{"id":27269,"date":"2015-08-30T09:00:28","date_gmt":"2015-08-30T12:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27269"},"modified":"2015-08-29T20:40:12","modified_gmt":"2015-08-29T23:40:12","slug":"novos-biomarcadores-auxiliam-na-avaliacao-de-tumor-cerebral-segundo-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/novos-biomarcadores-auxiliam-na-avaliacao-de-tumor-cerebral-segundo-pesquisadores\/","title":{"rendered":"Novos biomarcadores auxiliam na avalia\u00e7\u00e3o de tumor cerebral, segundo pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27274\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores brasileiros identificaram duas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas \u2013 uma no gene BRAF e outra no gene FGFR1 \u2013 que podem auxiliar os m\u00e9dicos a avaliar o progn\u00f3stico e a planejar o tratamento de portadores de um tipo de tumor cerebral denominado astrocitoma piloc\u00edtico, um dos mais frequentes em crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Os resultados da <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/57754\/perfil-mutacional-de-linhagens-primarias-de-glioblastomas\/\" target=\"_blank\"><b>pesquisa<\/b><\/a> apoiada \u00a0pela FAPESP foram divulgados no <b><i><a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4470527\/\" target=\"_blank\">Journal of Neuropathology and Experimental Neurology<\/a><\/i><\/b>\u00a0em julho. Segundo os autores, a descoberta tamb\u00e9m pode abrir caminho para um novo tipo de terapia.<\/p>\n<p>\u201cO astrocitoma piloc\u00edtico \u00e9, na maioria dos casos, um tumor benigno. Mas cerca de 20% dos pacientes evoluem mal. At\u00e9 agora, n\u00e3o havia como identificar aqueles que realmente necessitam de tratamento mais agressivo. E qualquer interven\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro, mesmo sendo m\u00ednima, pode ter grandes impactos\u201d, afirmou Rui Manuel Reis, coordenador cient\u00edfico do Centro de Diagn\u00f3stico Molecular do Hospital de C\u00e2ncer de Barretos.<\/p>\n<p>O astrocitoma piloc\u00edtico, de acordo com o pesquisador, pode afetar qualquer regi\u00e3o do c\u00e9rebro. Antigamente, acreditava-se que esse tipo de tumor, que afeta essencialmente crian\u00e7as e adultos jovens, era resultante do crescimento desordenado dos astr\u00f3citos \u2013 um tipo de c\u00e9lula neurol\u00f3gica com formato semelhante ao de uma estrela que atua na sustenta\u00e7\u00e3o e na nutri\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios. Atualmente, acredita-se que possa surgir a partir de c\u00e9lulas-tronco que s\u00e3o precursoras n\u00e3o s\u00f3 dos astr\u00f3citos como tamb\u00e9m de neur\u00f4nios e oligodendr\u00f3citos.<\/p>\n<p>\u201cEmbora os tumores cerebrais sejam menos frequentes em crian\u00e7as do que as neoplasias hematol\u00f3gicas, eles s\u00e3o a principal causa de morte por c\u00e2ncer. Isso porque o conhecimento sobre linfomas e leucemias, e consequentemente o tratamento dessas doen\u00e7as, evoluiu muito nos \u00faltimos anos. No caso da neoplasia cerebral n\u00e3o houve o mesmo avan\u00e7o\u201d, disse Reis.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, estudos recentes indicaram que altera\u00e7\u00f5es nos genes BRAF e FGFR1 poderiam estar relacionadas ao desenvolvimento de astrocitoma piloc\u00edtico, o subtipo mais frequente de c\u00e2ncer cerebral na faixa pedi\u00e1trica.<\/p>\n<p>Com o intuito de verificar a frequ\u00eancia dessas anomalias na popula\u00e7\u00e3o brasileira e investigar se teriam algum impacto na evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, o grupo de Barretos avaliou tumores extra\u00eddos de 69 pacientes. O trabalho foi feito em parceria com pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto, da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP), e resultou na tese de doutorado de Aline Paix\u00e3o Becker.<\/p>\n<p>Em mais de 60% dos casos, foi observada altera\u00e7\u00e3o no gene BRAF. \u201cEm decorr\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es cromoss\u00f4micas, o gene BRAF se quebra e parte dele acaba se fundindo a outro gene, o KIAA1549. Este parece ser um evento muito importante no desenvolvimento dos astrocitomas piloc\u00edticos\u201d, disse Reis.<\/p>\n<p>Ao comparar os resultados com dados de hist\u00f3rico m\u00e9dico dos participantes do estudo, os pesquisadores conclu\u00edram que os portadores dessa fus\u00e3o no gene BRAF, de maneira geral, evolu\u00edram melhor do que aqueles em que a altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica n\u00e3o estava presente.