{"id":28138,"date":"2015-09-14T14:22:48","date_gmt":"2015-09-14T17:22:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=28138"},"modified":"2015-09-14T14:23:20","modified_gmt":"2015-09-14T17:23:20","slug":"dados-das-montadoras-sobre-emissao-de-co2-nem-sempre-condizem-com-a-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/dados-das-montadoras-sobre-emissao-de-co2-nem-sempre-condizem-com-a-realidade\/","title":{"rendered":"Dados das montadoras sobre emiss\u00e3o de CO2 nem sempre condizem com a realidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-28141\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um novo estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT, na sigla em ingl\u00eas) aponta que, na Europa, a emiss\u00e3o de CO2 e o consumo de combust\u00edvel por carros novos s\u00e3o, em m\u00e9dia, 40% mais elevados que os valores estimados nas especifica\u00e7\u00f5es dos fabricantes.<\/p>\n<p>\u201cAnalisamos os dados de mais de meio milh\u00e3o de ve\u00edculos novos, provenientes de empresas, revistas de carro e motoristas\u201d, disse Peter Mock, do ICCT. Segundo o conselho, a diferen\u00e7a entre realidade e estimativa na Europa aumenta h\u00e1 anos. \u201cEm 2001, os novos ve\u00edculos apresentaram consumo de combust\u00edvel 10% mais elevado do que o esperado, e, em 2014, a diferen\u00e7a foi de 40%\u201d, diz Mock.<\/p>\n<p>Num laborat\u00f3rio climatizado, os fabricantes medem as emiss\u00f5es e o consumo de combust\u00edvel do ve\u00edculo, atrav\u00e9s do chamado Novo Ciclo de Condu\u00e7\u00e3o Europeu (NEFZ, na sigla em alem\u00e3o). O m\u00e9todo existe desde a d\u00e9cada de 1990 e leva 20 minutos. N\u00e3o s\u00e3o feitos testes na rua, e no laborat\u00f3rio, ar condicionado, r\u00e1dio e luzes s\u00e3o desligados.<\/p>\n<p>\u201cMuitas coisas s\u00e3o exclu\u00eddas e o resultado \u00e9 que o consumo de combust\u00edvel n\u00e3o corresponde ao que acontece fora [do laborat\u00f3rio]\u201d, diz Sonja Schmidt, inspetora de ve\u00edculos do Clube do Autom\u00f3vel Adac.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201cos fabricantes t\u00eam sido criativos para fazer os resultados de laborat\u00f3rio parecem melhores\u201d, diz Michael Mueller Gronert, do Clube do Transporte VCD. \u201cAs fendas nas portas s\u00e3o remendadas, os espelhos laterais s\u00e3o desmontados. Isso acaba reduzindo a resist\u00eancia do ar e o consumo de combust\u00edvel. Isso tudo \u00e9 poss\u00edvel, porque as condi\u00e7\u00f5es do teste s\u00e3o mal definidas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticos reagem<\/strong><\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o com os dados irrealistas na Europa \u00e9 grande. De acordo o ICCT, o custo m\u00e9dio do combust\u00edvel para compradores de ve\u00edculos \u00e9 cerca de 450 euros por ano mais caro do que o previsto nas especifica\u00e7\u00f5es do fabricante. \u201cIsso \u00e9 enganar o consumidor. A artimanha dos fabricantes de autom\u00f3veis nos testes deve acabar\u201d, diz Karl-Heinz Florenz, membro da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente do Parlamento Europeu.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Meio Ambiente alem\u00e3o tamb\u00e9m reconhece a discrep\u00e2ncia entre o consumo real e as instru\u00e7\u00f5es dos fabricantes como um problema crescente. \u201cN\u00f3s estamos muito interessados \u200b\u200bna base de c\u00e1lculo da Comiss\u00e3o Europeia, que tamb\u00e9m \u00e9 condizente. N\u00e3o ajuda nada fazer parecer melhor do que \u00e9, assim n\u00e3o ganhamos nenhuma confian\u00e7a\u201d, diz Barbara Hendricks, ministra alem\u00e3 do Meio Ambiente.