{"id":26224,"date":"2015-08-12T08:00:19","date_gmt":"2015-08-12T11:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26224"},"modified":"2015-08-11T20:37:15","modified_gmt":"2015-08-11T23:37:15","slug":"despoluicao-da-baia-de-guanabara-comecou-na-decada-de-90-mas-nao-teve-eficacia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/despoluicao-da-baia-de-guanabara-comecou-na-decada-de-90-mas-nao-teve-eficacia\/","title":{"rendered":"Despolui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara come\u00e7ou na d\u00e9cada de 90, mas n\u00e3o teve efic\u00e1cia"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-26225\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As tentativas de despolui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara tiveram in\u00edcio muito antes de o Rio de Janeiro ser cotado para sediar as Olimp\u00edadas de 2016. O Programa de Despolui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara (PDBG) foi assinado em julho de 1991 e previa a coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre os governos brasileiro e japon\u00eas, depois da experi\u00eancia bem-sucedida na despolui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de T\u00f3quio. Al\u00e9m do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), houve investimento do Japan Bank for Internacional Cooperation (JBIC).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em 15 anos de vig\u00eancia, foram consumidos US$ 800 milh\u00f5es, do total de US$ 1,169 bilh\u00e3o previstos, mas o programa teve pouca efetividade. A \u00faltima parcela que seria repassada pelo BID foi cancelada devido aos atrasos no cronograma e \u00e0 falta da contrapartida do governo do estado. Os dados fazem parte da Auditoria Operacional no PDBG feita pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) em agosto de 2006.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O PDBG vigorou de 1991 a 2006 e envolveu um amplo conjunto de obras e atividades multidisciplinares para reduzir os \u00edndices de polui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara, com a miss\u00e3o de implantar sistemas, fazer obras e aperfei\u00e7oamento humano dos \u00f3rg\u00e3os operadores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para o professor de recursos h\u00eddricos Paulo Canedo, do Instituto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), o intuito do PDBG era sanear a parte continental da ba\u00eda, para que a polui\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegasse na \u00e1gua. Mas, de acordo com ele, as obras feitas n\u00e3o beneficiaram quem mais precisava.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cO investimento foi feito, obras foram realizadas, o dinheiro n\u00e3o sumiu. Mas o dinheiro n\u00e3o se transformou em benef\u00edcio para quem precisava. Esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto foram constru\u00eddas mas n\u00e3o est\u00e3o funcionando adequadamente, n\u00e3o tem esgoto o suficiente chegando, portanto, n\u00e3o est\u00e3o cumprindo a sua miss\u00e3o.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O PDBG construiu quatro grandes esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de Esgoto (ETEs): Alegria, no Caju, zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro; S\u00e3o Gon\u00e7alo, na regi\u00e3o metropolitana da capital; e Pavuna e Sarapu\u00ed, na Baixada Fluminense. Entretanto, as redes coletoras que deveriam levar o esgoto das resid\u00eancias at\u00e9 as ETEs n\u00e3o foram constru\u00eddas deixando as esta\u00e7\u00f5es de tratamento sem utilidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A conclus\u00e3o do Tribunal de Contas \u00e9 que, em 12 anos de execu\u00e7\u00e3o do Programa de Despolui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara, houve falhas graves no planejamento e controle. Com 80,45% do valor total de investimento empregado, as ETEs funcionavam na \u00e9poca da an\u00e1lise muito abaixo da capacidade. O relat\u00f3rio aponta tamb\u00e9m atrasos excessivos nas obras devido a falhas de concep\u00e7\u00e3o dos projetos, al\u00e9m de falhas de planejamento, pend\u00eancias dos munic\u00edpios envolvidos, atrasos pela n\u00e3o libera\u00e7\u00e3o de recursos estaduais e falta de acompanhamento da din\u00e2mica socioecon\u00f4mica da regi\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cOs constantes atrasos no pagamento de despesas para a execu\u00e7\u00e3o de obras demostram a defici\u00eancia na administra\u00e7\u00e3o financeira por parte do governo do estado, retardando e\/ou paralisando obras de elevada relev\u00e2ncia ambiental e social, al\u00e9m de causarem preju\u00edzo ao Er\u00e1rio estadual\u201d, aponta o relat\u00f3rio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A auditoria demonstrou que os atrasos no cronograma levaram o governo do estado a pagar juros de US$ 259,88 milh\u00f5es ao BID, al\u00e9m de US$ 7,2 milh\u00f5es para a Comiss\u00e3o de Cr\u00e9dito por n\u00e3o utilizar todo o recurso no prazo estabelecido.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para o secret\u00e1rio executivo do Comit\u00ea de Bacia da Ba\u00eda de Guanabara, Alexandre Braga, o que faltou na \u00e9poca do PDBG foi trabalho integrado. \u201cN\u00f3s estamos com metas de 18 anos atr\u00e1s que n\u00f3s n\u00e3o alcan\u00e7amos. Foi por falta de interesse do secret\u00e1rio? De jeito nenhum. Foi por falta de interesse do governo? N\u00e3o. Foi por falta de interesse da sociedade? N\u00e3o. O que falta \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s precisamos todos trabalhar juntos para alcan\u00e7ar esse objetivo.