{"id":26219,"date":"2015-08-12T07:00:49","date_gmt":"2015-08-12T10:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26219"},"modified":"2015-08-11T20:31:47","modified_gmt":"2015-08-11T23:31:47","slug":"os-riscos-de-financiamento-dos-impactos-ambientais-para-fundos-de-pensao-e-bancos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-riscos-de-financiamento-dos-impactos-ambientais-para-fundos-de-pensao-e-bancos-brasileiros\/","title":{"rendered":"Os Riscos de Financiamento dos Impactos Ambientais para Fundos de Pens\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-26220\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ao analisar um ativo, fundos de pens\u00e3o j\u00e1 rejeitam amea\u00e7as ambientais e clientes potenciais de cr\u00e9dito s\u00e3o classificados de acordo com a situa\u00e7\u00e3o de suas reservas legais de floresta ou o descarte de produtos t\u00f3xicos. O dano ao capital natural e social de um empreendimento se destaca cada vez mais na agenda de bancos e fundos de pens\u00e3o do Brasil como componentes consider\u00e1vel da gest\u00e3o de risco.<\/p>\n<p>Os fundos de pens\u00e3o e bancos brasileiros est\u00e3o expostos a bilh\u00f5es de d\u00f3lares de custos ambientais devido aos impactos ambientais causados pelas atividades das empresas que esses atores financiam ou investem. A integra\u00e7\u00e3o de fatores ambientais nas decis\u00f5es de financiamento pode auxiliar as institui\u00e7\u00f5es financeiras a reduzirem esses riscos ambientais e simultaneamente promover fluxos de capital para processos e produtos respeitadores dos recursos e do ambiente.<\/p>\n<p>Os resultados foram publicados no relat\u00f3rio de \u201cExposi\u00e7\u00e3o do Setor Financeiro ao Risco do Capital Natural no Brasil\u201d, elaborado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (CEBDS), em parceria com a GIZ (Ag\u00eancia Alem\u00e3 para a Coopera\u00e7\u00e3o Internacional). A pesquisa foi orientada pela Trucost, em parceria com um grupo de institui\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>Foi constatado pelo estudo que o custo do\u00a0capital\u00a0natural\u00a0total de empresas financiadas por bancos e fundos de pens\u00e3o brasileiros \u00e9 de R$ 1,646 bilh\u00f5es. Os setores com os maiores custos de\u00a0capital\u00a0natural\u00a0incluem a cria\u00e7\u00e3o de gado, cultivo de soja e extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Para cada milh\u00e3o de reais de receitas, o setor de pecu\u00e1ria, por exemplo, gera R$ 22 milh\u00f5es de impactos ambientais, principalmente por meio de desmatamento e de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Da mesma forma, no caso do cultivo de soja, para cada R$ 1 milh\u00e3o de receita gerada pelo setor, totalizam impactos ambientais no valor de aproximadamente R$ 3 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Marina Grossi, presidente do CEBDS, afirmou: \u201cSabemos o quanto \u00e9 desafiador colocar o tema de capital natural nas an\u00e1lises dos bancos e das empresas. \u00c9 um assunto de vanguarda. Esse processo passa necessariamente por uma melhor gest\u00e3o dos riscos ambientais e, para que a gest\u00e3o destes riscos seja apropriada, \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar na identifica\u00e7\u00e3o e mensura\u00e7\u00e3o destes riscos, antes de tudo. E estamos justamente nessa constru\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 uma nova fronteira para que os agentes financeiros se diferenciem na nova economia\u201d. Frisou a necessidade de se ter uma vis\u00e3o sist\u00eamica que incorpore o capital natural e o capital social aos neg\u00f3cios se os bancos quiserem ser indutores de novos comportamentos. Esta \u00e9 uma nova fronteira para que os agentes financeiros se diferenciem na nova economia. Ela tamb\u00e9m salientou a import\u00e2ncia do assunto nas negocia\u00e7\u00f5es do acordo clim\u00e1tico global, em dezembro, em Paris. \u201cNa COP 21, finan\u00e7as est\u00e3o no centro do debate\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio recomenda que as institui\u00e7\u00f5es financeiras devam quantificar os custos do\u00a0capital\u00a0natural\u00a0relacionando com as suas carteiras de investimentos e carteiras de empr\u00e9stimos; avaliar os riscos destes custos virem a ser internalizados ao longo do tempo como resultado de regulamenta\u00e7\u00e3o ou relacionando a volatilidade do clima; e incorporar considera\u00e7\u00f5es de capital\u00a0natural\u00a0em suas an\u00e1lises, processos de tomada de decis\u00e3o e estrat\u00e9gias de investimento.<\/p>\n<p>Para conceder isso, \u00e9 fundamental que os bancos e os fundos de pens\u00e3o usem sua posi\u00e7\u00e3o para exigir melhores dados sobre os impactos do\u00a0capital\u00a0natural\u00a0das empresas. Eles tamb\u00e9m devem incentivar as empresas a reduzir seus impactos ambientais e a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o ambientalmente sustent\u00e1veis, como reciclagem de res\u00edduos, energia renov\u00e1vel e irriga\u00e7\u00e3o eficiente.