<\/p>\n<p><a class=\"cboxElement\" title=\"\u201cN\u00e3o ajuda nada fazer parecer melhor do que \u00e9\u201d, diz Barbara Hendricks, Ministra do Meio Ambiente da Alemanha\" href=\"http:\/\/i0.wp.com\/www.revistaecologica.com\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/17193268470_179a20db67_z_-detalhe-Barbara-Hendricks-republica.jpg\" rel=\"lightbox[8282]\" data-rel=\"lightbox-gallery-CiuH\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-8283\" src=\"http:\/\/i0.wp.com\/www.revistaecologica.com\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/17193268470_179a20db67_z_-detalhe-Barbara-Hendricks-republica.jpg?resize=397%2C355\" alt=\"&quot;N\u00e3o ajuda nada fazer parecer melhor do que \u00e9&quot;, diz Barbara Hendricks, Ministra do Meio Ambiente da Alemanha\" width=\"355\" height=\"317\" \/><\/a><\/p>\n<p>O setor de transportes \u00e9 respons\u00e1vel pela emiss\u00e3o de quase um ter\u00e7o dos gases de efeito estufa da Europa. As montadoras foram obrigadas pela Uni\u00e3o Europeia (UE) a reduzir as emiss\u00f5es de CO2 de forma cont\u00ednua.<\/p>\n<p>Assim, as emiss\u00f5es dos carros de passeio novos devem atingir, em m\u00e9dia, o m\u00e1ximo de 130 gramas por quil\u00f4metro. Isso corresponde a um consumo de combust\u00edvel de cerca de 5,4 litros por 100 quil\u00f4metros. Segundo o ICCT, as emiss\u00f5es de CO2 dos autom\u00f3veis novos, ap\u00f3s o ciclo de medi\u00e7\u00e3o, apresentaram uma m\u00e9dia de apenas 123 gramas por quil\u00f4metro, ou 5,1 litros por 100 quil\u00f4metros. Assim, os valores limites estipulados pela UE foram respeitados.<\/p>\n<p>No entanto, quando analisados os valores reais nas ruas, segundo os c\u00e1lculos do ICCT para as emiss\u00f5es m\u00e9dias de CO2 em ve\u00edculos novos, o valor real, em 2014, foi de 172 gramas por quil\u00f4metro, ou 7,1 litros por 100 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p><strong>Dados mais reais<\/strong><\/p>\n<p>A partir de 2017, a UE quer introduzir um novo tipo de teste. Com o chamado Procedimento Mundial Harmonizado de Teste para Ve\u00edculos Leves (WLTP, na sigla em ingl\u00eas), os dados de CO2 e combust\u00edvel devem ficar mais realistas. \u201cIsso \u00e9 bom e correto. A r\u00e1pida introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente, e n\u00f3s deputados vamos trabalhar para isso\u201d, diz Florenz.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria automotiva europeia trabalha ativamente com o grupo de especialistas para a reforma e introdu\u00e7\u00e3o do WLTP. Organiza\u00e7\u00f5es ambientais veem a nova metodologia como um primeiro passo importante, mas com corre\u00e7\u00f5es ainda necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estamos completamente satisfeitos com o resultado, porque um desvio de cerca de 20% ainda nos preocupa\u201d, diz a especialista em tr\u00e1fego Julia Hildermeier, da Transport &amp; Environment (TE), organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane iniciativas ambientais europeias em Bruxelas.<\/p>\n<p><strong>EUA como um modelo?<\/strong><\/p>\n<p>A TE exige que os testes estejam mais pr\u00f3ximos da realidade e \u201cque os ve\u00edculos tamb\u00e9m sejam verificados, ap\u00f3s a compra, nas ruas, para ver se os valores s\u00e3o respeitados \u201c, diz Hildermeier.