{"id":27757,"date":"2015-09-08T09:00:19","date_gmt":"2015-09-08T12:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27757"},"modified":"2015-09-07T21:18:33","modified_gmt":"2015-09-08T00:18:33","slug":"cientistas-combatem-besouro-que-atravessou-o-mundo-e-destroi-arvore-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-combatem-besouro-que-atravessou-o-mundo-e-destroi-arvore-nos-eua\/","title":{"rendered":"Cientistas combatem besouro que atravessou o mundo e destr\u00f3i \u00e1rvore nos EUA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27758\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em 2001, os freixos de Detroit come\u00e7aram a morrer, e ningu\u00e9m conseguia dizer o motivo. Um dia, v\u00e1rios besouros verdes cintilantes foram descobertos saindo do tronco de uma das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Os cientistas americanos, que nunca haviam visto aqueles besouros, foram atr\u00e1s de especialistas do mundo todo para conseguir ajuda. Ent\u00e3o, o entomologista eslovaco Eduard Jendek resolveu o mist\u00e9rio: os freixos de Detroit estavam sendo mortos pelo <em>Agrilus planipennis<\/em>, a broca esmeralda do freixo, uma obscura esp\u00e9cie nativa da \u00c1sia Oriental.<\/p>\n<p>Em sua floresta original, a broca esmeralda causa pouco problema. Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 o caso na Am\u00e9rica do Norte. A broca esmeralda se espalhou para o norte pelo Canad\u00e1, para o sul at\u00e9 o Golfo do M\u00e9xico, a leste at\u00e9 o Atl\u00e2ntico e seguindo na dire\u00e7\u00e3o oeste chegou ao Colorado. Em uma resenha publicada no ano passado, os cientistas chamaram a broca de &#8220;o mais destrutivo e economicamente danoso inseto de floresta que j\u00e1 invadiu a Am\u00e9rica do Norte&#8221;.<\/p>\n<p>Os cientistas lutam para descobrir meios de combater o besouro. Alguns est\u00e3o testando inseticidas; outros procuram colocar florestas saud\u00e1veis em quarentena. Mas pesquisas recentes sugerem que a chave pode estar nas pr\u00f3prias \u00e1rvores, nas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que elas usam para combater insetos.<\/p>\n<p>Insetos s\u00e3o inimigos mortais para qualquer esp\u00e9cie de \u00e1rvore. Eles podem acabar com as folhas, fazendo com que a \u00e1rvore n\u00e3o consiga mais aproveitar a luz do sol. E s\u00e3o capazes de destruir o tronco ou deixar res\u00edduos nas ra\u00edzes, impedindo que a \u00e1rvore absorva \u00e1gua.<\/p>\n<p>Para se defender, as \u00e1rvores dependem principalmente de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, compostos que deixam os tecidos mais dif\u00edceis de digerir ou envenenam a madeira e as folhas. Elas produzem defensivos qu\u00edmicos, chamados compostos constitutivos, praticamente o tempo todo, e tamb\u00e9m t\u00eam a capacidade de criar um fornecimento novo de outros assassinos de insetos, chamados compostos induz\u00edveis, quando pressentem um ataque.<\/p>\n<p>Na \u00c1sia Oriental, os freixos desenvolveram defesas contra os insetos locais como a broca esmeralda. Para estudar suas adapta\u00e7\u00f5es, os cientistas cultivaram esp\u00e9cies da \u00c1sia Oriental, como os freixos da Manch\u00faria, em estufas e campos experimentais. Eles permitiram que as brocas esmeraldas atacassem as \u00e1rvores e ent\u00e3o observaram como elas lutaram contra os insetos.<\/p>\n<p>Em agosto, no jornal New Phytologist, pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio descreveram o que os cientistas aprenderam com essas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Quando uma broca esmeralda procura uma \u00e1rvore para colocar seus ovos, evita os freixos da Manch\u00faria saud\u00e1veis, preferindo sempre os freixos norte-americanos ou os da Manch\u00faria enfraquecidos com a seca. Ao que tudo indica, um freixo da Manch\u00faria saud\u00e1vel \u00e9 um lugar hostil para os filhotes do besouro. Quando os ovos de uma broca esmeralda eclodem nessas \u00e1rvores, as larvas precisam lutar para sobreviver.