{"id":25724,"date":"2015-08-03T12:00:15","date_gmt":"2015-08-03T15:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25724"},"modified":"2015-08-03T10:19:17","modified_gmt":"2015-08-03T13:19:17","slug":"os-primeiros-frutos-de-uma-nova-era-da-exploracao-espacial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-primeiros-frutos-de-uma-nova-era-da-exploracao-espacial\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o Rosetta revela os primeiros frutos de uma nova era da explora\u00e7\u00e3o espacial"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-25725\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Sete estudos publicados na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista <em>Science<\/em> revelam que a miss\u00e3o Rosetta encontrou um cometa muito mais complexo e rico em <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/missao-rosetta-cometa-e-uma-sopa-organica-congelada\" rel=\"\">compostos org\u00e2nicos<\/a> do que o esperado. O 67P\/Churyumov-Gerasimenko, onde <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/astronomia-faz-historia-pouso-em-cometa-e-concluido-com-sucesso\" rel=\"\">pousou o rob\u00f4 Philae<\/a> entregue pela nave Rosetta, foi descrito como uma &#8220;sopa primordial congelada&#8221; pelo astr\u00f4nomo Ian Wright, da Open University, na Inglaterra, respons\u00e1vel por um dos instrumentos da miss\u00e3o que detectou as subst\u00e2ncias. Trata-se de um aglomerado de mol\u00e9culas que formam o que os cientistas chamam de &#8220;ingredientes b\u00e1sicos da vida&#8221;. \u00c9 uma min\u00fascula, mas importante, pista que sugere de onde podem ter vindo os amino\u00e1cidos que formaram micro-organismos, plantas e animais que povoam a Terra. Reunindo a melhor e mais avan\u00e7ada tecnologia, a miss\u00e3o da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA, na sigla em ingl\u00eas) \u00e9 um dos programas que marca a retomada de jornadas mais ambiciosas pelo espa\u00e7o. A Rosetta, assim como a New Horizons (que, pela primeira vez, viajou at\u00e9 <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/missao-new-horizons-chega-a-plutao-em-voo-historico\" rel=\"\">Plut\u00e3o<\/a>) e a Juice (The Jupiter Icy Moons Explorer), programada para ser lan\u00e7ada em 2022, buscam explorar os confins do Universo e decifrar enigmas ancestrais, como a origem da vida no cosmo.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos em uma nova fase de explora\u00e7\u00e3o espacial. Desenvolvemos tecnologias para chegar a pontos muito long\u00ednquos, que podem nos trazer informa\u00e7\u00f5es inusitadas, e j\u00e1 conseguimos detectar condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para a forma\u00e7\u00e3o de processos vitais de maneira muito precisa nesses locais distantes&#8221;, disse ao site de VEJA o astr\u00f4nomo Daniel Mello, do Observat\u00f3rio do Valongo, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p><strong>Exploradores espaciais &#8211;<\/strong> Com essa ousadia, as ag\u00eancias espaciais recuperam o entusiasmo dos primeiros desbravadores do Universo, como o cientista dinamarqu\u00eas Tycho Brahe (1546-1601), um dos pioneiros da astrof\u00edsica. Para ele, quanto maior a compreens\u00e3o do cosmo, mais entender\u00edamos o passado, presente e futuro de nosso planeta e qual o lugar do ser humano nesse contexto.<\/p>\n<p>Essa foi, por s\u00e9culos, a motiva\u00e7\u00e3o de in\u00fameros astr\u00f4nomos e pesquisadores que buscaram no espa\u00e7o as explica\u00e7\u00f5es para as origens da Terra e para o significado da exist\u00eancia de vida sobre ela. Outras gal\u00e1xias, estrelas e sistemas planet\u00e1rios parecidos com o nosso poderiam trazer rastros de atividades pret\u00e9ritas ou pistas para as pr\u00f3ximas eras.