{"id":2784,"date":"2014-07-12T00:00:42","date_gmt":"2014-07-12T00:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=2784"},"modified":"2014-07-11T18:59:17","modified_gmt":"2014-07-11T18:59:17","slug":"projeto-purus-e-a-financeirizacao-do-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/projeto-purus-e-a-financeirizacao-do-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"Projeto Purus e a financeiriza\u00e7\u00e3o do meio ambiente"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"contentheading\"><strong>Entrevista especial com Elder Andrade de Paula<\/strong><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA ofensiva em torno da difus\u00e3o de REDD e outros mecanismos identificados com Pagamentos por Servi\u00e7os Ambientais &#8211; PSA cresceu monumentalmente ap\u00f3s a eclos\u00e3o da crise econ\u00f4mica do capitalismo iniciada em 2007-2008. Isso ocorreu porque, entre outras raz\u00f5es, o capital financeiro aproveitou-se da oportunidade para recompor parte do capital fict\u00edcio \u2018queimado\u2019 na crise mais recente\u201d, adverte o pesquisador.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 15px; float: right;\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn2.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcRTAat5lvK7jB6WJskr5n5KCEGjMk_D-wyMIwzv5kASYgzscJOsyw\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: xx-small;\">Foto: geografianovest.blogspot.com.br<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema de REDD (Redu\u00e7\u00e3o das Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o Florestal), um mecanismo financeiro adotado por diversos pa\u00edses para compensar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa provenientes da degrada\u00e7\u00e3o florestal, \u201ctem sido cada vez mais comum (&#8230;) em grandes eventos e tamb\u00e9m por parte de empresas\u201d. Contudo, na avalia\u00e7\u00e3o de Elder Andrade de Paula, \u201cesses projetos est\u00e3o inseridos numa estrat\u00e9gia mais ampla de apropria\u00e7\u00e3o dos bens naturais pelos capitais privados\u201d. Segundo ele, \u201cvalendo-se, por um lado, do \u2018medo\u2019 das poss\u00edveis trag\u00e9dias advindas dos efeitos das \u2018mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u2019 e, por outro, da \u2018esperan\u00e7a\u2019 em minimizar tais efeitos, esses projetos prometem reduzir as emiss\u00f5es de CO\u00b2 via redu\u00e7\u00e3o de desmatamento, como \u00e9 o caso do Projeto Purus, no Acre\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, concedida por e-mail \u00e0 IHU On-Line, o pesquisador explica que no Acre foram anunciados dois projetos de REDD, o Purus e o Val Para\u00edso, os quais \u201cdevem ser entendidos como corol\u00e1rio de um conjunto de pol\u00edticas identificadas com a matriz do capitalismo verde, institu\u00eddas pelo governo do estado a partir de 1999. Elas incluem a formula\u00e7\u00e3o de um Zoneamento Econ\u00f4mico Ecol\u00f3gico, Lei de concess\u00e3o de Florestas P\u00fablicas e incentivo \u00e0 expans\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o madeireira via Planos de Manejo Florestal Sustent\u00e1vel &#8211; PMFS e culminam com a Lei SISA em 2010, que institui os Pagamentos por Servi\u00e7os Ambientais &#8211; PSA. No processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o dessa Lei, foram privilegiados aqueles \u2018servi\u00e7os ambientais\u2019 relacionados com \u2018sequestro\u2019 de carbono. Criaram-se institui\u00e7\u00f5es voltadas para operar com essas pol\u00edticas e foram obtidos financiamentos externos para implementar o \u2018Programa Isa-carbono\u2019. Em fina sintonia com a matriz imperial institu\u00edda via Banco Mundial, USAID e grandes ONGs conservacionistas como WWF, o estado do Acre \u00e9 propagandeado como \u2018modelo de economia verde\u2019\u201d. De acordo com o agr\u00f4nomo, a implementa\u00e7\u00e3o dos projetos \u201cinviabiliza a reprodu\u00e7\u00e3o social das popula\u00e7\u00f5es e povos que vivem nas e das florestas. Al\u00e9m de imporem uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o e uso dos seus territ\u00f3rios, instituem mecanismos de controle que promovem uma devastadora desagrega\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os de sociabilidade