{"id":2566,"date":"2014-07-07T16:48:06","date_gmt":"2014-07-07T16:48:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=2566"},"modified":"2014-07-07T16:48:06","modified_gmt":"2014-07-07T16:48:06","slug":"para-nao-perder-onda-das-novas-energias-renovaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/para-nao-perder-onda-das-novas-energias-renovaveis\/","title":{"rendered":"Para n\u00e3o perder onda das novas energias renov\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>P<small style=\"font-size: 10px; font-family: Tahoma, Geneva, sans-serif;\"><i>or Ricardo Abramovay*<\/i><\/small><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/solar.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-116261\" title=\"Para n\u00e3o perder onda das novas energias renov\u00e1veis\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/solar.png\" alt=\"solar Para n\u00e3o perder onda das novas energias renov\u00e1veis\" width=\"485\" height=\"262\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como China e \u00cdndia, Brasil tem plenas condi\u00e7\u00f5es de gerar eletricidade a partir do sol e ventos. Itamaraty erra nas negocia\u00e7\u00f5es sobre clima.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 nefasta a defesa, por parte da diplomacia brasileira, de que nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, os direitos de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa devem contabilizar o que cada pa\u00eds lan\u00e7ou na atmosfera desde 1850. Em primeiro lugar, n\u00e3o se justifica responsabilizar algu\u00e9m por uma a\u00e7\u00e3o cujos impactos n\u00e3o eram conhecidos \u00e0 \u00e9poca em que foi tomada. O German Advisory Council on Global Change tamb\u00e9m preconiza uma contabilidade das emiss\u00f5es per capita, levando em conta o passado, mas parte de 1990, momento em que a comunidade cient\u00edfica internacional tornou p\u00fablicas as evid\u00eancias de que os gases de efeito estufa eram destrutivos para o sistema clim\u00e1tico e de origem antr\u00f3pica [1]. Al\u00e9m de ser eticamente indefens\u00e1vel, voltar a 1850 \u00e9 inviabilizar qualquer acordo, pela car\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es sobre o que se emitia \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso reconhecer, claro, a imensa desigualdade na ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o carbono global: segundo o \u00faltimo relat\u00f3rio do IPCC, as emiss\u00f5es m\u00e9dias per capita dos pa\u00edses de baixa renda s\u00e3o nove vezes menores que as dos pa\u00edses mais ricos. \u00c9, em \u00faltima an\u00e1lise, sobre a base dessa constata\u00e7\u00e3o que se estabeleceu o Protocolo de Kyoto, o \u00fanico compromisso legalmente vinculante nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. O problema \u00e9 que h\u00e1 uma incontorn\u00e1vel armadilha em seu arcabou\u00e7o: ele s\u00f3 atribui metas obrigat\u00f3rias de redu\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses mais ricos.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria ideia de responsabilidades comuns, por\u00e9m diferenciadas, que d\u00e1 conte\u00fado ao Protocolo de Kyoto, cont\u00e9m uma bomba de efeito retardado que explodiu junto com a ascens\u00e3o da China a primeiro emissor global. \u00c9 um dispositivo segundo o qual os pa\u00edses que, ao longo da hist\u00f3ria, emitiram menos teriam agora o direito de recuperar a perda. \u00c9 um pouco como se dissessem: chegou a nossa vez. Os resultados s\u00f3 podem ser catastr\u00f3ficos n\u00e3o s\u00f3 globalmente, mas para os pr\u00f3prios pa\u00edses que insistem nesta rota.<\/p>\n<p>At\u00e9 poucos anos atr\u00e1s, essa postura poderia ser justificada pela aus\u00eancia de alternativas. Ampliar a explora\u00e7\u00e3o e o uso de f\u00f3sseis era, de fato, para a maior parte dos pa\u00edses em desenvolvimento, o meio mais barato para acesso \u00e0 energia. Mas os efeitos combinados da revolu\u00e7\u00e3o digital e dos ganhos de produtividade das renov\u00e1veis (sobretudo solar e e\u00f3lica) mudam radicalmente esse panorama.