{"id":27618,"date":"2015-09-05T15:22:01","date_gmt":"2015-09-05T18:22:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27618"},"modified":"2015-09-05T15:22:01","modified_gmt":"2015-09-05T18:22:01","slug":"entrevista-especial-com-marzeni-pereira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-marzeni-pereira\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Marzeni Pereira"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"contentheading\">Crise h\u00eddrica de S\u00e3o Paulo foi negligenciada<\/h2>\n<p><strong>\u201cNuma situa\u00e7\u00e3o de crise aguda, que poderemos ter num futuro pr\u00f3ximo, j\u00e1 que a possibilidade de colapso ainda n\u00e3o foi descartada, temos de optar por fontes n\u00e3o pot\u00e1veis para fins n\u00e3o pot\u00e1veis\u201d, sugere o especialista em engenharia de Sanaeamento e ex-tecn\u00f3logo da Sabesp.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i61.tinypic.com\/2ec26ma.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: ultimosegundo.ig.com.br<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os dados divulgados pela <strong>Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo \u2013 Sabesp<\/strong>, de que o \u00edndice de volume \u00fatil de \u00e1gua \u00e9 de 15,3% no <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/539914-sp-consorcio-intermunicipal-de-bacias-preve-crise-hidrica-mais-severa-para-2015\" target=\"_blank\"><strong>Sistema Cantareira<\/strong><\/a>, \u201cconsideram tanto a primeira quanto a segunda fase volume morto. Na realidade, se fosse considerado s\u00f3 o volume \u00fatil, como se utilizava antes, o volume de \u00e1gua hoje seria 13,9% negativo\u201d, ou seja, h\u00e1 um <strong>d\u00e9ficit<\/strong> de \u201c14 mil litros por segundo\u201d, diz <strong>Marzeni Pereira<\/strong>\u00a0\u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>. De acordo com ele, atualmente a regi\u00e3o.\u00a0De acordo com ele, atualmente a regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo tem um \u201cd\u00e9ficit de mais de 30 mil litros por segundo, porque a entrada de \u00e1gua nas represas \u00e9 muito menor do que sai para o tratamento\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por telefone, o ex-tecn\u00f3logo da Sabesp, que atuou na empresa durante 23 anos, conta os detalhes da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/542848-expansao-urbana-o-calcanhar-de-aquiles-da-crise-hidrica-entrevista-especial-com-humberto-miranda\" target=\"_blank\"><strong>crise h\u00eddrica<\/strong><\/a> que assusta a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo e diz ter sido demitido da empresa por conta do seu \u201cativismo\u201d, ao dar detalhes da crise de abastecimento para a imprensa.<\/p>\n<p>Segundo ele, o d\u00e9ficit dos sistemas de abastecimento em S\u00e3o Paulo j\u00e1 estava sendo observado h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, em 2004 o Cantareira quase secou e chegou a 1,6% de sua capacidade.\u00a0Em 2009, o <strong>Sistema Cantareira<\/strong> estava com um n\u00edvel de \u00e1gua de 99,7%, em 2010 o pico baixou para 93%, em 2011, para 66%, em 2012 caiu para 62% e desde ent\u00e3o s\u00f3 vem caindo. Nesses per\u00edodos a quantidade de \u00e1gua que se distribu\u00eda era maior do que a quantidade de \u00e1gua que chegava aos reservat\u00f3rios\u201d, relata.<\/p>\n<p>Apesar da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/537204-maior-crise-hidrica-dos-ultimos-100-anos-e-uma-consequencia-das-mudancas-climaticas-entrevista-especial-com-jose-galizia-tundisi\" target=\"_blank\"><strong>situa\u00e7\u00e3o de crise<\/strong><\/a> ter sido demonstrada em estudos da Secretaria de Meio Ambiente, <strong>Pereira<\/strong> frisa que \u201ca Sabesp e o governo do estado de S\u00e3o Paulo optaram por adotar uma pol\u00edtica de expans\u00e3o de venda de \u00e1gua\u201d. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, \u201co governo deveria ter tomado medidas para evitar que a crise de abastecimento ocorresse, mas elas n\u00e3o foram tomadas. Pelo contr\u00e1rio, a situa\u00e7\u00e3o foi negligenciada\u201d.<\/p>\n<p>Pereira disse ainda que a crise de abastecimento poderia ter sido evitada se as perdas de 30% de \u00e1gua do sistema de distribui\u00e7\u00e3o tivessem sido controladas. \u201cEsse valor \u00e9 o quanto o Sistema Cantareira fornece de \u00e1gua, hoje. Logo, seria poss\u00edvel termos evitado essa situa\u00e7\u00e3o se tivesse se reduzido pelo menos metade dessas <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/541265-brasil-desperdicou-37-da-agua-na-rede-de-distribuicao-em-2013\" target=\"_blank\"><strong>perdas<\/strong><\/a>. Se isso tivesse sido feito, de 2009 para c\u00e1, ter\u00edamos minimizado a crise\u201d.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/546235-sp-nao-ha-garantia-alguma-de-que-teremos-agua-em-janeiro-entrevista-com-marzeni-pereira\" target=\"_blank\">Marzeni Pereira<\/a>\u00a0<\/strong>\u00e9 graduado em tecnologia e p\u00f3s-graduado em Engenharia de Saneamento B\u00e1sico pela Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP. Ele integra o Coletivo \u00c1gua Sim, Lucro N\u00e3o!.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i60.tinypic.com\/2zyzm0k.