{"id":26052,"date":"2015-08-08T14:17:29","date_gmt":"2015-08-08T17:17:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26052"},"modified":"2015-08-08T14:20:50","modified_gmt":"2015-08-08T17:20:50","slug":"brasil-potencia-organica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-potencia-organica\/","title":{"rendered":"Brasil: pot\u00eancia org\u00e2nica?"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/organicos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-26056 size-full\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/organicos.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/organicos.jpg 640w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/organicos-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Marcia Hirota e Marcos Palmeira*<\/em><\/p>\n<p>Quando pensamos nos benef\u00edcios do alimento org\u00e2nico logo nos vem \u00e0 cabe\u00e7a os aspectos relacionados \u00e0 sa\u00fade humana, pelo simples fato de evitarmos o consumo de agrot\u00f3xicos. No entanto, as virtudes v\u00e3o al\u00e9m, sendo a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica aliada direta da pr\u00f3pria conserva\u00e7\u00e3o da natureza.<\/p>\n<p>Alimentos org\u00e2nicos s\u00e3o produzidos por meio de t\u00e9cnicas espec\u00edficas, buscando otimizar recursos naturais e socioecon\u00f4micos, objetivar a sustentabilidade econ\u00f4mica e ecol\u00f3gica e minimizar o uso de energias n\u00e3o-renov\u00e1veis, sem empregar materiais sint\u00e9ticos, organismos modificados geneticamente ou radia\u00e7\u00f5es ionizantes. O objetivo final dos org\u00e2nicos \u00e9 a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio do planeta, j\u00e1 que essa \u00e9 uma t\u00e9cnica que preserva nossos solos, \u00e1guas e biodiversidade.<\/p>\n<p>Outro benef\u00edcio est\u00e1 no pr\u00f3prio processo de certifica\u00e7\u00e3o dessa produ\u00e7\u00e3o. Para ser certificado, o propriet\u00e1rio de terra necessita, antes de mais nada, seguir a legisla\u00e7\u00e3o ambiental, o que inclui, por exemplo, ter a Reserva Legal e proteger as \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APPs). Pode parecer absurdo listarmos esse item como vantagem, mas sabemos que a realidade do agroneg\u00f3cio ainda est\u00e1 longe do cumprimento da lei. Inclusive, este \u00e9 um dos motivos que encarece o produto org\u00e2nico e limita muitos pequenos propriet\u00e1rios de terra a investirem nesse tipo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00f5es e op\u00e7\u00f5es existem. Em Sorocaba, no interior de S\u00e3o Paulo, um coletivo da sociedade civil, com o apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e parceria da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), criou o Grupo de Articula\u00e7\u00e3o Regional da Feira de Org\u00e2nicos de Sorocaba (Garfos) para a realiza\u00e7\u00e3o de uma feira de \u201ctransi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica\u201d, justamente para incentivar a produ\u00e7\u00e3o de org\u00e2nicos de Piedade, munic\u00edpio vizinho. Muitos produtores em Piedade, que \u00e9 um dos principais abastecedores da Companhia de Entrepostos e Armaz\u00e9ns Gerais de S\u00e3o Paulo (CEAGESP), come\u00e7avam a trocar os insumos qu\u00edmicos pela agricultura org\u00e2nica, mas sem os recursos para realizar a certifica\u00e7\u00e3o. Com a feira, que acontece em um parque de Sorocaba todos os s\u00e1bados, esses propriet\u00e1rios encontraram um local para comercializar diretamente sua produ\u00e7\u00e3o e, assim, levantar os recursos para se certificarem. Para completar, a iniciativa trabalha ainda em todas as etapas, desde o apoio ao produtor convencional que quer realizar a transi\u00e7\u00e3o, o suporte ao pequeno produtor que encontra resist\u00eancia para a mudan\u00e7a, a valoriza\u00e7\u00e3o da agricultura familiar e o est\u00edmulo ao consumo de produtos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Tal experi\u00eancia aponta tamb\u00e9m o importante papel do consumidor como incentivador da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. N\u00e3o que a responsabilidade seja apenas de quem consome, mas gerar demanda \u00e9 sim uma sa\u00edda bastante eficiente para se estimular novas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, consumo e modelos de neg\u00f3cio. Um exemplo bastante inovador, e inspirador, \u00e9 o Instituo Ch\u00e3o, recentemente inaugurado no bairro da Vila Madalena, em S\u00e3o Paulo, definido pelos fundadores como \u201cum espa\u00e7o de conviv\u00eancia e economia social para experimenta\u00e7\u00e3o de novas formas de rela\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Na feira da associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, que funciona de ter\u00e7a a domingo, os alimentos org\u00e2nicos s\u00e3o vendidos pelo pre\u00e7o do produtor, sem margem de lucro. Al\u00e9m do hortifruti, h\u00e1 ainda um caf\u00e9 e mercearia. O pre\u00e7o chama aten\u00e7\u00e3o e j\u00e1 tem gerado procura, mas o mais interessante \u00e9 a experi\u00eancia socioecon\u00f4mica e solid\u00e1ria, que elimina do pre\u00e7o final os custos operacionais do ponto de venda e convida os frequentadores-consumidores a colaborarem espontaneamente com doa\u00e7\u00f5es para cobrir tais despesas, expostas com transpar\u00eancia num quadro negro. Vale a visita!