{"id":28055,"date":"2015-09-13T10:00:07","date_gmt":"2015-09-13T13:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=28055"},"modified":"2015-09-12T23:55:13","modified_gmt":"2015-09-13T02:55:13","slug":"manejo-do-pirarucu-garante-renda-sustentavel-a-indigenas-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/manejo-do-pirarucu-garante-renda-sustentavel-a-indigenas-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Manejo do pirarucu garante renda sustent\u00e1vel a ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-28057\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 sete anos, ind\u00edgenas da etnia Paumari do Rio Tapau\u00e1, no sul da Amaz\u00f4nia, mudaram totalmente os h\u00e1bitos de pesca para participar de uma experi\u00eancia de manejo do pirarucu. Na \u00e9poca, por falta de informa\u00e7\u00e3o, eles pescavam de forma indiscriminada e ganhavam pouco ou nada pelo produto. E o pirarucu, um dos maiores peixes de \u00e1gua doce do mundo, estava amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o. Atualmente, os paumaris garantem renda para as aldeias com a pesca planejada, ao mesmo tempo em que preservam a esp\u00e9cie, agora na lista das vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Na primeira contagem desses peixes nos mais de 60 lagos da reserva dos paumaris, em 2008, foram encontrados 252 pirarucus. Na contagem anual feita em 2014, os ind\u00edgenas registraram mais de 2,5 mil peixes. O esfor\u00e7o para alcan\u00e7ar esse resultado foi grande. Os paumaris ficaram sem pescar nenhum pirarucu por cinco anos, tempo necess\u00e1rio para recuperar o estoque da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Apoiador da ideia desde o in\u00edcio, o ind\u00edgena Jurandi Souza de Oliveira Paumari garante que valeu a pena. &#8220;Este ano o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis] liberou a pesca de 220 peixes, quase a popula\u00e7\u00e3o total que contamos em 2008. Mas como somos poucos, devemos tirar cerca de 130 peixes&#8221;, disse orgulhoso.<\/p>\n<p>Jurandi conta que antes do manejo os paumaris pescavam errado. &#8220;A gente pescava todos os peixes pirarucu que consegu\u00edamos, n\u00e3o importava o tamanho. Vend\u00edamos ou troc\u00e1vamos por outros produtos com comerciantes, mas o valor do nosso produto era muito baixo. Sobrava pouco ou nada para n\u00f3s, em alguns casos dava at\u00e9 despesa.&#8221;<\/p>\n<p>O pescador relata que houve muita resist\u00eancia nas aldeias quando a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Opera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Nativa (Opan) apresentou ao povo Paumari a solu\u00e7\u00e3o de manejo sustent\u00e1vel criada pelo Instituto Mamirau\u00e1, ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o. &#8220;A gente ficou desconfiado. Eles falaram do sucesso da experi\u00eancia em outros locais, que se a gente come\u00e7asse a preservar os lagos o peixe teria um crescimento populacional maior e a gente poderia pescar mais. A gente ficou meio desacreditado&#8221;, conta Jurandi.<\/p>\n<p>Segundo ele, o convencimento dos cerca de 200 moradores da regi\u00e3o veio aos poucos, com a percep\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o da reserva. &#8220;Conclu\u00edmos que, se toda a comunidade trabalhasse junta, poder\u00edamos crescer mais. Da forma como era, mais cedo ou mais tarde ficar\u00edamos sem condi\u00e7\u00f5es de vida na \u00e1rea.&#8221;<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas foram formados para fazer contagens anuais nos lagos da regi\u00e3o e orientados a pescar apenas peixes maiores que 1,5 metro. Tamb\u00e9m aprenderam as regras de higiene e como executar de forma profissional as atividades de limpeza, pesca e carregamento. &#8220;Os benef\u00edcios econ\u00f4micos vieram com a comercializa\u00e7\u00e3o do pescado, a partir de parcerias com cooperativas para garantir compradores&#8221;, explica o bi\u00f3logo Diogo Borges, da Opan.