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: Portal Viomundo<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a atual situa\u00e7\u00e3o do Sistema Cantareira? Ainda h\u00e1 risco de crise de abastecimento em S\u00e3o Paulo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> A Companhia de Saneamento B\u00e1sico do Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; Sabesp divulga um \u00edndice de 15,3% de volume \u00fatil de \u00e1gua no Sistema Cantareira, s\u00f3 que esse volume considera tanto a primeira quanto a segunda fase volume morto. Na realidade, se fosse considerado s\u00f3 o volume \u00fatil, como se utilizava antes, o volume de \u00e1gua hoje seria 13,9% negativo. Essa \u00e9 a atual situa\u00e7\u00e3o do Sistema Cantareira: 13,9% negativo. Apesar do<strong> Sistema Cantareira<\/strong> ser o maior, o que mais preocupa hoje, n\u00e3o \u00e9 ele, mas, sim, o Sistema do Alto Tiet\u00ea, que vive uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, porque foi utilizado para socorrer o <strong>Sistema Cantareira<\/strong>. Hoje, o Alto Tiet\u00ea est\u00e1 apenas com 13,5% de sua capacidade, j\u00e1 considerando uma pequena reserva de volume morto, de 6,9%. Se n\u00e3o chover nos pr\u00f3ximos 90 dias \u2014 esperamos que chova \u2014 o <strong>Sistema Alto Tiet\u00ea<\/strong> entrar\u00e1 em colapso, acaba a \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Por que, quando se fala da crise de abastecimento em S\u00e3o Paulo, se d\u00e1 mais evid\u00eancia ao Sistema Cantareira do que ao do Alto Tiet\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> O Sistema do <strong>Alto Tiet\u00ea<\/strong> abastece cerca de 4,5 milh\u00f5es de pessoas, e o Cantareira abastecia, antes da crise, 9 milh\u00f5es de pessoas, por isso se d\u00e1 tanta import\u00e2ncia para ele. Mas o Alto Tiet\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 muito importante e, se ele secar, teremos um grave problema de abastecimento. Recentemente, passou a ser tirada uma vaz\u00e3o maior do Sistema Cantareira do que estava sendo retirada no in\u00edcio do ano. Como ele foi poupado durante um per\u00edodo, voltou a ser usado com mais intensidade e est\u00e1 tratando cerca de 15 mil litros de \u00e1gua por segundo.\u00a0Ontem (02-09-2015), por exemplo, o <strong>Sistema Cantareira<\/strong> tratou 17,2 mil litros de \u00e1gua por segundo; s\u00f3 que no Cantareira entraram, pelos rios \u2014 ou seja, pela aflu\u00eancia \u2014, 6 mil litros por segundo, e sa\u00edram, no tratamento, 17 mil litros por segundo. Al\u00e9m disso, foi dada uma descarga de 3 mil litros por segundo para a <strong>regi\u00e3o de Campinas<\/strong>. Ent\u00e3o, houve uma entrada de 6 mil litros de \u00e1gua e uma sa\u00edda total de 20 mil litros. Isso mostra que h\u00e1 um <strong>d\u00e9ficit de 14 mil litros por segundo<\/strong>.<\/p>\n<p>A entrada de \u00e1gua no <strong>Alto Tiet\u00ea<\/strong> foi de 5 mil litros por segundo, enquanto a sa\u00edda foi de 15 mil litros por segundo, ou seja, teve um d\u00e9ficit de 10 mil litros. Em todos os sistemas que existem em S\u00e3o Paulo, o <strong>Alto Tiet\u00ea<\/strong>, <strong>Alto Cotia<\/strong>, <strong>Cantareira<\/strong>, <strong>Rio Grande<\/strong>, <strong>Rio Claro<\/strong>, <strong>Guarapiranga,<\/strong> a entrada total de \u00e1gua foi de 26 mil litros por segundo e o tratamento, de 58 mil litros por segundo. Ent\u00e3o, h\u00e1 um d\u00e9ficit de mais de 32 mil litros por segundo, porque a entrada de \u00e1gua \u00e9 muito menor do que \u00e9 tratado e distribu\u00eddo.\u00a0Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 insustent\u00e1vel e pode se tornar ainda pior nos pr\u00f3ximos meses, se n\u00e3o chover. Pois, teremos meses mais quentes, aumentando a evapora\u00e7\u00e3o, a infiltra\u00e7\u00e3o no solo, bem como o consumo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Se esses dois sistemas maiores, Alto Tiet\u00ea e Cantareira, colapsarem, os demais sistemas de abastecimento teriam condi\u00e7\u00f5es de abastecer o restante da cidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> Se eles entrarem em colapso, os outros sistemas que existem n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de manter o abastecimento. <strong>Rio Claro<\/strong>, por exemplo, ontem, tinha 8 bilh\u00f5es de litros d\u2019\u00e1gua, Rio Grande tinha 90 bilh\u00f5es, o <strong>Cotia<\/strong> tinha 8,75 bilh\u00f5es de litros, o Guarapiranga, 115 bilh\u00f5es, o Alto Tiet\u00ea tinha 70 bilh\u00f5es de litros, e o Cantareira, que s\u00f3 tem o volume morto, 349 bilh\u00f5es. A capacidade do volume morto do Cantareira \u00e9 maior do que a soma dos sistemas Guarapiranga, Alto Cotia, Rio Grande e Rio Claro. A capacidade dele s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior do que a do Alto Tiet\u00ea, que tem 520 bilh\u00f5es de litros, em oposi\u00e7\u00e3o a 510 bilh\u00f5es do volume morto do Cantareira.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cO d\u00e9ficit desses sistemas est\u00e1 sendo observado desde 2010\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Desde quando os sistemas de abastecimento de \u00e1gua v\u00eam atuando com d\u00e9ficit?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> O d\u00e9ficit desses sistemas est\u00e1 sendo observado h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, \u00a0mas desde 2010 a queda foi constante. Em 2009, eles chegaram a 100%, e a partir de 2010 o n\u00edvel de \u00e1gua come\u00e7ou a cair e j\u00e1 havia ind\u00edcios de que haveria uma crise. Em 2009, o <strong>Sistema Cantareira<\/strong> estava com um n\u00edvel de \u00e1gua de 99,7%, em 2010 o pico baixou para 93%, em 2011, para 66%, em 2012 caiu para 62% e desde ent\u00e3o s\u00f3 vem caindo. Nesses per\u00edodos a quantidade de \u00e1gua que se distribu\u00eda era maior do que a quantidade de \u00e1gua que chegava aos reservat\u00f3rios. Ou seja, pelo menos, desde 2010 a contabilidade n\u00e3o estava fechando, mas a Sabesp e o governo do Estado de S\u00e3o Paulo optaram por adotar uma pol\u00edtica de expans\u00e3o de venda de \u00e1gua e come\u00e7aram a procurar mais clientes, como ind\u00fastrias, que foram convencidas a comprar \u00e1gua da <strong>Sabesp.