{"id":26384,"date":"2015-08-15T17:00:42","date_gmt":"2015-08-15T20:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26384"},"modified":"2015-08-15T09:28:22","modified_gmt":"2015-08-15T12:28:22","slug":"joaninhas-combatem-pragas-de-plantacoes-de-organicos-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/joaninhas-combatem-pragas-de-plantacoes-de-organicos-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Joaninhas combatem pragas de planta\u00e7\u00f5es de org\u00e2nicos em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/joaninha.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-medium wp-image-26385 alignleft\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/joaninha-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/joaninha-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/joaninha.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Vaca que d\u00e1 leite org\u00e2nico, que vira manteiga, iogurte e queijo, tudo org\u00e2nico. Tomate, rabanete, br\u00f3colis, cenoura tamb\u00e9m sem veneno, sem agrot\u00f3xico.<\/p>\n<p>Quando o assunto \u00e9 alimento org\u00e2nico, duas fam\u00edlias do interior de S\u00e3o Paulo, a do Ricardo e a da Ma\u00edra, t\u00eam muito o que contar. N\u00e3o apenas porque eles s\u00e3o produtores, mas porque os org\u00e2nicos mudaram muita coisa na vida dessas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u201cFoi muito dif\u00edcil, foi dif\u00edcil tecnicamente e foi dif\u00edcil economicamente\u201d, diz Ricardo Jos\u00e9 Schiavinato, engenheiro agr\u00f4nomo.<\/p>\n<p>\u201cA gente perdeu muito, a gente sofreu muito, mas isso nos faz crescer, nos faz ter determina\u00e7\u00e3o\u201d, diz Ma\u00edra Maronesi Cassetari, engenheira agr\u00f4noma.<\/p>\n<p>Em Serra Negra, uma cidade paulista, do circuito das \u00e1guas, essa mudan\u00e7a exigiu sacrif\u00edcios da fam\u00edlia do Ricardo. H\u00e1 20 anos, quando nem sonhava com alimentos org\u00e2nicos, ele comprou um s\u00edtio e 70 vaquinhas, para produ\u00e7\u00e3o de leite no sistema convencional. Parecia o come\u00e7o perfeito para quem tinha acabado de se formar em agronomia.<\/p>\n<p>\u201cE a\u00ed foi um insucesso enorme. Trabalhava-se muito, mas n\u00e3o tinha mercado, pre\u00e7o n\u00e3o tava bom\u201d, lembra Ricardo.<\/p>\n<p>Mas antes de desistir de vez, ele resolveu fazer uma \u00faltima tentativa e a salva\u00e7\u00e3o veio exatamente do que todo mundo dizia que n\u00e3o ia dar certo: a produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos. E essa hist\u00f3ria tem tudo a ver com essas vaquinhas.<\/p>\n<p>Para dar leite org\u00e2nico, com selo de certifica\u00e7\u00e3o, as vacas s\u00f3 podem comer ra\u00e7\u00e3o natural, \u00e0 base de milho tamb\u00e9m org\u00e2nico. E para tratar qualquer tipo de problema, nada de antibi\u00f3ticos. S\u00f3 homeopatia, misturada com a ra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIsso daqui eu acho que \u00e9 uma quest\u00e3o que todo mundo deveria usar porque voc\u00ea tem economia financeira e al\u00e9m de tudo voc\u00ea faz com que o animal fique muito melhor, mais sadio\u201d, explica Ricardo.<\/p>\n<p><strong>Produtora conta com aliados naturais para cultivar produtos org\u00e2nicos<\/strong><\/p>\n<p>Para cultivar os produtos no sistema org\u00e2nico, Ma\u00edra conta com aliados naturais para combater as pragas. Aliados bonitinhos e poderosos, que substituem o uso de inseticidas.<\/p>\n<p>As joaninhas, bichinho que as crian\u00e7as adoram, \u00e9 um desses aliados. Ela come o pulg\u00e3o que ataca as planta\u00e7\u00f5es, e assim ajuda a manter um equil\u00edbrio.