<\/p>\n<h3><strong>Dificuldade<\/strong><\/h3>\n<p>A maior dificuldade dos pescadores paumaris hoje \u00e9 a falta de energia el\u00e9trica e gelo, que impede o armazenamento e o poss\u00edvel beneficiamento do pescado. &#8220;Precisamos muito de recursos para comprar barcos adequados e para produzir gelo&#8221;, diz Jurandi. Atualmente os pescadores dependem de uma cooperativa parceira de um munic\u00edpio da regi\u00e3o para recolher os peixes, em at\u00e9 tr\u00eas horas. &#8220;Eles se organizam e vem um barco do munic\u00edpio de L\u00e1brea para buscar esse pescado com o gelo&#8221;, conta Diogo Carneiro, da Opan.<\/p>\n<p>Na primeira pesca, em 2013, o resultado surpreendeu. &#8220;Todo mundo pode ver o futuro, a\u00ed os que estavam de fora conclu\u00edram que valia a pena e a gente abra\u00e7ou todo mundo&#8221;, diz Jurandi. Ele conta que, em vez de dividir o dinheiro da venda dos peixes s\u00f3 entre quem participou da pesca, decidiram compartilhar o lucro com todos os maiores de 12 anos da reserva.<\/p>\n<p>Na segunda pesca, em 2014, os ind\u00edgenas passaram a usar um sistema de pontos para calcular o valor que cada um receberia com base no esfor\u00e7o. A pesca de 2015 ser\u00e1 no final do m\u00eas, uma semana ap\u00f3s a contagem dos pirarucus na reserva, prevista para o dia 20 de setembro.<\/p>\n<h3><strong>Manejo<\/strong><\/h3>\n<p>A pesca do pirarucu foi proibida no Estado do <strong><a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/amazonas\">Amazonas<\/a><\/strong> em 1996. O manejo sustent\u00e1vel da esp\u00e9cie come\u00e7ou a ser implementado h\u00e1 12 anos pelo Instituto Mamirau\u00e1 na regi\u00e3o do M\u00e9dio Solim\u00f5es. De acordo com o instituto, desde que o manejo come\u00e7ou, o faturamento com a pesca passou de R$ 10,8 mil, em 1999, para R$ 2,6 milh\u00f5es, em 2014. A renda dos pescadores aumentou 29% no per\u00edodo. A produ\u00e7\u00e3o de pirarucu passou de 3,2 mil quilos (kg) para 484,9 mil kg, ao mesmo tempo em que tem sido registrado, desde 1999, aumento populacional de pirarucus de 25% ao ano.<\/p>\n<p>Representantes do povo Paumari estiveram em Bras\u00edlia na quinta-feira (10) para apresentar a experi\u00eancia ao Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura, que manifestou interesse em replicar a ideia em outras comunidades ind\u00edgenas. O assessor Kelvin Lopes, da Secretaria de Planejamento e Ordenamento da Pesca disse que o Minist\u00e9rio da Pesca e a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) devem firmar um acordo em breve. &#8220;Acredito que em no m\u00e1ximo 40 dias deve sair o acordo de a\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre o Minist\u00e9rio e a Funai&#8221;, conta. Ele explica que o plano \u00e9 considerar as voca\u00e7\u00f5es de cada etnia para promover a gest\u00e3o sustent\u00e1vel dos recursos pesqueiros das reservas. &#8220;Alguns tem voca\u00e7\u00e3o para a pesca esportiva outros, para a pesca ornamental ou para o manejo pesqueiro de diferentes esp\u00e9cies&#8221;, diz Kelvin Lopes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 sete anos, ind\u00edgenas da etnia Paumari do Rio Tapau\u00e1, no sul da Amaz\u00f4nia, mudaram<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28057,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/pirarucu.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 sete anos, ind\u00edgenas da etnia Paumari do Rio Tapau\u00e1, no sul da Amaz\u00f4nia, mudaram","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28055"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28055"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28055\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}