<\/p>\n<p>Foi assim, com essa inspira\u00e7\u00e3o, que, nos anos de 1960, o homem deixou seu planeta e rumou em dire\u00e7\u00e3o ao corpo celeste mais pr\u00f3ximo. As miss\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Lua come\u00e7aram em 1959 e, dez anos depois, a primeira nave espacial tripulada pousou no astro. At\u00e9 a d\u00e9cada seguinte, a ag\u00eancia espacial americana levou astronautas at\u00e9 l\u00e1 em outras cinco ocasi\u00f5es &#8211; a \u00faltima foi em 1972. Desde ent\u00e3o, houve um crescente desinteresse pela atividade aparentemente in\u00fatil da astronomia (\u00e9 sempre interessante recordar que, sem a tecnologia desenvolvida para possibilitar as viagens \u00e0 Lua, n\u00e3o ter\u00edamos GPS, wi-fi e os smartphones como os conhecemos).<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, o governo americano destinava por volta de 5% do PIB americano \u00e0 Nasa. No ano passado, foi 0,5%. A redu\u00e7\u00e3o das verbas fez com que entre os anos 1980 e 2000 poucas pesquisas fossem levadas a cabo. O cen\u00e1rio se modificou apenas nesta d\u00e9cada de 2010, quando a ag\u00eancia espacial americana deixou os servi\u00e7os que n\u00e3o exigiam tanto f\u00f4lego e atrevimento cient\u00edfico para empresas privadas, como a Boeing e a SpaceX, do genial empreendedor <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/elon-musk-o-homem-que-nos-levara-a-marte\" rel=\"\">Elon Musk<\/a>, que est\u00e3o construindo foguetes para levar astronautas \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS). O interesse recente de outros pa\u00edses, como \u00cdndia e China, pelo espa\u00e7o tamb\u00e9m ajudou a compartilhar os gastos. A miss\u00e3o Rosetta, por exemplo, teve seu custo de 1,3 bilh\u00e3o de euros dividido entre vinte pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p>&#8220;A explora\u00e7\u00e3o espacial precisa ser fruto da coopera\u00e7\u00e3o internacional, de cientistas e pa\u00edses que est\u00e3o empenhados em conhecer mais do Universo. Afinal, o espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 privado ou de um governo, e ainda h\u00e1 milh\u00f5es de coisas esperando para ser descobertas. N\u00e3o conseguiremos dar conta de tudo isso se trabalharmos isolados&#8221;, definiu o astr\u00f4nomo Ian Wright, da miss\u00e3o Rosetta, ao site de VEJA.<\/p>\n<h4>As sete descobertas da miss\u00e3o Rosetta sobre o cometa 67P<\/h4>\n<h5>\u00a0<img loading=\"lazy\" class=\"galeria-multimidia-midia galeria-multimidia-midia-loaded\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2014\/11\/13\/1259\/pe6Cx\/rosetta-sonda-20141113-73-original.jpeg?1415893524\" alt=\"A superf\u00edcie tem regi\u00f5es fofas e outras r\u00edgidas\" width=\"638\" height=\"359\" \/><\/h5>\n<h3>A superf\u00edcie tem regi\u00f5es fofas e outras r\u00edgidas<\/h3>\n<p><span class=\"description\"> Um aspecto inesperado do pouso do rob\u00f4 Philae no cometa foram as duas \u2018quicadas\u2019 na superf\u00edcie. Ele bateu no solo e passou por uma cratera antes de se fixar em uma regi\u00e3o desnivelada. No entanto, com esse imprevisto, os cientistas conseguiram dados para analisar mais parcelas da superf\u00edcie do 67P. A primeira regi\u00e3o onde Philae tocou tem uma superf\u00edcie macia e arenosa, de pelos menos 25 cent\u00edmetros de espessura, que recobre um interior r\u00edgido. A segunda \u00e9 totalmente r\u00edgida, uma caracter\u00edstica que deve ter ajudado Philae a se fixar no solo. <\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"galeria-multimidia-midia galeria-multimidia-midia-loaded\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2014\/11\/12\/1241\/pe6Cx\/alx_ciencia-sonda-rosetta-cometa-20141112-007_original.jpeg?1415809808\" alt=\"Interior oco e poroso\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<h3>Interior oco e poroso<\/h3>\n<p><span class=\"description\"> O instrumento Consert (Comet