{"id":27848,"date":"2015-09-09T14:00:48","date_gmt":"2015-09-09T17:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27848"},"modified":"2015-09-08T21:46:01","modified_gmt":"2015-09-09T00:46:01","slug":"no-ritmo-atual-uma-montanha-de-lixo-ira-nos-soterrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/no-ritmo-atual-uma-montanha-de-lixo-ira-nos-soterrar\/","title":{"rendered":"No ritmo atual uma montanha de lixo ir\u00e1 nos soterrar, conclui pesquisa divulgada pela Abrelpe"},"content":{"rendered":"<div id=\"textstructured\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27849\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Diferente da nossa economia, que apresenta desacelera\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o para de crescer \u00e9 a\u00a0 capacidade nacional de gerar cada dia mais lixo. Foi o que concluiu a nova pesquisa divulgada pela Abrelpe \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Limpeza P\u00fablica e Res\u00edduos Especiais.<\/p>\n<p>Segundo os dados levantados pela entidade em cerca de 400 munic\u00edpios nos quais residem quase 92 milh\u00f5es de pessoas, de 2003 a 2014 a quantidade de res\u00edduos produzidos pelos brasileiros foi cinco vezes superior ao aumento populacional do per\u00edodo que foi de apenas 6%. Hoje em m\u00e9dia cada pessoa gera 1,062 quilos de lixo por dia!<\/p>\n<p>Os formuladores da pesquisa afirmam que essa \u00e9 a primeira e mais abrangente feita sobre a situa\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos no Brasil, ap\u00f3s a entrada em vigor da PNRS \u2013 a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, em 2010. Desde ent\u00e3o pouca coisa prevista na lei foi efetivamente implementada, entre elas, um aumento na reciclagem da ordem de 7,2%. Quando a lei passou a valer, apenas 57,6% das cidades brasileiras tinham coleta seletiva, agora esse n\u00famero saltou para 64,8% dos munic\u00edpios que reciclam seus res\u00edduos. Um avan\u00e7o, sem d\u00favida, bem t\u00edmido!<\/p>\n<p>Mas as boas not\u00edcias praticamente param por a\u00ed! No ano passado apenas 58,4% de um total de 78,6 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos coletados tiveram destina\u00e7\u00e3o adequada, ou seja, foram ao menos encaminhados para aterros sanit\u00e1rios, locais apropriados e preparados para receber esses materiais. Outros 41% foram parar em lix\u00f5es ou aterros controlados, lugares inadequados e que oferecem riscos \u00e0 sa\u00fade das pessoas, ao meio ambiente e podem trazer s\u00e9rias e irrevers\u00edveis consequ\u00eancias como a contamina\u00e7\u00e3o do solo e do len\u00e7ol fre\u00e1tico, entre outros.<\/p>\n<p><b>Exemplo na Amaz\u00f4nia<\/b><\/p>\n<p>Recentemente tive a oportunidade de conhecer uma realidade que d\u00e1 uma medida de quanto \u00e0 falta de uma a\u00e7\u00e3o mais efetiva para a implanta\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos dever\u00e1 agravar um quadro que j\u00e1 pode ser considerado dram\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u00c0 convite da empresa Tetra Pak, visitei experi\u00eancias de coleta seletiva em comunidades ribeirinhas que fazem parte da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) do Rio Negro em Manaus, no estado do Amazonas.<\/p>\n<p>O projeto desenvolvido em parceria com a FAS \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Amazonas Sustent\u00e1vel tem o objetivo de reduzir os impactos causados pelo lan\u00e7amento de res\u00edduos que tradicionalmente eram jogados no Rio Negro ou enterrados e at\u00e9 mesmo queimados.<\/p>\n<p>Quando a realidade dessas comunidades estava ligada, basicamente, ao descarte de material org\u00e2nico, ou seja, restos de alimentos, cascas de frutas e madeira, o pr\u00f3prio ambiente possu\u00eda condi\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis de absor\u00e7\u00e3o. A partir do momento em que as comunidades passam a consumir cada vez mais produtos descart\u00e1veis e alimentos industrializados embalados, entre outros, a situa\u00e7\u00e3o muda completamente. Jogar no rio materiais como, pl\u00e1sticos, metais e at\u00e9 mesmo pilhas e baterias, altamente t\u00f3xicos e poluentes tr\u00e1s terr\u00edveis consequ\u00eancias para as pessoas e o meio ambiente amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p>Algumas comunidades como a Tr\u00eas Unidos que fica \u00e0s margens do