{"id":26022,"date":"2015-08-08T11:07:04","date_gmt":"2015-08-08T14:07:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=26022"},"modified":"2015-08-08T11:07:04","modified_gmt":"2015-08-08T14:07:04","slug":"o-povo-andarilho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-povo-andarilho\/","title":{"rendered":"O povo andarilho"},"content":{"rendered":"<div class=\"text clearfix\">\n<h2><img loading=\"lazy\" id=\"highlight-image\" class=\"edition-image\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/large\/2015\/07\/15\/img-358693-ciganos.jpg\" alt=\"Ciganos\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/h2>\n<h2>Quem s\u00e3o os ciganos? S\u00e3o 14 milh\u00f5es e vivem nos cinco continentes. Poucos conhecem sua hist\u00f3ria e cultura, marcada por uma invej\u00e1vel capacidade de adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente<\/h2>\n<p>Por Lu\u00eds Pellegrine<\/p>\n<p>Quando menino, em S\u00e3o Carlos (SP), habituei-me a ver caravanas de ciganos nas ruas. Naqueles tempos eles ainda se deslocavam em carro\u00e7as e se reuniam em acampamentos na periferia das cidades. Os homens ganhavam a vida vendendo tachos e outros utens\u00edlios de cobre fabricados por eles mesmos. As mulheres liam m\u00e3os ou jogavam as cartas para quem queria ter not\u00edcias do passado, do presente ou do futuro. Depois de uma semana ou duas, partiam cedo, em busca de uma nova parada.<\/p>\n<p>\u201cCuidado com os ciganos, eles pegam as crian\u00e7as e as levam embora\u201d, alertava Dona Luzia, nossa velha bab\u00e1, do alto de um antigo preconceito que nunca conseguiu apagar minha curiosidade sobre esse povo marcado pela adaptabilidade. No Brasil, o preconceito contra os ciganos diminui conforme eles se integram \u00e0 sociedade \u2013 a umbanda tem, inclusive, as \u201cLinhas Ciganas\u201d, cultos medi\u00fanicos frequentes em seus terreiros. Na Europa, por\u00e9m, as coisas s\u00e3o mais dif\u00edceis, sobretudo depois que, com a queda da Cortina de Ferro, nos anos 1990, grandes levas de ciganos deixaram seus pa\u00edses de origem (Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Mold\u00e1via, etc.) rumo ao Ocidente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/07\/15\/img-358694-ciganos-em-1930.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><br \/>\n<em><strong>Policiais em acampamento no Leste Europeu, nos anos 1930<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No Velho Continente, os ciganos preferem ser chamados roma, que na sua l\u00edngua significa \u201chomens\u201d (o singular \u00e9 rom). Os demais s\u00e3o gadj\u00e9, \u201cos outros\u201d, o resto do mundo, ou seja, os n\u00e3o roma. Eles veem o gadjo (singular de gadj\u00e9) como um ser cr\u00e9dulo, ing\u00eanuo, supersticioso, demasiado apegado \u00e0s coisas, muitas vezes violento. J\u00e1 os gadj\u00e9 acham que eles s\u00e3o mal-arrumados, indignos de confian\u00e7a, ladr\u00f5es, incultos. Hoje em dia, por\u00e9m, em geral os roma vivem em casas normais, trabalham, estudam e convivem tranquilamente com os gadj\u00e9.<\/p>\n<p>Hoje espalhados pelo mundo, os ciganos descendem de um povo n\u00f4made origin\u00e1rio do noroeste da \u00cdndia. Ao redor de 1000 d.C., eles come\u00e7aram a deixar o delta do rio Indo, entre a \u00cdndia e o Paquist\u00e3o, provavelmente devido a guerras, carestias e persegui\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas. Levaram consigo seus conhecimentos, tais como o trabalho com metais.