{"id":25631,"date":"2015-08-01T14:01:55","date_gmt":"2015-08-01T17:01:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25631"},"modified":"2015-08-01T14:01:55","modified_gmt":"2015-08-01T17:01:55","slug":"entrevista-especial-com-gael-giraud","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-gael-giraud\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Ga\u00ebl Giraud"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"contentheading\">Da d\u00edvida ecol\u00f3gica ao d\u00e9bito do sistema financeiro com os pobres.<\/h2>\n<p><strong>&#8220;A racionalidade que a\u00a0Enc\u00edclica prop\u00f5e\u00a0\u00e9 aquela do amor, da ternura. A que a economia neocl\u00e1ssica promove \u00e9 uma racionalidade mort\u00edfera, de uma humanidade que n\u00e3o cr\u00ea mais em seu futuro e cujas elites tentam se apropriar do m\u00e1ximo de riquezas poss\u00edveis para salvar sua pele quando o\u00a0<em>Titanic<\/em>\u00a0afundar&#8221;, alerta o economista franc\u00eas.\u00a0<\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i59.tinypic.com\/fvitkl.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: <a href=\"http:\/\/www.galizacig.gal\/avantar\/opinion\/16-2-2008\/para-alem-da-recessao-no-principio-da-segunda-etapa-da-crise-global\" target=\"_blank\">Galizacig<\/p>\n<p><\/a><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Pensar as complexidades da crise global em que vivemos, chamada na <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html\" target=\"_blank\"><strong>Laudato Si\u2019<\/strong><\/a> de <strong>Crise Ecol\u00f3gica<\/strong>, exige ampliar as sensibilidades e perceber o mundo para al\u00e9m do racionalismo t\u00e9cnico financeirista. Em linhas gerais, \u00e9 isso o que o economista franc\u00eas <strong>Ga\u00ebl<\/strong> <strong>Giraud<\/strong> argumenta em sua entrevista por e-mail \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cEm sua Enc\u00edclica, o Papa denuncia a \u2018d\u00edvida ecol\u00f3gica\u2019, ou seja, o fato de que, extraindo hoje da natureza mais do que ela \u00e9 capaz de nos dar sem p\u00f4r em perigo sua pr\u00f3pria renova\u00e7\u00e3o, acumulamos uma d\u00edvida muito maior do que os bilh\u00f5es que a d\u00edvida da Gr\u00e9cia representa\u201d, aponta <strong>Ga\u00ebl<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cO ser humano \u00e9, antes de tudo, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/543758-o-nexo-entre-natureza-e-esfera-social-e-decisivo-na-laudato-si-entrevista-com-jean-marie-pelt\" target=\"_blank\">rela\u00e7\u00e3o<\/a>. Com Deus, com outrem, com a natureza. E quando danifica uma dessas tr\u00eas rela\u00e7\u00f5es, ele danifica automaticamente as duas outras. O progresso \u00e9 a cura do que est\u00e1 ferido nessas rela\u00e7\u00f5es, \u00e9 a regenera\u00e7\u00e3o de uma maneira santa de nos relacionarmos uns com os outros, com Deus e com a natureza\u201d, complementa o pesquisador. De acordo com o economista, a <strong>finan\u00e7a<\/strong> \u00e9 o principal empecilho para o progresso da humanidade. \u201cDe fato, os financistas t\u00eam a maior fatia de responsabilidade no desastre atual. Este foi um tema denunciado muitas vezes pelo Papa Francisco: muitos financistas s\u00e3o os grandes sacerdotes de uma religi\u00e3o pag\u00e3 que erigiu o dinheiro em bezerro de ouro\u201d, critica.<\/p>\n<p>Frente a tal cen\u00e1rio, <strong>Ga\u00ebl<\/strong> refor\u00e7a o discurso de <strong>Francisco<\/strong> e argumenta que as alternativas para o momento de crise est\u00e3o com a pot\u00eancia criadora dos <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/lodato\" target=\"_blank\">pobres<\/a>. \u201cS\u00e3o eles (os pobres) que inventar\u00e3o formas humanas e dignas de vida. A economia solid\u00e1ria, a partilha, as cooperativas, a economia circular s\u00e3o exemplos dessas inven\u00e7\u00f5es\u201d, reitera.