<\/p>\n<p>Pode ser por isso que o besouro nunca havia causado muito alarme: na \u00c1sia Oriental, eles deixam as \u00e1rvores saud\u00e1veis em paz. &#8220;Matam as \u00e1rvores que j\u00e1 est\u00e3o morrendo&#8221;, explica Caterina Villari, pesquisadora de p\u00f3s-doutorado da Estadual de Ohio e uma das autoras do novo estudo.<\/p>\n<p>Caterina e seus colegas n\u00e3o sabem precisamente como a seca deixa os freixos da Manch\u00faria vulner\u00e1veis aos insetos. As \u00e1rvores que est\u00e3o sofrendo com a falta de \u00e1gua parecem produzir compostos constitutivos na mesma quantidade que as saud\u00e1veis, mas n\u00e3o alguns dos compostos induz\u00edveis.<\/p>\n<p>Em contraste, mesmo um freixo saud\u00e1vel da Am\u00e9rica do Norte pode ser presa da broca esmeralda. Os freixos norte-americanos t\u00eam capacidade para se defender de inimigos locais, mas as brocas esmeralda s\u00e3o um desafio novo, contra o qual as \u00e1rvores n\u00e3o desenvolveram defesas.<\/p>\n<p>Para entender essa falha, Caterina Villari e seus colegas v\u00eam comparando as defesas dos freixos da Manch\u00faria com aquelas das esp\u00e9cies norte-americanas, como o freixo branco e o azul. Os pesquisadores identificaram uma s\u00e9rie de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que os freixos da Manch\u00faria fazem em grandes quantidades.<\/p>\n<p>&#8220;O fato de que o freixo da Manch\u00faria tem uma concentra\u00e7\u00e3o maior de um composto em particular n\u00e3o quer dizer que \u00e9 ele que a torna resistente. \u00c9 s\u00f3 um primeiro passo&#8221;, explica Caterina.<\/p>\n<p>Os freixos da Am\u00e9rica do Norte podem estar morrendo n\u00e3o porque lhes falta um ant\u00eddoto m\u00e1gico contra as brocas esmeralda, mas porque talvez eles n\u00e3o estejam produzindo o equil\u00edbrio certo de defensivos qu\u00edmicos &#8212; ou talvez n\u00e3o os estejam produzindo com a rapidez suficiente.<\/p>\n<p>Em uma experi\u00eancia particularmente intrigante, Justin G.A. Whitehill, da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica, e seus colegas conseguiram fazem com que os freixos norte-americanos combatessem os besouros. Para isso, passaram sprays nas \u00e1rvores de um horm\u00f4nio de plantas chamado de jasmonato de metilo. O horm\u00f4nio \u00e9 liberado pelas c\u00e9lulas das plantas que s\u00e3o danificadas pelas mordidas dos insetos. Ele age como um alarme, levando a \u00e1rvore a produzir compostos induz\u00edveis.<\/p>\n<p>No ano passado, Whitehill e seus colegas relataram que quando colocaram horm\u00f4nios nos freixos norte-americanos, as plantas mataram muitas brocas esmeralda. O efeito foi t\u00e3o forte quanto uma dose de inseticida letal.<\/p>\n<p>Agora, os pesquisadores esperam um dia poder identificar os freixos que produzem grandes quantidades de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas importantes e desenvolv\u00ea-los de maneira que as \u00e1rvores fiquem resistentes. Os cientistas podem conseguir descobrir as \u00e1rvores que respondem com velocidade incomum aos ataques de broca esmeralda.<\/p>\n<p>No mundo real, os freixos norte-americanos n\u00e3o conseguem ter esse tipo de rea\u00e7\u00e3o t\u00e3o poderosa. \u00c9 poss\u00edvel que as \u00e1rvores n\u00e3o reconhe\u00e7am os besouros como uma amea\u00e7a especial e por isso falhem na hora de dar uma resposta r\u00e1pida.<\/p>\n<p>Os pesquisadores est\u00e3o realizando novos estudos para compreender os resultados. A ci\u00eancia avan\u00e7a de forma constante e lenta, enquanto as brocas esmeralda correm para alcan\u00e7ar novas florestas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2001, os freixos de Detroit come\u00e7aram a morrer, e ningu\u00e9m conseguia dizer o motivo.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27758,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/besouro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em 2001, os freixos de Detroit come\u00e7aram a morrer, e ningu\u00e9m conseguia dizer o motivo.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27757"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27757\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27758"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}