<\/p>\n<p>J\u00e1 a muta\u00e7\u00e3o no gene FGFR1 foi observada em apenas 7% dos casos investigados \u2013 justamente aqueles que tiveram pior evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, com maior risco de recidiva e de progress\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Apenas um paciente apresentou as duas altera\u00e7\u00f5es g\u00eanicas simultaneamente e teve uma evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica intermedi\u00e1ria \u2013 n\u00e3o foi t\u00e3o bem quanto aqueles que tinham apenas a fus\u00e3o em BRAF e nem t\u00e3o mal quanto os que tinham somente a muta\u00e7\u00e3o em FGFR1.<\/p>\n<p>\u201cUma vez que ambos os eventos gen\u00e9ticos apresentaram impacto no progn\u00f3stico, juntamos os dois em uma mesma an\u00e1lise e o poder estat\u00edstico foi ainda maior. Aqueles que tinham fus\u00e3o em BRAF e n\u00e3o tinham muta\u00e7\u00e3o em FGFR1 tiveram evolu\u00e7\u00e3o muito melhor do que aqueles que tinham muta\u00e7\u00e3o em FGFR1 e n\u00e3o tinham a fus\u00e3o em BRAF. Por isso preconizamos que essas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas podem ser biomarcadores importantes para auxiliar o cl\u00ednico a prever a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, comentou Reis.<\/p>\n<p>Outro potencial impacto positivo da descoberta, na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, \u00e9 abrir caminhos para estudos que tenham como objetivo testar a efic\u00e1cia da terapia-alvo contra o gene FGFR1.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 existem em fase de ensaios cl\u00ednicos f\u00e1rmacos capazes de inibir a a\u00e7\u00e3o do gene FGFR1. \u00c9 bem poss\u00edvel que os portadores de astrocitoma piloc\u00edtico com muta\u00e7\u00e3o nesse gene possam se beneficiar da terapia-alvo\u201d, disse Reis.<\/p>\n<p><b>Inova\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica<\/b><\/p>\n<p>Em parceria com a brasileira Marileila Varella Garcia, pesquisadora da University of Colorado, Denver, nos Estados Unidos, o grupo de Barretos desenvolveu uma nova sonda para investigar a presen\u00e7a da fus\u00e3o no gene BRAF nas amostras de tumores.<\/p>\n<p>Trata-se de um fragmento de DNA que cont\u00e9m part\u00edculas fluorescentes capazes de reagir com os genes BRAF e KIAA1549 fazendo cada um deles emitir uma cor diferente, que pode ser observada em um microsc\u00f3pio especial.<\/p>\n<p>\u201cEm uma c\u00e9lula normal, como os dois genes est\u00e3o em regi\u00f5es distintas do genoma, as duas cores aparecem separadamente. J\u00e1 quando h\u00e1 a fus\u00e3o dos dois genes, as cores aparecem sobrepostas\u201d, explicou Reis.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a vantagem do novo m\u00e9todo \u00e9 permitir analisar amostras de tumores preservadas em blocos de parafina, mais comumente encontradas nos hospitais de todo o mundo.<\/p>\n<p>\u201cOs m\u00e9todos existentes at\u00e9 ent\u00e3o permitiam apenas estudar amostras de tumores congeladas. Mas a maioria das institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de manter um banco de tumores criopreservados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>J\u00e1 a muta\u00e7\u00e3o no gene FGFR1 foi investigada por m\u00e9todos convencionais de sequenciamento.<\/p>\n<p>Ambas as altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas s\u00e3o consideradas som\u00e1ticas, ou seja, eventos espor\u00e1dicos sem rela\u00e7\u00e3o com caracter\u00edsticas herdadas dos pais. Tamb\u00e9m em ambos os casos, por mecanismos diferentes, a anomalia faz com que a prote\u00edna codificada por esses genes fique sempre em seu estado ativo, favorecendo a prolifera\u00e7\u00e3o celular.<\/p>\n<p>\u201cComo s\u00e3o tumores raros, acreditamos que os quase 70 casos que n\u00f3s sequenciamos representam uma s\u00e9rie bastante interessante e apresentem poder estat\u00edstico suficiente para avaliar o impacto biol\u00f3gico\u201d, afirmou Reis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros identificaram duas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas \u2013 uma no gene BRAF e outra no gene<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27274,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/biomarcadores.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisadores brasileiros identificaram duas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas \u2013 uma no gene BRAF e outra no gene","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27269"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27269"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27269\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}