{"id":27061,"date":"2015-08-26T13:00:51","date_gmt":"2015-08-26T16:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27061"},"modified":"2015-08-26T10:47:18","modified_gmt":"2015-08-26T13:47:18","slug":"paleontologos-brasileiros-descobrem-especie-de-lagarto-que-viveu-no-pais-80-milhoes-de-anos-atras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/paleontologos-brasileiros-descobrem-especie-de-lagarto-que-viveu-no-pais-80-milhoes-de-anos-atras\/","title":{"rendered":"Paleont\u00f3logos brasileiros descobrem esp\u00e9cie de lagarto que viveu no pa\u00eds 80 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27063\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Paleont\u00f3logos brasileiros anunciaram, nesta quarta-feira, uma importante descoberta: uma nova esp\u00e9cie de lagarto f\u00f3ssil encontrado em territ\u00f3rio nacional. A nova esp\u00e9cie foi denominada de Gueragama sulamericana, uni\u00e3o das palavras \u201cGuera\u201d (antigo), \u201cagama\u201d (g\u00eanero feminino) e \u201csulamericana\u201d, proveniente da Am\u00e9rica do Sul. A descoberta, anunciada na renomada revista cient\u00edfica \u201cNature communications\u201d, foi realizada no Munic\u00edpio de Cruzeiro do Oeste, noroeste do estado do Paran\u00e1, e tem idade aproximada de 80 milh\u00f5es anos.<\/p>\n<p>Foram encontrados poucos vest\u00edgios do animal: uma mand\u00edbula esquerda com dentes medindo aproximadamente 18 mil\u00edmetros em seu comprimento maior e outros pequenos fragmentos do osso maxilar e dentes. A qualidade de preserva\u00e7\u00e3o do exemplar, por\u00e9m, \u00e9 excepcional, o que permitiu aos estudiosos realizar descobertas impressionantes.<\/p>\n<p>O time de cientistas respons\u00e1vel pelo estudo \u2014 uma parceria entre a Universidade do Contestado\/CENPALEO, Museu Nacional\/UFRJ e Universidade de Alberta \u2014 considera o achado extremamente importante para a paleontologia brasileira. Gueragama sulamericana \u00e9 um lagarto acrodonte, sendo portanto o primeiro registro (f\u00f3ssil ou vivente) de todo este grupo de r\u00e9pteis na Am\u00e9rica do Sul. Um dos maiores grupos de lagartos viventes s\u00e3o os lagartos iguan\u00eddeos (representados por mais de 1.700 esp\u00e9cies viventes, mais as f\u00f3sseis). Este se dividem entre os iguan\u00eddeos Acrodonta (informalmente, acrodontes), que existem atualmente apenas nos continentes do Velho Mundo, e nos iguan\u00eddeos n\u00e3o-acrodontes, que habitam predominantemente as Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Os f\u00f3sseis mais antigos de acrodontes t\u00eam cerca de 180 a 160 milh\u00f5es de anos e foram encontrados na \u00cdndia, que fazia parte do antigo supercontinente de Gondwana, juntamente com as atuais massas de terra do hemisf\u00e9rio sul. Este grupo se dispersou pela \u00c1sia durante o Cret\u00e1ceo Superior (entre 99 milh\u00f5es e 65 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), e muito posteriormente (durante o Cenoz\u00f3ico, era que se iniciou h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos e se estende at\u00e9 hoje), pelo resto do Velho Mundo \u2014 \u00c1sia, \u00c1frica e Europa.<br \/>\n\u2014 A descoberta de Gueragama sulamericana indica, portanto, que a dispers\u00e3o deste grupo de r\u00e9pteis pelo hemisf\u00e9rio sul se deu muito antes do que se imaginava, aproximadamente 80 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, e que os acrodontes alcan\u00e7aram uma distribui\u00e7\u00e3o em escala global antes do Cenoz\u00f3ico \u2014 aponta o paleont\u00f3logo Everton Wilner, da Universidade do Contestado, em Mafra, institui\u00e7\u00e3o que coordenou os trabalhos de campo, an\u00e1lise fotogr\u00e1fica do material e descri\u00e7\u00e3o filogen\u00e9tica.<\/p>\n<p>A origem da fauna de lagartos e serpentes da Am\u00e9rica do Sul, importantes componentes da biodiversidade atual deste continente, continua um mist\u00e9rio. Por\u00e9m, a descoberta de Gueragama sulamericana ajuda a compreender um pouco mais dessa origem. A nova esp\u00e9cie indica que, pelo menos parte desta fauna primitiva de lagartos sul-americanos eram mais proximamente relacionados a grupos que hoje est\u00e3o em outros continentes, do que a grupos atualmente habitando o Brasil e o resto da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Os animais da esp\u00e9cie Gueragama sulamericana provavelmente viviam em tocas para evitar as altas temperaturas durante pelo menos parte do dia, como fazem lagartos acrodontes de habitat semelhante no norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio atualmente, segundo o especialista em r\u00e9pteis da Universidade de Alberta Tiago Rodrigues Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie habitava o entorno de poss\u00edveis \u00e1reas \u00famidas de um antigo deserto brasileiro.<\/p>\n<p>\u2014 Entre 87 a 75 milh\u00f5es de anos, grande parte do centro-oeste, sudeste e sul do Brasil compunham um grande deserto, conhecido hoje na comunidade geocient\u00edfica como Deserto Caiu\u00e1, onde esta esp\u00e9cie habitava o entorno de poss\u00edveis \u00e1reas \u00famidas, como o\u00e1sis, convivendo com tapejar\u00eddeos (grupo de pterossauros) como a esp\u00e9cie Caiuajara drobuskii \u2014 comenta o ge\u00f3logo Dr. Luiz Carlos Weinsch\u00fctz, coordenador dos trabalhos de campo, tamb\u00e9m da Universidade do Contestado.<\/p>\n<p>Para o renomado paleont\u00f3logo Alexander Kellner, do Museu Nacional\/UFRJ, que tamb\u00e9m colaborou com o estudo, a descoberta demonstra o enorme potencial do Brasil para contribuir com o conhecimento da evolu\u00e7\u00e3o dos vertebrados, o que pode ser exemplificado com o dep\u00f3sito de Cruzeiro do Oeste.<\/p>\n<p>\u2014 Se com pouca verba j\u00e1 fazemos descobertas importantes, imagina se houvesse um investimento substancial na paleontologia brasileira \u2014 comenta Kellner.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paleont\u00f3logos brasileiros anunciaram, nesta quarta-feira, uma importante descoberta: uma nova esp\u00e9cie de lagarto f\u00f3ssil encontrado<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27063,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/largarto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Paleont\u00f3logos brasileiros anunciaram, nesta quarta-feira, uma importante descoberta: uma nova esp\u00e9cie de lagarto f\u00f3ssil encontrado","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27061"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27061\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27063"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}