{"id":27195,"date":"2015-08-28T20:16:12","date_gmt":"2015-08-28T23:16:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27195"},"modified":"2015-08-28T20:16:12","modified_gmt":"2015-08-28T23:16:12","slug":"a-contribuicao-de-cada-um-para-melhorar-o-ambiente-das-grandes-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-contribuicao-de-cada-um-para-melhorar-o-ambiente-das-grandes-cidades\/","title":{"rendered":"A contribui\u00e7\u00e3o de cada um para melhorar o ambiente das grandes cidades"},"content":{"rendered":"<header>\n<h2>\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"ed-foto\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/8MQhHnX6pAXvEWavnmlG2LH3Y0c=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/07\/03\/dsc1231.jpg\" alt=\"Festival de flores em Cuiab\u00e1 tem esp\u00e9cies entre R$ 2 at\u00e9 R$ 235.\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/h2>\n<\/header>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dia desses entrei para comprar uma flor ali na Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal) do Humait\u00e1 (Zona Sul do Rio de Janeiro) e ouvi uma conversa entre a vendedora e uma mulher que queria comprar flores artificiais. A vendedora, de uma loja conceitualmente moderna, fez quest\u00e3o de corrigir a cliente:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se usa mais esse nome. Agora elas se chamam flores definitivas. Na verdade, continuam sendo feitas de maneira artificial, mas \u00e9 melhor quando se entende que s\u00f3 diferem das outras porque essas vivem muito mais, n\u00e3o precisam de cuidados especiais. \u00c9 a op\u00e7\u00e3o ideal para quem trabalha fora, quer ter a casa enfeitada e n\u00e3o tem tempo para ficar cuidando de planta\u201d, explicou a mo\u00e7a.<\/p>\n<p>Achei a explica\u00e7\u00e3o bem curiosa. Comprei minha flor natural e sa\u00ed pensando. \u00c9 coerente, num dia a dia em que somos exigidos cada vez mais e por mais tempo, pensar em n\u00e3o submeter seres vivos (plantas e animais dom\u00e9sticos) ao descaso. Por outro lado, para onde nos levar\u00e3o esses cen\u00e1rios urbanos que est\u00e3o ficando cada vez mais est\u00e9reis, sem vida? Como sobreviver\u00e3o os bichos que tiveram que ceder seu espa\u00e7o para os pr\u00e9dios mas precisam se alimentar de flores e plantas, como abelhas, morcegos, p\u00e1ssaros&#8230;<\/p>\n<p>Nas varandas ou nas ruas, estamos mesmo precisando ter mais verde em nossas vidas. Recentemente o jornal brit\u00e2nico \u201cThe Guardian\u201d fez um levantamento sobre os dez espa\u00e7os mais verdes do mundo e deu o primeiro lugar para o Parque Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo (<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/sao-paulo\/videos\/t\/sptv-1-edicao\/v\/jornal-ingles-the-guardian-elege-o-ibirapuera-como-melhor-parque-urbano-do-planeta\/4410272\/\" target=\"_top\">veja aqui<\/a>) . Aqui no Rio temos a Floresta da Tijuca, mas \u00e9 uma \u00e1rea que n\u00e3o est\u00e1 exatamente no meio da cidade. Sei que ainda h\u00e1 locais de natureza viva em algumas grandes cidades aqui no Brasil, mas o fato \u00e9 que parques e pequenas pra\u00e7as andam ficando cada vez mais tristemente \u00e1ridos. E isso impacta diretamente no dia a dia de \u00e1reas urbanas.<\/p>\n<p>Sem terra para acolher a \u00e1gua da chuva, mais enchentes. Sem verde, menos chuvas&#8230; E por a\u00ed vai.\u00a0 J\u00e1 sabiam disso os arquitetos que, no per\u00edodo entre as duas guerras mundiais, assinaram a \u201cCarta de Atenas\u201d (<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/%20http:\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/solucoes-urbanas-criadas-na-decada-de-30-ate-hoje-nao-sao-adotadas.html\" target=\"_top\">leia aqui<\/a>), quase um manifesto, um\u00a0 conjunto de pesquisas e\u00a0 propostas que eles vinham desenvolvendo em seus pa\u00edses para ordenar as cidades, naqueles tempos dif\u00edceis, de maneira mais agrad\u00e1vel aos seus habitantes.<\/p>\n<p>Est\u00e1 l\u00e1, no t\u00f3pico 35 da \u201cCarta de Atenas\u201d, a sugest\u00e3o: \u201cOs volumes edificados ser\u00e3o intimamente amalgamados \u00e0s superf\u00edcies verdes que os cercam. As zonas edificadas e as zonas plantadas ser\u00e3o distribu\u00eddas levando-se em considera\u00e7\u00e3o um tempo razo\u00e1vel para ir de umas \u00e0s outras\u201d.\u00a0 Como se pode perceber, pouco ou nada foi acatado das ideias dos arquitetos do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 perceber que este bin\u00f4mio cidade\/aridez anda se alastrando mundo afora. Num artigo da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o impressa da revista \u201cResurgence &amp; Ecologista\u201d (<a href=\"https:\/\/www.resurgence.org\/magazine\/resurgence-ecologist.html\" target=\"_top\">veja aqui a publica\u00e7\u00e3o online<\/a>) , o jornalista Ros Coward escreveu sobre o assunto em tom en\u00e9rgico, quase uma den\u00fancia: \u201cAs cercas e as \u00e1reas anteriormente dedicadas a hort\u00eancias ou rosas est\u00e3o sendo substitu\u00eddos por azulejos brilhantes ou ard\u00f3sia\u201d. Ele aponta como grandes vil\u00e3os (ah, essa mania que a gente tem de eleger s\u00f3 um respons\u00e1vel&#8230;)\u00a0 os projetistas de interior modernos, que andam privilegiando cen\u00e1rios asseados.