<\/strong> Muitas dessas empresas utilizavam \u00e1gua de po\u00e7os, mas foram convencidas a comprar \u00e1gua da Sabesp, com pre\u00e7os mais baixos. Mas o problema n\u00e3o foi s\u00f3 esse. De outro lado, tamb\u00e9m houve uma expans\u00e3o do consumo, se estendeu mais redes de \u00e1gua e, em contrapartida, n\u00e3o houve expans\u00e3o dos mananciais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; A crise poderia ter sido evitada? Que percentual da crise pode ser atribu\u00eddo \u00e0 falta de chuvas e que parte da crise est\u00e1 relacionada a problemas t\u00e9cnicos ou de gest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> A\u00ed est\u00e1 a quest\u00e3o. Muitas pessoas dizem que n\u00e3o era poss\u00edvel evitar a crise, mas se n\u00e3o era poss\u00edvel antes, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel fazer nada daqui para frente. Mas o fato \u00e9 que j\u00e1 existiam v\u00e1rios estudos mostrando que haveria problemas de abastecimento. Vou citar um estudo que o pr\u00f3prio governo do Estado de S\u00e3o Paulo tem desde 2009, o qual foi elaborado pela <strong>Secretaria de Meio Ambiente<\/strong>, intitulado <strong>Cen\u00e1rios Ambientais 2020<\/strong>, que tra\u00e7ava tr\u00eas cen\u00e1rios: o cen\u00e1rio de <strong>refer\u00eancia<\/strong>, que \u00e9 o mais prov\u00e1vel de acontecer; o cen\u00e1rio <strong>alvo<\/strong>, que \u00e9 aquele que se almeja; e o cen\u00e1rio<strong> ideal<\/strong>, que \u00e9 aquele em que \u00e9 aquele em que n\u00e3o haveria problema algum. O cen\u00e1rio de refer\u00eancia da Secretaria de Meio Ambiente j\u00e1 apontava que entre 2015 e 2018 haveria uma <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529467-a-guerra-da-agua-ja-comecou\" target=\"_blank\"><strong>guerra pela \u00e1gua<\/strong><\/a> em S\u00e3o Paulo. Inclusive, a p\u00e1gina 39 desse documento tra\u00e7a um cen\u00e1rio catastr\u00f3fico. Esse cen\u00e1rio era o mais prov\u00e1vel de acontecer, e o governo \u2014 a institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estou falando de uma gest\u00e3o espec\u00edfica \u2014 j\u00e1 tinha esse estudo na m\u00e3o, porque inclusive, foi ele quem o encomendou.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o governo deveria ter tomado medidas para <strong>evitar<\/strong> que a crise de abastecimento ocorresse, mas elas n\u00e3o foram tomadas. Pelo contr\u00e1rio, a situa\u00e7\u00e3o foi negligenciada. Ent\u00e3o, a crise de abastecimento poderia ter sido evitada at\u00e9 este momento. Por exemplo, a perda no sistema de \u00e1gua, por causa do vazamento, \u00e9 de 30% em S\u00e3o Paulo. Esse valor \u00e9 o quanto o Sistema <strong>Cantareira<\/strong> fornece de \u00e1gua, hoje. Logo, seria poss\u00edvel termos evitado essa situa\u00e7\u00e3o se tivesse se reduzido pelo menos metade dessas perdas. Se isso tivesse sido feito, de 2009 para c\u00e1, ter\u00edamos minimizado a crise.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o as causas da perda de \u00e1gua na distribui\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> As\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/544893-sinal-vermelho-brasil-pode-demorar-65-anos-para-reduzir-desperdicio-de-agua-entrevista-especial-com-pedro-scazufca\" target=\"_blank\">perdas na distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua<\/a>\u00a0de \u00e1gua t\u00eam algumas causas, e a primeira delas \u00e9 o servi\u00e7o mal feito. A Sabesp poderia fazer esse servi\u00e7o com m\u00e3o de obra pr\u00f3pria, mas opta por terceirizar essa atividade, embora muitas empresas n\u00e3o tenham m\u00e3o de obra qualificada para a realiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, acrescente a\u00ed redu\u00e7\u00e3o de custo pelas empreiteiras e servi\u00e7o feito \u00e0s pressas. O segundo problema \u00e9 o uso dos materiais: ainda se usa materiais ultrapassados, como <strong>PVC<\/strong> e <strong>Ferro Fundido<\/strong>, que a cada seis metros tem um ponto vulner\u00e1vel de vazamento. Hoje j\u00e1 existem materiais mais modernos, que t\u00eam menos emendas. Tudo isso poderia evitar os vazamentos da \u00e1gua. Com certeza se os vazamentos fossem controlados, n\u00e3o ter\u00edamos a crise de abastecimento que existe hoje.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, diria que a crise \u00e9, em parte, um problema de m\u00e1 gest\u00e3o, somada com o problema clim\u00e1tico, e ainda com o desmatamento em larga escala, do Cerrado, da Amaz\u00f4nia, que tamb\u00e9m, \u00e9 um problema de gest\u00e3o federal. Tudo isso somado acabou acarretando a crise de abastecimento de \u00e1gua em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cSe o vazamento fosse controlado, n\u00e3o ter\u00edamos a crise de abastecimento que existe hoje\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Voc\u00ea faz algumas cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica da Sabesp de vender \u00e1gua com um valor reduzido a grandes empresas que utilizavam \u00e1gua de po\u00e7os. Que alternativas poderiam ter sido adotadas nesse sentido? Que percentual de \u00e1gua essas empresas utilizam?