{"id":2633,"date":"2014-07-09T11:33:57","date_gmt":"2014-07-09T11:33:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=2633"},"modified":"2014-07-09T11:37:31","modified_gmt":"2014-07-09T11:37:31","slug":"consumir-madeira-da-amazonia-e-um-ato-de-cuidado-com-a-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/consumir-madeira-da-amazonia-e-um-ato-de-cuidado-com-a-floresta\/","title":{"rendered":"Consumir madeira da Amaz\u00f4nia \u00e9 um ato de cuidado com a floresta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/floresta_amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-2634\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/floresta_amazonia.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>A floresta Amaz\u00f4nica \u00e9 ainda um grande mist\u00e9rio para o povo brasileiro. Pouco sabemos da sua realidade cotidiana e das suas principais grandezas e fragilidades. Escutamos coisas que, ora nos levam a crer que ela est\u00e1 mais protegida, ora menos. Os dados variam ao l\u00e9u da fonte, do pesquisador, dos interesses por detr\u00e1s dos n\u00fameros \u2013 e que, muitas vezes, mais \u00a0confundem do que informam.<\/p>\n<p>E na dist\u00e2ncia um tanto ignorante, um tanto alienada, deixamos de cumprir um papel crucial como cidad\u00e3os que fazem escolhas de consumo a todo o momento. Sim, cada escolha que fazemos por produtos cotidianos como camas, telhados e pisos, tem um reflexo imediato nesse universo \u00e0 parte chamado Amaz\u00f4nia. E a base de toda boa escolha \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A floresta Amaz\u00f4nica tem 5.500.000km\u00b2, e 60% dessa \u00e1rea est\u00e1 em territ\u00f3rio brasileiro. Do total, a maior parte pode ser manejada, ou seja, ter seus recursos madeireiros e n\u00e3o madeireiros extra\u00eddos a partir de t\u00e9cnicas de manejo florestal aprovadas pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais competentes.<\/p>\n<p>Por meio de um planejamento cuidadoso do que pode ou n\u00e3o ser retirado e sob a \u00f3tica da sobreviv\u00eancia da floresta, sua fauna, flora e habitantes, essas t\u00e9cnicas garantem o uso sustent\u00e1vel dos recursos florestais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o retrato da explora\u00e7\u00e3o madeireira na Amaz\u00f4nia \u00e9, hoje, bem diferente. Tomemos o caso do Par\u00e1 para ilustrar. Segundo dados do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia), entre 2009 e 2011, 65% da madeira extra\u00edda do Estado era ilegal.<\/p>\n<p>Os planos de manejo que aprovaram a extra\u00e7\u00e3o dos 35% restantes, para piorar a situa\u00e7\u00e3o, foram avaliados como inconsistentes (10%, por referirem-se, por exemplo, \u00e0 \u00e1reas j\u00e1 desmatadas), de qualidade intermedi\u00e1ria (49%) ou ainda, de baixa qualidade (23%).<\/p>\n<p>Recente campanha lan\u00e7ada pelo Greenpeace traz ainda outro aspecto relevante: o atual sistema de comando e controle brasileiro \u00e9 muito falho, de forma que os documentos oficiais que garantem a origem da madeira tropical brasileira s\u00e3o pouco ou quase nada confi\u00e1veis. Cinco estudos de caso confirmam esta den\u00fancia, dando recheio a um alerta j\u00e1 feito por outras organiza\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o diante desse quadro n\u00e3o \u00e9 das mais animadoras. Se quase metade da madeira que chega ao mercado nacional \u00e9 ilegal, e se a outra metade \u00e9 pouco ou nada confi\u00e1vel em fun\u00e7\u00e3o da inefici\u00eancia do sistema p\u00fablico de comando e controle, ent\u00e3o, para evitar o desmatamento e o fim da floresta Amaz\u00f4nica, todos devem evitar consumir sua madeira, certo? N\u00e3o! Absolutamente errado.<\/p>\n<p>Essa conclus\u00e3o \u00e9 um dos principais motores de continuidade da ilegalidade e falsa legalidade e, consequentemente, do desmatamento. Pois, ao n\u00e3o consumirmos seus recursos de forma sustent\u00e1vel, deixamos de valorizar a floresta como tal, e a entregamos, em um ciclo perverso, por\u00e9m absolutamente recorrente, \u00e0 extra\u00e7\u00e3o ilegal para fins de uso do solo por atividades bem menos nobres quando se trata do bioma amaz\u00f4nico, como cria\u00e7\u00e3o de gado e agricultura.<\/p>\n<p>A floresta \u00e9 rica em recursos naturais renov\u00e1veis, ela \u00e9 um organismo vivo com seres que morrem e nascem a todo o tempo, com ciclos pr\u00f3prios e fortes o suficiente para se perpetuarem e sobreviverem ao conv\u00edvio de m\u00faltiplos usos racionais. E h\u00e1 t\u00e9cnicas milenares \u2013 assim como bastante avan\u00e7adas do ponto de vista tecnol\u00f3gico \u2013 de extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de tais recursos.<\/p>\n<p><strong>Proced\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Selos como o FSC \u2013 Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal) atestam a qualidade ambiental e social desse manejo a partir da avalia\u00e7\u00e3o de mais de sessenta crit\u00e9rios. Esses olham desde a defini\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e \u00e1rvores que podem ser extra\u00eddas a cada ciclo de 30 ou mais anos at\u00e9 a garantia de direitos aos trabalhadores, povos ind\u00edgenas e ribeirinhos que moram dentro ou pr\u00f3ximos \u00e0s \u00e1reas florestais.<\/p>\n<p>Hoje, no Brasil, h\u00e1 2,872 milh\u00f5es de hectares certificados pelo FSC, a maior parte deles no Estado do Par\u00e1, seguido por Acre e Rond\u00f4nia. Ainda \u00e9 pouco para a \u00e1rea de quase 350 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa da Amaz\u00f4nia, \u00e9 verdade. Mas isso j\u00e1 representa, aproximadamente, 500 mil m<sup>3<\/sup> de cumaru, massaranduba, cambar\u00e1 e cedrinho, entre tantas outras esp\u00e9cies de madeira bruta certificadas dispon\u00edveis para consumo imediato, por empresas intermedi\u00e1rias ou consumidores finais.<\/p>\n<p>Apenas nos Estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Paran\u00e1 j\u00e1 s\u00e3o mais de 70 estabelecimentos de beneficiamento e venda de produtos de madeira tropical certificada, como briquetes, pisos, portas, janelas, camas, mesas, e objetos em geral, com fonte absolutamente confi\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua origem e qualidade.<\/p>\n<p>A madeira da Amaz\u00f4nia oriunda de manejo florestal respons\u00e1vel precisa voltar a fazer parte da vida de todos n\u00f3s. Por\u00e9m, sob um novo perfil de consumidor: aquele que questiona a origem e qualidade dos produtos que consome, que duvida de pre\u00e7os muito baixos que normalmente escondem explora\u00e7\u00e3o de trabalho e\/ou ambiental, e que transcendem o momento da compra, ponderando o rastro e o legado do que se est\u00e1 consumindo. Este ciclo perverso precisa de um fim. E n\u00f3s, consumidores, somos o come\u00e7o deste processo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A floresta Amaz\u00f4nica \u00e9 ainda um grande mist\u00e9rio para o povo brasileiro. 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