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o adianta eu n\u00e3o ter nenhum tipo de praga presente aqui, mas eu ter que usar uma carga de defensivo muito grande. Ent\u00e3o quando voc\u00ea tem um equil\u00edbrio voc\u00ea vai ver praga, voc\u00ea vai ver abelha, voc\u00ea vai ver inimigo natural. Ent\u00e3o, eles coexistem de maneira equilibrada\u201d, conta Ma\u00edra.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que d\u00e1 certo? Vamos para a estufa dos tomates, uma das esp\u00e9cies que mais sofrem com o ataque das pragas e com o uso de agrot\u00f3xicos.\u00a0 Para conseguir frutos t\u00e3o bonitos, Ma\u00edra conta com outros insetos aliados, um tipo especial de mini vespa. As pequenas caixas com os ovinhos dos insetos s\u00e3o deixadas sobre as folhas do tomateiro. De cada ovinho da microvespa, que chama tricograma, vai nascer uma microvespa que vai controlar os ovos da lagarta. Ent\u00e3o, a lagarta n\u00e3o chega nem a nascer, ent\u00e3o, com isso, a gente n\u00e3o precisa nem pulverizar.<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlias contam suas experi\u00eancias com a produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos<\/strong><\/p>\n<p>Em Serra Negra, no s\u00edtio do Ricardo \u00e9 hora do banho. Ser\u00e1 que elas gostam? Adoram! O chuveirinho joga \u00e1gua limpa misturada com uma ess\u00eancia bem conhecida extra\u00edda do capim. A citronela \u00e9 muito usada como repelente de mosquitos. Sem moscas, as vacas ficam mais tranquilas. Algumas d\u00e3o mais de 30 litros por dia. Tudo \u00e9 usado na produ\u00e7\u00e3o de latic\u00ednios.<\/p>\n<p>Pode at\u00e9 parecer estranho, mas o correto \u00e9 manipular os produtos sem luvas. \u00c9 que, neste caso, o material das luvas pode reter bact\u00e9rias. Para aumentar ainda mais os cuidados com a higiene, os funcion\u00e1rios depilam os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Tudo que se faz no local, iogurte, ricota, requeij\u00e3o, manteiga e o queijo padr\u00e3o, \u00e9 vendido para mercados da regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, e tamb\u00e9m diretamente ao consumidor.<\/p>\n<p>Pena que, por ser uma produ\u00e7\u00e3o em pequena escala e que exige cuidados extras, o pre\u00e7o ainda \u00e9 mais alto do que o dos grandes produtores.<\/p>\n<p>\u201cO produto org\u00e2nico, no meu caso, ele est\u00e1 entre 20% e 30% mais caro do que o produto convencional, mas como a gente t\u00e1 fazendo a venda direta, venda em feiras, grupos de consumo os consumidores est\u00e3o comprando esse produto praticamente pelo mesmo pre\u00e7o\u201d, explica Ricardo.<\/p>\n<p>Hoje a fam\u00edlia do Ricardo vive confortavelmente. Mas apostar tudo no latic\u00ednio org\u00e2nico, em uma \u00e9poca em que n\u00e3o havia essa tradi\u00e7\u00e3o, exigiu muita coragem e uni\u00e3o do casal.<\/p>\n<p>\u201cEu nunca deixei de acreditar nesse trabalho, principalmente nele\u201d, diz Fernanda Schiavinato, esposa de Ricardo.<\/p>\n<p>Em Cordeir\u00f3polis, a fam\u00edlia de Ma\u00edra tamb\u00e9m viveu momentos dif\u00edceis na hora de mudar dos alimentos convencionais para a produ\u00e7\u00e3o dos org\u00e2nicos.<\/p>\n<p>No local, existia uma planta\u00e7\u00e3o de laranjas. H\u00e1 uns 25 anos, eles tiraram um laranjal e come\u00e7aram a horta org\u00e2nica. Essa mudan\u00e7a n\u00e3o aconteceu de uma hora para outra, n\u00e3o. Exigiu um replanejamento total do sitio, um esfor\u00e7o dobrado de quem trabalhava no local. Mas todo mundo queria muito que a planta\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos desse certo, por causa de uma hist\u00f3ria que aconteceu com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>J\u00e1 se v\u00e3o quase 30 anos! Dona Rita teve um problema s\u00e9rio de sa\u00fade, que exigiu um longo tratamento. Ela foi aconselhada, ent\u00e3o, a consumir apenas alimentos org\u00e2nicos, sem agrot\u00f3xicos. O marido, seu Jo\u00e3o, comprou a ideia e fez a primeira horta.