{"id":28545,"date":"2015-09-22T10:00:08","date_gmt":"2015-09-22T13:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=28545"},"modified":"2015-09-21T20:31:19","modified_gmt":"2015-09-21T23:31:19","slug":"desvalorizacao-poe-luz-no-fim-do-tunel-na-visao-de-varios-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desvalorizacao-poe-luz-no-fim-do-tunel-na-visao-de-varios-economistas\/","title":{"rendered":"Desvaloriza\u00e7\u00e3o p\u00f5e luz no fim do t\u00fanel, na vis\u00e3o de v\u00e1rios economistas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-28546\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>V\u00e1rios economistas veem uma pequena luz no t\u00fanel da crise brasileira, que n\u00e3o indica o final desse t\u00fanel, mas mostra um caminho de recupera\u00e7\u00e3o da atual combina\u00e7\u00e3o de prolongada recess\u00e3o, ajuste fiscal, infla\u00e7\u00e3o e altas taxas de juros, junto com desemprego crescente. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, em mais de 50% nos \u00faltimos 12 meses, j\u00e1 se reflete na redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es e na t\u00edmida recupera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es industriais, al\u00e9m da queda das viagens e dos gastos internacionais dos turistas brasileiros.<\/p>\n<p>Dessa forma, abre-se uma possibilidade de interromper a forte desindustrializa\u00e7\u00e3o que afeta o Brasil pelo menos desde a d\u00e9cada passada, e de iniciar uma recupera\u00e7\u00e3o do setor, reduzido pela supervaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria desde o Plano Real, adotado em 1994 para controlar uma infla\u00e7\u00e3o alta e persistente, e criar a nova moeda brasileira. Desde ent\u00e3o, manter o real supervalorizado foi um instrumento usado para conter a infla\u00e7\u00e3o, mediante a importa\u00e7\u00e3o de bens baratos que substitu\u00edam a produ\u00e7\u00e3o interna e diminu\u00edam seus pre\u00e7os pela competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A principal v\u00edtima foi a ind\u00fastria nacional, diante de uma invas\u00e3o de manufaturas chinesas a pre\u00e7os imbat\u00edveis. Agora o processo se inverte. \u201cO primeiro efeito positivo \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 come\u00e7ou. Depois poder\u00e3o aumentar as exporta\u00e7\u00f5es da parte industrial que sobreviveu\u201d, afirmou Luis Eduardo Assis, professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo e ex-diretor de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o \u00fanico fator com que podemos contar agora para uma pequena recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, n\u00e3o h\u00e1 outro foco de dinamismo na economia do Brasil atualmente\u201d, apontou Assis \u00e0 IPS, recordando a queda do consumo devido \u00e0 recess\u00e3o e o desemprego e que os investimentos ser\u00e3o o \u00faltimo o \u00faltimo fator a melhorar, diante das incertezas econ\u00f4micas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Mas muitas ind\u00fastrias n\u00e3o sobreviveram ao longo per\u00edodo de supervaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria. Outras mudaram seu processo de produ\u00e7\u00e3o, importando muitos insumos e componentes, agregando muito pouco valor e operando mais com revendedoras. \u201cCustar\u00e1 muito tempo restabelecer as cadeias produtivas nacionais, em contraste com os anos 1980, quando uma maxidesvaloriza\u00e7\u00e3o impulsionava uma r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o. Dessa vez, a desarticula\u00e7\u00e3o foi muito profunda\u201d, destacou o Assis.<\/p>\n<p>\u201cNo passado, o tema cambi\u00e1rio salvava, era a porta para superar uma contra\u00e7\u00e3o. Agora n\u00e3o, porque a ind\u00fastria brasileira se afastou demais do com\u00e9rcio exterior e n\u00e3o se recupera mercados e rela\u00e7\u00f5es de um dia para outro, para ampliar exporta\u00e7\u00f5es\u201d, pontuou \u00e0 IPS Julio de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). A mudan\u00e7a foi muito desfavor\u00e1vel para as manufaturas por tempo demasiado, enquanto os produtos prim\u00e1rios, minerais e agr\u00edcolas ampliaram suas exporta\u00e7\u00f5es, agravando a supervaloriza\u00e7\u00e3o do real nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo a ind\u00fastria vive em crise, especialmente no Estado de S\u00e3o Paulo, que em 1995 concentrava 48,7% do setor e em 2012 viu esse n\u00famero cair para 40,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A produ\u00e7\u00e3o industrial desse Estado de julho deste ano caiu 12% em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo de 2014. O setor de bens de capital registrou em julho produ\u00e7\u00e3o 27,8% inferior \u00e0 de 12 meses antes, segundo dados do IBGE analisados pelo Iedi.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de uma redu\u00e7\u00e3o brutal, que amea\u00e7a dizimar essa ind\u00fastria estrat\u00e9gica se n\u00e3o houver uma r\u00e1pida rea\u00e7\u00e3o\u201d, alertou Almeida, tamb\u00e9m professor na Universidade Estadual de Campinas. As esperan\u00e7as despertadas pela desvaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria ainda contrastam com a realidade atual da ind\u00fastria. A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) espera, para este ano, uma contra\u00e7\u00e3o de 3,4% no produto do setor. Analistas de v\u00e1rias consultorias s\u00e3o mais pessimistas e preveem queda de 6,2%.