<\/p>\n<p>Agora, j\u00e1 que s\u00e3o tantos os benef\u00edcios da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, porque o Brasil investe t\u00e3o pouco nessa modalidade e continua a bater recordes no consumo de defensivos agr\u00edcolas? O motivo est\u00e1 no nosso modelo de agricultura pautada na monocultura e na produ\u00e7\u00e3o de commodities. Esta \u00e9 uma base importante para a balan\u00e7a comercial brasileira, tanto que durante a \u00faltima d\u00e9cada o pa\u00eds cresceu amparado na comercializa\u00e7\u00e3o de alguns produtos prim\u00e1rios, como a soja, o milho e o algod\u00e3o. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um modelo econ\u00f4mico bastante question\u00e1vel e que come\u00e7a a dar sinais de enfraquecimento, com o recuo da cota\u00e7\u00e3o desses produtos no mercado internacional.<\/p>\n<p>Quando se planta e produz numa escala grandiosa e com uma diversidade baixa, ainda por cima em \u00e1reas sem a presen\u00e7a adequada de florestas, naturalmente ocorrer\u00e1 o empobrecimento do solo, o descontrole natural de pragas, a diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de polinizadores, como as abelhas, a desprote\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos e mais uma s\u00e9rie de fatores que constituem o cen\u00e1rio ideal para que o Brasil se mantenha na lideran\u00e7a do consumo mundial de defensivos agr\u00edcolas. Sem contar que estamos falando em commodities, n\u00e3o em alimentos para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O uso desses produtos \u00e9 tamanho que o pa\u00eds j\u00e1 ultrapassou, em 2009, a marca de 1 milh\u00e3o de toneladas de defensivos por ano, de acordo com o estudo \u201cAgrot\u00f3xicos no Brasil: um guia para a\u00e7\u00e3o em defesa da vida\u201d, de 2011. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), nos \u00faltimos 40 anos o uso de defensivos agr\u00edcolas subiu 700%, frente ao aumento de 78% da \u00e1rea plantada no Brasil. N\u00fameros que n\u00e3o devem ser comemorados e evidenciam o excesso de agrot\u00f3xico aplicado em nossas planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em abril deste ano, o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, divulgou nota de posicionamento em que pede a redu\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds, alegando que as atuais pr\u00e1ticas de uso de produtos qu\u00edmicos sint\u00e9ticos na produ\u00e7\u00e3o de alimentos oferecem risco \u00e0 sa\u00fade, tanto das popula\u00e7\u00f5es que est\u00e3o expostas aos defensivos nas regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, como tamb\u00e9m de quem consome o produto final, em casa. Para se ter uma ideia do imbr\u00f3glio, dos 50 produtos mais utilizados na agricultura brasileira, 22 s\u00e3o proibidos na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos problemas para a sa\u00fade, os agrot\u00f3xicos representam uma grave amea\u00e7a para o meio ambiente, principalmente para os recursos h\u00eddricos. A utiliza\u00e7\u00e3o dos defensivos agr\u00edcolas \u00e9 a segunda maior causa de contamina\u00e7\u00e3o dos rios, ficando atr\u00e1s apenas do esgoto dom\u00e9stico. Por estas e outras \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, como o cultivo org\u00e2nico, continua sendo um grande desafio para o setor agr\u00edcola.<\/p>\n<p>A sociedade precisa se organizar e pressionar o governo para que reveja sua pol\u00edtica de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos, evite a libera\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias que j\u00e1 s\u00e3o proibidas em outros pa\u00edses e invista na redu\u00e7\u00e3o progressiva desses produtos. Afinal, ainda sonhamos que um dia viveremos num mundo sustent\u00e1vel, em que a agroecologia se multiplique e o Brasil se torne o maior celeiro de produtos org\u00e2nicos do mundo. \u00c9 poss\u00edvel alimentar a humanidade com alimentos org\u00e2nicos!<\/p>\n<p><em>* <strong>Marcia Hirota<\/strong> \u00e9 diretora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica e <strong>Marcos Palmeira<\/strong> \u00e9 ator e produtor org\u00e2nico.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: SOS Mata Atl\u00e2ntica<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcia Hirota e Marcos Palmeira* Quando pensamos nos benef\u00edcios do alimento org\u00e2nico logo nos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Marcia Hirota e Marcos Palmeira* Quando pensamos nos benef\u00edcios do alimento org\u00e2nico logo nos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26052"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26052\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}