<\/p>\n<p>A Trucost, empresa de consultoria sediada no Reino Unido, analisou o impacto sobre o ambiente de 45 setores econ\u00f4micos no Brasil e aplicou estas vari\u00e1veis a financiamentos feitos a empresas por bancos e fundos de pens\u00e3o brasileiros. O custo do capital natural destas atividades, em um ano, \u00e9 superior a R$ 1,6 bilh\u00e3o, estima o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O estudo coloca foco em um conceito novo, o capital natural. \u201cUma \u00e1rvore absorve CO2 e estoca carbono e contribui para que a floresta produza \u00e1gua, duas coisas importantes para a economia, mas que n\u00e3o entram no valor da madeira\u201d, disse Richard Mattison, CEO da Trucost. \u201cSe isso for considerado, uma \u00e1rvore vale 20 vezes seu valor em madeira\u201d.<\/p>\n<p>O executivo da Trucost, destacou: \u201cA valoriza\u00e7\u00e3o do\u00a0capital\u00a0natural\u00a0oferece aos bancos e fundos de pens\u00e3o um novo quadro para compreender os riscos e as oportunidades dos seus investimentos e de suas atividades de financiamento. As institui\u00e7\u00f5es financeiras que integram as considera\u00e7\u00f5es do\u00a0capital\u00a0natural\u00a0em sua avalia\u00e7\u00e3o patrimonial e nas decis\u00f5es de concess\u00e3o de empr\u00e9stimos corporativos, podem se beneficiar atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o dos riscos e identifica\u00e7\u00e3o de oportunidades de neg\u00f3cios mais rent\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele a escassez de recursos naturais traz cada vez mais impactos \u00e0 economia. Cidades com crise h\u00eddrica significam, por exemplo, menor receita para fabricantes de detergentes porque os clientes n\u00e3o podem usar \u00e1gua como antes.<\/p>\n<p>Recentemente analistas do fundo de pens\u00e3o Real Grandeza que tem entre os patrocinadores Furnas e a Eletronuclear, e quase R$ 13 bilh\u00f5es de patrim\u00f4nio vetaram a deb\u00eanture de uma empresa que tinha risco de imagem pelo envolvimento em um processo ambiental. \u201cN\u00e3o tem jeito, temos que levar em considera\u00e7\u00e3o aspectos de sustentabilidade para minimizar o risco dos investimentos e ter mais desempenho\u201d, diz M\u00e1rcia De Luca Micheli, analista de investimentos da Real Grandeza.<\/p>\n<p>\u201cSustentabilidade n\u00e3o \u00e9 mais tema de nicho. As reuni\u00f5es internacionais de clima colocaram o tema na agenda dos neg\u00f3cios\u201d, diz Luiz Fernando Amaral, gerente de responsabilidade socioambiental corporativa no Rabobank.<\/p>\n<p>O Real Grandeza e o Rabobank t\u00eam metodologias de como avaliar o risco ao capital natural e adversidades de sustentabilidade dos clientes. Em cada uma das ag\u00eancias do Rabobank h\u00e1 um agr\u00f4nomo especialista em quest\u00f5es socioambientais com as fun\u00e7\u00f5es de informar os produtores das regras socioambientais e avaliar o que est\u00e1 observando nas fazendas em termos de cobertura florestal, seguran\u00e7a dos trabalhadores, pr\u00e1ticas agr\u00edcolas dentre outros. \u201cMonitoramos o portf\u00f3lio\u201d, diz Amaral.<\/p>\n<p>Segundo ele, o principal benef\u00edcio da sustentabilidade nos neg\u00f3cios, que come\u00e7a como an\u00e1lise de risco, evolui para uma melhoria de gest\u00e3o. Ele exemplifica com a queda de multas ambientais entre seus clientes e o aumento da pr\u00e1tica de plantio direto.<\/p>\n<p>A Real Grandeza possui um modelo objetivo para medir o grau de comprometimento dos clientes com pr\u00e1ticas socioambientais. H\u00e1 setores vedados como o de armas, fumo, bebidas alco\u00f3licas e pornografia. Ap\u00f3s o filtro da \u201cveda\u00e7\u00e3o\u201d, os analistas aplicam um question\u00e1rio para classificar o grau de risco socioambiental do ativo. \u201cQueremos investir em empresas que se preocupam com o descarte de res\u00edduos na produ\u00e7\u00e3o, mais efici\u00eancia no uso da \u00e1gua e da energia, que reciclam, que ret\u00e9m talentos porque se preocupam com o bem-estar do funcion\u00e1rio\u201d, diz. \u201cT\u00eam gest\u00e3o otimizada e d\u00e3o mais retorno\u201d, diz M\u00e1rcia De Luca Micheli, analista de investimentos da Real Grandeza.<\/p>\n<p>\u201cHoje a economia tradicional n\u00e3o incorpora as quest\u00f5es ambientais, quanto vale ou n\u00e3o o capital natural e quanto isso impacta as receitas das empresas\u201d, afirma Mario Sergio Vasconcelos, diretor de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Febraban. Segundo ele, este tipo de abordagem ajuda a encaminhar outro ponto: como se faz com que produtos ambientalmente corretos sejam valorizados pelos consumidores e se desestimule a compra dos demais. A decis\u00e3o racional no mercado \u00e9 em cima do pre\u00e7o. Se conseguir incorporar externalidades ambientais positivas e negativas, talvez o mercado tenha uma dire\u00e7\u00e3o diferente da que tem atualmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao analisar um ativo, fundos de pens\u00e3o j\u00e1 rejeitam amea\u00e7as ambientais e clientes potenciais de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":26220,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/arvore.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ao analisar um ativo, fundos de pens\u00e3o j\u00e1 rejeitam amea\u00e7as ambientais e clientes potenciais de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26219"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26219"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26219\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}