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/532625-a-ecologia-economica-como-alternativa-as-desigualdades-entrevista-especial-com-gael-giraud-\" target=\"_blank\"><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong><\/a> \u00e9 diretor de pesquisa do Centre National de la Recherche Scientifique &#8211; CNRS, membro do Centro de Economia da Sorbonne e da Escola de Economia de Paris e professor associado na ESCP-Europe. Jesu\u00edta, faz parte do conselho cient\u00edfico do Laborat\u00f3rio sobre Regula\u00e7\u00e3o Financeira e do Observat\u00f3rio Europeu Finance Watch. Al\u00e9m disso, leciona no Centre S\u00e8vre de Paris e \u00e9 membro do conselho cient\u00edfico da Funda\u00e7\u00e3o Nicolas Hulot para a Natureza e o Homem.<\/p>\n<p>O trabalho de <strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> pode ser visto em seu s\u00edtio na internet <a href=\"http:\/\/www.gaelgiraud.net\" target=\"_blank\">www.gaelgiraud.net<\/a>. \u00c9 autor de v\u00e1rios livros, dos quais destacamos <strong><em>Illusion financi\u00e8re<\/em><\/strong> (Paris: Les \u00c9ditions de l&#8217;Atelier, 2014), <strong><em>Le facteur 12. Pourquoi il faut plafonner les revenus<\/em><\/strong> (Paris: Carnets Nord-Montparnasse \u00e9ditions, 2012) e <strong><em>Vingt propositions pour r\u00e9former le capitalisme<\/em> <\/strong>(Paris: Ed. Flammarion, 2009).<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista<\/strong>.<\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i58.tinypic.com\/favlza.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto:\u00a0La-Croix.com<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que novidade a Laudato Si\u2019 traz ao debate relacionado \u00e0s quest\u00f5es ambientais em perspectiva com a racionalidade economicista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; A <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/543811-a-laudato-si-e-talvez-o-ato-numero-1-de-um-apelo-para-uma-nova-civilizacao-entrevista-com-edgar-morin\" target=\"_blank\"><strong>Enc\u00edclica do Papa Francisco<\/strong><\/a> privilegia a manuten\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida decente para todos no planeta. Ela constata que somente a acumula\u00e7\u00e3o do lucro n\u00e3o possibilita reunir essas condi\u00e7\u00f5es, e d\u00e1 prioridade \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida para todos. Ora, a racionalidade econ\u00f4mica dominante, essa que se expressa atrav\u00e9s da dita economia neocl\u00e1ssica, parte da hip\u00f3tese de que a maximiza\u00e7\u00e3o do lucro pelas empresas e a concorr\u00eancia s\u00e3o o segredo da prosperidade. O <strong>Papa Francisco<\/strong> diz simplesmente que isso \u00e9 uma mentira.<\/p>\n<p>Foi o que ele repetiu, com muita pertin\u00eancia, em seu grande <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/544477-qesta-economia-mataq-afirma-papa-francisco\" target=\"_blank\"><strong>discurso em Santa Cruz de La Sierra<\/strong><\/a>, Bol\u00edvia, em 09 de julho de 2015. Alegar que o lucro privado e a concorr\u00eancia v\u00e3o garantir a prosperidade e, em particular, garantir condi\u00e7\u00f5es de vida digna para todos num planeta que \u00e9 finito \u00e9 uma mentira.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, como a pr\u00f3pria economia neocl\u00e1ssica reconhece, na realidade, a teoria do equil\u00edbrio geral (elaborada nos anos 1950 por <strong>Arrow [1]<\/strong> e <strong>Debreu [2]<\/strong>, que receberam por isso o Pr\u00eamio dito \u201cNobel\u201d de economia) considera que os mercados financeiros s\u00e3o muito ineficazes na aloca\u00e7\u00e3o do capital e do risco. Considera tamb\u00e9m que os mercados n\u00e3o podem internalizar corretamente as \u201cexternalidades\u201d provocadas pela <strong>polui\u00e7\u00e3o<\/strong>, pela <strong>destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade<\/strong> e pelo <strong>desajuste<\/strong> <strong>clim\u00e1tico<\/strong>. Nessas condi\u00e7\u00f5es, aqueles que pretendem solucionar esses imensos problemas unicamente com o apoio do mercado s\u00e3o ignorantes em economia ou usurpadores.