{"id":27589,"date":"2015-09-05T12:00:29","date_gmt":"2015-09-05T15:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27589"},"modified":"2015-09-04T21:31:25","modified_gmt":"2015-09-05T00:31:25","slug":"uma-tecnologia-de-sensoriamento-remoto-esta-transformando-a-arqueologia-ao-mostrar-cidades-ocultas-sob-a-selva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/uma-tecnologia-de-sensoriamento-remoto-esta-transformando-a-arqueologia-ao-mostrar-cidades-ocultas-sob-a-selva\/","title":{"rendered":"Uma tecnologia de sensoriamento remoto est\u00e1 transformando a arqueologia, ao mostrar cidades ocultas sob a selva"},"content":{"rendered":"<div class=\"text clearfix\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27590\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A cena de arque\u00f3logos esquadrinhando terrenos em busca de pistas sobre povos desaparecidos ainda n\u00e3o est\u00e1 condenada, mas ser\u00e1 bem menos frequente. Uma tecnologia de sensoriamento remoto usada nos \u00faltimos anos est\u00e1 revolucionando a arqueologia ao resumir a dezenas de minutos um trabalho antes feito durante anos.<\/p>\n<p>O lidar (abreviatura da express\u00e3o em ingl\u00eas Light Detection And Ranging, ou Detec\u00e7\u00e3o de Luz e Extens\u00e3o) surgiu nos anos 1960, logo ap\u00f3s a inven\u00e7\u00e3o do laser. \u00c0 maneira do radar, o lidar, baseado no solo ou em uma aeronave, calcula a dist\u00e2ncia at\u00e9 um determinado ponto medindo o tempo necess\u00e1rio para um sinal refletido voltar ao ponto de emiss\u00e3o. Enquanto o radar emprega ondas de r\u00e1dio, o lidar usa pulsos de luz, o que o torna bem mais preciso \u2013 0,5 m\u00edcron, ante cent\u00edmetros para o radar.<\/p>\n<p>O lidar teve de se adaptar para mostrar-se \u00fatil na arqueologia. Em florestas tropicais, por exemplo, os 2 mil pulsos por segundo disparados pelos aparelhos dispon\u00edveis de in\u00edcio geralmente eram barrados pela cobertura vegetal. Foi preciso ampliar esse n\u00famero para a tecnologia se mostrar efetiva. Hoje, os equipamentos emitem at\u00e9 600 mil pulsos por segundo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/08\/04\/img-358771-cidade-maia-de-caracol-em-belize-2.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"295\" \/><br \/>\n<em><strong>Ao topo e acima, edifica\u00e7\u00f5es da cidade maia de Caracol, em Belize. O local foi o primeiro grande teste do lidar em regi\u00f5es cobertas por floresta densa<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Cada um desses pulsos pode ser refletido por quatro n\u00edveis de \u201cparadas\u201d (obst\u00e1culos), a \u00faltima das quais \u00e9 o solo. O engenheiro respons\u00e1vel v\u00ea de in\u00edcio uma \u201cnuvem\u201d de pontos, o registro confuso da parada de cada ponto em diferentes alturas. Um software filtra esses resultados, e o que aparece ent\u00e3o \u00e9 a topografia abaixo das \u00e1rvores. Se existe ali um s\u00edtio arqueol\u00f3gico, seus tra\u00e7os ficam n\u00edtidos. Mapas em tr\u00eas dimens\u00f5es criados com esses dados mostram as varia\u00e7\u00f5es de altura dos objetos encontrados.<\/p>\n<p>Arque\u00f3logos europeus come\u00e7aram a usar o lidar nos anos 1970. Embora a t\u00e9cnica ajude a revelar aspectos desconhecidos de redutos como Stonehenge, na Inglaterra (onde um mapeamento mostrou em 2014 a exist\u00eancia de 17 monumentos rituais relacionados a ele), a Europa n\u00e3o lhe traz dificuldade, pois n\u00e3o tem florestas densas. Al\u00e9m disso, no in\u00edcio do lidar na arqueologia o n\u00famero de pulsos de luz por segundo ainda se limitava a 5 mil.