interna\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elder Andrade de Paula informa ainda que desde a implementa\u00e7\u00e3o do REDD como medida para minimizar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u201caumentam as press\u00f5es dos agentes financeiros interessados na expans\u00e3o desse tipo de neg\u00f3cio\u201d. Segundo ele, a Fifa tamb\u00e9m participa do Projeto Purus para compensar os gases de efeito estufa gerados durante a realiza\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo. \u201cNada melhor do que um megaevento como a \u2018Copa do Mundo\u2019 para massificar a difus\u00e3o desse tipo de iniciativa. A FIFA tem um duplo ganho com isso, uma vez que defende os interesses das corpora\u00e7\u00f5es a ela vinculadas e ao mesmo tempo vende uma imagem de uma organiza\u00e7\u00e3o \u2018comprometida com o meio ambiente\u2019, uma vez que estaria \u2018compensando\u2019 as emiss\u00f5es de CO\u00b2 resultantes da realiza\u00e7\u00e3o da \u2018Copa do Mundo 2014\u2019\u201d, critica. E rebate: \u201cObviamente, no caso da \u2018copa do mundo\u2019 n\u00e3o aparecem os \u2018custos ambientais\u2019 e sociais relativos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o dos palcos (est\u00e1dios\/arenas) para realiza\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos: contamina\u00e7\u00f5es resultantes da produ\u00e7\u00e3o de materiais para constru\u00e7\u00e3o dos mesmos, fam\u00edlias expropriadas nos seus entornos, oper\u00e1rios vitimados no \u2018Itaquer\u00e3o\u2019 ou sob os escombros do viaduto em Belo Horizonte, etc. Mais ainda, n\u00e3o \u00e9 computado o sofrimento das fam\u00edlias atingidas por projetos como o Purus, apresentados como \u201ccompensa\u00e7\u00e3o\u201d para a neutraliza\u00e7\u00e3o do CO\u00b2 gerado no decorrer da \u2018Copa do Mundo 2014\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elder Andrade de Paula \u00e9 licenciado em Ci\u00eancias Agr\u00edcolas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro &#8211; UFRJ, especialista em Ci\u00eancias Sociais com enfoque na Amaz\u00f4nia pela Universidade Federal do Acre \u2013 UFAC, mestre e doutor em Desenvolvimento Agr\u00edcola e Sociedade. Atualmente \u00e9 docente da Universidade Federal do Acre \u2013 UFAC.<\/p>\n<table style=\"margin: 15px; width: 207px; height: 206px;\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/347cftt.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">&#8220;Aquela maldita plaquinha \u2018sorria, voc\u00ea est\u00e1 sendo filmado\u2019, comum em sistemas de vigil\u00e2ncia comercial nos centros urbanos, ter\u00e1 agora sua vers\u00e3o florestal&#8221;<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Em que consistem e como surgiram os projetos privados de cr\u00e9dito de carbono no Acre, especialmente o Projeto Purus?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elder Andrade de Paula &#8211;<\/strong> Esses projetos est\u00e3o inseridos numa estrat\u00e9gia mais ampla de apropria\u00e7\u00e3o dos bens naturais pelos capitais privados. Sua caracter\u00edstica fundamental reside no maior estreitamento dos v\u00ednculos diretos entre mercantiliza\u00e7\u00e3o e financeiriza\u00e7\u00e3o da natureza em escala planet\u00e1ria. Isso implica na necessidade de instituir uma padroniza\u00e7\u00e3o das legisla\u00e7\u00f5es nacionais com vistas a assegurar novas modalidades de contratos \u2013 como \u00e9 o caso do \u201cmercado de cr\u00e9ditos de carbono\u201d \u2013 e facilitar a opera\u00e7\u00e3o dos mesmos no \u00e2mbito do sistema financeiro internacional.\u00a0 Valendo-se, por um lado, do \u201cmedo\u201d das poss\u00edveis trag\u00e9dias advindas dos efeitos das \u201cmudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d e, por outro, da \u2018esperan\u00e7a\u201d em minimizar tais efeitos, esses projetos prometem reduzir as emiss\u00f5es de <strong>CO\u00b2<\/strong> via redu\u00e7\u00e3o de desmatamento, como \u00e9 o caso do <strong>Projeto Purus<\/strong>, no Acre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Acre, os dois projetos privados anunciados publicamente at\u00e9 o presente (<strong>Purus<\/strong> e <strong>Val<\/strong> <strong>Para\u00edso\/Russas<\/strong>) devem ser entendidos como corol\u00e1rio