{"id":26638,"date":"2015-08-19T08:00:25","date_gmt":"2015-08-19T11:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26638"},"modified":"2015-08-18T20:27:26","modified_gmt":"2015-08-18T23:27:26","slug":"sem-grilo-como-um-curso-pode-fazer-voce-superar-o-nojo-e-ensinar-a-comer-insetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sem-grilo-como-um-curso-pode-fazer-voce-superar-o-nojo-e-ensinar-a-comer-insetos\/","title":{"rendered":"Sem grilo, como um curso pode fazer voc\u00ea superar o nojo e ensinar a comer insetos"},"content":{"rendered":"<div class=\"texto-container-right col-md-11\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/inseto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-26639\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/inseto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/inseto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/inseto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>S\u00e3o tr\u00eas partes \u2013 cabe\u00e7a, t\u00f3rax e abd\u00f4men. Duas antenas. Um exoesqueleto de quitina. Sangue frio. Abriu o apetite? \u00c0 primeira leitura, os insetos n\u00e3o parecem os itens mais saborosos de um card\u00e1pio. O h\u00e1bito humano de comer esses animais invertebrados, chamado de antropoentomofagia, j\u00e1 \u00e9 relativamente comum em pa\u00edses orientais, mas s\u00f3 agora est\u00e1 se tornando um neg\u00f3cio popular tamb\u00e9m no Ocidente. Fazendas urbanas produzem grilos congelados nos Estados Unidos, startups empacotam larvas e gafanhotos em embalagens atraentes no Reino Unido e, aqui no Brasil, um curso online ensina como cultiv\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u201cNosso pa\u00eds tem um grande potencial de se tornar l\u00edder mundial na produ\u00e7\u00e3o desse tipo de prote\u00edna animal, assim como produz aves, bovinos e su\u00ednos\u201d, disse Gilberto Schickler, zootecnista respons\u00e1vel pelo curso &#8220;Insetos na alimenta\u00e7\u00e3o animal e humana\u201d. \u201cA mensagem que procuro levar \u00e9 que estamos perdendo tempo e dinheiro em n\u00e3o utilizar esse rico e esquecido recurso alimentar, seja na cozinha, seja nos neg\u00f3cios. Meu interesse \u00e9 incentivar e popularizar o consumo de insetos comest\u00edveis, inclusive pela popula\u00e7\u00e3o de baixa renda.\u201d<\/p>\n<p>As aulas online surgiram em julho de 2013 quando Schickler notou uma demanda crescente por consultoria nessa \u00e1rea. Schickler \u00e9 s\u00f3cio da Nutrinsecta, sediada em Minas Gerais, uma das maiores produtoras de insetos no Brasil e a primeira a receber o registro de fabricante de ingredientes para alimenta\u00e7\u00e3o animal, de acordo com as normas do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento. Formado pela Universidade Federal de Lavras, trabalha desde 2003 com a t\u00e9cnica chamada produ\u00e7\u00e3o massal de insetos comest\u00edveis \u2014 ou, em outras palavras, cria\u00e7\u00e3o em larga escala de gafanhotos, grilos e outros bichos t\u00edpicos de jardins.<\/p>\n<p>\u201cInspirei-me em outro curso online que fazia na \u00e9poca, e um fator que me atraiu nesse modelo de aula foi a possibilidade de manter um v\u00ednculo permanente com os alunos. O conte\u00fado fica dispon\u00edvel integralmente na rede e todos podem compartilhar suas experi\u00eancias criando e comendo os insetos&#8221;, afirma Schickler.