{"id":27018,"date":"2015-08-25T13:00:05","date_gmt":"2015-08-25T16:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=27018"},"modified":"2015-08-25T10:33:41","modified_gmt":"2015-08-25T13:33:41","slug":"divulgacao-de-relatorios-sobre-as-emissoes-que-vem-das-nossas-latas-de-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/divulgacao-de-relatorios-sobre-as-emissoes-que-vem-das-nossas-latas-de-lixo\/","title":{"rendered":"Divulga\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios sobre as emiss\u00f5es que v\u00eam das nossas latas de lixo"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-27019\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Washington Novaes \u2013<\/em><\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios sobre emiss\u00f5es de gases do efeito estufa pelo ICLEI (Local Governments for Sustainability)-SEEG tem permitido an\u00e1lises importantes para o Pa\u00eds nos setores de energia e uso de produtos, agropecu\u00e1ria e res\u00edduos. S\u00e3o an\u00e1lises que podem orientar rumos que o Brasil precisa seguir em suas atividades, para reduzir seu indesej\u00e1vel papel de um dos maiores produtores no mundo de metano, \u00f3xido nitroso e di\u00f3xido de carbono \u2013 segundo o Banco Mundial, em tr\u00eas d\u00e9cadas nossas emiss\u00f5es cresceram tr\u00eas vezes acima do crescimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o conhecimentos decisivos nestes tempos de graves problemas. S\u00f3 a agropecu\u00e1ria global responde por 10% a 12% das emiss\u00f5es \u2013 embora a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO-ONU) avalie que essa participa\u00e7\u00e3o pode aumentar muito, com o crescimento da demanda por alimentos (mais 15% a 40%), nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. E o Brasil \u00e9 o segundo maior emissor na agropecu\u00e1ria, com 1,56 bilh\u00e3o de toneladas anuais de di\u00f3xido de carbono, n\u00famero que pode dobrar se inclu\u00eddas as emiss\u00f5es por desmatamento e uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis no setor.<\/p>\n<p>O setor de energia teve a maior taxa m\u00e9dia de crescimento anual entre 1990 e 2013. E a \u00e1rea de res\u00edduos, que inclui a disposi\u00e7\u00e3o no solo e incinera\u00e7\u00e3o, bem como o tratamento de efluentes dom\u00e9sticos e industriais, em 2013 emitiu 48,73 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono. Materiais org\u00e2nicos em aterros e lix\u00f5es intensificam a a\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias, a decomposi\u00e7\u00e3o e a gera\u00e7\u00e3o de metano \u2013 da mesma forma que os esgotos dom\u00e9sticos, com alto teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica, e os efluentes industriais, com seu conte\u00fado org\u00e2nico em muitos produtos, entre eles cervejas, leite cru, papel, etc.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dar aten\u00e7\u00e3o especial ao setor de res\u00edduos, que merece poucas an\u00e1lises quando se trata de emiss\u00f5es e clima, embora j\u00e1 responda por 3,11% do total de emiss\u00f5es. O crescimento m\u00e9dio das emiss\u00f5es entre 1970 e 2013 foi de 2,66% ao ano, mais acentuado a partir de 1989, com pico de 6,22%. Nas emiss\u00f5es por Estados, o crescimento m\u00e9dio foi maior em S\u00e3o Paulo (19,25%), Minas Gerais (9,39%), Paran\u00e1 (7,68%), Rio Grande do Sul (7,12%) e Rio de Janeiro (6,54%).<\/p>\n<p>No Brasil, a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de res\u00edduos chega a 1,06 quilo por pessoa \u2013 ou seja, mais de 200 mil toneladas di\u00e1rias. E somos o quinto maior gerador de res\u00edduos. Mas, segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios, apenas nove cidades conclu\u00edram no prazo a primeira fase da elimina\u00e7\u00e3o de lix\u00f5es, obrigat\u00f3ria pela Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos. Metade dos 2.400 munic\u00edpios consultados nem sequer planos tinha \u2013 e eles eram obrigat\u00f3rios para pleitear recursos federais.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem estime em R$ 70 bilh\u00f5es os recursos necess\u00e1rios para dar fim aos lix\u00f5es. Mas como se far\u00e1 se o Minist\u00e9rio das Cidades, a maior fonte prov\u00e1vel deles, foi um dos que mais corte sofreu na recente revis\u00e3o do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, mais de R$ 17, 23 bilh\u00f5es?