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como o senhor compreende o paradigma tecnoecon\u00f4mico discutido na Enc\u00edclica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; Esse paradigma foi fartamente denunciado pelo te\u00f3logo protestante <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530149-nao-publicar-em-edicao-tecnica-ame-a-ou-deixe-a-uma-abordagem-a-partir-de-jacques-ellul\" target=\"_blank\"><strong>Jacques Ellul<\/strong><\/a> <strong>[3]<\/strong>. Em certo sentido, a Enc\u00edclica retoma temas bem conhecidos do pensamento de <strong>Ellul<\/strong>. Trata-se de denunciar a ilus\u00e3o de que a t\u00e9cnica nos salvar\u00e1 do desastre clim\u00e1tico e ecol\u00f3gico. Alguns recusam, de fato, considerar a mudan\u00e7a radical de modo de vida a que precisamos consentir, explicando que conseguiremos, mais cedo ou mais tarde, encontrar um aparato t\u00e9cnico para o desafio ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Muitos defensores da geoengenharia, especialmente nos <strong>Estados Unidos<\/strong>, mant\u00eam esse estado de esp\u00edrito. Ora, tais solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o existem hoje, e n\u00e3o estamos prestes a encontr\u00e1-las sem riscos consider\u00e1veis para a humanidade. \u00c9 isso que<strong> Clive Hamilton [4]<\/strong>, por exemplo, denuncia veementemente. Ent\u00e3o, cessemos de sonhar que uma alga patenteada pelo <strong>Massachusetts Institute of Technology &#8211; MIT<\/strong> v\u00e1 conseguir digerir o carbono que lan\u00e7amos na atmosfera. Reconhe\u00e7amos que precisamos mudar de estilo de vida. Eis o apelo que nos lan\u00e7a a Enc\u00edclica.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/h2>\n<h2>&#8220;A Enc\u00edclica retoma temas bem conhecidos do pensamento de Jacques <strong>Ellul<\/strong>&#8220;<\/h2>\n<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que forma as crises ambiental e social est\u00e3o relacionadas \u00e0 quest\u00e3o econ\u00f4mica? Como isso fica evidenciado na Enc\u00edclica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; O <strong>desajuste clim\u00e1tico<\/strong> \u00e9 a injusti\u00e7a em mais alto grau. De fato, ele afetar\u00e1 muito mais r\u00e1pido e de forma muito mais duradoura os mais pobres. Tanto os pa\u00edses do Sul mais pobres como, em cada pa\u00eds, as popula\u00e7\u00f5es mais pobres. Ali\u00e1s, essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais as elites econ\u00f4micas de um grande n\u00famero de pa\u00edses n\u00e3o levam a s\u00e9rio o <strong>desajuste clim\u00e1tico<\/strong> e a <strong>destrui\u00e7\u00e3o da<\/strong> <strong>biodiversidade<\/strong>. Elas est\u00e3o convencidas de que ter\u00e3o riqueza suficiente para se salvarem disso, enquanto os pobres morrer\u00e3o.<\/p>\n<p>Ora, a <strong>economia neocl\u00e1ssica<\/strong> dominante alega que as quest\u00f5es de justi\u00e7a n\u00e3o contam: a divis\u00e3o da riqueza n\u00e3o \u00e9 ditada, nesse pensamento econ\u00f4mico, por uma l\u00f3gica pol\u00edtica, tampouco, portanto, por considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, sendo puramente ditada por uma l\u00f3gica interna ao mercado. Pelo menos, \u00e9 o que alega a economia neocl\u00e1ssica. Por\u00e9m, isso n\u00e3o \u00e9 verdadeiro: <strong>a economia neocl\u00e1ssica fracassou completamente em seu programa epistemol\u00f3gico que consiste em excluir a justi\u00e7a social do campo da economia<\/strong>.