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong>\u00a0Muitas das empresas tinham po\u00e7os e v\u00e1rias ainda continuam usando po\u00e7os. O consumo de \u00e1gua do setor industrial n\u00e3o \u00e9 igual ao residencial: o consumo residencial na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 80% da \u00e1gua que a Sabesp vende, e os outros 20% s\u00e3o divididos entre o consumo industrial, p\u00fablico e comercial. Mas mesmo que esses grandes consumidores utilizassem po\u00e7os, isso tem impacto na quantidade de \u00e1gua reservada nas represas, porque \u00e0 medida que se retira \u00e1gua do subsolo, parte da recarga do subsolo \u00e9 feita pelas represas. Ent\u00e3o, se a <strong>Sabesp<\/strong> n\u00e3o vendesse a \u00e1gua, essas empresas iriam utilizar a \u00e1gua do subsolo do mesmo jeito.<\/p>\n<p>Os grandes consumidores que compram \u00e1gua num valor abaixo daquele vendido normalmente, n\u00e3o causam grande impacto, o problema \u00e9 moral: como se vende \u00e1gua para grandes consumidores utilizarem para fins n\u00e3o pot\u00e1veis, como dar descarga em banheiros, e se vende \u00e1gua num valor maior para as escolas, que v\u00e3o usar para fins pot\u00e1veis?<\/p>\n<p>Do ponto de vista das resid\u00eancias, tamb\u00e9m tiveram pol\u00edticas para aumentar o consumo. Antes de 1990, era comum as pessoas terem po\u00e7os rasos em casa, mas foi desenvolvida uma pol\u00edtica do Estado, nos \u00faltimos 20 anos, para que as pessoas fechassem os po\u00e7os, com a justificativa de que eles estariam contaminados. Mas n\u00e3o foram feitas an\u00e1lises da \u00e1gua para verificar se de fato a \u00e1gua de todos os po\u00e7os estava ou n\u00e3o contaminada. Eu acredito que grande parte da \u00e1gua estivesse, sim, contaminada, mas s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel afirmar isso depois de fazer an\u00e1lise da \u00e1gua. Mas por que houve esse empenho em fechar os po\u00e7os? Porque havia uma pol\u00edtica de aumento da venda de \u00e1gua para aumentar a lucratividade, ou seja, aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Valeria a pena tratar a \u00e1gua dos po\u00e7os ou utiliz\u00e1-las de algum modo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong>\u00a0Poderia usar a \u00e1gua dos po\u00e7os para fins n\u00e3o pot\u00e1veis. Numa situa\u00e7\u00e3o de crise aguda, que podemos ter num futuro pr\u00f3ximo, j\u00e1 que a possibilidade de colapso ainda n\u00e3o foi descartada, temos que optar por fontes n\u00e3o pot\u00e1veis para fins n\u00e3o pot\u00e1veis, ou seja, fontes de \u00e1gua que as pessoas podem utilizar para regar plantas e jardins, para dar descarga no vaso sanit\u00e1rio, etc. Nesses casos, a \u00e1gua n\u00e3o precisa ser pot\u00e1vel. At\u00e9 mesmo para lavar roupa, n\u00e3o precisa ser \u00e1gua pot\u00e1vel, tem que ser limpa, do mesmo modo que para tomar banho. N\u00f3s tomamos banho em rios e no mar e a \u00e1gua n\u00e3o necessariamente \u00e9 pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou dizendo que n\u00e3o temos que tomar cuidado com a qualidade das \u00e1guas, mas numa situa\u00e7\u00e3o de crise, temos que optar. Em minha casa tenho capta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua das chuvas, mas filtro, trato e fa\u00e7o o controle do PH dessa \u00e1gua, e a utilizo para tomar banho, lavar roupa. Claro que nem sempre teremos \u00e1gua de chuva, mas muitas vezes tenho mais \u00e1gua da chuva do que da rede p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Esse tipo de reutiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua faz parte de uma pol\u00edtica de re\u00faso de \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong>\u00a0N\u00e3o consideramos a utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da chuva como reuso, porque a \u00e1gua de reuso \u00e9 aquela que j\u00e1 foi utilizada uma vez, por exemplo, a \u00e1gua do banho que se coleta e se joga no vaso sanit\u00e1rio, ou a \u00e1gua que \u00e9 acumulada na m\u00e1quina de lavar roupa e \u00e9 reutilizada. S\u00f3 que o reuso de \u00e1gua pode ser feito em grande escala tamb\u00e9m. Em S\u00e3o Paulo h\u00e1 um volume enorme coletado de esgoto, mas o tratamento \u00e9 muito pequeno, de cerca de 18 mil litros por segundo, enquanto o tratamento de \u00e1gua, em tempos normais, \u00e9 de cerca de 73 mil litros por segundo. Ent\u00e3o h\u00e1 uma diferen\u00e7a muito grande em rela\u00e7\u00e3o ao que se trata de \u00e1gua e de esgoto.<\/p>\n<p>Agora, parte ou a totalidade da \u00e1gua tratada de esgoto poderia ser utilizada para fins n\u00e3o pot\u00e1veis. Uma ind\u00fastria poderia utilizar a \u00e1gua do esgoto tratada, n\u00e3o pot\u00e1vel, para dar descarga no vaso sanit\u00e1rio ou refrigerar equipamentos, por exemplo. Isso representaria uma redu\u00e7\u00e3o na capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em novos mananciais. Imagina quanto n\u00e3o aumentar\u00edamos de disponibilidade de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de buscar novos mananciais para serem explorados, poder\u00edamos criar alternativas que j\u00e1 est\u00e3o na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. Para voc\u00ea ter uma ideia, somente aqui nessa regi\u00e3o, temos uma capacidade de coletar, em m\u00e9dia anual, 15 mil litros de \u00e1gua de chuva por segundo. Isso representa o que j\u00e1 est\u00e1 tratando no <strong>Cantareira<\/strong> hoje. Entretanto, a coleta e uso das \u00e1guas das chuvas n\u00e3o podem ser feitam sem t\u00e9cnicas e crit\u00e9rios. \u00c9 necess\u00e1rio um programa governamental para isso, com verba, t\u00e9cnicos e projeto. Caso contr\u00e1rio, a popula\u00e7\u00e3o fazer coleta de \u00e1gua de chuva sem crit\u00e9rios podem ser gerados outros problemas de sa\u00fade p\u00fablica, como epidemia de dengue, leptospirose, por exemplo.