{"id":26894,"date":"2015-08-23T10:12:20","date_gmt":"2015-08-23T13:12:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26894"},"modified":"2015-08-23T10:13:31","modified_gmt":"2015-08-23T13:13:31","slug":"medico-mantem-na-ba-criatorio-da-maior-cobra-venenosa-das-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/medico-mantem-na-ba-criatorio-da-maior-cobra-venenosa-das-americas\/","title":{"rendered":"M\u00e9dico mant\u00e9m na Bahia criat\u00f3rio da maior cobra venenosa das Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/surucucu.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-26895\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/surucucu-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/surucucu-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/surucucu.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A surucucu \u00e9 a maior cobra venenosa das Am\u00e9ricas. O animal \u00e9 capaz dar um bote de dois metros. Na <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/bahia\">Bahia<\/a>, est\u00e1 o primeiro criat\u00f3rio particular da esp\u00e9cie do Brasil.<\/p>\n<p>Era um dia comum de trabalho para o agricultor Rosevaldo de Jesus quando ele se deparou com uma visita inesperada na ro\u00e7a. \u201cA cobra bateu no meu p\u00e9. Eu pulei de banda e ela pulou e me pegou em dois lugares. Foi escurecendo as vistas e a\u00ed n\u00e3o vi mais nada. Era pico-de-jaca\u201d, diz.<\/p>\n<p>Pico de jaca, surucucu e surucutinga s\u00e3o alguns dos nomes da <em>lachesis muta<\/em>, a maior cobra venenosa das Am\u00e9ricas, que pode chegar a 4,5 metros\u00a0 de comprimento.<\/p>\n<p>No livro \u2018A MARCHA PARA O OESTE\u2019, Orlando e Cl\u00e1udio Villas-Boas dizem que a surucucu \u00e9 a \u00fanica cobra venenosa brasileira que avan\u00e7a. Muitas vezes, a m\u00e1 fama faz da esp\u00e9cie uma v\u00edtima.<\/p>\n<p>A surucucu \u00e9 nativa da Floresta Amaz\u00f4nica e da Mata Atl\u00e2ntica. Respons\u00e1vel por 3% dos acidentes com cobras venenosas no Brasil, a pico de jaca \u00e9 uma esp\u00e9cie vulner\u00e1vel. Esse e um est\u00e1gio antes de ser considerada sob amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o de Ilh\u00e9us, no sul da Bahia, \u00e9 uma \u00e1rea onde a explora\u00e7\u00e3o do cacau, cultura que precisa de sombreamento, acabou por preservar parte da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico mineiro Rodrigo de Souza tem s\u00edtio em Serra Grande, munic\u00edpio vizinho a Ilh\u00e9us. Quando vai para o s\u00edtio, ele fica em lugar ao lado do lago e sem paredes. Ele prefere dormir em uma barraca.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"irc_mi\" src=\"http:\/\/pbs.twimg.com\/media\/CNF78ygWUAAsMOR.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"336\" \/><\/p>\n<p>\u201cEu acredito nesse tipo de sistema porque a intera\u00e7\u00e3o com a floresta \u00e9 muito grande. Com animais pe\u00e7onhentos em geral, dentro da barraca fica bastante protegido. Fora isso, \u00e9 risco\u201d, explica Souza.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico conta que se interessou por animais pe\u00e7onhentos ainda menino. Ele estudou e aprendeu sozinho. Souza foi para a regi\u00e3o atuar como m\u00e9dico e acabou trabalhando tamb\u00e9m com as cobras. \u201cUm policia militar bateu na minha casa de madrugada e pediu que eu removesse uma cobra. Ele achou que eu iria \u2018amarelar\u2019. Mas, eu fiz uma remo\u00e7\u00e3o e virou refer\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os Boletins de Ocorr\u00eancia mostram que o m\u00e9dico, com o conhecimento que tem, ajudou a resgatar v\u00e1rias cobras. Ele soltou uma na natureza e outras foram alojadas atr\u00e1s de muros no N\u00facleo Serra Grande.