{"id":28229,"date":"2015-09-16T14:00:19","date_gmt":"2015-09-16T17:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=28229"},"modified":"2015-09-15T22:25:01","modified_gmt":"2015-09-16T01:25:01","slug":"a-pesca-predatoria-ameaca-os-peixes-e-dizima-os-rios-da-ilha-de-marajo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-pesca-predatoria-ameaca-os-peixes-e-dizima-os-rios-da-ilha-de-marajo\/","title":{"rendered":"A pesca predat\u00f3ria amea\u00e7a os peixes e dizima os rios da Ilha de Maraj\u00f3"},"content":{"rendered":"<div id=\"textstructured\">\n<p class=\"p1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-28230\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Na ilha de <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/sustentabilidade\/marajo-a-biodiversidade-perdida-3916.html\" target=\"_blank\">Maraj\u00f3<\/a>, os rios parecem n\u00e3o ter fim. O barco sai de Bel\u00e9m e aproxima-se da maior ilha fluvial do mundo. De um lado, des\u00e1gua o <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/sustentabilidade\/no-ritmo-atual-uma-montanha-de-lixo-ira-nos-soterrar-9515.html\" target=\"_blank\">Amazonas<\/a>, que atravessa a maior floresta tropical do planeta e com for\u00e7a empurra a \u00e1gua do mar por quil\u00f4metros afora. Do outro chega o Tocantins, fortalecido por centenas de afluentes. O arquip\u00e9lago, com suas 19 cidades, carrega o t\u00edtulo de regi\u00e3o mais pobre do Par\u00e1. Sorte, algu\u00e9m pode pensar, que existem peixes em quantidade suficiente para alimentar os ribeirinhos. Engano.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Recentemente, pesquisadores do Instituto Peabiru, <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/o-papel-das-ongs-no-seculo-xxi-7630.html\" target=\"_blank\">ONG<\/a> dedicada ao desenvolvimento sustent\u00e1vel do Par\u00e1, atravessaram a Ba\u00eda do Marapat\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o a Curralinho. Oito horas em um barco onde os passageiros viajam em redes. De passagem pela cidade de 30 mil habitantes, metade deles na zona rural, d\u00e1 para notar os resultados da improbidade administrativa pela qual foram condenados dois ex-prefeitos, al\u00e9m do descaso em rela\u00e7\u00e3o ao Conselho Tutelar da Inf\u00e2ncia, que levou o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Par\u00e1 a agir contra o atual alcaide. Em abril, a Justi\u00e7a estadual afastou o prefeito Jos\u00e9 Leonaldo dos Santos Arruda, cujos direitos pol\u00edticos foram ca\u00e7ados por cinco anos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p5\"><span class=\"s1\">O primeiro ind\u00edcio de problemas com a biodiversidade local aparece em uma cuia de tacac\u00e1, caldo preparado com a goma de tapioca, folhas de jambu e camar\u00e3o. No primeiro gole surge um camar\u00e3o t\u00e3o pequeno que cabe sobre uma unha. Logo depois, um \u201covado\u201d, repleto de ovas que dariam origem a centenas de novos crust\u00e1ceos. Provas de uma pesca descomprometida com o futuro. Os camar\u00f5es foram capturados durante o per\u00edodo de defeso, quando os pescadores recebem uma bolsa do governo federal para garantir a subsist\u00eancia enquanto os peixes e crust\u00e1ceos se reproduzem.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">A equipe segue em um barco menor em dire\u00e7\u00e3o ao Rio Canaticu, pequeno para os padr\u00f5es da <a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/politica\/memoria-de-ambientalista-assassinado-sobrevive-a-tentativa-de-difamacao-8294.html\" target=\"_blank\">Amaz\u00f4nia<\/a>, mas que despeja cerca de 50 vezes o volume do Tiet\u00ea em sua foz. Quase 20 comunidades se abrigam em suas margens, casas, em sua maioria de madeira, constru\u00eddas sobre palafitas. O barco \u00e9 o \u00fanico meio de transporte. A mata verde \u00e9 exuberante e o rio, uma promessa de vida? Nada disso. Nas matas, a madeira nobre sumiu, assim como os animais nativos. Nas \u00e1guas, n\u00e3o tem mais peixe nem camar\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Os pesquisadores conversam com os ribeirinhos e tentam entender o que aconteceu. Vicente de Paula Ferreira de Oliveira, morador antigo, conta que o fim dos peixes come\u00e7ou com a \u201cmalhadeira\u201d, rede de malha fina esticada de margem a margem nos rios e igarap\u00e9s de Maraj\u00f3. Mais de 20 anos de pesca predat\u00f3ria, na captura de peixes que subiam o rio para desovar na piracema, praticamente acabaram com a presen\u00e7a de grandes esp\u00e9cies, como o tucunar\u00e9 e o pirarucu na regi\u00e3o. No prato do ribeirinho reina o frango congelado, que atravessa meio mundo para chegar naquelas barrancas.<\/span><\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/866\/aguas-sem-vida-3355.html\/graos-predatoria-6896.html\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"gr\u00e3os-predat\u00f3ria\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/866\/aguas-sem-vida-3355.html\/graos-predatoria-6896.html\/@@images\/df5ccd3d-c5de-43f1-b334-391fb64599b9.jpeg\" alt=\"gr\u00e3os-predat\u00f3ria\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">E a colheita do a\u00e7a\u00ed ainda se apoia no trabalho de crian\u00e7as. Cr\u00e9ditos: Istockphoto<\/dd>\n<\/dl>\n<p class=\"p5\">A principal renda na regi\u00e3o vem do a\u00e7a\u00ed, coqueluche no Sul-Sudeste e no exterior. Mas o fruto tamb\u00e9m corre riscos. O palmito das palmeiras atraiu f\u00e1bricas que o cortavam e envasavam, mas n\u00e3o plantavam uma nova muda. No fim, foi apenas um curto ciclo de explora\u00e7\u00e3o que deixou a regi\u00e3o ainda mais pobre. O crescimento dos mercados de a\u00e7a\u00ed fora do Par\u00e1 deu um novo f\u00f4lego aos ribeirinhos, que conseguiram replant\u00e1-los e come\u00e7ar uma nova e rent\u00e1vel atividade econ\u00f4mica. Jo\u00e3o Meirelles, diretor do Peabiru, aponta, no entanto, para o perigo \u00e0s crian\u00e7as. \u201cBoa parte do a\u00e7a\u00ed que chega ao mercado \u00e9 coletada por menores, com muitos acidentes.\u201d Segundo ele, a maior parte do a\u00e7a\u00ed consumido no Brasil sai de Maraj\u00f3.<\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Raimundo Ferreira, de 77 anos, fala de um tempo em que havia de tudo em Maraj\u00f3: jabuti, jacar\u00e9, veados, ca\u00e7a farta. Mas, como tudo que se mexe no mato acaba morto, os animais desapareceram. Os pesquisadores do Peabiru defendem um acordo de pesca volunt\u00e1rio que d\u00ea alguma folga para a recupera\u00e7\u00e3o dos estoques pesqueiros. \u201cN\u00e3o adianta querer resolver esse desastre pela for\u00e7a\u201d, diz Meirelles, que ainda acredita no di\u00e1logo. Enquanto isso, em meio a tanta \u00e1gua e tanto verde, vicejam a pobreza e a desesperan\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na ilha de Maraj\u00f3, os rios parecem n\u00e3o ter fim. 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