<\/p>\n<p>Insetos s\u00e3o ricos em prote\u00edna, gorduras ben\u00e9ficas, vitaminas e sais minerais, como ferro e zinco, e, de quebra, possuem colesterol quase nulo. Ao contr\u00e1rio da pecu\u00e1ria tradicional, requerem pouca energia, \u00e1gua e espa\u00e7o para crescer. S\u00e3o tamb\u00e9m um cultivo sustent\u00e1vel, pois emitem menos gases de efeito estufa (apenas algumas esp\u00e9cies emitem metano, por exemplo, enquanto gados s\u00e3o uma das maiores fontes do g\u00e1s poluente) e dependem menos dos recursos do solo. Grilos, um dos mais populares, precisam de doze vezes menos alimento do que o gado convencional ou metade da quantidade que porcos e frangos precisam para produzir a mesma quantidade de prote\u00edna.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<div class=\"credito-foto\">Foto por: Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/info.abril.com.br\/images\/materias\/2015\/08\/885x885-17319-10206642430330637-2416475774758774910-n-20150817163741.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" \/><\/p>\n<div class=\"legenda-foto\">\n<p>Gilberto Schickler, professor do curso online, segura\u00a0um prato de farofa de tanajuras. &#8220;Saboroso\u00a0e crocante&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cInsetos podem ser muito gostosos\u201d, diz o criador. \u201cA tend\u00eancia \u00e9 que se tornem baratos, viabilizando uma aquisi\u00e7\u00e3o regular como de outras carnes\u201d. Para a alimenta\u00e7\u00e3o humana, insetos devem ser cultivados desde o nascimento e seguir uma dieta ajustada para tal. Em geral, s\u00e3o alimentados com frutas e verduras, como cenoura, e uma esp\u00e9cie de ra\u00e7\u00e3o farelada contendo cereais. Espera-se em m\u00e9dia 35 dias at\u00e9 o abate. \u201cPenso que um dia ser\u00e1 normal comermos, durante semana, frango em dois dias, carne bovina em outros dois e um dia inseto. Uma dieta saud\u00e1vel \u00e9 uma dieta variada\u201d.<\/p>\n<p>Gilberto \u00e9 o respons\u00e1vel por lecionar as aulas do curso e conta com a participa\u00e7\u00e3o de outros especialistas, como a engenheira de alimentos Beatriz Sumere; o<i> chef<\/i> Rossano Linassi; e Eraldo Medeiros Costa Neto, professor de biologia da Universidade Estadual de Feira de Santana e autor do livro \u201cAntropoentomofagia\u201d, o primeiro do g\u00eanero no Brasil.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o exista um controle de frequ\u00eancia ou horas de aulas, os temas s\u00e3o distribu\u00eddos de forma semanal, durante cerca de quatro meses. \u201cNossa m\u00e9dia de inclus\u00e3o mensal \u00e9 de tr\u00eas alunos. Estamos em fase de reformula\u00e7\u00e3o de nosso site, e acreditamos que incluir novas modalidade de pagamento poder\u00e1 estimular a procura\u201d. Hoje o pre\u00e7o do curso \u00e9 de 500 reais pagos com uma \u00a0parcela \u00fanica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de utilizar refer\u00eancias externas como v\u00eddeos e artigos cient\u00edficos, a plataforma online possibilita que pessoas de diferentes locais fa\u00e7am o curso, no momento que quiserem. Tr\u00eas alunos vivem em \u00a0Portugal e um brasileiro faz mestrado na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Para o pernambucano Ginaldo Menezes, aluno do curso desde o ano passado, grilo \u00e9 o melhor dos insetos comest\u00edveis. \u201c\u00c9 o mais saboroso. Alguns falam que tem um gosto parecido com o da castanha, mas \u00e9 um gosto diferente, dif\u00edcil de dizer\u201d, disse a <strong>INFO<\/strong>. \u201cO que eu mais gosto \u00e9 preparar em alho e \u00f3leo, como camar\u00e3o. Fica uma del\u00edcia\u201d.