Rio Cuieiras felizmente come\u00e7am a entender os perigos do descarte indiscriminado desses materiais. O Centro de Triagem l\u00e1 localizado recebe embalagens diversas e por meio de uma prensa entregue pela Tetra Pak, todo o material \u00e9 compactado e depois enviado \u00e0 Manaus para uma destina\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p>Alunos de outras 19 comunidades se dirigem diariamente para estudar no N\u00facleo de Conserva\u00e7\u00e3o e Sustentabilidade Assy Manana, onde estudam e s\u00e3o estimulados a enviar os res\u00edduos de suas comunidades para serem prensadas no centro de triagem da Tr\u00eas Unidos. No ano passado cerca de 1,5 tonelada de res\u00edduos passaram pelo local e neste ano s\u00e3o esperadas a coleta de duas toneladas de materiais recicl\u00e1veis.<\/p>\n<p>Fernando von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak explica que o fornecimento dos materiais adequados para a constru\u00e7\u00e3o do centro de triagem e os equipamentos compat\u00edveis com as necessidades locais representam importantes apoios para a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, mas ressalta, \u201ctoda a m\u00e3o de obra \u00e9 local e os resultados s\u00f3 aparecem se as pessoas estiverem envolvidas com o projeto\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAqui na Amaz\u00f4nia as dificuldades para um processo como esse s\u00e3o bem maiores do que em S\u00e3o Paulo, por exemplo, por causa das quest\u00f5es log\u00edsticas da regi\u00e3o\u201d, afirma Virg\u00edlio Viana, engenheiro florestal e superintendente geral da FAS. Para ele, esses enormes desafios requerem uma conscientiza\u00e7\u00e3o ainda maior. A educa\u00e7\u00e3o, o convencimento e o posterior engajamento das pessoas s\u00e3o as bases necess\u00e1rias para o sucesso no trabalho de reciclagem.<\/p>\n<p>Mesmo com a expans\u00e3o do projeto previsto para atingir mais comunidades, ainda ser\u00e1 pequeno diante de outras centenas de aglomerados humanos residentes na nossa Amaz\u00f4nia que, neste momento, est\u00e3o jogando nos rios uma quantidade imensa de materiais poluentes e contaminantes. Por essa raz\u00e3o, os esfor\u00e7os precisam envolver seriamente mais atores da sociedade manauara e dos outros estados da regi\u00e3o e de todo o Brasil. S\u00f3 para se ter uma ideia, a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos apenas em Manaus \u00e9 superior a 1,5 milh\u00e3o de toneladas anuais. De 2005 a 2012 houve um incremento de 38% na quantidade de res\u00edduos produzidos pela capital do Amazonas, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza e Servi\u00e7os P\u00fablicos\u00a0da cidade.<\/p>\n<p>Como refletiu o cacique tuxaua Valdemir Triukuxuri, um dos l\u00edderes da comunidade Tr\u00eas Unidos, de acordo com a tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, tudo que \u00e9 importante deve estar na frente, a vista de todos. Foi por essa raz\u00e3o que o Centro de Triagem possui localiza\u00e7\u00e3o privilegiada bem na frente da comunidade. \u201c\u00cdndio considera um monumento, porque \u00e9 bom para a sa\u00fade de todos\u201d.<\/p>\n<p>Pois bem s\u00e3o essas alternativas que nos restam: colocar o problema na frente para que todos possam ver e agir, parar de protelar indefinidamente os pontos principais previstos em lei como o fim dos lix\u00f5es e o aumento da capacidade de reciclagem em todo o pa\u00eds ou s\u00f3 assistir o problema crescer perigosamente. Nesse \u00faltimo caso, o que o futuro nos reserva, se continuarmos a empurrar com a barriga a implanta\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos? Ser\u00e1 mesmo uma imensa e vergonhosa montanha de lixo que n\u00e3o mais poder\u00e1 ser escondida.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diferente da nossa economia, que apresenta desacelera\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o para de crescer \u00e9 a\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27849,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/lixo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Diferente da nossa economia, que apresenta desacelera\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o para de crescer \u00e9 a\u00a0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27848"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27848\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}