<\/p>\n<p>O Ibama foi informado sobre a exist\u00eancia das surucucus em 2003, quando o m\u00e9dico entrou com o pedido de autoriza\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o. Ainda n\u00e3o houve uma resposta definitiva. \u201cEla tem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de instala\u00e7\u00e3o. Agora, foi feita a vistoria. A pr\u00f3xima etapa \u00e9 a autoriza\u00e7\u00e3o de manejo, que \u00e9 a final. Isso vai nos permitir reproduzir e comercializar o veneno de maneira que torne sustent\u00e1vel o criadouro, que cumpra sua utilidade\u201d, diz o zootecnista F\u00e1bio Hosken.<\/p>\n<p>O Ibama em Salvador confirma que a cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 em fase final de autoriza\u00e7\u00e3o e diz que a demora \u00e9 porque trata-se de um caso pouco comum. \u201cA grande quest\u00e3o era a origem desse plantel. Muitos foram entregues pela Pol\u00edcia Militar oriundos da Pol\u00edcia Civil, por ocorr\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o. Ao longo do tempo, esses animais se reproduziram em cativeiro. Ent\u00e3o, havia uma dificuldade no cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o para demonstrar que esses animais t\u00eam uma origem legal\u201c, diz C\u00e9lio Pinto, superintendente do Ibama\/BA.<\/p>\n<p>O zootecnista F\u00e1bio Hosken \u00e9 o respons\u00e1vel t\u00e9cnico e explica algumas normas de seguran\u00e7a para que nenhuma cobra escape. \u201cA \u00e1rea onde existem os recintos est\u00e1 isolada. Existe uma faixa de seguran\u00e7a. Ap\u00f3s ela, um muro com baldrame de 50 cm pra baixo. Ainda que ganhasse a \u00e1rea externa do recinto, ela encontra essa barreira instranspon\u00edvel. Portanto, a biosseguran\u00e7a dentro desse criadouro \u00e9 100%\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os recintos onde ficam as serpentes s\u00e3o \u00e1reas cercadas ao redor da Mata Atl\u00e2ntica, habitat natural da surucucu.<\/p>\n<p>Em 2007, Souza colocou uma f\u00eamea e um macho de surucucu dentro de um dos viveiros instalados na propriedade para ver se haveria um cruzamento. Deu certo. Hoje, est\u00e3o no lugar algumas pedras pintadas de branco para marcar o local onde foram encontrados os ovos. O m\u00e9dico n\u00e3o sabia a reprodu\u00e7\u00e3o de surucucu era proibida.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea tiver a autoriza\u00e7\u00e3o de manejo, que \u00e9 o licenciamento final, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma obje\u00e7\u00e3o pra reprodu\u00e7\u00e3o. Mas, at\u00e9 que o tr\u00e2mite seja completado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, n\u00e3o \u00e9 permitido que se reproduza. A gente ficou sabendo disso em 2011. A partir da\u00ed, temos tomado cuidado\u201d, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Os filhotes est\u00e3o com um ano e tr\u00eas meses e medem cerca de 60 cent\u00edmetros. Eles s\u00e3o fruto, segundo o pessoal do n\u00facleo, de um cruzamento acidental.<\/p>\n<p>As cobras que precisam ficar em observa\u00e7\u00e3o ou passar\u00e3o por algum tipo de manejo s\u00e3o levadas para uma sala onde ficam alojadas dentro de barracas. N\u00e3o \u00e9 permitida a aproxima\u00e7\u00e3o por que a cobra pode sentir a mudan\u00e7a de temperatura e achar que \u00e9 alguma amea\u00e7a ou um alimento. Ela pode dar o bote e chegar a furar o material da barraca.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio dos Santos, que cuida das serpentes, separa as peles que encontrou nos recintos. \u201cUma adulta \u00e9 de tr\u00eas em tr\u00eas meses e precisa estar trocando de pele. A gente faz o acompanhamento e vai reciclando essa pele\u201d, explica.<\/p>\n<p>Ao lado da sala de observa\u00e7\u00e3o fica o biot\u00e9rio onde s\u00e3o criados os ratos que v\u00e3o servir de alimento para as cobras. Os ratos s\u00e3o abatidos e congelados. Se fossem oferecidos vivos, sofreriam mais. Eles v\u00e3o para o microondas antes de virar ra\u00e7\u00e3o por que t\u00eam que estar quentes para cobra identificar como alimento vivo. E ela d\u00e1 o bote.