{"id":25971,"date":"2015-08-07T15:00:07","date_gmt":"2015-08-07T18:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25971"},"modified":"2015-08-06T21:19:35","modified_gmt":"2015-08-07T00:19:35","slug":"pererecas-brasileiras-injetam-veneno-com-espinhos-da-cabeca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pererecas-brasileiras-injetam-veneno-com-espinhos-da-cabeca\/","title":{"rendered":"Pererecas brasileiras injetam veneno com espinhos da cabe\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-25972\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>V\u00e1rios tipos de anf\u00edbios secretam subst\u00e2ncias t\u00f3xicas para se defender, mas duas esp\u00e9cies de pererecas encontradas no Brasil usam um mecanismo \u00fanico para utilizar o veneno: elas possuem espinhos \u00f3sseos na cabe\u00e7a capazes de injetar as toxinas em outros animais.<\/p>\n<p>A descoberta foi feita por cientistas do Instituto Butantan e da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (6) na revista cient\u00edfica Current Biology. Segundo os autores, os animais podem ser os primeiros anf\u00edbios pe\u00e7onhentos j\u00e1 registrados.<\/p>\n<p>De acordo com um dos autores, Carlos Jared, do Instituto Butantan, para a ci\u00eancia existe uma diferen\u00e7a entre animais pe\u00e7onhentos e animais venenosos. Os animais pe\u00e7onhentos, como as cobras, utilizam um mecanismo de defesa ativa. Os venenosos, como os sapos, usam a defesa passiva.<\/p>\n<p>&#8220;As cobras s\u00e3o pe\u00e7onhentas porque t\u00eam um mecanismo de defesa ativa: as gl\u00e2ndulas que armazenam a pe\u00e7onha se comunicam com os dentes e, quando ela ataca, a musculatura comprime as gl\u00e2ndulas, expelindo a pe\u00e7onha por press\u00e3o. Elas literalmente d\u00e3o uma inje\u00e7\u00e3o na v\u00edtima&#8221;, disse Jared ao Estado.<\/p>\n<p>Por outro lado, segundo Jared, os anf\u00edbios em geral s\u00e3o considerados venenosos, porque as gl\u00e2ndulas com toxinas n\u00e3o t\u00eam esse mecanismo de &#8220;inje\u00e7\u00e3o&#8221; e a defesa \u00e9 passiva. O predador entra em contato com ele apenas quando morde o animal. De acordo com o cientista, enquanto os animais pe\u00e7onhentos usam as toxinas para ca\u00e7ar, os animais venenosos o usam para se proteger, como fazem as plantas venenosas.<\/p>\n<p>&#8220;O que h\u00e1 de especial nessas duas pererecas \u00e9 que elas t\u00eam um comportamento que combina os dois mecanismos. Quando estudamos as cabe\u00e7a delas, vemos que os seus cr\u00e2nios parecem um cacto. Elas praticamente n\u00e3o t\u00eam pele sobre a cabe\u00e7a. Esses espinhos permitem que ela injete o veneno&#8221;, afirmou Jared &#8211; que estuda animais da caatinga desde 1987.<\/p>\n<p>As duas pererecas analisadas no estudo s\u00e3o Corythomantis greeningi, encontrada na Caatinga e a Aparasphenodon brunoi, encontrada na Mata Atl\u00e2ntica. Inclu\u00eddas na categoria de &#8220;pererecas-de-capacete&#8221;, elas s\u00e3o conhecidas h\u00e1 d\u00e9cadas, mas, at\u00e9 agora, os cientistas ainda sabiam muito pouco sobre sua biologia.<\/p>\n<p>Os cientistas descobriram que, al\u00e9m dos espinhos na cabe\u00e7a, as duas pererecas t\u00eam a capacidade de movimentar a cabe\u00e7a &#8211; o que pode aumentar sua efici\u00eancia como &#8220;arma&#8221;. &#8220;\u00c9 um caso interessante. Elas conseguem fazer &#8216;sim&#8217; e &#8216;n\u00e3o&#8217; com a cabe\u00e7a. Os anf\u00edbios n\u00e3o t\u00eam pesco\u00e7o e, em geral, n\u00e3o fazem isso&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>A Corythomantis greeningi chamou a aten\u00e7\u00e3o do pesquisador de uma maneira bastante dolorosa. Depois de manipular v\u00e1rias pererecas durante um trabalho de campo na caatinga do Rio Grande do Norte, Jared sentiu dores intensas no bra\u00e7o por mais de cinco horas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma dor impressionante. Achei que tinha contra\u00eddo alguma infec\u00e7\u00e3o e que teria uma septicemia, tal a intensidade da dor. S\u00f3 depois dos estudos pudemos entender a causa: o veneno da perereca tem um componente que causa uma dor pura, sem infec\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou Jared.<\/p>\n<p>Segundo ele, o veneno \u00e9 usado de um modo &#8220;pedag\u00f3gico&#8221; pela perereca. &#8220;Imagine o que um animal como esse produz na mucosa do predador que tenta mord\u00ea-la. Se ele sobrevive, certamente nunca mais se atrever\u00e1 a chegar perto da perereca&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Para sorte do pesquisador, ele foi ferido pelos espinhos da esp\u00e9cie menos venenosa das duas. De acordo com outro dos autores do estudo, Edmund Brodie, da Universidade de Utah, o veneno da Aparasphenodon brunoi tem uma toxina poderos\u00edssima. Segundo os c\u00e1lculos de Brodie, se um grama dessa toxina for extra\u00eddo, essa pequena quantidade seria suficiente para matar 300 mil camundongos, ou 80 humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e1rios tipos de anf\u00edbios secretam subst\u00e2ncias t\u00f3xicas para se defender, mas duas esp\u00e9cies de pererecas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25972,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/perereca_.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"V\u00e1rios tipos de anf\u00edbios secretam subst\u00e2ncias t\u00f3xicas para se defender, mas duas esp\u00e9cies de pererecas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25971"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25971\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25972"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}