revelou recentemente que uma planta-de-jarro de Borneo suplementa sua dieta inset\u00edvora com a ajuda do guano de morcego, atraindo os animais para se empoleirar &#8212; e se aliviar &#8212; na ta\u00e7a esguia de uma folha modificada para corresponder precisamente aos chamados de ecolocaliza\u00e7\u00e3o dos morcegos.<\/p>\n<p>Outra equipe quase decodificou a sequ\u00eancia de DNA completa da dioneia &#8212; que conta com um genoma praticamente t\u00e3o longo quanto o dos seres humanos &#8212; e encontrou ind\u00edcios de que, em algum momento de seu percurso evolucion\u00e1rio, a planta pode ter adquirido parte dos genes de suas presas, permitindo que desenvolvesse mecanismos nervosos capazes de fechar mais rapidamente suas armadilhas.<\/p>\n<p>Outros pesquisadores compararam as prote\u00ednas e os horm\u00f4nios encontrados nos fluidos digestivos de plantas carn\u00edvoras com mol\u00e9culas similares presentes em plantas n\u00e3o carn\u00edvoras, concluindo que a ofensiva foi fruto do desenvolvimento de um bom sistema de defesa. Os pesquisadores argumentam que as plantas carn\u00edvoras adquiriram o poder de pulverizar e absorver suas presas atrav\u00e9s do reaproveitamento de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que as plantas comuns utilizam para combater insetos herb\u00edvoros, transformando escudos em espadas.<\/p>\n<h3>Brasileiro descobre planta carn\u00edvora ap\u00f3s analisar selfie<\/h3>\n<p>Ou talvez em paus de selfie. Paulo Minatel Gonella da Universidade de S\u00e3o Paulo revelou recentemente na revista cient\u00edfica Phytotaxa que ele e seus colegas identificaram uma nova esp\u00e9cie espetacular de drosera com a ajuda das m\u00eddias sociais.<\/p>\n<p>Depois de verem fotos da planta postadas por um naturalista amador no Facebook, os pesquisadores viajaram at\u00e9 o local especificado, em uma montanha isolada no sudeste do Brasil, e confirmaram que aquela esp\u00e9cie de drosera era nova para a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Com caules de at\u00e9 um metro e meio de comprimento, a <em>Drosera magnifica<\/em> tem papel garantido na &#8220;Pequena Loja dos Horrores&#8221; e \u00e9 a maior esp\u00e9cie de drosera das Am\u00e9ricas. Com seu centro rosado e tent\u00e1culos grudentos que capturam suas presas, os caules da planta se parecem com churrascos gregos cheios de insetos.<\/p>\n<p>Embora a imagem da D. magnifica tenha viralizado, os pesquisadores afirmam que a esp\u00e9cie pode estar em vias de extin\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que seu habitat \u00e9 cada vez mais amea\u00e7ado por planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 e eucalipto.<\/p>\n<p>Os pesquisadores veem as plantas carn\u00edvoras como um modelo para explorar uma s\u00e9rie de quest\u00f5es importantes, incluindo como os organismos se adaptam \u00e0 adversidade e \u00e0 carestia extrema, e como seres s\u00e9sseis sem m\u00fasculos nem c\u00e9rebros conseguem capturar seres m\u00f3veis dotados de ambos.<\/p>\n<p>As plantas carn\u00edvoras tamb\u00e9m podem dar origem a mecanismos pr\u00e1ticos para os seres humanos. Hedrich afirmou que in\u00fameras enzimas presentes em plantas carn\u00edvoras continuam incrivelmente est\u00e1veis mesmo sob altas temperaturas e ambientes extremamente \u00e1cidos que destroem a maior parte das enzimas presentes em nossos jardins.<\/p>\n<p>&#8220;A ind\u00fastria pode aprender muito sobre como tornar enzimas mais tolerantes a condi\u00e7\u00f5es extremas por meio do estudo da dioneia, por exemplo&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sua capacidade de comer carne, as cerca de 590 esp\u00e9cies de plantas carn\u00edvoras produzem clorofila e s\u00e3o membros leg\u00edtimos do reino Plantae. Elas fazem fotoss\u00edntese como qualquer outra planta, produzindo a\u00e7\u00facares a partir da \u00e1gua, do di\u00f3xido de carbono e da luz solar.<\/p>\n<p>Ainda assim, elas tamb\u00e9m precisam de nutrientes como o nitrog\u00eanio, o fosfato e o enxofre, que a maior parte das esp\u00e9cies absorve do solo. Entretanto, as plantas carn\u00edvoras colonizam habitat marginais com solos pobres e precisam obter os nutrientes de fontes alternativas. Felizmente, a carne animal est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Em ambientes ensolarados, \u00famidos, mas pobres em nutrientes, a captura das presas d\u00e1 \u00e0s plantas uma enorme vantagem competitiva&#8221;, afirmou Thomas Givnish, professor de bot\u00e2nica da Universidade de Wisconsin-Madison.<\/p>\n<p>As plantas carn\u00edvoras se d\u00e3o bem em p\u00e2ntanos abertos, em terrenos arenosos, em po\u00e7as de \u00e1gua na beira das estradas, na lama das encostas de montanhas &#8212; locais iluminados e \u00e1ridos, onde existe pouca competi\u00e7\u00e3o, os insetos s\u00e3o ing\u00eanuos e os nutrientes insuficientes para o crescimento das plantas.