de um conjunto de pol\u00edticas identificadas com a matriz do capitalismo verde, institu\u00eddas pelo governo do estado a partir de 1999. Elas incluem a formula\u00e7\u00e3o de um <strong>Zoneamento Econ\u00f4mico Ecol\u00f3gico<\/strong>, <strong>Lei de Concess\u00e3o de Florestas P\u00fablicas<\/strong> e incentivo \u00e0 expans\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o madeireira via <strong>Planos de Manejo Florestal Sustent\u00e1vel &#8211; PMFS<\/strong> e culminam com a Lei SISA em 2010, que institui os Pagamentos por Servi\u00e7os Ambientais &#8211; PSA. No processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o dessa Lei, foram privilegiados aqueles \u201cservi\u00e7os ambientais\u201d relacionados com \u201csequestro\u201d de carbono. Criaram-se institui\u00e7\u00f5es voltadas para operar com essas pol\u00edticas e foram obtidos financiamentos externos para implementar o \u201cPrograma Isa-carbono\u201d. Em fina sintonia com a matriz imperial institu\u00edda via <strong>Banco Mundial<\/strong>, <strong>USAID<\/strong> e grandes ONGs conservacionistas como <strong>WWF<\/strong>, o estado do Acre \u00e9 propagandeado como \u201cmodelo de economia verde\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O<strong> Projeto Purus<\/strong> deve ser interpretado, portanto, como express\u00e3o deste am\u00e1lgama entre os\u00a0\u00a0 interesses externos e os das oligarquias regionais. Isto \u00e9, uma vers\u00e3o colonial atualizada do per\u00edodo marcado pelo monoextrativismo da borracha entre final do s\u00e9culo XIX e meados do XX. A leitura das 122 p\u00e1ginas que comp\u00f5em o Projeto Purus, \u201cum projeto de conserva\u00e7\u00e3o da floresta tropical no Acre-Brasil\u201d, \u00e9 suficientemente esclarecedora a esse respeito. Logo na introdu\u00e7\u00e3o (p\u00e1gina 6), afirma que: \u201cO Projeto Purus \u00e9 um projeto de conserva\u00e7\u00e3o de floresta tropical que busca o pagamento por servi\u00e7os ambientais, tamb\u00e9m conhecido como a <strong>Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o (REDD+)<\/strong>, em uma \u00e1rea de propriedade privada situada no Estado do Acre-Brasil, com 35.169 hectares (&#8230;) Os tr\u00eas principais proponentes do projeto s\u00e3o: CarbonCo LLC (&#8220;CarbonCo&#8221;), Freitas International Group, LLC (&#8220;Freitas International Group ou Carbon Securities&#8221;), e Moura &amp; Rosa Investimentos LTDA. (&#8220;Moura &amp; Rosa&#8221; ou &#8220;M&amp;R&#8221;). CarbonCo, a subsidi\u00e1ria integral da Carbonfund.org, \u00e9 respons\u00e1vel por obter a certifica\u00e7\u00e3o e o financiamento do Projeto. Carbon Securities atua no agenciamento, consultoria, log\u00edstica, tradu\u00e7\u00e3o e intermedia\u00e7\u00e3o entre CarbonCo e Moura &amp; Rosa. Moura &amp; Rosa \u00e9 uma empresa situada no Estado do Acre-Brasil, propriet\u00e1ria de terras e principal respons\u00e1vel pela gest\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o do projeto ambiental (&#8230;) O Projeto est\u00e1 sendo desenvolvido e registrado sob o Clima, Comunidade e Biodiversidade Standard (CCBS, segunda edi\u00e7\u00e3o) e o Verified Carbon Standard (VCS, Vers\u00e3o 3.2). Al\u00e9m disso, o projeto est\u00e1 alinhado com as <strong>Normas de REDD<\/strong> e os Pagamentos Ambientais e Sociais do Estado do Acre por Servi\u00e7os Ambientais (Lei n\u00ba 2.308\/2010).\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Como esses projetos impactam o desenvolvimento de atividades tradicionais agr\u00edcolas na regi\u00e3o?\u00a0 Quais s\u00e3o as atividades que sofrem restri\u00e7\u00f5es e o que muda no modo de trabalho das comunidades tradicionais com a implanta\u00e7\u00e3o desses projetos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elder Andrade de Paula &#8211;<\/strong> A implementa\u00e7\u00e3o desses projetos inviabiliza a reprodu\u00e7\u00e3o social das popula\u00e7\u00f5es e povos que vivem nas e das florestas. Al\u00e9m de imporem uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o e uso dos seus territ\u00f3rios, instituem mecanismos de controle que promovem uma devastadora desagrega\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os de sociabilidade interna. Na p\u00e1gina 36 do referido projeto informa-se