<\/p>\n<p>O ICCT tamb\u00e9m recomenda testes posteriores, para que haja pouca varia\u00e7\u00e3o entre os valores de laborat\u00f3rio e a pr\u00e1tica, o que j\u00e1 \u00e9 feitos nos EUA. \u201cSe houver diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelo fabricante, s\u00e3o aplicadas san\u00e7\u00f5es e penalidades\u201d, diz Mock.<\/p>\n<p>De acordo com ele, os testes posteriores dos EUA s\u00e3o bem sucedidos. \u201cN\u00f3s analisamos milhares de ve\u00edculos e constatamos um desvio de 1%. Nos EUA, os consumidores s\u00e3o informados de forma mais pr\u00e1tica quando compram um ve\u00edculo.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) realiza o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), feito por ades\u00e3o volunt\u00e1ria dos fabricantes.<\/p>\n<p>Os testes s\u00e3o realizados em laborat\u00f3rio, simulando as condi\u00e7\u00f5es da cidade e da estrada. As notas, que variam de A (mais eficiente) a E (menos eficiente), classificam os modelos quanto \u00e0 efici\u00eancia energ\u00e9tica na sua categoria, al\u00e9m de trazerem informa\u00e7\u00f5es como a autonomia em quilometro por litro de combust\u00edvel na cidade e na estrada e a emiss\u00e3o de CO2 \u2013 esta \u00faltima \u00e9 classificada por estrelas, de 1 estrela (menos eficiente) a 3 estrelas (mais eficiente).<\/p>\n<p>As notas podem aparecer como uma etiqueta no carro, se a montador concordar em utiliz\u00e1-la. Neste ano, 36 marcas participaram do programa com modelos ano 2015, somando, at\u00e9 14 de agosto, 615 ve\u00edculos \u2014 alta de mais de 18,4% ante a pesquisa de 2014.<\/p>\n<p>Segundo o Inmetro, o consumo de combust\u00edvel dos ve\u00edculos subcompactos, um dos segmentos mais comercializados no Brasil, com nota \u201cA\u201d est\u00e1 10% mais eficiente do que em 2014.<\/p>\n<p>O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) defende que o programa se torne obrigat\u00f3rio e que, ao aderir ao PBEV, o fabricante ou importador submeta toda a sua frota ao teste. Atualmente, as empresas podem escolher os modelos e vers\u00f5es que ser\u00e3o classificados.<\/p>\n<p>\u201cCada vez mais modelos est\u00e3o sendo incorporados voluntariamente ao programa, o que revela a sua credibilidade. Hoje, os fabricantes colocam a etiqueta nos vidros de 80% dos ve\u00edculos inscritos. At\u00e9 2017, esse n\u00famero ser\u00e1 de 100%\u201d, afirma Alfredo Lobo, diretor de Avalia\u00e7\u00e3o da Conformidade, em nota do Inmetro.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia de como a informa\u00e7\u00e3o sobre consumo pode afetar o bolso do consumidor, um carro subcompacto classificado como \u201cA\u201d faz, em m\u00e9dia, 14,9 quil\u00f4metros com um litro de gasolina na estrada e 12,2 quil\u00f4metros na cidade, contra 10,9 e 9,6 quil\u00f4metros, respectivamente, para um subcompacto \u201cE\u201d.<\/p>\n<p>Num percurso di\u00e1rio de 40 quil\u00f4metros, a economia para quem opta por um ve\u00edculo \u201cA\u201d pode ser de mais de 957 reais por ano. Em cinco anos, o valor fica superior a 4,8 mil reais, o que representa de 10% a 15% do valor do pr\u00f3prio carro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT, na sigla em ingl\u00eas) aponta<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28141,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/carro_economico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um novo estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT, na sigla em ingl\u00eas) aponta","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28138"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28138\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}