<\/p>\n<p>O quadro come\u00e7ou a mudar de fato em 2003, quando surgiu nos EUA o Centro de Mapeamento Nacional, uma parceria entre a Universidade da Fl\u00f3rida, a Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley e a Funda\u00e7\u00e3o Nacional da Ci\u00eancia. Seu primeiro desafio arqueol\u00f3gico surgiu seis anos depois: a cidade maia de Caracol, desaparecida h\u00e1 mil anos em Belize.<\/p>\n<h2><strong>Detalhes nunca vistos<\/strong><\/h2>\n<p>Quando os arque\u00f3logos Diane e Arlen Chase, da Universidade da Fl\u00f3rida Central, decidiram usar o lidar para pesquisar Caracol, as m\u00e1quinas j\u00e1 atingiam 125 mil pulsos por segundo. O resultado foi a cobertura de uma \u00e1rea de 200 quil\u00f4metros quadrados e o in\u00e9dito desnudamento de uma cidade inteira oculta sob a mata. \u201cPoder\u00edamos estudar a distribui\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios, habita\u00e7\u00f5es, estradas, mercados, todas as partes da cidade \u2013 coisas que nunca t\u00ednhamos visto antes\u201d, comenta Diane.<\/p>\n<p>O caso de Caracol atraiu a aten\u00e7\u00e3o de outros arque\u00f3logos. Chris Fisher, da Universidade Estadual do Colorado, estudava as ru\u00ednas de Angamuko, no centro-oeste do M\u00e9xico, quando ouviu falar da tecnologia e decidiu us\u00e1-la. O resultado foi a descoberta de uma grande cidade do imp\u00e9rio purepecha, rival dos astecas. \u201cEles tinham grandes espa\u00e7os ajardinados, reservat\u00f3rios e terra\u00e7os. O lidar deixa voc\u00ea ver tudo isso\u201d, diz Fisher, cuja equipe estuda hoje a \u00e1rea ao lado de um grupo franc\u00eas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/08\/04\/img-358772-cidade-maia-de-caracol-em-belize-3.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><br \/>\n<em><strong>Aplica\u00e7\u00f5es diversas: Al\u00e9m da arqueologia (no mapa acima, a cidade de Caracol, em Belize), o lidar \u00e9 usado para v\u00e1rias finalidades. Os militares americanos mapeiam com ele terrenos que suas tropas v\u00e3o percorrer. A Nasautiliza-o em pe\u00e7as do sistema de acoplagem das naves \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. Na meteorologia, ele permite o exame de camadas atmosf\u00e9ricas e de concentra\u00e7\u00f5es de poluentes no ar. O lidar est\u00e1 presente ainda nos \u201crev\u00f3lveres\u201d com que policiais verificam se o motorista trafega em excesso de velocidade.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Damian Evans, da Escola Francesa de Estudos Asi\u00e1ticos, est\u00e1 revendo com o lidar o complexo de templos de Angkor, no Camboja, capital do imp\u00e9rio khmer. Supervisor do projeto, ele est\u00e1 impressionado com o que j\u00e1 viu. \u201cAt\u00e9 mesmo os primeiros resultados brutos est\u00e3o nos mostrando coisas nunca vistas antes\u201d, afirma. A cobertura com que ele e sua equipe trabalham hoje \u00e9 de 2 mil quil\u00f4metros quadrados, o dobro do que se considerava antes.<\/p>\n<p>Angkor e o M\u00e9xico representam desafios diferentes para o lidar. A tecnologia j\u00e1 supera a vegeta\u00e7\u00e3o densa de selvas como a cambojana, mas ainda sofre com arbustos e constru\u00e7\u00f5es mais baixas, como no caso mexicano. Mesmo assim, o lidar \u00e9 um sucesso incontest\u00e1vel, e aguarda-se o que ele poder\u00e1 produzir de surpresas quando chegar a lugares ainda pouco explorados, como a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cena de arque\u00f3logos esquadrinhando terrenos em busca de pistas sobre povos desaparecidos ainda n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27590,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cidades_ocultas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A cena de arque\u00f3logos esquadrinhando terrenos em busca de pistas sobre povos desaparecidos ainda n\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27589"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27589\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}