{"id":26159,"date":"2015-08-10T12:06:43","date_gmt":"2015-08-10T15:06:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26159"},"modified":"2015-08-10T12:06:43","modified_gmt":"2015-08-10T15:06:43","slug":"cientistas-procuram-por-abelha-invasora-na-america-do-sul-onde-ja-invadiu-a-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-procuram-por-abelha-invasora-na-america-do-sul-onde-ja-invadiu-a-argentina\/","title":{"rendered":"Cientistas procuram por abelha invasora na Am\u00e9rica do Sul, onde j\u00e1 invadiu a Argentina"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/abelha_invasora.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-26160\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/abelha_invasora-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/abelha_invasora-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/abelha_invasora.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Procura-se uma abelha invasora! A recompensa: entrar para a hist\u00f3ria da ci\u00eancia brasileira. Este \u00e9 o mote de uma campanha iniciada por cientistas do N\u00facleo de Apoio a Pesquisa em Biodiversidade e Computa\u00e7\u00e3o (NAP-BioComp) da USP, sediado na Escola Polit\u00e9cnica (Poli), junto a agricultores e institui\u00e7\u00f5es de pesquisas do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 detectar o exato momento em que a <em>Bombus terrestris<\/em> \u2014\u00a0esp\u00e9cie de abelha europeia \u2014\u00a0chegue ao territ\u00f3rio brasileiro pela regi\u00e3o sudeste daquele estado. Sabe-se que a Mamangava da Cauda Branca, como \u00e9 popularmente conhecida, j\u00e1 invadiu a Argentina e segue em dire\u00e7\u00e3o ao Uruguai. Sua invas\u00e3o poder\u00e1 resultar em riscos ambientais para a agricultura e esp\u00e9cies nativas. A orienta\u00e7\u00e3o dos pesquisadores \u00e9 n\u00e3o captur\u00e1-la, n\u00e3o mat\u00e1-la, mas reportar seu avistamento.<\/p>\n<p>A iniciativa partiu da pesquisa de doutorado do ec\u00f3logo Andr\u00e9 Luis Acosta membro do Biocomp. No estudo <em>Bombus terrestris chegar\u00e1 ao Brasil: um estudo preditivo sobre a invas\u00e3o potencial<\/em>, o cientista desenvolveu uma s\u00e9rie de an\u00e1lises computacionais que trazem um levantamento das possibilidades desta invas\u00e3o. A pesquisa, que teve como orientador o professor Antonio Mauro Saraiva, da Poli, identifica por meio de modelos ecol\u00f3gicos os locais semelhantes ao habitat natural da abelha invasora. \u201cUtilizamos l\u00f3gicas e algoritmos para gerar um modelo global de suscetibilidade \u00e0 invas\u00e3o\u201d, descreve.<\/p>\n<p>A partir das caracter\u00edsticas ambientais do habitat de origem da <em>Bombus terrestris<\/em>, o modelo levantou os locais do planeta que apresentam condi\u00e7\u00f5es similarmente adequadas \u00e0 esp\u00e9cie. Acosta estima que ela poder\u00e1 chegar ao Brasil, a partir de locais invadidos na Argentina, entre 10 e 20 anos. \u201cIsso se considerarmos o hist\u00f3rico da progress\u00e3o desta abelha em pa\u00edses j\u00e1 invadidos, como o Jap\u00e3o e a Nova Zel\u00e2ndia\u201d. Todavia, devido \u00e0 falta de informa\u00e7\u00f5es sobre importa\u00e7\u00f5es de col\u00f4nias da esp\u00e9cie pelo Uruguai, a Bombus terrestris j\u00e1 pode estar invadido \u00e1reas muito pr\u00f3ximas ao Brasil.<\/p>\n<p><strong>Sobrevoando os Andes<\/strong><br \/>\nA esp\u00e9cie <em>Bombus terrestris<\/em> \u00e9 uma excelente polinizadora. Por este motivo, suas col\u00f4nias s\u00e3o amplamente comercializadas para poliniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Na d\u00e9cada de 1970, agricultores chilenos adquiriram col\u00f4nias de Bombus terrestris para melhorar a produ\u00e7\u00e3o de tomates em estufa, mas as abelhas escaparam do confinamento e invadiram ambientes naturais naquele pa\u00eds. Em 2006 foi reportado que a \u00e1rea de invas\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul estava se expandido rapidamente e que a esp\u00e9cie j\u00e1 havia alcan\u00e7ado a Argentina, cruzando, para isso, a cordilheira dos Andes.