{"id":26778,"date":"2015-08-22T10:00:38","date_gmt":"2015-08-22T13:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26778"},"modified":"2015-08-21T21:48:38","modified_gmt":"2015-08-22T00:48:38","slug":"tecnologia-facilita-o-reuso-em-paises-que-sofrem-com-a-escassez-de-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tecnologia-facilita-o-reuso-em-paises-que-sofrem-com-a-escassez-de-agua\/","title":{"rendered":"Tecnologia facilita o reuso em pa\u00edses que sofrem com a escassez de \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-26779\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A \u00e1gua que bebemos hoje \u00e9 a mesma de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, ao longo dos s\u00e9culos ela apenas foi se reciclando, voltou para a natureza para ser reutilizada.<\/p>\n<p>Na quarta reportagem de Tonico Ferreira na s\u00e9rie \u2018\u00c1gua &#8211; Planeta em Crise\u2019, conhe\u00e7a a tecnologia desenvolvida pelos pa\u00edses para reaproveitar a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Abrir a torneira e sair \u00e1gua limpa \u00e9 t\u00e3o natural que n\u00e3o nos damos conta do caminho que ela percorre para entrar na nossa casa e depois sair, em geral, na forma de esgoto.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso uma crise de abastecimento para se ter ideia da complexidade da estrutura envolvida: represas, adutoras, bombas, canais e redes de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/california\/\">Calif\u00f3rnia<\/a>, EUA<\/strong><br \/>\nO professor David Sedlak, da Universidade de Berkeley, na Calif\u00f3rnia, em seu livro cl\u00e1ssico sobre o recurso mais valioso do mundo, diz que para chegar onde est\u00e1 hoje, o sistema de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua passou por uma s\u00e9rie de revolu\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos 2,5 mil anos.<\/p>\n<p>Os romanos fizeram a primeira revolu\u00e7\u00e3o: construir aquedutos e importar \u00e1gua de longe para abastecer suas cidades. A segunda, no s\u00e9culo 19, foi tratar a \u00e1gua porque ela havia se tornado uma fonte de doen\u00e7as, contaminada pelo esgoto da pr\u00f3pria cidade, e a terceira revolu\u00e7\u00e3o, em meados do s\u00e9culo passado, tratou esse esgoto antes dele ser jogado no meio ambiente.<\/p>\n<p>No Brasil, essa revolu\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o se completou porque aqui a maior parte do esgoto, 61%, vai direto para os rios, lagos e mar. A quarta revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a atual e vem da escassez crescente: usar \u00e1gua com efici\u00eancia.<\/p>\n<p>O reuso \u00e9 um exemplo: a \u00e1gua entra na cidade, vira esgoto, que \u00e9 tratado para se transformar em \u00e1gua pot\u00e1vel pronta para ser reusada. A ideia \u00e9 reciclar, manter dentro da cidade o m\u00e1ximo de \u00e1gua que chega at\u00e9 ela.<\/p>\n<p>Nesta quarta fase, Sedlak diz que \u00e9 preciso investir em novas tecnologias, mesmo em pa\u00edses em desenvolvimento, como o Brasil. \u201cOs danos econ\u00f4micos associados \u00e0 falta d&#8217;\u00e1gua s\u00e3o muito maiores do que os investimentos para se ter um suprimento seguro de \u00e1gua\u201d, explica ele.<\/p>\n<p>\u00c9 o que fez o Condado de Orange, no litoral da Calif\u00f3rnia. Quando a \u00e1gua salgada do mar come\u00e7ou a invadir o aqu\u00edfero, a \u00e1gua subterr\u00e2nea, que abastece a cidade, a solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica foi bombear \u00e1gua doce para dentro dele, aumentar a press\u00e3o e criar uma esp\u00e9cie de barreira protetora contra a \u00e1gua salgada.<\/p>\n<p>E como Orange n\u00e3o tem fonte natural de \u00e1gua, construiu o maior sistema de purifica\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do mundo. \u201cN\u00f3s podemos produzir essa \u00e1gua mais barata que a \u00e1gua importada. N\u00f3s podemos produzir pela metade do custo da \u00e1gua dessalinizada\u201d, diz Sedlak.<\/p>\n<p>Em uma ponta entra o esgoto da cidade, que passa por microfiltros com orif\u00edcios min\u00fasculos. Um fio de cabelo \u00e9 300 vezes mais largo. Part\u00edculas, bact\u00e9rias e at\u00e9 v\u00edrus ficam para tr\u00e1s. Em seguida, em um processo chamado de osmose reversa, a \u00e1gua \u00e9 pressionada para atravessar uma membrana que s\u00f3 deixa passar as mol\u00e9culas de \u00e1gua. O \u00faltimo est\u00e1gio \u00e9 um banho de raios ultravioleta e o que sai na ponta final \u00e9 \u00e1gua pura.<\/p>\n<p><strong><a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/cingapura\/\">Cingapura<\/a><\/strong><br \/>\nNa busca da autossufici\u00eancia no suprimento de \u00e1gua, Cingapura decidiu que tinha que investir em ci\u00eancia, no desenvolvimento de tecnologias avan\u00e7adas. O Instituto Newri, criado h\u00e1 apenas oito anos, j\u00e1 \u00e9 uma refer\u00eancia mundial na pesquisa de \u00e1gua e meio ambiente.