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cSomente na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, temos uma capacidade de coletar, por ano, 15 mil litros de \u00e1gua de chuva por segundo. Isso representa o que j\u00e1 est\u00e1 faltando no Cantareira hoje\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 E qual \u00e9 a viabilidade de tornar um sistema de re\u00faso de \u00e1gua dispon\u00edvel para a popula\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> Isso \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel, de forma planejada, s\u00f3 \u00e9 preciso fazer tubula\u00e7\u00f5es das esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto para postos de gasolinas, empresas, ou seja, basta ter uma tubula\u00e7\u00e3o exclusiva de \u00e1gua de reuso para isso. A utiliza\u00e7\u00e3o de carro-pipa tamb\u00e9m \u00e9 uma alternativa que j\u00e1 existe, e a prefeitura de S\u00e3o Paulo j\u00e1 lava as ruas da cidade com \u00e1gua de reuso. O <strong>Polo Petroqu\u00edmico do ABC<\/strong> tamb\u00e9m utiliza \u00e1gua de reuso, 500 litros por segundo fornecida pela Sabesp, para atividades n\u00e3o pot\u00e1veis. Mas ainda \u00e9 muito t\u00edmida a utiliza\u00e7\u00e3o. Solu\u00e7\u00f5es existem, o problema \u00e9 que n\u00e3o querem gastar dinheiro, porque o interesse econ\u00f4mico fala mais alto do que os interesses ambientais e sociais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em que outros mananciais o Estado de S\u00e3o Paulo e a Sabesp est\u00e3o buscando \u00e1gua para conter a crise de abastecimento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong>\u00a0J\u00e1 est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o o sistema chamado <strong>S\u00e3o Louren\u00e7o<\/strong>, que trar\u00e1 \u00e1gua do Vale do Ribeira, que dar\u00e1 um f\u00f4lego de 5 mil litros por segundo, a um custo de R$ 2,2 bilh\u00f5es. Mas se esse dinheiro fosse investido nessas alternativas que mencionei, poderia haver uma maior disponibilidade de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Outra possibilidade encaminhada pelo governo, que j\u00e1 est\u00e1 em fase de licita\u00e7\u00e3o, \u00e9 trazer em torno de 5 mil litros por segundo de \u00e1gua do <strong>Rio Para\u00edba do Sul<\/strong> e interligar \u00e0 represa Atibainha no Sistema Cantareira. Essas s\u00e3o obras extremamente caras, que causam um impacto ambiental grande e que poderiam ser evitadas se cuid\u00e1ssemos melhor das \u00e1guas que temos, porque existem muitos rios em S\u00e3o Paulo, mas est\u00e3o todos polu\u00eddos.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo existem muitos rios, e a incid\u00eancia de chuvas no estado \u00e9 boa: chove quase tr\u00eas vezes o que chove no Sert\u00e3o Nordestino. S\u00f3 que esses rios s\u00e3o abastecidos, essencialmente, por esgotos. Se parar de chover dois meses, por exemplo, os c\u00f3rregos continuam tendo fluxo e isso significa que s\u00e3o abastecidos por esgotos. Mas a quest\u00e3o \u00e9: quem joga esgoto nesses c\u00f3rregos? S\u00e3o as companhias de saneamento e, em S\u00e3o Paulo, a Sabesp contribui muito com a vaz\u00e3o dos c\u00f3rregos.<\/p>\n<p>Os nossos rios poderiam ser utilizados como mananciais, mas n\u00e3o s\u00e3o utilizados porque n\u00e3o cuidamos deles. N\u00e3o vou atribuir a culpa disso somente a essa gest\u00e3o atual do governo e da Sabesp, claro que n\u00e3o, isso seria leviandade. Pois houve sempre uma pol\u00edtica de desprezo em rela\u00e7\u00e3o aos rios; eles eram vistos como algo sem import\u00e2ncia, mas agora estamos pagando essa conta pela neglig\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; De quem \u00e9 a responsabilidade pelo saneamento dos rios?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> Existem v\u00e1rios n\u00edveis de responsabiliza\u00e7\u00e3o. O governo federal deveria ter uma pol\u00edtica de recursos h\u00eddricos mais s\u00e9ria, deveria atuar mais atrav\u00e9s da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas \u2013 ANA. Os governos estaduais, especialmente S\u00e3o Paulo, t\u00eam a pol\u00edtica de saneamento e gest\u00e3o sobre as \u00e1guas, s\u00f3 que essa gest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 eficiente. Em S\u00e3o Paulo existe a <strong>Ag\u00eancia Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de S\u00e3o Paulo &#8211; Arsesp<\/strong>, que deveria fiscalizar e proibir que se jogasse esgoto nos c\u00f3rregos. Os munic\u00edpios, que s\u00e3o os poderes concedentes, tamb\u00e9m deveriam atuar, fiscalizar e exigir que as empresas tratassem os esgotos antes de lan\u00e7a-los nos rios.<\/p>\n<p>No entanto, v\u00e1rios munic\u00edpios tamb\u00e9m t\u00eam suas empresas de saneamento, algumas t\u00eam o departamento de \u00e1gua e esgoto, que s\u00e3o os <strong>DAE<\/strong>, outros t\u00eam servi\u00e7os aut\u00f4nomos de \u00e1gua e esgoto e, no caso de S\u00e3o Paulo, v\u00e1rios munic\u00edpios n\u00e3o s\u00e3o geridos pela Sabesp, pela administra\u00e7\u00e3o estadual. Ent\u00e3o, grande parte desses munic\u00edpios n\u00e3o trata seus esgotos em quantidade e qualidade suficiente para que os corpos d\u2019\u00e1gua n\u00e3o sejam polu\u00eddos. Em Guarulhos, por exemplo, pouco se trata esgoto. Em Mogi das Cruzes, no Alto Tiet\u00ea, jogam esgoto in natura nos rios. Mas, a maior parte, a responsabilidade \u00e9 do governo do Estado, que tem a Sabesp como empresa de saneamento e tem recursos.