<\/p>\n<p>Ainda a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Munic\u00edpios calculou no ano passado que 61,4% dos munic\u00edpios consultados tenham enviado res\u00edduos para aterro; os restantes, para lix\u00f5es. Das 27 capitais brasileiras 16 t\u00eam aterros. Mas o pr\u00f3prio Distrito Federal mant\u00e9m h\u00e1 d\u00e9cadas em \u00e1rea nobre, a 15 quil\u00f4metros do Pal\u00e1cio do Planalto, o chamado \u201clix\u00e3o da Via Estrutural\u201d, que ocupa 174 hectares, onde trabalham 2,5 mil catadores de res\u00edduos e \u00e9 o maior dep\u00f3sito de lixo a c\u00e9u aberto no Pa\u00eds. O autor destas linhas \u2013 como j\u00e1 foi relatado aqui \u2013 teve uma experi\u00eancia pessoal no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990: quando, secret\u00e1rio de Meio Ambiente, Ci\u00eancia e Tecnologia, fez um plano diretor para o lixo de Bras\u00edlia, que previa a elimina\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito da Via Estrutural, a destina\u00e7\u00e3o de todos os res\u00edduos para um aterro e uma usina de reciclagem adequados. A oposi\u00e7\u00e3o foi brutal, de v\u00e1rios setores, e impediu a concretiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre 50% e 55% do lixo urbano produzido no Brasil s\u00e3o res\u00edduos org\u00e2nicos, que podem ser compostados e transformados em adubo para v\u00e1rias \u00e1reas \u2013 n\u00e3o a de alimentos, por causa de res\u00edduos de metais pesados. Seria um ganho enorme, porque hoje a maior ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de aterros \u00e9 com o lixo org\u00e2nico e a compostagem \u00e9 m\u00ednima.<br \/>\nPl\u00e1sticos respondem por 13,5% do total do lixo; papel, papel\u00e3o e tetrapak por 13,1%; vidro por 2,4%; metais por 2,9%; e outros res\u00edduos por 16,7%. Junto com o lixo org\u00e2nico, parcelas importantes desses outros res\u00edduos poderiam ser reduzidas em mais de 50% \u2013 segundo a associa\u00e7\u00e3o das empresas do setor. E isso significaria liberar parte importante dos aterros, j\u00e1 que, somando aos org\u00e2nicos, s\u00e3o 83%. Ainda \u00e9 preciso lembrar que poder\u00e1 haver aumento no lixo com o final, em 2018, da televis\u00e3o anal\u00f3gica, que implicar\u00e1 alto descarte \u2013 embora a legisla\u00e7\u00e3o preveja destina\u00e7\u00e3o especial para esse tipo de res\u00edduo.<\/p>\n<p>Infelizmente, o tema do lixo ocupa lugar desprez\u00edvel \u2013 quando ocupa \u2013 nas \u00e1reas administrativa e pol\u00edtica. Estados e munic\u00edpios acham que cabe ao governo federal fornecer-lhes recursos e n\u00e3o os conseguem, em geral, quando pleiteiam. N\u00e3o querem cobrar dos cidad\u00e3os, que rejeitam uma nova taxa\u00e7\u00e3o \u2013 como aconteceu na cidade de S\u00e3o Paulo, onde foi criada e abolida depois de pouco tempo. Os cidad\u00e3os acham que j\u00e1 pagam pelos trabalhos com o lixo, quando fora daqui o que se v\u00ea \u00e9 que s\u00f3 foram encaminhadas solu\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses que criaram uma taxa proporcional a todo o lixo gerado, nas resid\u00eancias, no com\u00e9rcio, nas ind\u00fastrias, em toda parte. Mas nossos administradores temem perder a aprova\u00e7\u00e3o e votos se enveredarem por a\u00ed.<\/p>\n<p>Nem seria o caso de falar do desperd\u00edcio de recursos que est\u00e3o no lixo. Nem na inacredit\u00e1vel perda de alimentos jogados fora. A ONU assegura que um ter\u00e7o dos alimentos produzidos no mundo s\u00e3o desperdi\u00e7ados \u2013 quando 800 milh\u00f5es de pessoas passam fome. Nos Estados Unidos, 34 milh\u00f5es de toneladas de comida s\u00e3o jogadas no lixo todo ano. \u00c9 estarrecedor.<\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.com.br)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes \u2013 A divulga\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios sobre emiss\u00f5es de gases do efeito estufa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27019,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lata_lixo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes \u2013 A divulga\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios sobre emiss\u00f5es de gases do efeito estufa","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27018"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27018\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}