<\/p>\n<h3>Habilidade para digerir carne<\/h3>\n<p>Por meio da an\u00e1lise de DNA, os pesquisadores determinaram recentemente que as plantas desenvolveram a habilidade de digerir carne em pelo menos nove ocasi\u00f5es, com a linhagem mais antiga datando de 72 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. As plantas desenvolveram uma s\u00e9rie de t\u00e9cnicas para capturar e digerir suas presas, que geralmente s\u00e3o insetos e outros artr\u00f3podes, embora algumas plantas consumam sapos, peixes e at\u00e9 pequenos mam\u00edferos.<\/p>\n<p>Algumas delas, como a planta-de-jarro, criam bols\u00f5es que acumulam \u00e1gua da chuva no fundo de cavidades de cores vivas, acrescentando \u00e0 mistura um n\u00e9ctar tentador e enzimas digestivas, al\u00e9m de lubrificar as laterais do tanque com cera ou poeira. &#8220;Os insetos escorregam e caem no abismo&#8221;, afirmou Givnish.<\/p>\n<p>Outras plantas produzem got\u00edculas grudentas ou armadilhas em forma de garra, com sulcos e pelos que levam as presas por barreiras cada vez mais estreitas at\u00e9 o centro digestivo da planta.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia mais impressionante foi a desenvolvida pela dioneia, que ainda pode ser encontrada em seu habitat natural, nos p\u00e2ntanos do sudeste dos EUA. Hedrich, biof\u00edsico que estuda a planta nas horas vagas, determinou com seus colegas que a armadilha &#8212; uma folha extremamente modificada &#8212; depende de um potencial de a\u00e7\u00e3o, ou um pulso el\u00e9trico, para fechar as garras: uma capacidade rara na comunidade floral.<\/p>\n<p>Quando uma dioneia est\u00e1 com fome, sua armadilha fica cheia de um flu\u00eddo vermelho e atraente, abrindo e expondo os pelos sensoriais da planta. De acordo com Hedrich, caso um inseto pouse ou toque os pelos, &#8220;isso dispara o primeiro potencial de a\u00e7\u00e3o&#8221;. Caso o visitante desafortunado toque outro pelo nos pr\u00f3ximos 30 segundos, a armadilha se fecha para sempre em uma fra\u00e7\u00e3o de segundo &#8212; tr\u00eas vezes mais r\u00e1pido que um piscar de olhos.<\/p>\n<p>Naturalmente, o inseto se esfor\u00e7a para escapar, afirmou Hedrich, &#8220;mas isso s\u00f3 piora a situa\u00e7\u00e3o&#8221;. Os movimentos desesperados provocam mais potenciais de a\u00e7\u00e3o, estimulando a planta encher a armadilha de \u00e1cido clor\u00eddrico, enzimas de pepsina e tripsina, al\u00e9m de quitinase para romper o exoesqueleto do inseto e liquefazer sua carne.<\/p>\n<p>A boca verde se converte em est\u00f4mago verde e em intestino verde, afirmou Hedrich, e dentro de sete a dez dias, presa e predador se tornam um s\u00f3.<\/p>\n<h3>Parceria<\/h3>\n<p>As plantas carn\u00edvoras nem sempre gostam de matar. Ao que tudo indica, a <em>Nepenthes hemsleyana<\/em>, uma planta-de-jarro das florestas pantanosas de Borneo, est\u00e1 deixando de lado o consumo de insetos em favor dos dejetos ricos em nitrog\u00eanio deixados pelos morcegos inset\u00edvoros.<\/p>\n<p>Conforme um artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de julho da revista cient\u00edfica Current Biology, Michael Schoner da Universidade de Greifswald, na Alemanha, e seus colegas revelaram que o morcego-de-Hardwicke e a planta-de-jarro desenvolveram uma parceria satisfat\u00f3ria. A planta oferece ao morcego um lugar perfeito para descansar e o morcego fertiliza a planta com suas fezes.<\/p>\n<p>Pesando pouco mais que uma moeda, o morcego se encaixa no jarro &#8220;como se fosse uma rolha&#8221;, afirmou o doutorando Schoner.<\/p>\n<p>A planta-de-jarro faz propaganda de suas acomoda\u00e7\u00f5es por meio de uma estrutura c\u00f4ncava especial ao longo de seu orif\u00edcio, capaz de refletir o sinal sonoro do morcego a partir de diversos \u00e2ngulos, o que torna o poleiro mais f\u00e1cil de encontrar; al\u00e9m disso, o espa\u00e7o onde ficam os sucos digestivos \u00e9 distante o bastante de onde o morcego se abriga. Os morcegos adoram seus poleiros e n\u00e3o apenas para dormir.<\/p>\n<p>&#8220;Encontramos morcegos copulando dentro das plantas carn\u00edvoras. Al\u00e9m disso, esse \u00e9 um dos locais onde as m\u00e3es d\u00e3o \u00e0 luz seus filhotes&#8221;, afirmou Schoner.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Charles Darwin era um cavalheiro vitoriano muito refinado e, naturalmente, tinha uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel pelo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28600,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/planta_carnivora.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Charles Darwin era um cavalheiro vitoriano muito refinado e, naturalmente, tinha uma atra\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel pelo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28599"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28599\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28600"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}