{"id":28424,"date":"2015-09-19T11:14:03","date_gmt":"2015-09-19T14:14:03","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=28424"},"modified":"2015-09-19T11:14:03","modified_gmt":"2015-09-19T14:14:03","slug":"hoje-como-ontem-e-amanha-como-sera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/hoje-como-ontem-e-amanha-como-sera\/","title":{"rendered":"Hoje, como ontem. E amanh\u00e3, como ser\u00e1?"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/tempocapa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-200488\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/tempocapa.jpg\" alt=\"Foto: Shutterstock\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Washington Novaes*<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 bastante disseminada a cren\u00e7a de que s\u00e3o de origem recente os grandes problemas que atormentam hoje a humanidade \u2013 como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; concentra\u00e7\u00e3o da renda no mundo e nos pa\u00edses, agravando os problemas sociais, a pobreza, a mis\u00e9ria; os grav\u00edssimos problemas no campo dos recursos h\u00eddricos, no Brasil e fora daqui; o crescimento infind\u00e1vel da gera\u00e7\u00e3o de lixo; e at\u00e9 a \u201cnova di\u00e1spora da terra\u201d, de fei\u00e7\u00f5es a cada dia mais tr\u00e1gicas e agora incluindo o territ\u00f3rio europeu, com a fuga para l\u00e1 de africanos, turcos, s\u00edrios (j\u00e1 h\u00e1 no mundo 60 milh\u00f5es de emigrados clandestinos, segundo a ONU).<\/p>\n<p>Quem se der, entretanto, ao trabalho de voltar no tempo, \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de umas poucas d\u00e9cadas atr\u00e1s, ver\u00e1 que todas essas quest\u00f5es j\u00e1 estavam presentes, muito graves, muito preocupantes. Pouco ou quase nada mudou \u2013 a n\u00e3o ser para se agravar.<\/p>\n<p>Pode-se come\u00e7ar pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tema t\u00e3o presente nas linhas escritas neste espa\u00e7o pelo autor deste artigo. H\u00e1 poucos dias terminou mais uma reuni\u00e3o dos 195 pa\u00edses-membros da Conven\u00e7\u00e3o do Clima sem que se tenha conseguido chegar a um texto para ser aprovado em dezembro, quando termina o prazo para um acordo global que permita impedir que o aumento da temperatura planet\u00e1ria ultrapasse 2 graus Celsius. O esbo\u00e7o de texto ficou com 83 p\u00e1ginas, dezenas de diverg\u00eancias.<\/p>\n<p>H\u00e1 18 anos, quando se iniciava a colabora\u00e7\u00e3o deste escriba nesta p\u00e1gina, escreveu ele que numa reuni\u00e3o em Kyoto, em dezembro, provavelmente n\u00e3o se chegaria ao acordo, tantos eram os impasses \u2013 os mesmos que perduram at\u00e9 hoje. J\u00e1 havia cientistas dizendo \u2013 como repetem hoje \u2013 que \u201cs\u00f3 em 2100 ser\u00e1 poss\u00edvel avaliar melhor o que pode acontecer\u201d, a\u00ed inclu\u00eddas \u201cnovas tecnologias que se encarregar\u00e3o de resolver o problema\u201d. E acabou-se aprovando em princ\u00edpio, em Kyoto, proposta brasileira de atribuir cotas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es em cada pa\u00eds proporcionais \u00e0s suas emiss\u00f5es hist\u00f3ricas e atuais. Mas tudo ficou no \u201cem princ\u00edpio\u201d, at\u00e9 agora sem nenhuma efic\u00e1cia pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Nesse mesmo passado de duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, reproduziam-se aqui palavras ditas no Itamaraty pelo professor Ignacy Sachs, da \u00c9cole de Hautes \u00c9tudes em Sciences Sociales, de Paris, advertindo para os fluxos financeiros especulativos que j\u00e1 dominavam o mundo e amea\u00e7avam dois ter\u00e7os da humanidade, inclusive o Brasil. Mencionava ele a necessidade de um imposto como o idealizado pelo Pr\u00eamio Nobel James Tobin sobre opera\u00e7\u00f5es especulativas de US$ 1 trilh\u00e3o por dia \u2013 que geraria uma receita anual de US$ 150 bilh\u00f5es, \u201ccapaz de financiar nos pa\u00edses mais pobres os programas da Agenda 21 que as na\u00e7\u00f5es \u201cdesenvolvidas\u201d se comprometeram em 1992 a custear\u201d (mas n\u00e3o cumpriram, como n\u00e3o cumprem ainda hoje). O professor Sachs advertia para a baixa competitividade dos produtos brasileiros no com\u00e9rcio exterior, j\u00e1 antevista por um relat\u00f3rio Pnud-Ipea segundo o qual o Brasil n\u00e3o tinha nenhum setor realmente competitivo no com\u00e9rcio exterior \u2013 e isso s\u00f3 se agravou at\u00e9 agora, transformando-nos em vendedores quase s\u00f3 de commodities e produtos prim\u00e1rios, que tamb\u00e9m est\u00e3o perdendo valor. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.<\/p>\n<p>Em dezembro de 1997, um dos temas neste espa\u00e7o era o da discuss\u00e3o sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o da Lei 9.433, da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos, em que pareciam prevalecer interesses de grupos participantes do processo de privatiza\u00e7\u00f5es de hidrel\u00e9tricas; em que desaparecia todo um cap\u00edtulo referente \u00e0s compensa\u00e7\u00f5es para munic\u00edpios; e se tentava suprimir os dispositivos que tornavam obrigat\u00f3rio o pagamento pelo uso da \u00e1gua. Um emaranhado de dispositivos t\u00e3o complexos e contradit\u00f3rios que um relat\u00f3rio da OCDE \u2013 comentado neste espa\u00e7o na sexta-feira passada \u2013 afirma agora que as normas de regula\u00e7\u00e3o e os conflitos entre as inst\u00e2ncias federal, estaduais e municipais transformam tudo em \u201ctigres de papel\u201d, sem efic\u00e1cia, nessa \u00e1rea dos recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>O lixo j\u00e1 era personagem de destaque, com um aumento de 28% na produ\u00e7\u00e3o em seis anos (seis vezes mais que o aumento da popula\u00e7\u00e3o), cada habitante j\u00e1 produzindo mais de um quilo por dia \u2013 e menos de 1% sendo reciclado (Estado, 26\/12\/97, artigo Assoviando no escuro). A trajet\u00f3ria seguiu firme, para chegarmos hoje a mais de 250 mil toneladas de lixo domiciliar por dia no Pa\u00eds. E distantes de qualquer solu\u00e7\u00e3o mais ampla.<\/p>\n<p>N\u00e3o faltou, nesse final de 1997, a discuss\u00e3o sobre alimentos transg\u00eanicos, quando crescia na Europa e em outras partes a resist\u00eancia legal a eles, fruto da convic\u00e7\u00e3o de que podiam ser prejudiciais \u00e0 sa\u00fade humana. Exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de soja j\u00e1 ocupavam o primeiro lugar na pauta europeia de importa\u00e7\u00f5es \u2013 e poderiam ser atingidas. Mas a nossa Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a j\u00e1 iria decidir se seria ou n\u00e3o obrigat\u00f3ria a rotulagem dos alimentos transg\u00eanicos no mercado nacional \u2013 e duas d\u00e9cadas depois se decidiu que n\u00e3o haver\u00e1 mais obrigatoriedade.<\/p>\n<p>E last but not the least, nesse final de 1997 j\u00e1 estava em quest\u00e3o \u201ca nova di\u00e1spora da terra\u201d, com os massacres de refugiados da \u00c1frica, as emigra\u00e7\u00f5es em massa desse continente, assim como do Oriente M\u00e9dio e do Sudeste Asi\u00e1tico, a ponto de \u201cestat\u00edsticas de organiza\u00e7\u00f5es internacionais j\u00e1 falarem em 20 milh\u00f5es de pessoas por ano nessas condi\u00e7\u00f5es\u201d. Hoje s\u00e3o \u201c60 milh\u00f5es de emigrados clandestinos\u201d. Com o presidente Barack Obama advertindo que nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas a popula\u00e7\u00e3o de desempregados no mundo pode dobrar para 2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>E assim vamos num mundo onde transforma\u00e7\u00f5es a passos de tartaruga seriam consideradas at\u00e9 muito r\u00e1pidas. A informa\u00e7\u00e3o dissemina-se mais rapidamente que o vento \u2013 mas n\u00e3o significa transforma\u00e7\u00f5es rumo a um mundo melhor para todas as pessoas. Mis\u00e9ria, fome, injusti\u00e7a alastram-se. O notici\u00e1rio de agora est\u00e1 cada vez mais amplo em torno do drama dos refugiados ou fugitivos. E as alternativas ainda n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 vista.<\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.com.br).<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: Envolverde &#8211; O Estado de S. Paulo<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* \u00c9 bastante disseminada a cren\u00e7a de que s\u00e3o de origem recente os<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes* \u00c9 bastante disseminada a cren\u00e7a de que s\u00e3o de origem recente os","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28424"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28424\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}