<\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos seguintes, grupos de ciganos ingressaram nos pa\u00edses a oeste da \u00cdndia. No fim do s\u00e9culo 14 j\u00e1 tinham se fixado em v\u00e1rios pontos da Europa, a partir dos B\u00e1lc\u00e3s. Essa \u201cinvas\u00e3o\u201d do Ocidente, em vez de guerras e viol\u00eancia, foi marcada pela grande adaptabilidade dos ciganos a novos lugares e situa\u00e7\u00f5es. Eles mudavam sua economia e ritmos de vida segundo as oportunidades oferecidas pelos pa\u00edses hospedeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Religi\u00e3o flex\u00edvel<\/strong><\/h3>\n<p>A religi\u00e3o foi um cen\u00e1rio privilegiado dessa mutabilidade. Como regra, os ciganos adotavam rapidamente a religi\u00e3o dominante do pa\u00eds onde se fixavam. Tal como sucedeu com os africanos no Brasil, isso acontecia quase sempre dentro de um processo de sincretismo. Os ciganos vinham de uma tradi\u00e7\u00e3o polite\u00edsta, o hindu\u00edsmo, e uma de suas principais divindades era Kali (\u201cA Negra\u201d), deusa da morte e do renascimento. Na Europa crist\u00e3, escolheram como protetora uma figura menor do pante\u00e3o cat\u00f3lico, Santa Sara, at\u00e9 hoje cultuada no sul da Fran\u00e7a. Sara, como Kali, \u00e9 negra. Desde ent\u00e3o, a santa dos ciganos \u00e9 chamada de Sara Kali, \u201cSara, a Negra\u201d&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/07\/15\/img-358695-casal-cigano.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><br \/>\n<em><strong>Casal cigano romeno. Nesse pa\u00eds europeu, os roma constituem 3,3% da popula\u00e7\u00e3o total, uma das maiores porcentagens do mundo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ao redor do s\u00e9culo 16, as comunidades ciganas na Europa se concentravam em geral em duas \u00e1reas. Numa delas, nos B\u00e1lc\u00e3s, durante o Imp\u00e9rio Otomano, elas praticavam v\u00e1rios of\u00edcios, sobretudo artesanais. No fim desse s\u00e9culo, seus membros estavam recenseados, moravam em casas est\u00e1veis e pagavam impostos regularmente. J\u00e1 na segunda zona, nos principados da Val\u00e1quia e da Mold\u00e1via (hoje parte da Rom\u00eania), os ciganos viraram escravos do pr\u00edncipe. Quase sempre permaneciam assim a vida toda \u2013 a menos que o pr\u00edncipe os doasse (com a fam\u00edlia) a um mosteiro crist\u00e3o ortodoxo em troca da absolvi\u00e7\u00e3o de algum pecado maior do soberano.<\/p>\n<p>Com o tempo, os ciganos passaram a ser escravos tamb\u00e9m de senhores feudais, trabalhando como camponeses. Eles assim permaneceram at\u00e9 meados do s\u00e9culo 19, quando, com as revolu\u00e7\u00f5es liberais, a escravid\u00e3o foi abolida naquela \u00e1rea.\u00a0Hoje, essas regi\u00f5es abrigam cerca de 90% dos roma europeus. Totalmente sedent\u00e1rios, eles vivem em casas com banheiro e cozinha, t\u00eam v\u00e1rias profiss\u00f5es, cultivam a terra. Na Rom\u00eania h\u00e1 1,8 milh\u00e3o de roma hoje. Segundo a Interpol, o \u00edndice de criminalidade nessas comunidades, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o a furtos, \u00e9 pr\u00f3ximo de zero, um dos mais baixos do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Nomadismo e adapta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Foi numa terceira \u00e1rea, relativa ao resto da Europa e a outros pa\u00edses, que se desenvolveram os h\u00e1bitos n\u00f4mades das comunidades ciganas, ditados outra vez pela necessidade. Quando adentraram esses territ\u00f3rios, eles encontraram situa\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas conturbadas, grande diversidade de l\u00ednguas e dialetos, muita rivalidade inter\u00e9tnica, governos desp\u00f3ticos. Nesses lugares, os estilos de vida dos roma \u201ceram vistos como o resultado de inadequa\u00e7\u00e3o social e fracasso, e n\u00e3o como uma escolha positiva e desej\u00e1vel\u201d, afirma a historiadora Becky Taylor, da Universidade de Londres.<\/p>\n<p>Os ciganos logo perceberam que deveriam se mover com cautela e discri\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adquiriam terras, ficavam pouco tempo nos lugares e se dividiam em pequenas unidades, que vez por outra se reuniam, mas que deviam permanecer m\u00f3veis e escapar ao m\u00e1ximo aos controles oficiais. O nomadismo foi, assim, uma adapta\u00e7\u00e3o frente \u00e0 repress\u00e3o, e n\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o cultural \u00e9tnica. Mesmo assim, a partir de meados do s\u00e9culo 18, em pa\u00edses como Fran\u00e7a e It\u00e1lia, surgiram bandos e mil\u00edcias especializados em perseguir e expulsar ciganos. A repress\u00e3o aumentou com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, no s\u00e9culo 19, quando as f\u00e1bricas solicitavam m\u00e3o de obra assalariada e est\u00e1vel e n\u00e3o se permitiam formas de vida n\u00f4made e profiss\u00f5es ambulantes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/07\/15\/img-358696-familia-roma.