{"id":25906,"date":"2015-08-06T13:00:29","date_gmt":"2015-08-06T16:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25906"},"modified":"2015-08-05T22:37:36","modified_gmt":"2015-08-06T01:37:36","slug":"todo-ano-nos-emitimos-50-bilhoes-de-toneladas-de-gases-de-efeito-estufa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/todo-ano-nos-emitimos-50-bilhoes-de-toneladas-de-gases-de-efeito-estufa\/","title":{"rendered":"Todo ano n\u00f3s emitimos 50 bilh\u00f5es de toneladas de gases de efeito estufa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-25907\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><span id=\"conteudo\"><em>por Carlos Rittl e Andr\u00e9 Ferretti*<\/em><\/span><\/p>\n<p>Entre os anos de 1991 e 2012, mais de metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira teve sua vida afetada por <strong>eventos clim\u00e1ticos extremos<\/strong>. Secas, enchentes e deslizamentos de terra atingiram 127 milh\u00f5es de pessoas. O n\u00famero de registros cresceu 40% na d\u00e9cada passada em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 anterior, segundo o Atlas Brasileiro dos Desastres Naturais. Trag\u00e9dias recentes incluem a de Santa Catarina, em 2008, e a da serra fluminense, em 2011. Neste ano, um quinto dos munic\u00edpios do pa\u00eds entrou em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia ou de calamidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>O <strong>aquecimento global<\/strong>, combinado com a expans\u00e3o urbana e os problemas de desenvolvimento\u00a0que\u00a0o Brasil j\u00e1 tem, permite projetar para este s\u00e9culo um cen\u00e1rio sombrio,\u00a0no\u00a0qual o n\u00famero de atingidos e o custo das trag\u00e9dias para a economia s\u00f3 fazem crescer. E ningu\u00e9m ser\u00e1 poupado \u2013 como aprenderam os moradores de S\u00e3o Paulo. A ci\u00eancia do clima\u00a0nos\u00a0deu dois par\u00e2metros a perseguir para minimizar o dano. O primeiro \u00e9 um n\u00famero pequeno: 2\u00baC. Esse \u00e9 o limite de aquecimento global\u00a0que\u00a0os governos mundiais chamaram de \u2018seguro\u2019 em 2009, quando concordaram em evit\u00e1-lo.<\/p>\n<p>O segundo par\u00e2metro \u00e9 um n\u00famero grande: 1 trilh\u00e3o de toneladas. Isso \u00e9 tudo o\u00a0que\u00a0a humanidade pode emitir de CO2 at\u00e9 o ano de 2100 para ter uma chance de evitar\u00a0que\u00a0a barreira dos 2\u00baC seja rompida. Parece muito, mas todo ano\u00a0n\u00f3s\u00a0emitimos 50 bilh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Esse \u2018or\u00e7amento\u2019 de carbono forma o pano de fundo das metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es que\u00a0os governos do mundo todo dever\u00e3o apresentar neste ano para o novo acordo do clima, em Paris. Essas metas s\u00e3o conhecidas como INDCs, ou Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas Pretendidas.<\/p>\n<p>A natureza da negocia\u00e7\u00e3o internacional cria\u00a0nos\u00a0governos uma disputa para ver quem consegue fazer o m\u00ednimo poss\u00edvel e jogar o maior esfor\u00e7o poss\u00edvel nas costas dos concorrentes. Somadas, as INDCs dos pa\u00edses ricos nem chegam perto de uma trajet\u00f3ria compat\u00edvel com os 2\u00baC. Diante dessa baixa ambi\u00e7\u00e3o, \u00e9 de esperar\u00a0que\u00a0outros governos ajam da mesma forma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/Imagem-Deslizamento.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"420\" \/><\/p>\n<p><em>Deslizamento de terra em Nova Friburgo, em 2011: mais de 800 mortes &#8211; Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>O Brasil parece estar jogando esse jogo: os compromissos apresentados na semana passada pela presidente Dilma em Washington n\u00e3o sinalizam praticamente nenhum esfor\u00e7o de descarboniza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se traduzem em emiss\u00f5es abatidas. \u00c9 a receita para o desastre.<\/p>\n<p>Para o Brasil, um esfor\u00e7o compat\u00edvel com sua responsabilidade e sua capacidade seria chegar a <strong>2030<\/strong> emitindo\u00a0no\u00a0m\u00e1ximo 1 bilh\u00e3o de toneladas de CO2 por ano. Em 26 de junho, o Observat\u00f3rio do Clima apresentou uma receita de como fazer isso: ser\u00e1 preciso <strong>zerar o desmatamento<\/strong> \u2013 n\u00e3o s\u00f3 o ilegal, como prometeu a presidente-, limitar as emiss\u00f5es por uso de energia a cerca de 617 milh\u00f5es de toneladas de CO2 e as do setor agropecu\u00e1rio a 280 milh\u00f5es de toneladas de CO2.<\/p>\n<p>Manter esse limite pressup\u00f5e uma a\u00e7\u00e3o em pol\u00edticas p\u00fablicas sem paralelo\u00a0no\u00a0pa\u00eds desde a era Vargas. Isso inclui <strong>recuperar<\/strong> milh\u00f5es de <strong>hectares em pastagens <\/strong>degradadas, ter 60% dos <strong>carros\u00a0<em>flex<\/em><\/strong>\u00a0rodando com \u00e1lcool em 2030 e congelar a expans\u00e3o das termel\u00e9tricas a \u00f3leo e a carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o desafio \u00e9 grande, as oportunidades tamb\u00e9m s\u00e3o. Todas as tecnologias consideradas est\u00e3o dispon\u00edveis\u00a0no\u00a0pa\u00eds. Mitigar emiss\u00f5es na <strong>agricultura<\/strong> significa aumentar a renda do produtor.\u00a0Nos\u00a0transportes, significa ressuscitar a ind\u00fastria dos <strong>biocombust\u00edveis<\/strong>. E, se falar em zerar a perda de florestas em 15 anos parece sonho, lembre-se do\u00a0que\u00a0se dizia h\u00e1 15 anos sobre controle do desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>N\u00e3o entraram na nossa conta os benef\u00edcios colaterais de tal a\u00e7\u00e3o: cidades mais habit\u00e1veis e menos vulner\u00e1veis, popula\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel, um pa\u00eds mais verde, com maior biodiversidade e acesso aos servi\u00e7os prestados pelos ecossistemas, como \u00e1gua pot\u00e1vel. Para\u00a0n\u00f3s\u00a0parece um bom neg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>* Carlos Rittl<\/strong>, 46, \u00e9 secret\u00e1rio-executivo da rede de ONGs do Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p><strong>* Andr\u00e9 Ferretti<\/strong>, 44, \u00e9 gerente da Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Natureza e coordenador-geral do Observat\u00f3rio do Clima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Carlos Rittl e Andr\u00e9 Ferretti* Entre os anos de 1991 e 2012, mais de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25907,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pastagem.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"por Carlos Rittl e Andr\u00e9 Ferretti* Entre os anos de 1991 e 2012, mais de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25906"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25906"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25906\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}