{"id":26442,"date":"2015-08-15T15:50:22","date_gmt":"2015-08-15T18:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26442"},"modified":"2015-08-15T16:42:30","modified_gmt":"2015-08-15T19:42:30","slug":"aventura-pequena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aventura-pequena\/","title":{"rendered":"Aventura pequena"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"newsImage nitf alignleft\" title=\"Escola\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/cultura\/aventura-pequena-111.html\/escola\/@@images\/1f726d4a-dea9-4c4a-a947-badec014fc2e.jpeg\" alt=\"Escola\" width=\"400\" height=\"266\" \/>A melhor aventura n\u00e3o \u00e9 a que se v\u00ea, mas a que se vive. Por pequena que seja<\/p>\n<p><span class=\"documentAuthor\">Por Menalton Braff* <\/span><\/p>\n<p>Quem me relatou o fato foi uma professora de cidade vizinha. N\u00e3o posso dar o nome porque n\u00e3o pedi autoriza\u00e7\u00e3o para contar-lhe a hist\u00f3ria. Seus alunos ainda n\u00e3o conheciam cinema (eles, os cinemas, come\u00e7am a desaparecer como as galochas e as fichas de telefone), apesar de serem, seus alunos, viciados em televis\u00e3o, e ela resolveu lev\u00e1-los a um shopping de uma cidade maior, em viagem civilizat\u00f3ria. Enfim, civiliza\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e, entre outras coisas, o consumo dos bens materiais e imateriais criados pela intelig\u00eancia humana. O filme era bom, segundo seus par\u00e2metros de julgamento, um filme de sucesso. Os pr\u00f3prios alunos o escolheram em um folheto com t\u00edtulos e imagens.<\/p>\n<p>Depois de uma viagem de assustar os passarinhos na beira da estrada, tamanho o barulho da gritaria, desceram no p\u00e1tio daquele casar\u00e3o maior que o mundo.<\/p>\n<p>Como \u00e9 praxe acontecer nesses casos, antes do cinema s\u00e3o necess\u00e1rias duas visitas: uma chegadinha \u00e0 lanchonete e outra ao banheiro. No meio de um filme, aparecer crian\u00e7a choramingando de fome ou pedindo para a \u201ctia\u201d para fazer xixi, ah, n\u00e3o, \u00e9 de estragar a festa. Como ela \u00e9 uma professora experiente, levou seus pirralhos \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o do corpo para que n\u00e3o estragassem a satisfa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito.<\/p>\n<p>At\u00e9 a lanchonete, nada de extraordin\u00e1rio. Cada um apontou para aquilo que mais o encantava, desenrolou a c\u00e9dula que trazia no bolso e teve um momento de felicidade. O problema foi no banheiro. As meninas n\u00e3o sa\u00edam mais. Todo mundo ali no corredor, com cara de quem espera algu\u00e9m que foi ao banheiro, que \u00e9 uma cara muito especial. E nada de as meninas aparecerem.<\/p>\n<p>O filme j\u00e1 tinha come\u00e7ado, os meninos em desabalada n\u00e3o atenderam \u00e0s advert\u00eancias da mestra, entrando e trope\u00e7ando nas escadas da sala escura. Neste momento, n\u00e3o podendo mais esperar, a professora resolveu entrar no banheiro para ver o que acontecia. Suas alunas, maravilhadas, descobriram que bastava ficar na frente da torneira que ela mandava a \u00e1gua. Outras botavam as m\u00e3ozinhas debaixo de um secador e o vento quente as encantava. Duas filas: na frente da torneira e na frente do secador. Elas riam barulhentas e felizes. Nem os gritos da minha amiga as demoviam. Instadas a se apressarem porque o filme j\u00e1 devia estar come\u00e7ando, as crian\u00e7as n\u00e3o arredaram dali.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" alignleft\" title=\"Menalton Braff\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/colunistas\/menaltonbraff\/@@images\/532083d4-a946-482a-b1e3-dddc76f42129.jpeg\" alt=\"Menalton Braff\" width=\"200\" height=\"200\" \/>A maior li\u00e7\u00e3o quem aprendeu foi a professora: melhor aventura n\u00e3o \u00e9 a que se v\u00ea, mas a que se vive. Por pequena que seja.<\/p>\n<p>*Menalton Braff \u00e9 ex-professor e escritor, venceu em 2000 o Pr\u00eamio Jabuti com o livro &#8220;\u00c0 Sombra do Cipreste&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: Carta Capital<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A melhor aventura n\u00e3o \u00e9 a que se v\u00ea, mas a que se vive. 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