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><br \/>\n<em><strong>Fam\u00edlia roma na Fran\u00e7a, em 2013. Antes dif\u00edcil, a conviv\u00eancia com os n\u00e3o ciganos no pa\u00eds \u00e9 bem mais pac\u00edfica hoje<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Apesar da repress\u00e3o (em algumas fases, quem matava um cigano tinha direito aos seus bens), os roma se ligaram a v\u00e1rios territ\u00f3rios, inclusive adotando seu nome, tais como os sinti do Piemonte, os kal\u00e9 andaluzes, os romanichals galeses. Depois, chegaram os tempos do terror. Cerca de 500 mil ciganos foram exterminados nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas. Tamb\u00e9m os governos fascistas europeus os perseguiram.<\/p>\n<p>Muitas circunst\u00e2ncias interligam os povos cigano e judeu. Ambos foram perseguidos e escravizados. Os primeiros foram acusados de pertencer \u00e0 estirpe maldita de Caim; os segundos, de deic\u00eddio. Arianos degradados os primeiros, ra\u00e7a inferior os outros. Os nazistas infligiram a shoah (destrui\u00e7\u00e3o) aos judeus; aos ciganos impuseram o porrajmos (devoramento). Mas se aos primeiros a Alemanha reconheceu os danos, aos segundos n\u00e3o houve nenhum reembolso, sob a alega\u00e7\u00e3o de que os roma n\u00e3o s\u00e3o um povo, uma unidade cultural, mas apenas uma condi\u00e7\u00e3o social. Isso \u00e9 verdade?<\/p>\n<p>Um jornalista da National Geo\u00adgraphic organizou uma longa viagem com um rom gal\u00eas e demonstrou que ele podia se comunicar com palavras, gestos e can\u00e7\u00f5es com ciganos de v\u00e1rias partes do mundo. Se os judeus tiveram a B\u00edblia como plataforma de identidade cultural, os roma sempre tiveram a m\u00fasica. \u201cQuem influenciou e enriqueceu compositores como Brahms, Schubert, Ravel, Stravinsky, Tchaikovsky?\u201d, desafia o cigano italiano Santino Spinelli, doutorado em musicologia, l\u00ednguas e literatura moderna e professor na Universidade de Trieste. \u201cA m\u00fasica cigana fundou o jazz europeu. \u00c9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o. Na m\u00fasica existem a l\u00edngua, a \u00e9tica, a filosofia de vida, a narrativa, toda a nossa mem\u00f3ria\u201d, afirma Spinelli.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Heran\u00e7a para o Ocidente<\/strong><\/h3>\n<p>V\u00e1rios costumes roma s\u00e3o dignos de nota. Segundo Ernesto Rossi, presidente da associa\u00e7\u00e3o italiana Aven Amentza, \u00e0s vezes, quando um cigano morre, todos os seus bens s\u00e3o queimados, para a heran\u00e7a n\u00e3o criar desaven\u00e7a entre os familiares do morto e desn\u00edveis sociais entre os membros do grupo. Sobretudo no Leste Europeu, as sepulturas s\u00e3o amplas a ponto de conter a cama, a c\u00f4moda, os quadros, as miniaturas dos carros de luxo e das motocicletas. O costume lembra o dos eg\u00edpcios antigos, para os quais os objetos se animavam em benef\u00edcio do morto quando a tumba era lacrada.<\/p>\n<p>Outra tradi\u00e7\u00e3o cigana not\u00e1vel s\u00e3o suas leis. Elas n\u00e3o se sobrep\u00f5em \u00e0s leis do Estado, mas os roma as respeitam ao p\u00e9 da letra. Essa legisla\u00e7\u00e3o regulamenta lit\u00edgios, danos cometidos e\/ou sofridos, controv\u00e9rsias matrimoniais. Se o fato \u00e9 grave, convocam-se os ju\u00edzes de outras comunidades, para que se garanta a equidade. A pena \u00e9 sempre um ressarcimento. Vencedores e perdedores devem depois pagar os custos de uma festa para a comunidade. \u00c9 uma forma de reconcilia\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/07\/15\/img-358697-danca-cigana.