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ocean\u00f3grafo prop\u00f5e a\u00e7\u00f5es de curto prazo para melhorar \u00e1guas da Ba\u00eda de Guanabara<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O ocean\u00f3grafo David Zee, que acompanha desde 1994 o Programa de Despolui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara, prop\u00f4s ontem (10) uma solu\u00e7\u00e3o de curto prazo para melhorar as condi\u00e7\u00f5es das \u00e1guas da ba\u00eda at\u00e9 as Olimp\u00edadas de 2016. Ele foi um dos especialistas que participaram nesta segunda-feira da audi\u00eancia p\u00fablica promovida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para discutir o assunto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo ele, \u00e9 preciso a concentra\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os e dinheiro na finaliza\u00e7\u00e3o de unidades de Tratamento de Rios (UTRs) nos afluentes mais polu\u00eddos. \u201cJ\u00e1 temos oito UTRs planejadas e algumas j\u00e1 est\u00e3o at\u00e9 prontas, s\u00f3 falta iniciar a opera\u00e7\u00e3o. E d\u00e1 para construir em cinco meses. Essas pequenas esta\u00e7\u00f5es s\u00e3o exequ\u00edveis, podem ser implementadas at\u00e9 Olimp\u00edadas\u201d, afirmou, admitindo que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 paliativa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A vice-presidente da Comiss\u00e3o de Saneamento da Alerj, deputada Lucinha, afirmou que a solu\u00e7\u00e3o para despoluir a Ba\u00eda de Guanabara tem que passar pela implementa\u00e7\u00e3o de um sistema de saneamento dos munic\u00edpios da Baixada Fluminense, regi\u00e3o cortadas por rios que integram a bacia hidrogr\u00e1fica da ba\u00eda. \u201cS\u00e3o 7 milh\u00f5es e meio de pessoas em 15 munic\u00edpios. Apenas 15% do esgoto s\u00e3o tratados, e esse lixo \u00e9 jogado nos afluentes que desembocam na ba\u00eda\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para a deputada, o dever de casa depende dos munic\u00edpios em parceria com o governo federal no tratamento dos esgotos. Ela citou ainda a quest\u00e3o dos lix\u00f5es como mais um fator de polui\u00e7\u00e3o. \u201cOutro problema s\u00e9rio, \u00e9 a falta de tratamento dos res\u00edduos s\u00f3lidos devido aos diversos lix\u00f5es que ainda existem na Baixada\u201d. Lucinha defendeu um termo de compromisso com cada um dos munic\u00edpios para que tenham um centro de tratamento de res\u00edduos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao todo, 55 afluentes da Ba\u00eda de Guanabara passam por 15 munic\u00edpios. O coordenador das atividades do mam\u00edferos aqu\u00e1ticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Jos\u00e9 Lailson Brito, disse que das 60 tartarugas marinhas monitoradas pela Faculdade de Oceanografia da, 100% tinham peda\u00e7os de pl\u00e1stico na via digest\u00f3ria e afirmou que a falta de esperan\u00e7a dos moradores do entorno ba\u00eda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 despolui\u00e7\u00e3o de suas \u00e1guas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cFazemos trabalhos com comunidades e as pessoas est\u00e3o descrentes. Vemos crian\u00e7as de 5 anos e 6 anos que n\u00e3o acreditam que a limpeza da ba\u00eda tem jeito. Esse \u00e9 o pior legado\u201d, comentou. \u201cTemos que reverter essa situa\u00e7\u00e3o, as pessoas t\u00eam que acreditar que \u00e9 poss\u00edvel\u201d. Lailson ao defendeu um observat\u00f3rio que re\u00fana diferentes atores envolvidos no processo de limpeza da Ba\u00eda de Guanabara.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Guido Gelli, t\u00e9cnico da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), cobrou mais transpar\u00eancia nas informa\u00e7\u00f5es sobre as a\u00e7\u00f5es de cada munic\u00edpio e empresas contratadas sobre a coleta de lixo na regi\u00e3o. \u201cAs informa\u00e7\u00f5es chegam truncadas para a popula\u00e7\u00e3o como um todo. Por exemplo, \u00e9 muito dif\u00edcil hoje saber se os munic\u00edpios est\u00e3o coletando o lixo e dando destino final adequado\u201d. Para ele, \u00e9 importante que exista um painel atualizado sobre o que est\u00e1 sendo feito.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O fundador do Movimento Ba\u00eda Viva, bi\u00f3logo S\u00e9rgio Ricardo, tamb\u00e9m falou sobre a import\u00e2ncia da transpar\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, inclusive a das a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o da SEA, como das auditorias ambientais das empresas e o monitoramento da \u00e1gua e do ar. \u201cA secretaria deve \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a publicidade dessas informa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o essenciais para sabermos quais s\u00e3o os poluentes e as concentra\u00e7\u00f5es\u201d, disse.<\/div>\n<div>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1990, a Ba\u00eda de Guanabara recebe programas de despolui\u00e7\u00e3o descont\u00ednuos, que sofrem com a falta de investimentos.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As tentativas de despolui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara tiveram in\u00edcio muito antes de o Rio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":26225,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/baia_guanabara1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As tentativas de despolui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de Guanabara tiveram in\u00edcio muito antes de o Rio","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26224"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26224"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26224\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26224"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}