{"id":277,"date":"2014-04-22T04:32:10","date_gmt":"2014-04-22T04:32:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=277"},"modified":"2014-06-01T16:51:31","modified_gmt":"2014-06-01T16:51:31","slug":"50-anos-de-atraso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/50-anos-de-atraso\/","title":{"rendered":"50 anos de atraso"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #1b6390;\">Os lix\u00f5es fazem parte de uma hist\u00f3ria que, ao menos pela lei (a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos), deve acabar at\u00e9 agosto desse ano<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">Sandro Donnini Mancini*<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">Uma publica\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em ingl\u00eas) traz muitos dados sobre os res\u00edduos s\u00f3lidos (lixo) daquele pa\u00eds, de 1960 a 2009. Dessa forma, fica interessante uma compara\u00e7\u00e3o entre os EUA de 1960 e o Brasil de 2008. Isso porque o ano de 2008 marca a \u00faltima Pesquisa Nacional de Saneamento B\u00e1sico feita pelo IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica. Ou seja, o \u00faltimo ano com dados oficiais completos sobre o lixo brasileiro.<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">Em 1960 os EUA tinham 179 milh\u00f5es de habitantes, que geraram 88,1 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos. Em 2008, o Brasil tinha 189 milh\u00f5es de habitantes, que geraram quase 69 milh\u00f5es de toneladas de lixo. Ou seja, apesar dos quase 50 anos de diferen\u00e7a, geramos menos lixo que eles. Se formos comparar dados mais atuais, em 2008, com uma popula\u00e7\u00e3o de 304 milh\u00f5es de habitantes, os EUA geraram 251 milh\u00f5es de toneladas de lixo.<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">Mas voltemos \u00e0s compara\u00e7\u00f5es entre EUA 1960 e Brasil 2008. Sempre se afirmou que a gera\u00e7\u00e3o de lixo tem a ver com a economia e, segundo c\u00e1lculos corrigidos para considerar a infla\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, o PIB americano em 1960 beirava 3 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, bem maior que o PIB brasileiro de 2008, de pouco mais de 1,2 trilh\u00e3o de d\u00f3lares. Isso ajuda explicar porque, mesmo com menos gente, a gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos nos EUA foi maior.<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">Ainda segundo a publica\u00e7\u00e3o da EPA, um total de 6,4% dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos dos EUA foram encaminhados \u00e0 reciclagem em 1960. J\u00e1 o n\u00famero brasileiro nesse aspecto em 2008 n\u00e3o \u00e9 muito claro. H\u00e1 v\u00e1rias fontes citando n\u00fameros que variam de 1 a 9%, mas provavelmente esse valor n\u00e3o chegue a 3%.<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">Vamos ent\u00e3o aos n\u00fameros oficiais. Segundo a Vers\u00e3o Preliminar do Plano Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, publicado pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente em 2011 (mas com os dados de 2008), 2,2% dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos brasileiros foram encaminhados \u00e0 unidades de triagem para a reciclagem ou para unidades de compostagem. Essas \u00faltimas s\u00e3o locais onde res\u00edduos como restos de comida e lixo de jardim se transformam em composto org\u00e2nico, uma esp\u00e9cie de adubo natural.<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">O mesmo documento fala que s\u00f3 578 mil toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos brasileiros -considerando somente metais, pap\u00e9is, vidros e pl\u00e1sticos- foram encaminhados para a reciclagem por programas oficiais de coleta seletiva em 2008, ou seja, 0,8% do total de res\u00edduos gerados no pa\u00eds. Por\u00e9m, ainda de acordo com o Plano, 15,1 milh\u00f5es de toneladas de metais, pap\u00e9is, vidros e pl\u00e1sticos foram recicladas no Brasil em 2008. Esses \u00faltimos n\u00fameros representariam 22% do total de res\u00edduos gerados, por\u00e9m n\u00e3o devem ser assim considerados, pois abrangem n\u00e3o somente os programas oficiais de coleta seletiva, mas tamb\u00e9m os catadores informais e, principalmente, os res\u00edduos industriais, que n\u00e3o est\u00e3o computados nessas 69 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos informadas pelo IBGE. Um exemplo disso \u00e9 que, das 15 milh\u00f5es de toneladas recicladas no Brasil em 2008, quase dois ter\u00e7os (9,8 milh\u00f5es de toneladas) dizem respeito a metais, o que mostra a for\u00e7a da reciclagem a partir dos ferros-velhos, cujos res\u00edduos principais n\u00e3o s\u00e3o as latas de alum\u00ednio ou de a\u00e7o comumente descartadas nas resid\u00eancias.<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">Voltando ent\u00e3o a compara\u00e7\u00e3o EUA 1960 x Brasil 2008 (apesar da confus\u00e3o das estat\u00edsticas nacionais): h\u00e1 quase 50 anos os EUA j\u00e1 reciclavam mais que o dobro do percentual reciclado no Brasil atualmente. E isso \u00e9, no m\u00ednimo, vergonhoso. Ainda mais triste \u00e9 saber que a economia dos americanos avan\u00e7ou para 14,6 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2008 (25% da economia mundial) e a taxa de reciclagem de materiais naquele pa\u00eds chegou a 25,2%. O restante dos res\u00edduos de l\u00e1 foram para compostagem (8,8%), queima com recupera\u00e7\u00e3o de energia (12,6%) e aterros sanit\u00e1rios (53,4%). J\u00e1 o Brasil de 2008 endere\u00e7ou 1,4% para reciclagem, 0,8% para compostagem (que juntos fornecem os 2,2% anteriormente citados) e 58,3% para aterros sanit\u00e1rios. O restante, quase 40%, para a maior vergonha nacional na \u00e1rea de res\u00edduos s\u00f3lidos: os lix\u00f5es.<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">Mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria. Na teoria, os lix\u00f5es fazem parte de uma hist\u00f3ria que, ao menos pela lei (a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos), deve acabar at\u00e9 agosto desse ano.<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">*Sandro Donnini Mancini (www.sorocaba.unesp.br\/professor\/mancini;<\/span><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"mailto:mancini@sorocaba.unesp.br\">mancini@sorocaba.unesp.br<\/a><span style=\"color: #1b6390;\">) \u00e9 professor da Unesp de Sorocaba (www.sorocaba.unesp.br) para os cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Ambiental, Mestrado e Doutorado em Ci\u00eancia e Tecnologia de Materiais e Mestrado em Engenharia Civil e Ambiental.<\/span><br style=\"color: #1b6390;\" \/><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">Fonte:\u00a0<\/span><a style=\"color: #096ae2;\" href=\"http:\/\/www.cruzeirodosul.inf.br\/materia\/526945\/50-anos-de-atraso\" target=\"_blank\">Cruzeiro do Sul<\/a><br style=\"color: #1b6390;\" \/><span style=\"color: #1b6390;\">02.02.2014<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os lix\u00f5es fazem parte de uma hist\u00f3ria que, ao menos pela lei (a Pol\u00edtica Nacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"sabrina","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/sabrina\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os lix\u00f5es fazem parte de uma hist\u00f3ria que, ao menos pela lei (a Pol\u00edtica Nacional","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/277\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}