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"426\" \/><br \/>\n<strong><em>Elementos importantes da cultura cigana, a m\u00fasica e a dan\u00e7a influenciaram a arte ocidental, em obras de compositores como Brahms e Schubert<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Ciganos s\u00e3o sujos? Falso. Asseio pessoal,\u00ad ordem e limpeza do local onde vivem s\u00e3o regras culturais e espirituais \u00e0s quais nenhum cigano se furta. Usam nada menos de 14 recipientes para lavar seus pertences. Nossas tradi\u00e7\u00f5es de camping s\u00e3o copiadas da tradi\u00e7\u00e3o cigana. Mas eles detestam ter banheiro e vaso sanit\u00e1rio dentro do mesmo trailer, como fazem os gadj\u00e9&#8230; As ciganas s\u00e3o dispon\u00edveis e se prostituem? Falso. Elas evitam contatos f\u00edsicos com os gadj\u00e9, por medo das impurezas, e quase sempre se casam virgens. Trata-se de uma sociedade em boa medida machista, mas nela \u00e9 censurado severamente o homem que n\u00e3o respeita os deveres familiares.<\/p>\n<p>Os ciganos predizem o futuro? Eles n\u00e3o creem nisso. Quando perguntadas, as ciganas dizem: \u201c\u00c9 uma profiss\u00e3o, a gente finge que sim\u201d. A clarivid\u00eancia, segundo estudiosos, \u00e9 um meio de transformar sua diversidade em vantagem aos olhos dos gadj\u00e9. Mas parece que o antigo ditado espanhol \u201cno creo en brujas, pero que las hay, las hay\u201d \u00e9, na verdade, um velho refr\u00e3o cigano&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/07\/15\/img-358698-ciganos-grafico.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"270\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>A presen\u00e7a no Brasil<\/strong><\/h3>\n<p>Os ciganos come\u00e7aram a chegar ao Brasil na segunda metade do s\u00e9culo 16, expulsos de Portugal (h\u00e1 registros nas d\u00e9cadas de 1560 e 1570 de ciganos condenados em Portugal que solicitaram a comuta\u00e7\u00e3o da pena pelo degredo e foram enviados para c\u00e1), e tiveram o Nordeste como primeira porta de entrada. Esperava-se que eles ajudassem a povoar \u00e1reas dos sert\u00f5es ocupadas por \u00edndios. Os ciganos eram considerados perigosos, mas a Coroa portuguesa os preferia aos \u00edndios.<\/p>\n<p>Hoje, segundo o Censo 2010 do IBGE, h\u00e1 no pa\u00eds cerca de 800 mil ciganos. Existem assentamentos em 291 cidades, concentradas sobretudo no litoral das regi\u00f5es Sul, Sudeste e Nordeste. A Bahia abriga o maior n\u00famero de grupos. Em S\u00e3o Paulo, existem acampamentos em 25 munic\u00edpios, entre eles a capital, Sorocaba e Campinas. Em geral, os atuais ciganos brasileiros\u00a0s\u00e3o sedent\u00e1rios, mas algumas fam\u00edlias ainda preferem morar em tendas de lona, geralmente montadas em terrenos baldios.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, a maioria dos ciganos vive do com\u00e9rcio e as mulheres se dedicam \u00e0 leitura das m\u00e3os. Cresce o n\u00famero de indiv\u00edduos integrados \u00e0 sociedade urbana e de casamentos de ciganos com n\u00e3o ciganos. Em S\u00e3o Paulo, s\u00e3o famosas as festas ciganas organizadas pela fam\u00edlia Sbano, da etnia kalderash, abertas a toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem hoje dois grandes grupos ciganos no pa\u00eds. Um \u00e9 o calon, oriundo da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, que fala o dialeto cal\u00f3, \u00e9 em geral n\u00f4made e ligado ao com\u00e9rcio de cavalos, carros, correntes e artefatos imitando ouro. Suas mulheres leem m\u00e3os em pra\u00e7as p\u00fablicas, exibem dentes de ouro e pintas (sinais) no rosto. O outro \u00e9 o roma, vindo sobretudo do Leste Europeu e que fala a l\u00edngua romani. (Confira no quadro &#8220;Ciganos pelo mundo&#8221;)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/media\/images\/original\/2015\/07\/15\/img-358699-ciganos-grafico-2.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"1592\" \/><\/p>\n<p>Revista Planeta<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem s\u00e3o os ciganos? 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