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cA Sabesp tem de voltar a ser uma empresa p\u00fablica, ela tem que ser reestatizada\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que consiste o plano de rod\u00edzio da Sabesp? Ele \u00e9 uma alternativa adequada ou n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/539653-assustados-com-o-rodizio-de-agua-paulistanos-se-preparam-para-seca\" target=\"_blank\"><strong>rod\u00edzio da Sabesp<\/strong><\/a> \u2014 que ela n\u00e3o assume \u2014 foi um dos motivos da minha demiss\u00e3o, depois de atuar na empresa por 23 anos, porque eu disse aos \u00f3rg\u00e3os de imprensa \u2014 fui entrevistado pelo <strong>El Pa\u00eds<\/strong> \u2014 que a Sabesp estava fazendo um rod\u00edzio, ou seja, a Sabesp fecha a sa\u00edda do reservat\u00f3rio e faz o rod\u00edzio.<\/p>\n<p>O rod\u00edzio \u00e9 uma forma de segurar mais \u00e1gua. Caso a Sabesp n\u00e3o tivesse feito o rod\u00edzio, a \u00e1gua n\u00e3o teria sido suficiente para abastecer a popula\u00e7\u00e3o at\u00e9 o m\u00eas de fevereiro, que foi quando come\u00e7ou a chover. O rod\u00edzio, infelizmente, foi utilizado muito tardiamente.<\/p>\n<p>A Sabesp tinha um <strong>plano de rod\u00edzio<\/strong> j\u00e1 no in\u00edcio de 2014, mas em fun\u00e7\u00e3o das <strong>press\u00f5es eleitoreiras<\/strong> &#8211; tinha uma elei\u00e7\u00e3o no meio do caminho &#8211; e em fun\u00e7\u00e3o de uma <strong>Copa do Mundo<\/strong>, o rod\u00edzio foi postergado, porque n\u00e3o queriam mostrar que o estado mais rico do Brasil, em um dos pa\u00edses mais ricos em \u00e1gua do mundo, estava enfrentando um problema de abastecimento de \u00e1gua em pleno per\u00edodo de Copa. Portanto, para evitar isso, n\u00e3o fizeram o rod\u00edzio como deveria ter sido feito. \u00c0 \u00e9poca, o rod\u00edzio era necess\u00e1rio para garantir uma <strong>gest\u00e3o segura<\/strong> do abastecimento, do ponto de vista da quantidade de \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>Problemas do rod\u00edzio de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Por outro lado, fazer rod\u00edzio tamb\u00e9m \u00e9 um problema, porque pode contaminar a rede de abastecimento. Toda vez que se paralisa uma rede de abastecimento de \u00e1gua, aquele volume que tem dentro da rede precisa ser ocupado, pode ser por meio de ar ou qualquer outra subst\u00e2ncia que estiver fora, qualquer outro fluido, se a rede tiver vazamento. Onde tiver vazamento, h\u00e1 risco de \u00e1gua contaminada entrar na rede e contaminar, por exemplo, a \u00e1gua que est\u00e1 na caixa d\u2019\u00e1gua, nas resid\u00eancias.<\/p>\n<p>O rod\u00edzio, al\u00e9m do problema da qualidade da \u00e1gua, pode trazer outros problemas. Por exemplo, uma informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 pouco veiculada na m\u00eddia: toda vez que se faz rod\u00edzio, entra ar na rede, e esse ar, depois, tem que sair e sair\u00e1 no cavalete das pessoas e far\u00e1 o hidr\u00f4metro girar favor\u00e1vel ao aumento da conta de \u00e1gua. Ent\u00e3o, se todos os dias o abastecimento de \u00e1gua \u00e9 paralisado, significa que todos os dias haver\u00e1 mais ar na rede.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m se gera um problema na estrutura de rede. Imagina que todos os dias uma rede de \u00e1gua tem uma press\u00e3o de 50 metros de coluna \u00e1gua (mca), ou seja, a \u00e1gua est\u00e1 pressurizando a rede e quando falta \u00e1gua, o que acontece? A press\u00e3o vai para zero. Esse processo causa, na rede, um efeito chamado de \u201cefeito fadiga\u201d, que \u00e9 uma hora a incid\u00eancia de press\u00e3o alta e, em outra, de press\u00e3o baixa. Se isso acontece com frequ\u00eancia, com o tempo a rede ser\u00e1 comprometida, porque esse aumento e queda abrupto de press\u00e3o danificar\u00e1 a rede. Se continuar por mais tempo com o rod\u00edzio, a Sabesp ter\u00e1 que trocar toda a sua rede, porque estourar\u00e1 tudo, tanto a rede de ferro quanto a rede de PVC. \u00c9 um problema s\u00e9rio para o futuro.<\/p>\n<p><strong>Falta d\u2019\u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, a Sabesp est\u00e1 deixando muitos lugares sem \u00e1gua durante 13, 15, at\u00e9 16 horas. Em alguns locais, esse tempo chega at\u00e9 18 horas todos os dias. Mas como Em S\u00e3o Paulo, mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o tem caixa d\u2019\u00e1gua em casa, parte dessa popula\u00e7\u00e3o normalmente n\u00e3o percebe quando falta \u00e1gua, porque se chegar \u00e1gua em casa durante seis horas do dia, com exce\u00e7\u00e3o de quem fica em casa, poucos percebem que est\u00e1 faltando \u00e1gua.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um lado positivo no rod\u00edzio: Imagina que falta \u00e1gua 15 horas por dia, nesse per\u00edodo n\u00e3o tem vazamento, o que significa tamb\u00e9m, que nesse per\u00edodo n\u00e3o tem perda. Com esse rod\u00edzio, a Sabesp conseguiu reduzir significativamente suas perdas, porque o tempo de pressuriza\u00e7\u00e3o da rede \u00e9 muito menor. Ent\u00e3o, isso justifica, por exemplo, por que ainda temos \u00e1gua hoje. Poder\u00edamos n\u00e3o termos mais \u00e1gua se n\u00e3o tivesse sido feito o rod\u00edzio.<\/p>\n<p>Assim, toda vez que se paralisa a rede de \u00e1gua, h\u00e1 o risco de contamina\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, o rod\u00edzio \u00e9 um problema, mas em \u00faltima an\u00e1lise, ele foi necess\u00e1rio. Fazer o rod\u00edzio foi uma atitude acertada, o que n\u00e3o foi acertada foi a pol\u00edtica de orienta\u00e7\u00e3o do governo do Estado de S\u00e3o Paulo, que n\u00e3o deixou a Sabesp fazer o rod\u00edzio antes e n\u00e3o \u00e9 transparente. Se a Sabesp tivesse autonomia para atuar desde o in\u00edcio de 2014, a situa\u00e7\u00e3o hoje seria mais confort\u00e1vel; n\u00e3o estou dizendo que seria segura, mas seria mais confort\u00e1vel.