<\/p>\n<p>Manejos mais complexos, quando a cobra deve ser manipulada, s\u00e3o feitos diretamente pelo m\u00e9dico. Para a prote\u00e7\u00e3o, ele usa cal\u00e7a refor\u00e7ada e casaco de couro grosso. Depois, leva os animais apenas apoiando parte do corpo. Uma delas pesa cerca de 15 quilos e mede 2,4 metros de comprimento.<\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o pode tocar nos primeiros 40 cent\u00edmetros. O uso do la\u00e7o mata o animal. Ela vai girar no pr\u00f3prio eixo e quebrar a pr\u00f3pria coluna. Ela pode dar botes de 1,5 a dois metros de altura. Ela avisa antes. Vai vibrar a cauda dizendo que ela est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o de estresse inicial. O barulho dela vibrando contra as folhas da floresta \u00e9 t\u00e3o forte quanto o chocalho da cascavel\u201d, alerta o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico avalia a sa\u00fade das cobras e coloca um chip de identifica\u00e7\u00e3o, exigido pelo Ibama. Depois, fotografa a cabe\u00e7a do animal ao lado da marca\u00e7\u00e3o do n\u00famero do chip. O nome surucucu pico-de-jaca vem da textura do couro dela, que lembra a casca da jaca.<\/p>\n<p>A estrutura do criat\u00f3rio foi montada com doa\u00e7\u00f5es de empres\u00e1rios da regi\u00e3o beneficiados pelo trabalho de resgate das cobras. Mas, o custo mensal vem do bolso do m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A \u00fanica atividade at\u00e9 agora foi a doa\u00e7\u00e3o de dois gramas de veneno de surucucu para a Funed \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Ezequiel Dias, uma das respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de soro antiof\u00eddico no Brasil. No pr\u00e9dio, que fica em Belo Horizonte, h\u00e1 cobras como cascavel, urutu e jararaca. Mas, s\u00f3 tem a mand\u00edbula da surucucu. A \u00faltima cobra morreu h\u00e1 cinco anos.<\/p>\n<p>O soro \u00e9 produzido em uma fazenda em Betim. O veneno da cobra \u00e9 injetado nos cavalos. O organismo vai reagir e parte do sangue, plasma, contendo os anticorpos, \u00e9 retirada e usada na produ\u00e7\u00e3o do soro.<\/p>\n<p>O diretor industrial da Funed, Luiz Marinho, diz que n\u00e3o faltam serpentes para extra\u00e7\u00e3o de veneno, mas fala da import\u00e2ncia de criat\u00f3rios como o da Bahia. \u201c\u00c9 importante que a gente tenha parceria com pesquisadores que detenham a tecnologia disso. Acho que a gente tem que preservar um interc\u00e2mbio entre pesquisador e institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas\u201d, diz.<\/p>\n<p>O coordenador do Cevap \u2013 Centro de Estudos de Venenos e Animais Pe\u00e7onhentos, em Botucatu, S\u00e3o Paulo, o veterin\u00e1rio Rui Seabra Ferreira J\u00fanior, falou de pesquisas que j\u00e1 est\u00e3o em andamento com o veneno de surucucu. \u201cPor ser um veneno que tem um grande efeito imunossupressor, ou seja, deprime o sistema imunol\u00f3gico do paciente, pesquisas que tratam da rejei\u00e7\u00e3o de transplantes, como a rejei\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. Voc\u00ea deprime o estado imunol\u00f3gico do paciente. Ent\u00e3o, seria interessante para isso\u201d, diz.<\/p>\n<p>Enquanto espera pela autoriza\u00e7\u00e3o do Ibama, Rodrigo de Souza acalenta o sonho de aumentar o plantel. Hoje, o n\u00facleo abriga 34 cobras. Mas, ele quer chegar a 200.<\/p>\n<p>Ainda hoje, depois de tantos anos, o m\u00e9dico diz que tem medo da surucucu e, principalmente, respeita o animal. \u00c9 esse respeito que faz com que ele tenha cuidados rigorosos no manejo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A surucucu \u00e9 a maior cobra venenosa das Am\u00e9ricas. 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