<\/p>\n<p>Na realidade, tornou-se um puro instrumento ideol\u00f3gico de defesa dos interesses dos mais ricos. Da mesma maneira que o <strong>marxismo-leninismo<\/strong> se tornou, na <strong>Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/strong>, um puro instrumento ideol\u00f3gico de defesa dos interesses dos caciques do Partido. Assim, a ado\u00e7\u00e3o da economia neocl\u00e1ssica como paradigma dominante na forma\u00e7\u00e3o das elites, dos economistas, dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, etc., gerou aquilo a que essa economia visa: a apropria\u00e7\u00e3o, por uma minoria cada vez menor, da riqueza produzida; a <strong>explos\u00e3o das desigualdades<\/strong>, \u00e0 custa dos mais pobres. Isso \u00e9 tamb\u00e9m denunciado pela Enc\u00edclica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, essa <strong>ideologia neocl\u00e1ssica<\/strong> est\u00e1 alicer\u00e7ada na ideia de que o crescimento da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa boa em si. \u00c9 neste aspecto que ela adere \u00e0 quimera de uma<strong> salva\u00e7\u00e3o pela t\u00e9cnica<\/strong>. Existe uma coniv\u00eancia muito forte entre o produtivismo, o culto da t\u00e9cnica, a concorr\u00eancia como modo de rela\u00e7\u00e3o universal e a ideologia neocl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>Observem como erigimos o crescimento do <strong>Produto Interno Bruto &#8211; PIB<\/strong> em bezerro de ouro! Ora, o crescimento do PIB \u00e9 acompanhado por um crescimento proporcional das devasta\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e do consumo de energia (f\u00f3ssil na maioria das vezes). Enquanto nossas economias n\u00e3o conseguirem desvincular a prosperidade do<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/539480-o-pico-dos-combustiveis-fosseis-deve-acontecer-antes-do-esgotamento-das-reservas-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves\" target=\"_blank\">consumo de energia f\u00f3ssil<\/a><\/strong>, continuaremos destruindo o planeta, fazendo de conta que estamos trabalhando pelo bem de todos, ao passo que essa destrui\u00e7\u00e3o beneficia t\u00e3o somente um pequeno grupo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual a rela\u00e7\u00e3o da crise ecol\u00f3gica apresentada pelo Papa Francisco e os altos n\u00edveis globais de desigualdade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; De forma pertinente, a <strong>Enc\u00edclica<\/strong> estabelece uma ponte entre a explos\u00e3o das desigualdades e a crise ambiental. Como expliquei em meu livro<strong><em> Le facteur 12. Pourquoi il faut plafonner les revenus<\/em><\/strong> (Paris: Carnets Nord-Montparnasse \u00e9ditions, 2012) est\u00e1 constatado, hoje, que s\u00e3o <strong>os ricos que poluem mais<\/strong>. O modo de vida deles os leva a emitir consideravelmente mais gases de efeito estufa do que os mais pobres. Isto \u00e9 verdadeiro tanto em n\u00edvel nacional (cada canadense emite, em m\u00e9dia, mais de dez vezes mais carbono que um habitante do <strong>Z\u00e2mbia<\/strong>), quanto dentro de um mesmo pa\u00eds. Ora, como acabamos de ver, o enriquecimento dos mais ricos n\u00e3o traz nenhuma garantia de prosperidade aos mais pobres. Assim, as desigualdades significam simplesmente que os mais ricos conseguem captar uma parte crescente da riqueza produzida (por todos) para o seu benef\u00edcio pessoal. E essa acumula\u00e7\u00e3o de riqueza os leva a adotar modos de vida predadores em rela\u00e7\u00e3o ao planeta, logo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es vindouras. \u00c9 por essa raz\u00e3o que se faz necess\u00e1rio<strong> reduzir as desigualdades<\/strong> para <strong>salvar o clima<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 A d\u00edvida externa \u00e9 um dos temas mais discutidos em n\u00edvel global, como, por exemplo, a quest\u00e3o contempor\u00e2nea da Gr\u00e9cia. No entanto, a d\u00edvida ecol\u00f3gica n\u00e3o entra na pauta das rela\u00e7\u00f5es internacionais. De que forma isso evidencia uma esp\u00e9cie de degrada\u00e7\u00e3o \u00e9tica e ambiental?