{"id":28097,"date":"2015-09-13T06:00:07","date_gmt":"2015-09-13T09:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=28097"},"modified":"2015-09-13T00:12:52","modified_gmt":"2015-09-13T03:12:52","slug":"especies-raras-sao-vitimas-do-desmatamento-em-areas-devastadas-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/especies-raras-sao-vitimas-do-desmatamento-em-areas-devastadas-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Esp\u00e9cies raras s\u00e3o v\u00edtimas do desmatamento em \u00e1reas devastadas na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"corpo\">\n<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/biodiversidade_aves.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-28098\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/biodiversidade_aves-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/biodiversidade_aves-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/biodiversidade_aves.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Bruno Calixto<\/strong><\/p>\n<p>A floresta amaz\u00f4nica abriga muitas esp\u00e9cies. Tantas que a ci\u00eancia ainda n\u00e3o conseguiu descrever todas elas. Com o avan\u00e7o do desmatamento, pode ocorrer uma pasteuriza\u00e7\u00e3o dessa diversidade, com os animais mais raros perdendo seus habitats para os animais comuns. Essa simplifica\u00e7\u00e3o da vida na floresta \u00e9 chamada de \u201chomogeneiza\u00e7\u00e3o bi\u00f3tica\u201d, e um estudo, publicado na revista cient\u00edfica Ecology Letters, procurou avaliar se esse fen\u00f4meno est\u00e1 acontecendo nas \u00e1reas desmatadas e de degrada\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Essa simplifica\u00e7\u00e3o acontece porque as esp\u00e9cies t\u00eam estrat\u00e9gias diferentes de sobreviv\u00eancia. Algumas s\u00e3o especialistas. Elas s\u00f3 sobrevivem em um local muito espec\u00edfico, com uma dieta restrita. Outras s\u00e3o generalistas. T\u00eam h\u00e1bitos alimentares mais variados e se espalham por muitas \u00e1reas. As duas estrat\u00e9gias funcionam bem, at\u00e9 a a\u00e7\u00e3o humana come\u00e7ar a alterar os ecossistemas. O desmatamento de uma \u00e1rea compromete a sobreviv\u00eancia dos especialistas e abre espa\u00e7o para os generalistas. Por isso, a paisagem come\u00e7a a ficar homog\u00eanea: apenas um tipo de esp\u00e9cie sobrevive.<\/p>\n<p>O estudo How pervasive is biotic homogenization in human-modified tropical forest landscape? Tentou avaliar se essa homogeneiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 de fato acontecendo na Amaz\u00f4nia. Por isso, os pesquisadores coletaram amostras e contaram esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros, besouros, plantas, abelhas e formigas em 335 locais da Amaz\u00f4nia nas regi\u00f5es de Paragominas e Santar\u00e9m, no Par\u00e1, num total de 3 milh\u00f5es de hectares. Essas \u00e1reas foram divididas de acordo com o estado de conserva\u00e7\u00e3o: desde florestas prim\u00e1rias, que n\u00e3o sofreram nenhum tipo de degrada\u00e7\u00e3o, at\u00e9 \u00e1reas completamente desmatadas, passando por todos os est\u00e1gios entre eles.<\/p>\n<p>Sem grandes surpresas, o estudo identificou que \u00e1reas de florestas que foram totalmente substitu\u00eddas pelo pasto ou agricultura sofreram com essa simplifica\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Caiu o n\u00famero de animais e plantas nessas \u00e1reas, e n\u00e3o h\u00e1 diversidade entre as esp\u00e9cies de uma \u00e1rea desmatada para outra \u2013 s\u00e3o praticamente os mesmos tipos de abelhas, formigas e p\u00e1ssaros que aparecem em \u00e1reas desmatadas diferentes.<\/p>\n<p>A surpresa aconteceu quando se analisou os dados das \u00e1reas florestais degradadas. As florestas com degrada\u00e7\u00e3o por fogo ou retirada de \u00e1rvores tamb\u00e9m contam com menos esp\u00e9cies. Mas mesmo assim nestas \u00e1reas h\u00e1 mais diversidade entre elas. S\u00e3o locais que ainda n\u00e3o est\u00e3o homog\u00eaneos.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador da Universidade Federal de Vi\u00e7osa Ricardo Solar, autor principal do estudo, esses resultados t\u00eam implica\u00e7\u00f5es importantes nas pol\u00edticas brasileiras para a prote\u00e7\u00e3o da floresta. Uma delas \u00e9 que vale a pena preservar mesmo \u00e1reas em alto est\u00e1gio de degrada\u00e7\u00e3o. \u201cO ideal \u00e9 evitar o degrada\u00e7\u00e3o, porque ela diminui o n\u00famero de esp\u00e9cies. Mas uma vez que a \u00e1rea j\u00e1 foi degradada, ainda assim \u00e9 importante manter essa \u00e1rea para conserva\u00e7\u00e3o\u201d. Hoje, essas \u00e1reas s\u00e3o preteridas para concentrar mais esfor\u00e7os na prote\u00e7\u00e3o de florestas intocadas.<\/p>\n<p>Outra implica\u00e7\u00e3o diz respeito na forma como os produtores rurais est\u00e3o cumprindo o C\u00f3digo Florestal. Pelo c\u00f3digo, o produtor pode recompor uma \u00e1rea de floresta desmatada em outro local, fora de sua fazenda. \u201cEm munic\u00edpios que j\u00e1 est\u00e3o muito desmatados, \u00e9 comum ver os fazendeiros comprando cotas de floresta todas concentradas em uma \u00fanica parte do munic\u00edpio. O que o nosso estudo diz \u00e9 que essa concentra\u00e7\u00e3o de reservas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o efetiva. Seria mais efetivo se cada fazenda mantivesse sua reserva florestal\u201d, diz. Desta forma, mesmo com a legisla\u00e7\u00e3o brasileira permitindo o desmatamento, por meio do C\u00f3digo Florestal, seria poss\u00edvel proteger um maior n\u00famero de esp\u00e9cies da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"fonte\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Calixto A floresta amaz\u00f4nica abriga muitas esp\u00e9cies. 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