<\/p>\n<p>Uma das principais caracter\u00edsticas da esp\u00e9cie \u00e9 que as abelhas, por seu grande tamanho e modo de trabalhar, conseguem transferir mais p\u00f3len entre flores do que muitas outras superando, inclusive, a Apis mellifera (abelha mel\u00edfera comum), que tamb\u00e9m \u00e9 uma esp\u00e9cie invasora europeia comumente utilizada para poliniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. \u201cAl\u00e9m de acumular grande quantidade de p\u00f3len sobre seus pelos, a esp\u00e9cie \u00e9 capaz de vibrar seu abdome em alta velocidade, o que gera o aprimoramento da captura e transfer\u00eancia de p\u00f3len\u201d, descreve Acosta.<\/p>\n<p>Mesmo sendo uma excelente polinizadora e favorecendo plantas selvagens e agr\u00edcolas, quando invasora a<em> Bombus terrestris<\/em> \u00e9 altamente competitiva com esp\u00e9cies nativas. \u201cElas come\u00e7am a trabalhar mais cedo que outras abelhas, esgotando os recursos alimentares dispon\u00edveis nas flores, como o n\u00e9ctar, gerando impactos \u00e0s esp\u00e9cies nativas que tamb\u00e9m dependem destes recursos para sobreviver\u201d, explica o cientista. \u201cE dependendo do tipo de flor, se esta abelha n\u00e3o consegue acessar o n\u00e9ctar pela abertura natural, ela abre buracos na base da flor, gerando danos que levam a sua queda prematura\u201d, descreve. Isso reduz a taxa de frutifica\u00e7\u00e3o da planta e gera uma s\u00e9rie de impactos, tanto para a pr\u00f3pria planta como tamb\u00e9m para outras esp\u00e9cies. \u201cAl\u00e9m disso, a invasora poder\u00e1 trazer consigo doen\u00e7as e parasitas ex\u00f3ticos que podem contaminar plantas e outras abelhas nativas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Viajante<\/strong><\/p>\n<div class=\"img alignright size-full wp-image-215974\"><a href=\"http:\/\/www.usp.br\/agen\/wp-content\/uploads\/Bol_3990A1.jpg\"><img loading=\"lazy\" title=\"Campanha inclui distribui\u00e7\u00e3o de cartazes que orientam sobre o procedimento ao se avistar a abelha (**)\" src=\"http:\/\/www.usp.br\/agen\/wp-content\/uploads\/Bol_3990A1.jpg\" alt=\"\" width=\"282\" height=\"400\" \/><\/a><\/p>\n<div>Campanha inclui distribui\u00e7\u00e3o de cartazes que orientam sobre o procedimento ao se avistar a abelha (**)<\/div>\n<\/div>\n<p>Apesar dos potenciais preju\u00edzos da invas\u00e3o, a orienta\u00e7\u00e3o dos cientistas \u00e9 n\u00e3o matar ou capturar a abelha. \u201cEstamos a postos para detectar o momento em que a Mamangava da Cauda Branca chegue ao Brasil\u201d, destaca Acosta. \u201cA partir da\u00ed, estudos ser\u00e3o feitos com a esp\u00e9cie viva, para ent\u00e3o se avaliar quais impactos ambientais que ela efetivamente poder\u00e1 gerar\u201d.<\/p>\n<p>Ele destaca que, por outro lado, algumas culturas agr\u00edcolas poder\u00e3o se beneficiar pela presen\u00e7a de <em>Bombus terrestris<\/em>. \u201cEla pode ser favor\u00e1vel \u00e0 poliniza\u00e7\u00e3o de culturas como a do tomate e da berinjela, mas tamb\u00e9m plantas agr\u00edcolas europeias, como a do mirtilo, cuja produ\u00e7\u00e3o de frutos se concentra no sul do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do desenvolvimento do modelo computacional, o cientista percorreu a \u00e1rea suscept\u00edvel \u00e0 invas\u00e3o no extremo sul do Brasil, um trajeto de cerca de 2.600 km durante um m\u00eas. Ele averiguou se a esp\u00e9cie j\u00e1 teria invadido o Pa\u00eds, mas n\u00e3o a encontrou.<\/p>\n<p>Acosta coordena uma campanha que vem sendo realizada junto aos agricultores, meliponicultores e apicultores do Rio Grande do Sul, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e com o suporte de institui\u00e7\u00f5es riograndenses, como Emater-RS e a PUC-RS. Al\u00e9m de palestras de divulga\u00e7\u00e3o, est\u00e3o sendo distribu\u00eddos cartazes que orientam sobre o procedimento ao se avistar um indiv\u00edduo da esp\u00e9cie. \u201cImportante \u00e9 que ela n\u00e3o seja capturada ou morta\u201d, ressalta. \u201cOrientamos que a fotografem e nos envie a imagem e a localiza\u00e7\u00e3o para que possamos confirmar se de fato \u00e9 a invasora ou outra esp\u00e9cie nativa; em seguida, se ela foi avistada, iremos at\u00e9 o local para estud\u00e1-la\u201d. Al\u00e9m da distribui\u00e7\u00e3o de cartazes, a iniciativa mant\u00e9m um site para divulga\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o de avistamentos: <a href=\"http:\/\/www.abelhaprocurada.com.br\">www.abelhaprocurada.com.br<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Procura-se uma abelha invasora! A recompensa: entrar para a hist\u00f3ria da ci\u00eancia brasileira. 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