<\/p>\n<p>No curso, Menezes, que j\u00e1 cria insetos para ra\u00e7\u00e3o de inset\u00edvoros h\u00e1 oito anos, aprendeu t\u00e9cnicas como a desidrata\u00e7\u00e3o dos animais e o abate em \u00e1gua fervente, e a temper\u00e1-los antes mesmo do preparo, para adquirir sabor. Ele descobriu o curso online tocando informa\u00e7\u00f5es com outros criadores brasileiros pela internet, e diz que o consumo humano ainda \u00e9 caro porque existem poucas iniciativas. Hoje, a empresa de Menezes, Insetos Brasil, vende invertebrados vivos, secos ou congelados \u2013 para todo o pa\u00eds. O pre\u00e7o m\u00e9dio de 100 ten\u00e9brios (larvas de besouro) \u00e9 10 reais e a mesma quantidade de grilos ou baratas sai por 30 reais.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rios alunos se interessaram pela cria\u00e7\u00e3o como neg\u00f3cio e poucos alunos comem de forma regular\u201d, diz Shickler, \u201cmas o Ginaldo se destaca. Ele compartilha com a turma semanalmente novos experimentos gastron\u00f4micos, que v\u00e3o de grilos fritos com arroz e feij\u00e3o a empadas de baratas e sobremesas de ten\u00e9brios cobertos com chocolate&#8221;.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<div class=\"credito-foto\">Foto por: Acervo pessoal\/ Ginaldo Menezes<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/info.abril.com.br\/images\/materias\/2015\/08\/885x592-11836615-1028699573831147-1151793702-o-20150817163929.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"428\" \/><\/p>\n<div class=\"legenda-foto\">\n<p>Quitutes do aluno Ginaldo Menezes com baratas e larvas de ten\u00e9brio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Desde 2013, 40 alunos j\u00e1 se inscreveram no curso. Para conclu\u00ed-lo, eles devem apresentar, em grupo, um trabalho sobre cria\u00e7\u00e3o ou consumo de insetos. O perfil mais comum s\u00e3o estudantes, sobretudo de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, de cursos como agroneg\u00f3cios, engenharia de alimentos e biologia, al\u00e9m de criadores de outras esp\u00e9cies de animais e at\u00e9 aposentados que buscam por uma atividade.<\/p>\n<p>\u201cMesmo que seja frequente o consumo de tanajuras ou larvas de coqueiro em alguns locais do Brasil, e at\u00e9 existam barras de prote\u00edna para atletas, a repulsa ainda \u00e9 normal, e natural, visto que o pa\u00eds tem variadas fontes de prote\u00edna animal dispon\u00edveis\u201d, diz Schickler, que tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel t\u00e9cnico da Vidaproteina e Safari, duas empresas do ramo. \u201cAcredito que o mercado para consumo humano de forma expressiva seja algo para daqui dez ou vinte anos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Alimento do futuro?<\/strong><\/p>\n<p>Iniciativas brasileiras como a do curso online apontam para uma tend\u00eancia mundial. Em 2013, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Humanas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) lan\u00e7ou um relat\u00f3rio que sustentava que insetos poderiam ajudar a estabilizar o abastecimento alimentar global. Estima-se que at\u00e9 2050 seremos 9,7 bilh\u00f5es de pessoas e que a agricultura mundial ter\u00e1 de ampliar em 80% a produ\u00e7\u00e3o de alimentos para atender as necessidades dessa popula\u00e7\u00e3o. Ricos em nutrientes, baratos de cultivar e abundantes, insetos poderiam ajudar no combate \u00e0 fome e ao mesmo tempo prevenir uma eventual epidemia de obesidade, j\u00e1 que possuem baixo teor de carboidratos.<\/p>\n<p>Uma alternativa ex\u00f3tica, \u00e9 verdade, para pa\u00edses ocidentais, como o Brasil. Patas, antenas, exoesqueletos. Mas pesquisadores calculam que ao menos dois bilh\u00f5es de pessoas comem insetos regularmente, sobretudo em pa\u00edses da \u00c1frica e \u00c1sia, como Mal\u00e1sia e Tail\u00e2ndia. Enquanto o Ocidente come\u00e7a a engatinhar nessa ind\u00fastria, s\u00f3 na Tail\u00e2ndia existem cerca de 20 000 fazendas de insetos. A antropoentofagia pode ser um h\u00e1bito, sen\u00e3o saboroso, pelo menos sustent\u00e1vel e lucrativo.