que \u201cNas fases anteriores do projeto, havia quatro membros da comunidade, informalmente, considerados \u2018os olhos e ouvidos\u2019 da propriedade Projeto Purus\u201d, e afirma-se que, ao longo da dura\u00e7\u00e3o do Projeto, os seus proponentes gostariam de implementar, entre outros, o in\u00edcio do \u201c<strong>Trabalho das Patrulhas de Fiscaliza\u00e7\u00e3o de Desmatamento, Ca\u00e7a e Biodiversidade<\/strong>\u201d. Al\u00e9m dos integrantes da comunidade por eles selecionados para esse fim, contar\u00e3o ainda com sofisticados sistemas de vigil\u00e2ncia controlados por sat\u00e9lite e tamb\u00e9m por outros tipos de equipamentos como os Trikes, ilustrado na imagem a seguir.<\/p>\n<table border=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img style=\"margin: 2px; vertical-align: middle;\" src=\"http:\/\/oi57.tinypic.com\/15ei6pc.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: xx-small;\"><strong style=\"text-align: justify;\">Fonte da foto:<\/strong><span style=\"text-align: justify;\">\u00a0Projeto Purus, um projeto de conserva\u00e7\u00e3o da floresta tropical no Acre-Brasil (pg 37)<\/span><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquela maldita plaquinha \u201csorria, voc\u00ea est\u00e1 sendo filmado\u201d, comum em sistemas de vigil\u00e2ncia comercial nos centros urbanos, ter\u00e1 agora sua vers\u00e3o florestal.\u00a0 A vida dessas popula\u00e7\u00f5es ser\u00e1 t\u00e3o infernizada, que elas ser\u00e3o obrigadas a abandonar seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o as comunidades afetadas pelo Projeto Purus e como elas se posicionam em rela\u00e7\u00e3o ao projeto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elder Andrade de Paula &#8211;<\/strong> No ap\u00eandice &#8220;A&#8221; do Projeto aparece uma lista com dezoito nomes de representantes das fam\u00edlias por eles identificadas. No ano passado (2013), foi denunciado publicamente <strong>[1]<\/strong> o total desconhecimento por parte dos moradores dessa \u00e1rea (formada pelos seringais <strong>Porto Central<\/strong> e <strong>Itatinga<\/strong> no munic\u00edpio de Manoel Urbano) em rela\u00e7\u00e3o ao conte\u00fado do Projeto e o receio de serem expulsos de seus territ\u00f3rios. O problema \u00e9 que tanto os moradores dessa \u00e1rea do projeto <strong>Purus<\/strong> quanto os demais de outras \u00e1reas que j\u00e1 est\u00e3o sendo afetadas pelo conjunto das pol\u00edticas identificadas com a \u201ceconomia verde\u201d est\u00e3o com sua capacidade de rea\u00e7\u00e3o muito fragilizada. A maioria de suas representa\u00e7\u00f5es foi cooptada e amorda\u00e7ada pelas oligarquias que governam o Acre<strong> [2]<\/strong>.<\/p>\n<table style=\"width: 198px; height: 144px; margin: 15px;\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\"><img style=\"margin: 1px; vertical-align: bottom;\" src=\"http:\/\/oi58.tinypic.com\/347cftt.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" \/><\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">\n<h2><span style=\"font-size: medium;\">&#8220;Este tipo de mecanismo, por estar rigorosamente subordinado \u00e0 l\u00f3gica destrutiva do capital, n\u00e3o deve ser interpretado como solu\u00e7\u00e3o&#8221;<\/span><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da Fifa com o projeto Purus?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elder Andrade de Paula &#8211;<\/strong> Em que pesem as cr\u00edticas aos mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o institu\u00eddos no escopo da economia verde, como \u00e9 o caso do <strong>REDD<\/strong>, aumentam as press\u00f5es dos agentes financeiros interessados na expans\u00e3o desse tipo de neg\u00f3cio. Desse modo, nada melhor do que um megaevento como a \u201cCopa do Mundo\u201d para massificar a difus\u00e3o desse tipo de iniciativa. A <strong>FIFA<\/strong> tem um duplo ganho com isso, visto que defende os interesses das corpora\u00e7\u00f5es a ela vinculadas e ao mesmo tempo vende uma imagem\u00a0 de uma organiza\u00e7\u00e3o \u201ccomprometida com o meio ambiente\u201d, uma vez que estaria \u201ccompensando\u201d as emiss\u00f5es de CO\u00b2 resultantes da realiza\u00e7\u00e3o da \u201cCopa do Mundo 2014\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; \u00c9 