<\/p>\n<p>Ray Kurzweil, importante inventor e inovador americano, mostra, no caso da energia solar, que seu crescimento tem sido exponencial. Nos \u00faltimos 20 anos, a oferta dobra a cada dois anos. Dobrando mais oito vezes ao longo dos pr\u00f3ximos 16 anos, 100% da oferta de energia do planeta poderia ser solar. Ao mesmo tempo, tudo indica que o grande limite das fontes renov\u00e1veis modernas \u2013 a intermit\u00eancia \u2013, est\u00e1 em vias de ser superado, com a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de armazenamento da energia em baterias.<\/p>\n<p>\u00c9 o que mostra um relat\u00f3rio recente do Rocky Mountain Institute, com o sugestivo t\u00edtulo de Grid Defection, algo como o Abandono da Rede. As formas convencionais de gera\u00e7\u00e3o de energia v\u00e3o-se tornando economicamente invi\u00e1veis. E o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o s\u00e3o apenas as usinas movidas a carv\u00e3o, mas o pr\u00f3prio conceito de gera\u00e7\u00e3o centralizada com distribui\u00e7\u00e3o subsequente (hub-and-spoke, na express\u00e3o em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o financeira global UBS prev\u00ea que, ainda nesta d\u00e9cada, as contas de energia el\u00e9trica na It\u00e1lia, na Alemanha e na Espanha cair\u00e3o de 20% a 30%, como resultado do aumento da autoprodu\u00e7\u00e3o de energia. As empresas convencionais de energia na Europa devem perder 50% de seus lucros antes de 2020.<\/p>\n<p><strong>Uma internet de energia<\/strong><\/p>\n<p>O mais importante \u00e9 que essas fontes renov\u00e1veis avan\u00e7am juntamente com o aumento da conex\u00e3o em rede. Trabalho recente de consultores da McKinsey mostra que os sistemas centralizados de obten\u00e7\u00e3o e posterior distribui\u00e7\u00e3o de energia, implantados de forma generalizada desde Thomas Edison, ser\u00e3o substitu\u00eddos por redes descentralizadas a partir de dispositivos altamente conectados entre si: uma internet da energia.<\/p>\n<p>Estimular a generaliza\u00e7\u00e3o desse avan\u00e7o \u00e9 o maior desafio das duas pr\u00f3ximas confer\u00eancias do clima. lutar para garantir direitos de emiss\u00e3o aos pa\u00edses em desenvolvimento \u00e9 insistir num caminho que os afasta dessa fascinante conquista civilizacional, resultante do crescimento da autoprodu\u00e7\u00e3o de energia sobre bases renov\u00e1veis. Dois estudos recentes do BNDES [2] mostram que China e \u00cdndia est\u00e3o se preparando para essa mudan\u00e7a, com grandes empresas de atua\u00e7\u00e3o global em solar e e\u00f3lica. J\u00e1 o Brasil insiste na hidroeletricidade e no petr\u00f3leo e condena-se a ser importador das tecnologias que hoje est\u00e3o revolucionando as renov\u00e1veis. Com o olho em 1850.<\/p>\n<p>[1] Acesse relat\u00f3rio <a href=\"http:\/\/www.wbgu.de\/fileadmin\/templates\/dateien\/veroeffentlichungen\/sondergutachten\/sn2009\/wbgu_sn2009_en.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p>[2] Acesse os estudos do BNDES <a href=\"http:\/\/www.bndes.gov.br\/SiteBNDES\/export\/sites\/default\/bndes_pt\/Galerias\/Arquivos\/conhecimento\/revista\/rev3906.pdf\" target=\"_blank\">aqui <\/a>e <a href=\"http:\/\/www.bndes.gov.br\/SiteBNDES\/export\/sites\/default\/bndes_pt\/Galerias\/Arquivos\/conhecimento\/revista\/rev4003.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><em> * <strong>Ricardo Abramovay<\/strong> \u00e9 professor Titular do Departamento de Economia da FEA\/USP.<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: Envolverde &#8211;\u00a0 <a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/destaque-outras-midias\/para-nao-perder-o-bonde-das-novas-energias-renovaveis\/?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=para-nao-perder-o-bonde-das-novas-energias-renovaveis\" target=\"_blank\">Outras Palavras<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ricardo Abramovay* &nbsp; Como China e \u00cdndia, Brasil tem plenas condi\u00e7\u00f5es de gerar eletricidade<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Ricardo Abramovay* &nbsp; Como China e \u00cdndia, Brasil tem plenas condi\u00e7\u00f5es de gerar eletricidade","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2566"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2566"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2566\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}