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cSe a Sabesp tivesse autonomia para atuar desde o in\u00edcio de 2014, a situa\u00e7\u00e3o hoje seria mais confort\u00e1vel\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como se deu seu processo de desligamento da Sabesp?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong>\u00a0Eu era empregado p\u00fablico, mas n\u00e3o era estatut\u00e1rio, pois a Sabesp \u00e9 uma empresa de economia mista, ent\u00e3o a admiss\u00e3o se d\u00e1 pelo concurso p\u00fablico, mas os funcion\u00e1rios trabalham sob o regime da CLT. Por isso, a Sabesp pode demitir, desde que tenha a justificativa adequada. Eles fizeram um corte de 604 trabalhadores no in\u00edcio deste ano. Eu j\u00e1 havia sido avisado no final do ano passado que seria demitido neste ano, por conta do meu ativismo e da minha forma de atuar. Internamente, eu deixei muito claro que a transpar\u00eancia \u00e9 essencial, que tem que falar a verdade, porque a popula\u00e7\u00e3o precisa saber o que est\u00e1 acontecendo. Muitas pessoas sentem medo de falar alguma coisa, apesar de saberem, por medo de sofrer retalia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando comecei a dar entrevistas, evitava falar de quest\u00f5es que s\u00e3o segredos de empresa, ali\u00e1s, nem existem muitos segredos, at\u00e9 porque uma empresa que presta servi\u00e7o p\u00fablico nem deveria ter segredo, deveria ser totalmente aberta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas atividades, al\u00e9m disso, n\u00e3o tem concorrente. De todo modo, eu evitava falar de quest\u00f5es muito espec\u00edficas, mas mesmo assim isso provocou uma ira muito grande na dire\u00e7\u00e3o da empresa e do governo do Estado.<\/p>\n<p>Estou entrando na justi\u00e7a agora por conta da minha demiss\u00e3o. Saiu uma liminar dizendo que n\u00e3o deveria haver mais demiss\u00f5es, s\u00f3 que a liminar caiu e a Sabesp voltou a dizer que n\u00e3o ir\u00e1 readmitir ningu\u00e9m. Minha demiss\u00e3o foi justificada como redu\u00e7\u00e3o do fluxo de caixa, ou seja, eles dizem que houve uma redu\u00e7\u00e3o do fluxo de caixa e por isso eles me demitiram. Ocorre que minha avalia\u00e7\u00e3o interna sempre foi muito boa, chegava pr\u00f3ximo de 100%. Mas, enfim, eu n\u00e3o perdi horas de sono por causa disso; j\u00e1 estava preparado psicologicamente. Claro que eu n\u00e3o queria ser demitido, mas me preparei psicologicamente para n\u00e3o ficar abatido. Minha demiss\u00e3o \u00e9 um caso claro de persegui\u00e7\u00e3o!.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Al\u00e9m do controle na perda da distribui\u00e7\u00e3o, das pol\u00edticas de re\u00faso e do rod\u00edzio, que medidas poderiam ajudar a resolver o problema da crise h\u00eddrica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marzeni Pereira \u2013<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/529962-especialistas-dizem-que-nao-ha-solucao-de-curto-prazo-para-abastecimento-de-agua-em-sp\" target=\"_blank\">N\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00f5es imediatas<\/a> que possam resolver a crise. Por exemplo, se n\u00e3o chover at\u00e9 o final do ano e prosseguir essa estiagem por mais dois ou tr\u00eas anos, com chuvas muito abaixo da m\u00e9dia, teremos um caos em S\u00e3o Paulo. Para os pr\u00f3ximos tr\u00eas ou quatro anos, \u00e9 poss\u00edvel ter algumas op\u00e7\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o. Por exemplo, se n\u00e3o chover nos pr\u00f3ximos tr\u00eas ou quatro meses, o sistema <strong>Alto Tiet\u00ea, Cotia e Rio Claro<\/strong>, ir\u00e3o secar e, com certeza, o <strong>Cantareira<\/strong> tamb\u00e9m. N\u00f3s n\u00e3o teremos \u00e1gua na regi\u00e3o metropolitana para 20 milh\u00f5es de pessoas, o que seria um caos, uma cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>Mas vai chover, pode ser abaixo da m\u00e9dia, mas vai chover, ent\u00e3o teremos \u00e1gua para mais uns meses. O que poderia ser feito para minimizar? Primeiro, temos de ter um programa ousado de coleta e uso da <strong>\u00e1gua de chuva<\/strong>. \u00c9 preciso tamb\u00e9m que o governo abra m\u00e3o da necessidade de <strong>arrecada\u00e7\u00e3o<\/strong>, porque a\u00ed tamb\u00e9m cai a arrecada\u00e7\u00e3o da empresa de saneamento, da Sabesp \u2014 o Estado usa parte dessa arrecada\u00e7\u00e3o at\u00e9 para as receitas estaduais, o que \u00e9 um erro, pois o dinheiro do saneamento deveria ser utilizado no saneamento, mesmo o excedente.<\/p>\n<p><strong>Alternativas<\/strong><\/p>\n<p>Ainda no curto prazo, dependendo da situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso abrir po\u00e7os em larga escala. O pr\u00f3prio governo deveria fazer isso para que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o fique totalmente sem \u00e1gua. Al\u00e9m disso, a Sabesp tem de voltar a ser uma empresa p\u00fablica, ela precisa ser reestatizada, s\u00f3 que n\u00e3o pode ser estatizada na forma como era antes, em que o governo tinha a maioria das a\u00e7\u00f5es, mas as empreiteiras continuavam mandando por dentro e dando as ordens de como e quais obras deveriam ser feitas. Tem que haver controle social dessa empresa. N\u00f3s estamos falando do setor de saneamento, que atinge diretamente a sa\u00fade das pessoas. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade divulgou que cerca de 80% das interna\u00e7\u00f5es hospitalares v\u00eam da falta de saneamento. Portanto, esse \u00e9 um setor que est\u00e1 ligado diretamente \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso um programa agressivo de preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de mananciais. Os mananciais que existem hoje t\u00eam que ter suas \u00e1reas preservadas, mas, mais que isso, \u00e9 preciso fazer o reflorestamento com esp\u00e9cies nativas. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso retirar os esgotos dos mananciais. Tem mananciais em S\u00e3o Paulo, como \u00e9 o caso da represa Billings, do Guarapiranga, que est\u00e3o em estado deplor\u00e1vel. A qualidade da \u00e1gua da Billings \u00e9 pior que a qualidade da \u00e1gua do volume morto do Cantareira, muito pior. Ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio retirar o esgoto dos mananciais, h\u00e1 a necessidade de tratar o esgoto urgentemente, n\u00e3o d\u00e1 para jogar o Rio Pinheiros na Billings, na qualidade em que est\u00e1 hoje. Em m\u00e9dio e longo prazo seria indispens\u00e1vel esse tipo de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m precisamos combater a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, porque as \u00e1reas de mananciais s\u00e3o ocupadas ou pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria para fazer novos loteamentos ou pelas popula\u00e7\u00f5es mais pobres, que n\u00e3o conseguem comprar casas nas regi\u00f5es mais centrais.<\/p>\n<p><strong>Atua\u00e7\u00e3o no m\u00e9dio e longo prazo<\/strong><\/p>\n<p>Em m\u00e9dio e longo prazo existe uma folga maior para atuar. Agora, o problema principal \u00e9 no curt\u00edssimo prazo. Inclusive uma das minhas cr\u00edticas mais fortes na<strong> Sabesp<\/strong> era de que o governo estava fazendo uma administra\u00e7\u00e3o de alto risco, porque j\u00e1 havia avisos e previs\u00f5es mostrando que era preciso fazer algo com urg\u00eancia. Inclusive \u00e0 \u00e9poca da renova\u00e7\u00e3o da outorga do <strong>Sistema Cantareira<\/strong>, em 2004, j\u00e1 havia a previs\u00e3o de que o governo do Estado deveria <strong>reduzir perdas e tratar esgotos<\/strong> para que se reduzisse a depend\u00eancia do Cantareira, e isso n\u00e3o foi feito.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>\u201cBrasil exportou em 2013 o equivalente em \u00e1gua que poderia abastecer a regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo por 100 anos\u201d<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Mas para <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/522897-combater-as-perdas-de-agua\" target=\"_blank\">reduzir perdas<\/a> \u00e9 preciso ter pessoas qualificadas para fazer os servi\u00e7os, n\u00e3o d\u00e1 para contratar uma empreiteira e depois de dois anos contratar outra, com pessoas que nunca trabalharam no setor. Os funcion\u00e1rios da <strong>Sabesp<\/strong> t\u00eam 10, 15, 20 anos de trabalho na \u00e1rea e conhecem tudo de saneamento. Ent\u00e3o esse profissional precisa ser preservado. \u00c9 preciso tamb\u00e9m ter um <strong>combate ao lobby<\/strong> das empresas que vendem materiais, e n\u00e3o d\u00e1 para submeter o interesse coletivo da popula\u00e7\u00e3o em geral aos interesses individuais, tanto das prestadoras de servi\u00e7os, das empreiteiras, quanto das empresas que vendem materiais.<\/p>\n<p>No meu ponto de vista, essa crise de abastecimento de \u00e1gua que sofremos, que \u00e9 essencialmente \u00e9 uma crise de gest\u00e3o, tem que servir como balizador do que n\u00e3o deve ser feito, ou seja, n\u00e3o podemos deixar acontecer no futuro o que est\u00e1 acontecendo agora. Como \u00e9 que vamos deixar uma regi\u00e3o com 20 milh\u00f5es de pessoas, correr o risco de ficar totalmente sem \u00e1gua? N\u00e3o tem cabimento.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o da <strong>falta de chuva<\/strong>, \u00e9 quest\u00e3o de gest\u00e3o. Devemos tomar medidas que sirvam de precau\u00e7\u00e3o, e o princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o tem de estar sempre pautado. Se n\u00f3s n\u00e3o temos certeza de que ir\u00e1 chover no ano que vem, o que vamos fazer? Vamos preparar a popula\u00e7\u00e3o, vamos pensar alternativas.<\/p>\n<p>Gostaria ainda de lembrar que n\u00f3s tamb\u00e9m temos um problema s\u00e9rio no uso da \u00e1gua no Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/541028-professor-critica-injustica-hidrica-e-uso-excessivo-da-agua-pela-agricultura\" target=\"_blank\">agricultura<\/a><\/strong>, que utiliza 70% da \u00e1gua hoje. S\u00f3 para termos uma ideia \u2014 fiz um c\u00e1lculo r\u00e1pido com dados do <strong>Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Com\u00e9rcio<\/strong> \u2014, s\u00f3 com quatro produtos \u2014 soja, carne, caf\u00e9 e milho \u2014, o Brasil exportou em 2013 o equivalente em \u00e1gua que poderia abastecer a regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo por 100 anos.<\/p>\n<p><em>Por Patricia Fachin<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crise h\u00eddrica de S\u00e3o Paulo foi negligenciada \u201cNuma situa\u00e7\u00e3o de crise aguda, que poderemos ter<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Crise h\u00eddrica de S\u00e3o Paulo foi negligenciada \u201cNuma situa\u00e7\u00e3o de crise aguda, que poderemos ter","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27618"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27618\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}