{"id":27725,"date":"2015-09-07T12:00:44","date_gmt":"2015-09-07T15:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27725"},"modified":"2015-09-07T07:57:43","modified_gmt":"2015-09-07T10:57:43","slug":"pessoas-com-sindrome-de-down-podem-trabalhar-e-morar-sozinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pessoas-com-sindrome-de-down-podem-trabalhar-e-morar-sozinhas\/","title":{"rendered":"Pessoas com S\u00edndrome de Down podem trabalhar e morar sozinhas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27726\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A jornada com Dr\u00e1uzio Varella e Breno Viola pela vida das pessoas com S\u00edndrome de Down entra na sua \u00faltima etapa. Nessas quatro semanas, muita gente se surpreendeu, muita gente se emocionou. Agora, voc\u00ea vai conhecer um pessoal animado, de bem com a vida, que trabalha, ganha seu pr\u00f3prio dinheiro e at\u00e9 mora sozinho. Qual \u00e9 a diferen\u00e7a?<\/p>\n<p>Vinte e dois anos e Vinicius Medeiros j\u00e1 trabalha com carteira assinada.<\/p>\n<p><strong>Breno Viola:<\/strong> Quando voc\u00ea recebe o seu sal\u00e1rio, o que voc\u00ea sente?<br \/>\n<strong>Vinicius: <\/strong>Ah, eu me sinto muito feliz. Estou juntando o meu sal\u00e1rio para eu poder casar com a minha namorada.<\/p>\n<p>Em um clube em S\u00e3o Paulo, Bruno Lowenthal Kignel faz um est\u00e1gio n\u00e3o remunerado de professor assistente. Como sempre gostou de esportes, no \u00faltimo ano do ensino m\u00e9dio ele decidiu tentar uma faculdade na \u00e1rea. \u201cA gente apoiou, l\u00f3gico, mas \u00e9 uma decis\u00e3o totalmente dele. Ele foi l\u00e1 prestar a prova de vestibular como qualquer outro jovem\u201d, conta a m\u00e3e, Rosana Lowenthal.<\/p>\n<p>\u201cO Bruno entrou dentro do processo normal do processo seletivo que a universidade oferece\u201d, diz o coordenador geral do curso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Bergson Peres.<\/p>\n<p>Aos 22 anos, Bruno est\u00e1 no oitavo semestre do curso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Interessado e esfor\u00e7ado, mostrou que era capaz de passar nas mat\u00e9rias que ofereciam avalia\u00e7\u00f5es adaptadas para ele. Mas, at\u00e9 a formatura, ainda h\u00e1 obst\u00e1culos importantes que precisam ser superados.<\/p>\n<p>\u201cMat\u00e9rias que s\u00e3o mais dif\u00edceis mesmo e mat\u00e9rias muito abstratas, filosofia, sociologia, existem muitas dificuldades\u201d, diz a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Bruno est\u00e1 determinado a realizar seu sonho, mas existem outros caminhos para se encontrar uma profiss\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, os programas de prepara\u00e7\u00e3o profissional, de ensino t\u00e9cnico. Nem todo mundo vai chegar \u00e0 universidade. Nem todo mundo tem que ir ao ensino m\u00e9dio\u201d, pondera a diretora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Uerj, Rosana Glat.<\/p>\n<p>Breno: Voc\u00ea fez algum curso para trabalhar aqui no sal\u00e3o?<br \/>\nVinicius: Sim, como auxiliar de cabelereiro.<\/p>\n<p>\u201cEu fa\u00e7o auxiliar administrativo, digitalizo, fa\u00e7o entrega de prontu\u00e1rios. Trabalho de escrit\u00f3rio\u201d, conta Juliana Gay. At\u00e9 os 34 anos de idade, Juliana viveu dentro de uma redoma.<\/p>\n<p>\u201cEla era muito presa, superprotegida pelo pai e por mim tamb\u00e9m\u201d, diz a m\u00e3e, Maria Am\u00e9lia Gay.<\/p>\n<p>Quando o pai de Juliana morreu, Maria Am\u00e9lia criou coragem para mostrar \u00e0 filha o mundo fora de casa.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, a Apae de S\u00e3o Paulo faz a ponte entre pessoas como a Juliana e o Jocelino de Paulo, de 24 anos, e as empresas que querem contratar funcion\u00e1rios com defici\u00eancia intelectual.<\/p>\n<p>\u201cQuase 500 pessoas foram inclu\u00eddas, 96% delas est\u00e3o empregadas\u201d, diz Arac\u00e9lia Costa, superintendente da Apae-SP<br \/>\nFunciona porque a Apae acompanha tudo de perto, da adapta\u00e7\u00e3o na empresa \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para a independ\u00eancia. Foi assim que Juliana aprendeu a andar sozinha na rua.<\/p>\n<p>At\u00e9 conseguir se virar sozinho, Marcelo Beduschi Nahas tamb\u00e9m passou sufoco, chegou at\u00e9 a se perder em Florian\u00f3polis. Mas isso \u00e9 hist\u00f3ria antiga. Marcelo \u00e9 auxiliar administrativo e a mulher dele, a Raquel, tamb\u00e9m, s\u00f3 que em outra empresa. \u201cH\u00e1 quatro anos a Raquel trabalha conosco, sempre bem brit\u00e2nica nos hor\u00e1rios dela\u201d, destaca Manuel dos Santos, chefe da Raquel.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea pedir para o Down fazer alguma coisa e ensin\u00e1-lo a fazer, tenha uma certeza: ele vai fazer do jeito que lhe foi ensinado. Nenhum passo para a direita nem para a esquerda. Vai ser sempre daquele jeito. Isso \u00e9 bom. Oxal\u00e1 nossos governos fossem desse jeito, nossos ju\u00edzes fossem assim\u201d, explica o m\u00e9dico pediatra e geneticista Zan Mustacchi.