<\/p>\n<p>\u201cEsta mudan\u00e7a de estilo impacta o meio ambiente? Numa primeira avalia\u00e7\u00e3o algu\u00e9m pode dizer que n\u00e3o, mas um olhar mais atento revela como essas modas t\u00eam implica\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis para o meio ambiente. As casas s\u00e3o descritas como \u201cminimalistas\u201d. O sin\u00f4nimo para deslumbrante, nessa nova est\u00e9tica, \u00e9 tudo aquilo que est\u00e1 sempre em ordem, n\u00e3o deixa nenhuma bagun\u00e7a \u00e0 mostra e \u00e9 muito bem acabado. Banheiros e cozinhas \u2013 com toda a bagun\u00e7a abolida \u2013 t\u00eam superf\u00edcies de granito polido, azulejos e m\u00e1rmore\u201d, escreve Coward.<\/p>\n<p>E, \u00e9 claro, em ambientes t\u00e3o ass\u00e9pticos n\u00e3o cabe colocar um vaso de terra com uma planta que pode deixar cair flores no ch\u00e3o ou \u2013 horror dos horrores para quem quer uma casa\u00a0 t\u00e3o est\u00e9ril \u2013 atrair insetos. \u201cExpulsos pelos desenhistas de interior, a perda de jardins urbanos tem sido catastr\u00f3fica para o meio ambiente\u201d.<\/p>\n<p>Coward conta que uma pesquisa recente mostrou que Londres tem perdido, nos \u00faltimos cem meses, uma \u00e1rea semelhante a duas vezes e meia o Hyde Park, um dos maiores\u00a0 territ\u00f3rios verdes da cidade, com 2,5 quil\u00f4metros quadrados de \u00e1rea. J\u00e1 as superf\u00edcies lisas e frias aumentaram cerca de 25% no mesmo per\u00edodo,\u00a0 aponta o mesmo estudo. E continua sua cruzada contra os desenhistas de interiores:<\/p>\n<p>\u201cEles fazem seu trabalho como se estivessem protegidos dentro de uma bolha. Desenham as casas como se as pessoas vivessem ainda em castelos, sem necessidade nenhuma de interagir com o mundo ao redor. S\u00f3 que n\u00f3s, do lado de fora, somos afetados em nossa possibilidade de proteger a biodiversidade. Este discurso tem que mudar\u201d, escreve o jornalista.<\/p>\n<p>\u00c9 leg\u00edtima a preocupa\u00e7\u00e3o de Ros Coward. E n\u00e3o \u00e9 de hoje que a necessidade de se proteger flora e fauna vem sendo apontada como uma das solu\u00e7\u00f5es para poupar a vida humana de transtornos ainda maiores do que aqueles que j\u00e1 v\u00eam acontecendo. Na quarta-feira (27), por exemplo, um estudo da Nasa (<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2015\/08\/aquecimento-global-faz-nivel-dos-mares-subir-8-cm-desde-1992-diz-nasa.html\" target=\"_top\">veja aqui<\/a>) constatou que o n\u00edvel dos mares subiu 8cm desde 1992 at\u00e9 agora. Em alguns lugares a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior, subindo at\u00e9 22cm.\u00a0 As \u00e1reas mais prejudicadas foram as costas do Pac\u00edfico da \u00c1sia e da Oceania, assim como o Mediterr\u00e2neo Oriental e a costa atl\u00e2ntica da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Em entrevista ao jornal \u201cFolha de S\u00e3o Paulo\u201d de segunda-feira (24), o secret\u00e1rio de energia dos Estados Unidos, o f\u00edsico nuclear Ernest Moniz, que recebeu do presidente Barack Obama a tarefa de ajudar a buscar um acordo internacional na Confer\u00eancia do Clima em Paris (COP 21), no sentido de baixar as emiss\u00f5es da economia mundial, mostrou-se confiante. Ele acha que \u00e9 poss\u00edvel pensar no acordo mundial e num corte de 3 bilh\u00f5es de toneladas de CO2 at\u00e9 2030 e aposta, para isso, em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Como sabemos, as inova\u00e7\u00f5es custam dinheiro, o que, de cara, j\u00e1 exclui os pa\u00edses em desenvolvimento do grande conchavo mundial. A menos que os mais ricos baixem os pre\u00e7os de suas tecnologias, aposta Moniz. Eu, n\u00e3o apostaria nisso.<\/p>\n<p>Seja como for, gosto da ideia de poder pensar que os moradores de grandes cidades podem ajudar um pouco, sen\u00e3o com grandes inventos que fa\u00e7am baixar as emiss\u00f5es, pelo menos com a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00f3 embelezem mais a paisagem como tornem mais respir\u00e1vel o ar citadino. Portanto, vida longa \u00e0s plantas naturais nas varandas, salas, jardins, playgrounds. At\u00e9 porque, parar um pouco a correria do dia para mexer em terra pode ser bem saud\u00e1vel e menos complicado do que pare\u00e7a a princ\u00edpio.<\/p>\n<p><em>Foto: Nathalia Lorentz\/G1<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 &nbsp; Dia desses entrei para comprar uma flor ali na Companhia Brasileira de Alimentos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00a0 &nbsp; Dia desses entrei para comprar uma flor ali na Companhia Brasileira de Alimentos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27195"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27195\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}