poss\u00edvel estimar o custo ambiental da Copa do Mundo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elder Andrade de Paula &#8211;<\/strong> Os especialistas nessa quest\u00e3o afirmam que sim e vendem esses c\u00e1lculos para \u201ctodo tipo de fregu\u00eas\u201d. Tem sido cada vez mais comum aparecer alus\u00f5es a esse mecanismo em grandes eventos e tamb\u00e9m por parte de empresas. No Brasil, j\u00e1 vi uma empresa a\u00e9rea anunciar durante seus voos que suas \u201cemiss\u00f5es de CO\u00b2 est\u00e3o sendo neutralizadas\u201d atrav\u00e9s de projetos de compensa\u00e7\u00e3o. Obviamente, no caso da \u201ccopa do mundo\u201d n\u00e3o aparecem os \u201ccustos ambientais\u201d e sociais relativos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o dos palcos (est\u00e1dios\/arenas) para realiza\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos: contamina\u00e7\u00f5es resultantes da produ\u00e7\u00e3o de materiais para constru\u00e7\u00e3o dos mesmos, fam\u00edlias expropriadas nos seus entornos, oper\u00e1rios vitimados no \u201cItaquer\u00e3o\u201d ou sob os escombros do viaduto em Belo Horizonte, etc. Mais ainda, n\u00e3o \u00e9 computado o sofrimento das fam\u00edlias atingidas por projetos como o Purus, apresentados como \u201ccompensa\u00e7\u00e3o\u201d para a neutraliza\u00e7\u00e3o do CO\u00b2 gerado no decorrer da \u201cCopa do Mundo 2014\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IHU On-Line &#8211; Qual tem sido a popularidade e abrang\u00eancia dos projetos de REDD+? Quais os pr\u00f3s e contras dessa medida? Ela de fato contribui para minimizar as emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico e reduzir os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elder Andrade de Paula &#8211;<\/strong> A ofensiva em torno da difus\u00e3o de <strong>REDD<\/strong> e outros mecanismos identificados com <strong>Pagamentos por Servi\u00e7os Ambientais &#8211; PSA<\/strong> cresceu monumentalmente ap\u00f3s a eclos\u00e3o da crise econ\u00f4mica do capitalismo iniciada em 2007-2008. Isso ocorreu porque, entre outras raz\u00f5es, o capital financeiro aproveitou-se da oportunidade para recompor parte do capital fict\u00edcio \u201cqueimado\u201d na crise mais recente. Atrav\u00e9s do mercado de cr\u00e9ditos de carbono, pode-se \u201cda noite para o dia\u201d incidir na recomposi\u00e7\u00e3o desse capital fict\u00edcio. Mais ainda, a efic\u00e1cia desses projetos no controle imperialista sobre os territ\u00f3rios dotados de bens naturais estrat\u00e9gicos (\u00e1gua, florestas, biodiversidade, etc.) \u00e9 monumental, como bem destacou a economista <strong>Amyra El Khalili<\/strong> em uma confer\u00eancia realizada na UFAC em 2013. Em s\u00edntese, estou querendo enfatizar a ideia de que este tipo de mecanismo, por estar rigorosamente subordinado \u00e0 l\u00f3gica destrutiva do capital, n\u00e3o deve ser interpretado como solu\u00e7\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o, como afirmam os ecossocialistas, passa necessariamente pelo enfrentamento das causas estruturais da\u00a0 destrui\u00e7\u00e3o inerente a esse padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo institu\u00eddo no decorrer da civiliza\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p><strong>NOTAS<\/strong><br \/>\n<strong>[1]<\/strong> A esse respeito ver artigo de Verena Glass \u201cProjetos de carbono no Acre amea\u00e7am direito a terra\u201d http:\/\/reporterbrasil.org.br\/2013\/12\/projetos-de-carbono-no-acre-ameacam-direito-a-terra\/<br \/>\n<strong>[2]<\/strong> Mais informa\u00e7\u00f5es sobre os efeitos dessas pol\u00edticas no Acre, ver \u201cDossi\u00ea Acre\u201d www.cimi.org.br\/pub\/Rio20\/Dossie-ACRE.pdf<\/p>\n<p>Fonte: Unisinos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista especial com Elder Andrade de Paula &nbsp; \u201cA ofensiva em torno da difus\u00e3o de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrevista especial com Elder Andrade de Paula &nbsp; \u201cA ofensiva em torno da difus\u00e3o de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2784"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2784"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2784\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}