<\/p>\n<p>\u201cA gente fez uma horta pequena, deixou de p\u00f4r adubo, herbicida e veneno, depois que ela come\u00e7ou a se alimentar com esses produtos diferenciados, a sa\u00fade dela come\u00e7ou a melhorar\u201d, conta Ma\u00edra.<\/p>\n<p>\u201cEu falei com o meu marido. Ou a gente faz pra todo mundo ou a gente n\u00e3o cultiva mais\u201d, diz Rita Brambilla Maronesi, produtora rural.<\/p>\n<p>Os abacateiros funcionam como uma cerca viva, uma barreira que protege as hortas e os pomares por todos os lados. E do abacate, que cresce na \u00e1rvore at\u00e9 a cenoura, que d\u00e1 embaixo da terra, eles colhem 60 itens. Essa variedade faz com que o sitio tenha trabalho o ano inteiro. Enquanto o repolho est\u00e1 crescendo, os br\u00f3colis j\u00e1 est\u00e3o prontos. Isso ajuda a reduzir o custo de produ\u00e7\u00e3o e viabiliza o neg\u00f3cio dos org\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Tanto na fam\u00edlia do Ricardo, como na da Ma\u00edra, percebemos uma grande satisfa\u00e7\u00e3o por terem persistido no caminho que escolheram, apesar das dificuldades do in\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201cEu faria tudo de novo\u201d, afirma Ricardo.<\/p>\n<p>\u201cEsse problema de sa\u00fade nos fez ter f\u00e9 e ter amor no que a gente faz\u201d, diz Ma\u00edra.<\/p>\n<p><strong>Aposentada aprende a plantar em horta org\u00e2nica em plena capital paulista<\/strong><\/p>\n<p>Vila Mazei, bairro simples da Zona Norte de S\u00e3o Paulo. Em meio ao concreto das casas, um cantinho verde, cuidado com muito carinho.<\/p>\n<p>Dona Geralda mora na regi\u00e3o h\u00e1 20 anos. A casa \u00e9 pequena, mas a falta de espa\u00e7o para ela n\u00e3o foi desculpa. No pequeno quintal, ela encontrou lugar para fazer uma hortinha. Tudo bem natural, sem usar agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Sabe onde foi que a dona Geralda Soares aprendeu a plantar? Em uma grande horta org\u00e2nica em plena capital paulista. O espa\u00e7o \u00e9 bem maior que o quintal da casa dela. Mas tamb\u00e9m foi preciso criatividade para organizar os canteiros: tambores cortados ao meio, caixas de isopor e gal\u00f5es de \u00e1gua. Tudo reaproveitado. E nada de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o estava dispon\u00edvel. Um v\u00e3o ocioso entre dois pr\u00e9dios da faculdade de Medicina da USP de S\u00e3o Paulo. A\u00ed uma professora, olhando pela janela da sala, percebeu que naquele lugar tinha um elemento raro na cidade grande: claridade. E que isso poderia ser usado para uma horta comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cUma das maneiras de voc\u00ea ter sa\u00fade e envelhecer bem, isso t\u00e1 provado, \u00e9 a conviv\u00eancia social. E para qualquer pessoa, as comunidades onde est\u00e3o os idosos mais saud\u00e1veis s\u00e3o aquelas que as pessoas se alimentam bem e t\u00eam uma comunidade muito forte\u201d, afirma a professora Tha\u00eds Mauad.<\/p>\n<p>A equipe do Globo Rep\u00f3rter chegou no meio da festa. A horta comunit\u00e1ria da USP est\u00e1 comemorando dois anos. A participa\u00e7\u00e3o \u00e9 aberta a qualquer interessado. A maioria \u00e9 de aposentados. Os volunt\u00e1rios aprendem a plantar, a cultivar e acabam levando as li\u00e7\u00f5es para os parentes e vizinhos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 maravilhoso botar a sementinha na terra, da\u00ed a dois, tr\u00eas dias a sementinha est\u00e1 brotando, n\u00e9? \u00c9 uma coisa mesmo da natureza, \u00e9 divino, viu?\u201d, diz dona Geralda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vaca que d\u00e1 leite org\u00e2nico, que vira manteiga, iogurte e queijo, tudo org\u00e2nico. 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