Nucleus Sounding Experiment by Radiowave Transmission) revelou que o interior do cometa \u00e9 homog\u00eaneo e muito poroso. Entre 75% e 85% \u00e9 composto de espa\u00e7os vazios, fazendo com que pare\u00e7a uma esponja. <\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"galeria-multimidia-midia galeria-multimidia-midia-loaded\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/07\/31\/1825\/pe6Cx\/alx_rosetta5hr_original.jpeg?1438377886\" alt=\"Solo fraturado\" width=\"639\" height=\"480\" \/><\/p>\n<h3>Solo fraturado<\/h3>\n<p><span class=\"description\"> Al\u00e9m de espa\u00e7os macios e outros r\u00edgidos, imagens obtidas por Philae revelaram que a regi\u00e3o ao redor do pouso \u00e9 totalmente fraturada e granulada, o que indica muita eros\u00e3o, causada n\u00e3o s\u00f3 pela aproxima\u00e7\u00e3o do Sol, mas tamb\u00e9m por ventos c\u00f3smicos. H\u00e1 \u00e1reas com eros\u00e3o similar \u00e0s causadas pelo vento na Terra. <\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"galeria-multimidia-midia galeria-multimidia-midia-loaded\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2014\/11\/14\/2037\/pe6Cx\/esa-rosetta-philae-2014-pouso-1-jpg-original.jpeg?1416004637\" alt=\"Aglomerado de compostos org\u00e2nicos\" width=\"640\" height=\"360\" \/><\/p>\n<h3>Aglomerado de compostos org\u00e2nicos<\/h3>\n<p><span class=\"description\"> Dois instrumentos da miss\u00e3o, chamados Cosac e Ptolemy, identificaram no 67P a exist\u00eancia de 16 compostos org\u00e2nicos, quatro dos quais (metil-isocianato, acetona, propionalde\u00eddo e acetamido) jamais tinham sido vistos em cometas. De acordo com os cientistas, algumas dessas mol\u00e9culas s\u00e3o consideradas precursoras de vida, pois interv\u00eam na forma\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos essenciais e de bases nucleicas. O astr\u00f4nomo Ian Wright, respons\u00e1vel pelo Ptolemy, chamou o cometa de \u2018sopa org\u00e2nica primordial\u2019, referindo-se \u00e0 sua capacidade de ser essencial aos prim\u00f3rdios da vida. <\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"galeria-multimidia-midia galeria-multimidia-midia-loaded\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2014\/11\/12\/1246\/pe6Cx\/alx_ciencia-sonda-rosetta-cometa-20141112-002_original.jpeg?1415803526\" alt=\"Temperaturas extremas\" width=\"639\" height=\"480\" \/><\/p>\n<h3>Temperaturas extremas<\/h3>\n<p><span class=\"description\"> Um dos estudos divulgados na Science nesta quinta-feira (31) mediu as temperaturas geladas do cometa. Durante o dia, ela varia de -183\u00b0C a -143 \u00b0C. <\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"galeria-multimidia-midia galeria-multimidia-midia-loaded\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2014\/11\/12\/1432\/pe6Cx\/alx_rosetta_landing_twitter_original.jpeg?1415809917\" alt=\"\u00c9 composto de &quot;\u00e1gua pesada&quot;\" width=\"640\" height=\"349\" \/><\/p>\n<h3>\u00c9 composto de &#8220;\u00e1gua pesada&#8221;<\/h3>\n<p><span class=\"description\"> Quase um m\u00eas depois do rob\u00f4 Philae pousar no 67P\/Churyumov-Gerasimenko, uma an\u00e1lise das informa\u00e7\u00f5es enviadas pela miss\u00e3o Rosetta, tamb\u00e9m publicada na revista Science, revelou que a \u00e1gua do cometa \u00e9 diferente da encontrada na Terra. As medi\u00e7\u00f5es que levaram a essa conclus\u00e3o foram feitas pelo instrumento Rosina, a bordo da sonda, que mostrou que a \u00e1gua do cometa tem constitui\u00e7\u00e3o qu\u00edmica diferente, com tr\u00eas vezes mais deut\u00e9rio (conhecido como hidrog\u00eanio pesado, com um pr\u00f3ton e um n\u00eautron em seu n\u00facleo, enquanto o hidrog\u00eanio da \u00e1gua que conhecemos tem apenas um pr\u00f3ton e nenhum n\u00eautron). Isso enfraqueceu a teoria de que a \u00e1gua do nosso planeta poderia ter sido