<\/p>\n<p>Em uma pesquisa recente, feita com 1,8 mil trabalhadores em quatro pa\u00edses, 83% dos entrevistados disseram que a presen\u00e7a de um funcion\u00e1rio com S\u00edndrome de Down aumenta a sensibilidade e o jogo de cintura do chefe para resolver conflitos daquele setor; 78% acrescentaram que a inclus\u00e3o melhorou a motiva\u00e7\u00e3o de todos no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cMas isso ainda n\u00e3o \u00e9 percebido pela maioria dos empregadores. A gente tem um n\u00famero muito pequeno de pessoas com S\u00edndrome de Down que trabalham efetivamente com carteira assinada, com hor\u00e1rio de trabalho, que v\u00e3o para a empresa\u201d, destaca Maria Antonia Goulart, da ONG Movimento Down.<\/p>\n<p>Foi na maior simpatia que a rep\u00f3rter Bianca Rothier foi recebida em um hotel inaugurado h\u00e1 tr\u00eas meses em Asti, na It\u00e1lia. L\u00e1, dez dos 15 funcion\u00e1rios t\u00eam S\u00edndrome de Down. Como em qualquer empresa, as fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o distribu\u00eddas de acordo com a capacidade de cada um. O hotel j\u00e1 ganhou elogios do presidente da It\u00e1lia, do premi\u00ea e at\u00e9 do Papa Francisco.<\/p>\n<p>Liane Collares, de 52 anos, que mora em Bras\u00edlia, \u00e9 a secret\u00e1ria mais alegre do peda\u00e7o. \u201cMinha fun\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o linda\u201d, diz. Ponto para os pais de Liane, que nunca deram bola para os pessimistas, e para o pediatra que, em 1963, logo depois do parto, soube o que dizer: \u201cOlha m\u00e3e, esse beb\u00ea n\u00e3o \u00e9 igual ao outro, mas pode ficar tranquila que n\u00f3s vamos cuidar da mesma forma\u201d, conta Marilei Collares, m\u00e3e de Liane.<\/p>\n<p>Liane foi alfabetizada com sete anos. Mais tarde virou campe\u00e3 internacional de nata\u00e7\u00e3o. E ela ainda escreveu um livro com o apoio da m\u00e3e, afinal, uma hist\u00f3ria assim merece mesmo ser contada.<\/p>\n<p>Mas e o futuro? Esse \u00e9 o maior medo dos pais de pessoas com S\u00edndrome de Down: o que vai ser do meu filho quando eu n\u00e3o estiver mais aqui? Na Inglaterra, h\u00e1 um projeto inspirador. Mais de mil deficientes intelectuais e f\u00edsicos vivem nas propriedades da Ability Housing, uma institui\u00e7\u00e3o que procura dar a eles a vida mais independente poss\u00edvel. Uma pequena equipe est\u00e1 sempre de plant\u00e3o para emerg\u00eancias ou para ajudar em tarefas mais dif\u00edceis. De resto, \u00e9 tudo com eles.<\/p>\n<p>Cada morador paga o equivalente a R$ 2,5 mil por m\u00eas de aluguel. Na Inglaterra, deficientes intelectuais ganham uma pens\u00e3o especial do governo que cobre esse custo. Outra pens\u00e3o, da prefeitura, arca com as despesas do dia a dia.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que eles sejam 100% independentes, mas que possam decidir o que querem fazer no seu dia a dia, como qualquer um de n\u00f3s&#8221;, explica o diretor executivo da organiza\u00e7\u00e3o, David Williams.<\/p>\n<p>\u201cA independ\u00eancia de viver sozinho n\u00e3o \u00e9 real nem para n\u00f3s. N\u00f3s todos temos uma depend\u00eancia direta ou indireta com nossos familiares\u201d, lembra o m\u00e9dico Zan Mustacchi.<\/p>\n<p>Raquel de Azevedo, de 28 anos, e Marcelo Beduschi Nahas, de 33, moram sozinhos em Florian\u00f3polis. Os pais dele juntaram dinheiro e decidiram comprar um apartamento pequeno para os dois.<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica refei\u00e7\u00e3o que eles n\u00e3o preparam ainda \u00e9 o almo\u00e7o, mas o caf\u00e9 da manh\u00e3, lanches da tarde, da noite, eles fazem e procuram seguir a orienta\u00e7\u00e3o da nutricionista\u201d, explica Markus Nahas, pai de Marcelo.<\/p>\n<p>\u201cO que n\u00f3s vimos na Inglaterra \u00e9 que qualquer pessoa pode morar sozinha e o que varia \u00e9 a quantidade de suporte que essa pessoa vai precisar\u201d, diz Flavia Poppe, economista especializada em pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Flavia se especializou em pol\u00edticas p\u00fablicas e agora procura apoio para trazer o projeto de moradia assistida para o Brasil. \u201cExistem as pessoas com defici\u00eancia, existem im\u00f3veis e existem profissionais capazes de desenvolver o programa de suporte individualizado. N\u00e3o falta nada\u201d, avalia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jornada com Dr\u00e1uzio Varella e Breno Viola pela vida das pessoas com S\u00edndrome de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27726,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/sindrome_down.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A jornada com Dr\u00e1uzio Varella e Breno Viola pela vida das pessoas com S\u00edndrome de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27725"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27725\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}