<\/p>\n<p>Isso motivou empres\u00e1rios como o norte-americano Kevin Bachhuber a abrir em 2014 a empresa <a href=\"http:\/\/http:\/\/bigcricketfarms.com\/faq.html\" target=\"_blank\">Big Crickets Farm<\/a>, que se autodenomina a \u201cprimeira fazenda urbana de grilo na Am\u00e9rica\u201d. A empresa vende produtos no atacado como tamb\u00e9m possui distribuidores no varejo pelo pa\u00eds. Sua base fica em Yougstown, Ohio, e seus grilos t\u00eam certificados de qualidade do <a href=\"http:\/\/www.omri.org\/about\" target=\"_blank\">Instituto de Avalia\u00e7\u00e3o de Materiais Org\u00e2nicos<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o internacional que ap\u00f3ia produtos org\u00e2nicos.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Reino Unido, a startup Grub produz e vende um chocolate com grilos por 4,50 libras (cerca de 24,50 reais) e gafanhotos secos por 11,50 libras (cerca de 62,50 reais). Os insetos s\u00e3o alimentados com batatas, cenouras e gr\u00e3os. A empresa faz, ali\u00e1s, entregas internacionais, inclusive para o Brasil, com pre\u00e7os de entrega vari\u00e1veis (<i>voc\u00ea pode calcular sua encomenda aqui <a href=\"https:\/\/www.eatgrub.co.uk\/shop\/\" target=\"_blank\">https:\/\/www.eatgrub.co.uk\/shop<\/a><\/i><a href=\"https:\/\/www.eatgrub.co.uk\/shop\/\" target=\"_blank\">\/ <\/a>).<\/p>\n<p>Alessandra Almeida, nutricionista funcional da Cl\u00ednica Andrea Santa Rosa, no Rio de Janeiro, alerta que apesar de a FAO apoiar o consumo de insetos na alimenta\u00e7\u00e3o humana, aqui no Brasil o Minist\u00e9rio da Agricultura n\u00e3o possui nenhum registro oficial garantindo a seguran\u00e7a no seu consumo.<\/p>\n<p>\u201cEm algumas regi\u00f5es do pa\u00eds, principalmente em Minas Gerais e no Nordeste, restaurantes j\u00e1 adotaram a ideia da formiga tanajura no card\u00e1pio. Consumir uma vez ou outra numa viagem ou jantar n\u00e3o h\u00e1 problemas\u201d, diz Alessandra \u00e0 <strong>INFO<\/strong>. \u201cMas precisamos nos preocupar com a alimenta\u00e7\u00e3o desse inseto porque n\u00e3o iremos consumir apenas a prote\u00edna isolada e sim o animal como um todo\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de um milh\u00e3o de esp\u00e9cies de insetos conhecidas, o que equivale a metade dos organismos classificados no planeta. Dentre eles, apenas 1 900 s\u00e3o catalogadas como seguras para o consumo humano. Algumas esp\u00e9cies s\u00e3o t\u00f3xicas ou vivem em ambientes contaminados e, assim como acontece com outras fontes animais de alimento, devem ser evitadas.<\/p>\n<p>Schickler concorda com Alessandra no sentido de que novas pesquisas e investimentos deveriam ser feitos no Brasil, mas acredita no grande potencial desse nicho. \u201cA cria\u00e7\u00e3o de insetos comest\u00edveis de forma massal ainda se encontra nos prim\u00f3rdios de seu desenvolvimento. Apesar de consumida h\u00e1 s\u00e9culos por popula\u00e7\u00f5es como a chinesa, ainda \u00e9 pouco explorada no mundo ocidental e subutilizada globalmente\u201d, afirma Schinkler. \u201cPrefiro n\u00e3o dizer que insetos s\u00e3o a comida do futuro \u2013 s\u00e3o consumidos pelo homem desde sempre. Como produtor de insetos e interessado em promover a entomocultura a um patamar de agroneg\u00f3cio, enxergo insetos como a comida do presente.