trazida pelos cometas \u2013 mas n\u00e3o a eliminou. A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do cometa pode mudar de acordo com sua aproxima\u00e7\u00e3o do Sol e, al\u00e9m disso, o 67P \u00e9 apenas um entre os diversos cometas vagando pelo espa\u00e7o. <\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"galeria-multimidia-midia galeria-multimidia-midia-loaded\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2014\/08\/10\/0634\/pe6Cx\/alx_rosetta3_original.png?1407332762\" alt=\"Bola de gelo\" width=\"639\" height=\"480\" \/><\/p>\n<h3>Bola de gelo<\/h3>\n<p><span class=\"description\"> As medi\u00e7\u00f5es confirmaram que o cometa \u00e9 formado principalmente de gelo. H\u00e1 cinco vezes mais gelo que rochas em toda a extens\u00e3o do 67P\/Churyumov-Gerasimenko, que mede 4,3 quil\u00f4metros por 4,1 quil\u00f4metros, em sua maior extens\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong>Explora\u00e7\u00e3o espacial 2.0 &#8211;<\/strong> Com isso, a explora\u00e7\u00e3o de locais pr\u00f3ximos \u00e0 Terra ficaram a cargo de investidores privados, enquanto as ag\u00eancias espaciais podem se dedicar a projetos cientificamente mais desafiadores. Enquanto em 2030 a SpaceX pretende concretizar a chegada do homem a uma col\u00f4nia em Marte, a ESA espera que, no mesmo ano, a sonda Juice chegue a Ganimedes, Europa e Calisto, as luas de Jupiter. O objetivo \u00e9 analisar a atmosfera e superf\u00edcie desses astros, onde pode haver reservat\u00f3rios de oceanos de \u00e1gua l\u00edquida sob superf\u00edcies geladas (em teoria, bom ambiente para o florescimento de vida). Com o aprendizado dos dez anos de viagem da Rosetta, a miss\u00e3o deve ser equipada com sensores e instrumentos potentes o suficiente para detectar compostos org\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Europa \u00e9 a regi\u00e3o do espa\u00e7o onde os astr\u00f4nomos acreditam que h\u00e1 a maior possibilidade, at\u00e9 o momento, de ser encontrado algo semelhante a um sinal vital rudimentar. Em 2013, a Nasa anunciou que a miss\u00e3o Galileo havia identificado algo semelhante a barro em sua superf\u00edcie, subst\u00e2ncia que pode ter sido formada pelo impacto de um asteroide ou cometa. &#8220;Encontrar res\u00edduos rochosos desse choque na superf\u00edcie de Europa poderia abrir um novo cap\u00edtulo na hist\u00f3ria da busca por vida&#8221;, disse o astrof\u00edsico Jim Shirley, um dos cientistas da miss\u00e3o Galileo. A combina\u00e7\u00e3o entre os oceanos submersos, a fonte de luz solar e compostos org\u00e2nicos seria a melhor combina\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para originar seres vivos.<\/p>\n<p>Neste momento, j\u00e1 devem estar dispon\u00edveis as an\u00e1lises dos \u00faltimos dados da miss\u00e3o Rosetta &#8211; os astr\u00f4nomos calculam que, se Philae continuar se comunicando, todas as informa\u00e7\u00f5es sejam decifradas em at\u00e9 dez anos. O cometa 67P chegar\u00e1 \u00e0 posi\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima do Sol em agosto, enviando informa\u00e7\u00f5es preciosas sobre sua trajet\u00f3ria e composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o podemos sequer afirmar com toda a certeza que a \u00e1gua do cometa 67P seja diferente da existente na Terra. \u00c9 poss\u00edvel que, ao chegar pr\u00f3ximo do Sol, a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica se modifique. S\u00f3 conseguimos analisar at\u00e9 agora os dados dos primeiros 20 minutos do pouso. Ainda h\u00e1 muito a descobrir&#8221;, explica Wright.