<\/p>\n<p>Um dos objetivos dos cientistas \u00e9 fabricar membranas sint\u00e9ticas que purifiquem \u00e1gua com gasto m\u00ednimo de energia. \u201c\u00c9 tentar imitar o rim humano no processo de filtragem do sangue\u201d, diz o professor Chong Tzyy Hour.<\/p>\n<p>A professora Zhou Yan pesquisa o processo de converter bact\u00e9rias em g\u00e1s metano para produzir energia el\u00e9trica para purificar a \u00e1gua. O diretor e fundador do instituto, o professor Wun Jern, diz que o Newri segue a doutrina das universidades de Cingapura, que \u00e9 trabalhar sem preconceitos com as empresas privadas para transformar pesquisa em desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\nO Brasil tem pesquisa com membrana faz tempo. O laborat\u00f3rio da Universidade Federal do Rio de Janeiro tem condi\u00e7\u00f5es de oferecer um projeto nacional de fabrica\u00e7\u00e3o de membranas tanto para tratamento de esgoto como para dessalinizar \u00e1gua do mar. Mas algu\u00e9m pediu ajuda ao laborat\u00f3rio neste momento de crise?<\/p>\n<p>\u201cSe fomos procurados por governantes para discutir a crise h\u00eddrica e usar a tecnologia que j\u00e1 est\u00e1 desenvolvida no pa\u00eds? N\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o fomos procurados por esses governantes\u201d, diz Cristiano Borges, do Coppe.<\/p>\n<p>Em uma esta\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de reuso a partir de esgoto dom\u00e9stico que fica em S\u00e3o Paulo, tudo \u00e9 bem moderno, a prova de que \u00e9 poss\u00edvel fazer aqui o mesmo processo que existe em pa\u00edses mais avan\u00e7ados. N\u00e3o h\u00e1 impedimento tecnol\u00f3gico. Se quiser fazer, d\u00e1 para fazer.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes. A \u00e1gua \u00e9 pot\u00e1vel, mas por enquanto, s\u00f3 tem uso industrial. \u00c9 levada por uma adutora com 17 km de comprimento para o polo petroqu\u00edmico do ABC, onde \u00e9 usada em torres de resfriamento e caldeiras. Os clientes est\u00e3o satisfeitos.<\/p>\n<p>O governo de S\u00e3o Paulo anunciou um projeto para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de reuso na Grande S\u00e3o Paulo, mas vai demorar dois anos e meio. Por enquanto, esta \u00e9 a \u00fanica grande usina de reuso no Brasil. Faltou interesse em fazer mais.<\/p>\n<p><strong><a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/australia\">Austr\u00e1lia<\/a><\/strong><br \/>\nSidnei, na Austr\u00e1lia, com \u00bc da popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, tem 13 esta\u00e7\u00f5es de reciclagem de \u00e1gua para uso industrial, recupera\u00e7\u00e3o de rios e tamb\u00e9m uso residencial. A esta\u00e7\u00e3o de Rouse Hill alimenta o riacho da regi\u00e3o com \u00e1gua limpa e fornece \u00e1gua reciclada para quase 20 mil resid\u00eancias.<\/p>\n<p>As casas t\u00eam duas entradas de \u00e1gua, uma para pot\u00e1vel, que vem dos reservat\u00f3rios da cidade, e outra para \u00e1gua reciclada. O sistema exige que todas as casas tenham uma rede de canos dupla.<\/p>\n<p>A \u00e1gua reciclada serve para regar jardim, lavar roupa e nas descargas dos vasos sanit\u00e1rios. A gerente de produ\u00e7\u00e3o diz que os consumidores podem usar o quanto quiserem, sem limites.<br \/>\nA \u00e1gua que bebemos hoje de manh\u00e3 pode ter sido usada h\u00e1 uma semana, um m\u00eas ou um s\u00e9culo atr\u00e1s. Pode ter sido bebida por um construtor das pir\u00e2mides ou por um dinossauro h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que toda \u00e1gua \u00e9 \u00e1gua reusada. A que vai para o ralo da pia pode estar indo para uma fonte de \u00e1gua de uma outra comunidade. Todos n\u00f3s vivemos rio abaixo de algu\u00e9m e, em um mundo onde a demanda por \u00e1gua pot\u00e1vel cresce, a reciclagem \u00e9 a chave para um abastecimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1gua que bebemos hoje \u00e9 a mesma de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, ao longo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":26779,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/agua_reciclada.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A \u00e1gua que bebemos hoje \u00e9 a mesma de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, ao longo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26778"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26778"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26778\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26779"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}