\u201d<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancias gastron\u00f4micas<\/strong><\/p>\n<p>Considerando os benef\u00edcios socioambientais e nutricionais do consumo de insetos, vale a pergunta: ser\u00e1 que a resist\u00eancia pelo seu consumo \u00e9 um fen\u00f4meno essencialmente cultural?<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s ainda temos fatores culturais, religiosos, hist\u00f3ricos, cren\u00e7as, dentre outros, que acabam classificando o inseto como algo ruim, nojento ou mesmo vetor de doen\u00e7as e com isso animais, como as baratas, est\u00e3o no topo da rejei\u00e7\u00e3o, mesmo tendo n\u00edveis elevados de prote\u00ednas e sendo bem saborosas\u201d, diz a <strong>INFO<\/strong> o <i>chef <\/i><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rossano.linassi\">Rossano Linassi<\/a>, especialista em culin\u00e1ria com insetos e colaborador do curso online, ao lado de Schickler.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o considero o inseto um substituto \u00e0s carnes ditas normais, mas sim mais uma op\u00e7\u00e3o que pode ser facilmente incorporada pela dieta regular de toda popula\u00e7\u00e3o. Pelo que eu observo, os mais aceit\u00e1veis pelas pessoas s\u00e3o as larvas, ovos e formigas, especialmente se est\u00e3o em forma de farinha. Insetos cobertos com chocolate, por exemplo, s\u00e3o sempre os primeiros a ser aprovados\u201d, diz Linassi. \u201cQuanto ao sabor, insetos t\u00eam um sabor peculiar e tendem a ser um tanto quanto neutro na maioria das esp\u00e9cies. Outras esp\u00e9cies, como a tanajura (formiga gigante) possuem sabor levemente \u00e1cido e bem refrescante. J\u00e1 as larvas encontradas na natureza costumam ter um sabor muito bom, lembrando coco ou mesmo castanhas.\u201d<\/p>\n<p>Entre os produtos listadas pela FAO como promissores no mercado est\u00e3o <i>Buqadilla<\/i>, um minilanche criado em 2012 na Holanda feito com gr\u00e3o de bico, um inseto conhecido como cascudinho e molho picante; biscoitos e muffins \u00e0 base de cupins do Qu\u00eania; e Crikizz, um petisco desenvolvido por estudantes franceses feito com ten\u00e9brios e mandioca, que ganhou um concurso de inova\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria na Fran\u00e7a em 2012.<\/p>\n<p>Os insetos podem ser inseridos em alimentos comuns, como massas, sopas e hamb\u00fargueres, mas tamb\u00e9m podem ser os respons\u00e1veis pela descoberta de um novo tipo de paladar. \u201cHoje comi biscoitos com insetos que vieram da Fran\u00e7a, da Micronutris. Nos sabores lima-da-p\u00e9rsia, caramelo e cebola, s\u00e3o como sequilhos, muito gostosos e que n\u00e3o provocam nenhum tipo de repulsa. Na semana passada comemos deliciosos grilos fritos no azeite, acompanhado de mandioca cozida e queijo ralado. Estava fant\u00e1stico, crocante, e imediatamente pensei na possibilidade de um bar tem\u00e1tico servindo apenas por\u00e7\u00f5es de insetos inteiros, de maneira bem ex\u00f3tica&#8221;, diz Schickler.<\/p>\n<p>O professor acredita que a antropoentomofagia \u00a0ficar\u00e1 popular por meio da conscientiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as sobre as vantagens de consumo dos insetos, tanto para o meio ambiente quanto para a seguran\u00e7a alimentar no planeta \u2013 assim como Linassi. \u201cAcredito que assim como ocorreu com o sushi cerca de 20 anos atr\u00e1s, o inseto, com um prazo um pouco maior possa, aos poucos, ganhar adeptos e agradar os paladares mais exigentes e curiosos&#8221;, disse o <i>chef<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o tr\u00eas partes \u2013 cabe\u00e7a, t\u00f3rax e abd\u00f4men. Duas antenas. 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