<\/p>\n<p>Processos similares de desindustrializa\u00e7\u00e3o, considerada precoce por ocorrer em pa\u00edses ainda em desenvolvimento, como os latino-americanos, j\u00e1 foram registrados na Argentina, pela ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de supervaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria nas d\u00e9cadas de 1970 e 1990. A fixa\u00e7\u00e3o por meio de lei da paridade entre d\u00f3lar e peso, para conter a infla\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m levou o pa\u00eds ao colapso econ\u00f4mico em 2001 e a restri\u00e7\u00f5es no acesso ao cr\u00e9dito internacional que perduram at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u201cA \u2018argentiniza\u00e7\u00e3o\u2019 n\u00e3o amea\u00e7a o Brasil no momento, porque temos uma economia mais diversificada, que continua tendo o d\u00e9cimo-primeiro parque industrial do mundo, embora com participa\u00e7\u00e3o muito inferior \u00e0 de d\u00e9cadas passadas\u201d, explicou Almeida. Al\u00e9m disso, o Brasil n\u00e3o enfrenta dificuldades em contas externas. Obteve um crescente super\u00e1vit comercial este ano, embora mais por redu\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, devido \u00e0 recess\u00e3o econ\u00f4mica e \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria, do que pelo aumento das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/fabrica.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-200569\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/fabrica.jpg\" alt=\"Entrada da f\u00e1brica da Alunorte, produtora de alumina, a base da ind\u00fastria do alum\u00ednio, cuja produ\u00e7\u00e3o caiu no Brasil devido aos altos custos, especialmente da energia el\u00e9trica. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com a competitividade parcialmente recuperada gra\u00e7as ao c\u00e2mbio, a ind\u00fastria nacional j\u00e1 substitui importa\u00e7\u00f5es, principalmente de bens de consumo popular, como vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados. Em produtos mais sofisticados, a batalha ser\u00e1 mais lenta, porque a ind\u00fastria brasileira se atrasou tecnologicamente devido a esse processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o e o governo pode perder uma oportunidade se retirar da ind\u00fastria a reintegra\u00e7\u00e3o, como anunciado.<\/p>\n<p>Trata-se da devolu\u00e7\u00e3o de impostos cobrados e que as empresas n\u00e3o recuperam ao exportar, como ocorre em outros pa\u00edses. \u00c9 um fator adicional de competitividade, que o governo n\u00e3o considera necess\u00e1rio ap\u00f3s a forte desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. Mas retomar o crescimento econ\u00f4mico exige apostar em algumas atividades como passo inicial, e as exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma boa aposta, recomendou Almeida.<\/p>\n<p>Segundo este economista, alguns est\u00edmulos podem ser cruciais nesse momento de crise e falta de confian\u00e7a na economia e no governo brasileiro. Outras dificuldades se somam ao desmantelamento das cadeias produtivas da ind\u00fastria, acrescentou. A Am\u00e9rica do Sul, que \u201cfoi um fator do crescimento da ind\u00fastria brasileira como importante mercado para suas manufaturas, tamb\u00e9m vive uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a consequente redu\u00e7\u00e3o da demanda\u201d, indicou.<\/p>\n<p>\u201cA ind\u00fastria tamb\u00e9m sofre os efeitos de todos os eventos negativos, como, por exemplo, o esc\u00e2ndalo da Petrobras, que afetou as grandes construtoras brasileiras, cujas obras no exterior fomentam exporta\u00e7\u00f5es industriais de cimento, equipamentos, m\u00e1quinas e componentes e muitos outros bens\u201d, lamentou Almeida. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 prejudicada pela escassez de cr\u00e9dito internacional, como ocorre atualmente. Em contrapartida, a recupera\u00e7\u00e3o industrial distribui efeitos positivos a todos os setores, ressaltou.<\/p>\n<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o cambi\u00e1ria foi um dos fatores do sucesso econ\u00f4mico do governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011), cujo crescimento se atribui, em geral, aos elevados pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas, que beneficiaram as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de produtos minerais e agr\u00edcolas. Lula iniciou sua presid\u00eancia com o empuxe de grandes desvaloriza\u00e7\u00f5es do real em 1999, promovidas por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, e tamb\u00e9m durante 2002, quando seu previs\u00edvel triunfo nas urnas gerou p\u00e2nico no mercado, que ent\u00e3o o temia como l\u00edder esquerdista.<\/p>\n<p>At\u00e9 2008, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de manufaturas acompanharam o crescimento das vendas de mat\u00e9rias-primas. A ind\u00fastria nacional, al\u00e9m de se beneficiar pela deprecia\u00e7\u00e3o do real, agora sofre uma competi\u00e7\u00e3o menos desenvolvedora da China, cujos custos j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o baixos, e o mesmo acontece com sua moeda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e1rios economistas veem uma pequena luz no t\u00fanel da crise brasileira, que n\u00e3o indica o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28546,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/silos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"V\u00e1rios economistas veem uma pequena luz no t\u00fanel da crise brasileira, que n\u00e3o indica o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28545"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28545"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28545\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}