{"id":27976,"date":"2015-09-12T11:00:50","date_gmt":"2015-09-12T14:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27976"},"modified":"2015-09-11T21:44:36","modified_gmt":"2015-09-12T00:44:36","slug":"aquecimento-do-mar-provoca-migracao-de-especies-e-cria-novos-ecossistemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aquecimento-do-mar-provoca-migracao-de-especies-e-cria-novos-ecossistemas\/","title":{"rendered":"Aquecimento do mar provoca migra\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e cria novos ecossistemas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/alto_mar.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27977\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/alto_mar-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/alto_mar-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/alto_mar.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>No Maine, Estado no extremo nordeste dos Estados Unidos, as lagostas florescem. A Comiss\u00e3o de Pesca Marinha dos Estados Atl\u00e2nticos informou no m\u00eas passado que os cardumes chegaram a um recorde de expans\u00e3o.<\/p>\n<p>Descendo o litoral, no entanto, a hist\u00f3ria \u00e9 diferente. No sul da Nova Inglaterra, a lagosta despencou para o n\u00edvel mais baixo j\u00e1 registrado, tirando do neg\u00f3cio muitos de seus pescadores.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de lagosta aumenta e cai por diversos motivos. Por\u00e9m, em seu novo relat\u00f3rio, a Comiss\u00e3o destacou um fator que provavelmente est\u00e1 motivando as mudan\u00e7as recentes: o oceano est\u00e1 se aquecendo.<\/p>\n<p>No extremo norte da \u00e1rea em que a lagosta vive, temperaturas mais elevadas podem estar acelerando o metabolismo, levando \u00e0 explos\u00e3o populacional. Por\u00e9m, na ponta sul, a \u00e1gua pode estar ficando quente demais, colocando os animais em uma condi\u00e7\u00e3o de estresse extremo.<\/p>\n<p>As lagostas da Nova Inglaterra fazem parte de uma tend\u00eancia global. Os oceanos v\u00eam aquecendo nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em grande medida por causa dos gases do efeito estufa, que aprisionam o calor, liberados pelo homem na atmosfera. Muitas esp\u00e9cies marinhas do mundo inteiro reagiram, mudando-se para \u00e1guas mais confort\u00e1veis.<\/p>\n<p>Segundo estudo de 2013, as esp\u00e9cies marinhas est\u00e3o ampliando os limites de seu habitat no sentido dos polos, afastando-se do Equador, a uma velocidade m\u00e9dia de sete quil\u00f4metros por ano. \u00c9 uma velocidade dez vezes maior do que aquele com que esp\u00e9cies terrestres se deslocam.<\/p>\n<p>Para compreender como a temperatura em eleva\u00e7\u00e3o vai mudar a vida no oceano, cientistas est\u00e3o desenvolvendo modelos computacionais para entender onde as diversas esp\u00e9cies v\u00e3o terminar. No presente momento, os modelos s\u00e3o simples, mas a imagem que produzem \u00e9 bastante clara.<\/p>\n<p>O aquecimento global vai reembaralhar os ecossistemas marinhos em uma escala n\u00e3o vista h\u00e1 milh\u00f5es de anos. Os bi\u00f3logos marinhos ainda n\u00e3o sabem dizer como ser\u00e3o os novos habitat.<\/p>\n<p>&#8220;Quando se coloca um monte de esp\u00e9cies num liquidificador, nunca se sabe o que ir\u00e1 sair&#8221;, disse Malin L. Pinsky, bi\u00f3logo marinho da Universidade Rutgers.<\/p>\n<p>A tentativa mais ambiciosa de mapear o futuro da vida oce\u00e2nica foi publicada em 31 de agosto em &#8220;Nature Climate Change&#8221;. Uma equipe internacional de cientistas analisou os habitat atuais de quase 13 mil esp\u00e9cies de peixes, invertebrados e outros organismos marinhos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores computaram as temperaturas mais quentes e frias nas quais cada esp\u00e9cie foi observada. Se o futuro transcorrer como se deu no passado, avaliaram os cientistas, cada esp\u00e9cie vai provavelmente se mudar para permanecer em seu &#8220;nicho t\u00e9rmico&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a jornada ser\u00e1 mais f\u00e1cil para alguns animais do que para outros. Alguns ser\u00e3o capazes de nadar pelo mar aberto para escapar de \u00e1guas quentes demais. Outros podem achar o caminho bloqueado por massas de terra ou mares rasos.<\/p>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m compararam a biodiversidade projetada de cada regi\u00e3o do oceano em 2100 com a vista hoje em dia. Os tr\u00f3picos v\u00e3o perder uma parcela substancial de suas esp\u00e9cies, conclu\u00edram. E n\u00e3o veremos novas esp\u00e9cies emigrando para a regi\u00e3o para ocupar seu lugar.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que mais esp\u00e9cies se afastam do Equador, elas v\u00e3o entrar em novos ecossistemas mais pr\u00f3ximos dos polos. Essa migra\u00e7\u00e3o produzir\u00e1 combina\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies sem precedentes nos \u00faltimos milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Jennifer Sunday, bi\u00f3loga marinha da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica que n\u00e3o participou do novo estudo, disse que ele representava um progresso importante na compreens\u00e3o do futuro do oceano. &#8220;Eles deram um grande passo ao manter o registro de onde as esp\u00e9cies est\u00e3o&#8221;, ela assegurou.<\/p>\n<p>Ela alertou que os cientistas ainda precisam entender muita coisa sobre a influ\u00eancia da temperatura marinha sobre seus habitantes. Em um estudo que ela e outros colegas publicaram na edi\u00e7\u00e3o de setembro de &#8220;Ecology Letters&#8221;, constatou-se que esp\u00e9cies com habitat pequenos podem sobreviver em temperaturas que variam bastante em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s dos habitat atuais.<\/p>\n<p>Se os animais fossem retidos apenas pela temperatura, poderiam ser encontrados a 1.600 quil\u00f4metros ou mais dos habitat presentes. Em vez disso, &#8220;eles s\u00e3o limitados pelo habitat, pela competi\u00e7\u00e3o e todas essas pequenas coisas que os mant\u00eam em \u00e1reas menores&#8221;, afirmou Jennifer.Jorge Garc\u00eda Molinos, principal autor do novo estudo, concordou que as proje\u00e7\u00f5es sobre o futuro dos oceanos v\u00e3o melhorar conforme os cientistas acrescentarem uma maior complexidade biol\u00f3gica. &#8220;Nosso modelo \u00e9 bom para um primeiro retrato.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil prever o que a chegada de novas esp\u00e9cies \u00e0s regi\u00f5es de maiores latitudes do oceano far\u00e1 com aqueles ecossistemas. Algumas esp\u00e9cies rec\u00e9m-chegadas podem estar mais bem adaptadas a \u00e1guas quentes, superando as nativas. Outras podem ser extintas. &#8220;Creio se tratar de um jogo sobre vencedores e perdedores&#8221;, declarou Molinos.<\/p>\n<p>Pinsky, que n\u00e3o participou do estudo, tamb\u00e9m v\u00ea sinais agourentos para a humanidade na pesquisa.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas esp\u00e9cies est\u00e3o se afastando dos tr\u00f3picos, e muito provavelmente isso ter\u00e1 implica\u00e7\u00f5es sobre a seguran\u00e7a alimentar. Em muitos desses pa\u00edses, os frutos do mar s\u00e3o uma fonte muito importante de nutri\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode produzir um vazio gritante nos oceanos.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Maine, Estado no extremo nordeste dos Estados Unidos, as lagostas florescem. 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