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos estudos publicados na <em>Science<\/em> sobre a miss\u00e3o mostraram que, como esperado, os cometas s\u00e3o &#8216;sopas org\u00e2nicas congeladas&#8217;. Provavelmente, se um cometa com a composi\u00e7\u00e3o do 67P ca\u00edsse em um planeta prop\u00edcio \u00e0 vida, ou seja, com atmosfera que propicie temperaturas nem quente, nem frias demais, e recebendo energia suficiente de uma estrela para a exist\u00eancia de \u00e1gua na forma l\u00edquida, ele provavelmente desencadearia uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que poderiam, no futuro, construir amino\u00e1cidos, a fra\u00e7\u00e3o fundamental para a forma\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas como RNA e DNA.<\/p>\n<p>No embalo do sucesso da chegada da Rosetta, a Nasa anunciou para 2019 uma miss\u00e3o que deve capturar um asteroide e traz\u00ea-lo at\u00e9 as proximidades da Lua. Algumas teorias afirmam que a \u00e1gua (e talvez a vida) podem ter se originado do impacto de cometas e asteroides durante a forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, h\u00e1 quase 5 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Esses dois tipos de corpos celestes s\u00e3o considerados rel\u00edquias dessa \u00e9poca, que continuam vagando pelo espa\u00e7o. Se a \u00e1gua n\u00e3o veio dos cometas, a outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 buscar por ela nos asteroides. Al\u00e9m disso, cogita-se lan\u00e7ar novas miss\u00f5es que poderiam minerar esses asteroides trazidos para as proximidades de nosso planeta, em busca de metais preciosos. Assim, a explora\u00e7\u00e3o espacial come\u00e7aria a ter um evidente fim lucrativo, como apostam empresas como a SpaceX de Elon Musk.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da busca pelas origens, novos planetas, fora do Sistema Solar, possivelmente continuar\u00e3o a ser descobertos em velocidade crescente. A miss\u00e3o Kepler, lan\u00e7ada h\u00e1 seis anos, j\u00e1 revelou 4 696 candidatos a planetas, confirmou 1 030 e descobriu alguns muito semelhantes \u00e0 Terra, como o Kepler 425b, descrito pelos astr\u00f4nomos na \u00faltima semana. Os pr\u00f3ximos e mais potentes telesc\u00f3pios a fazer esse trabalho ser\u00e3o o Transiting Exoplanet Survey Satellite (Tess) e o James Webb, substituto do Hubble, que devem ser lan\u00e7ados em 2017.<\/p>\n<p>O Tess vai monitorar planetas ao redor de estrelas an\u00e3s, enquanto o James Webb pretende examinar a atmosfera desses corpos celestes e procurar subst\u00e2ncias que s\u00f3 poderiam ser geradas por organismos vivos, como os seis elementos essenciais \u00e0 vida (carbono, hidrog\u00eanio, nitrog\u00eanio, oxig\u00eanio, f\u00f3sforo e enxofre).<\/p>\n<p>&#8220;Os pr\u00f3ximos anos compor\u00e3o, certamente, uma era fant\u00e1stica para as miss\u00f5es espaciais. Chegaremos a Marte e, principalmente, telesc\u00f3pios e sondas avan\u00e7adas possibilitar\u00e3o o estudo de planetas, astros e corpos celestes que est\u00e3o apenas esperando para nos contar sua hist\u00f3ria&#8221;, diz Wright. Assim poderemos achar mais algumas pistas que nos ajudem a compreender nossa caminhada pelo universo, desde as origens. Como previam os pioneiros da astronomia. Tamb\u00e9m continuaremos a notar o qu\u00e3o pequeno (e, provavelmente, banal) \u00e9 o ser humano quando comparado \u00e0 imensid\u00e3o do universo que nos rodeia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sete estudos publicados na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista Science revelam que a miss\u00e3o Rosetta encontrou<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25725,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lua_jupter.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Sete estudos publicados na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista Science revelam que a miss\u00e3o Rosetta encontrou","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25724"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25724\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}