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; A <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/544654-revelar-origem-da-divida-grega-provocaria-revolucao-financeira-mundial\" target=\"_blank\"><strong>d\u00edvida p\u00fablica da Gr\u00e9cia<\/strong><\/a> \u00e9 um pretexto, encontrado pelas autoridades europeias, para provocar a sa\u00edda da <strong>Gr\u00e9cia<\/strong> da zona do euro. <strong>Martin Schulz<\/strong> <strong>[5<\/strong><strong>]<\/strong> afirmou isto explicitamente, e <strong>Wolfgang Sch\u00e4uble [6]<\/strong> tamb\u00e9m: a inten\u00e7\u00e3o do governo alem\u00e3o e do eurogrupo n\u00e3o \u00e9 ajudar a Gr\u00e9cia a se salvar. \u00c9 excluir a Gr\u00e9cia a qualquer pre\u00e7o ou derrubar o governo<strong> Tsipras<\/strong>. No segundo caso, isso levaria a Gr\u00e9cia a seguir a trajet\u00f3ria da <strong>It\u00e1lia<\/strong>, depois da substitui\u00e7\u00e3o de <strong>Berlusconi [7]<\/strong> por<strong> Monti [8]<\/strong> (um t\u00e9cnico neocl\u00e1ssico sem nenhuma legitimidade democr\u00e1tica, que foi afastado da vida pol\u00edtica italiana assim que os italianos puderam votar!).<\/p>\n<p>O equivalente grego de <strong>Monti<\/strong> instauraria maior austeridade or\u00e7ament\u00e1ria, continuaria reduzindo os sal\u00e1rios e rebaixaria a Gr\u00e9cia, no plano econ\u00f4mico, ao n\u00edvel de um povoado chin\u00eas rural. Dessa maneira, os industriais alem\u00e3es poderiam investir na <strong>Gr\u00e9cia<\/strong>, colocando os gregos a trabalhar com n\u00edveis salariais chineses.<\/p>\n<p>A <strong>prosperidade industrial alem\u00e3<\/strong> tem se baseado, nos \u00faltimos vinte anos, em suas \u201ccol\u00f4nias do interior\u201d, isto \u00e9, pagando sal\u00e1rios de mis\u00e9ria para aqueles que trabalham arduamente no lugar dos alem\u00e3es. Mas o governo de <strong>Angela Merkel [9]<\/strong>, sem d\u00favida, entendeu que essa estrat\u00e9gia, aplicada com \u00eaxito no leste europeu, n\u00e3o funcionar\u00e1 com a <strong>Gr\u00e9cia<\/strong>. O comunismo n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 Igreja ortodoxa: ao contr\u00e1rio dos antigos pa\u00edses do bloco sovi\u00e9tico, a Gr\u00e9cia n\u00e3o disp\u00f5e de uma administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica suficientemente forte para impor um regime econ\u00f4mico de ferro a assalariados subpagos.<\/p>\n<p>Portanto, o governo alem\u00e3o tomou a primeira op\u00e7\u00e3o, a do<strong> Grexit [10]<\/strong>. Ali\u00e1s, nem todos os alem\u00e3es concordam com essa estrat\u00e9gia. \u00c9 o caso, notadamente, de <strong>Sven Giegold [11]<\/strong>. Por que o <strong>governo Merkel-Sch\u00e4uble-Schulz<\/strong> fez essa op\u00e7\u00e3o? Por temor de que as regras da zona do euro sejam questionadas.<\/p>\n<p>De fato, a zona do euro \u00e9 uma zona sem projeto pol\u00edtico, que funciona somente por regras, as quais, por sua vez, foram inspiradas em uma economia neocl\u00e1ssica (que, como vimos, \u00e9 mentirosa). Essa zona est\u00e1 constru\u00edda com base na ideia (falsa) de que o equil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio \u00e9 desej\u00e1vel a priori, de que as d\u00edvidas privadas n\u00e3o t\u00eam nenhuma import\u00e2ncia e de que, quando as finan\u00e7as p\u00fablicas de um pa\u00eds se descontrolam, conv\u00e9m adotar a austeridade a qualquer pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Nem todas essas receitas funcionam, como temos visto fartamente nos \u00faltimos cinco anos pelo menos. \u00c9 por temer uma contesta\u00e7\u00e3o dessas regras (que n\u00e3o t\u00eam nenhum fundamento s\u00e9rio) que o governo alem\u00e3o quer provocar a sa\u00edda da Gr\u00e9cia, para fazer dela um exemplo capaz de insuflar medo nos outros pa\u00edses: <strong>Portugal<\/strong>, <strong>Espanha<\/strong>, <strong>It\u00e1lia<\/strong> e, sobretudo, <strong>Fran\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;A<strong> economia neocl\u00e1ssica fracassou completamente em seu programa epistemol\u00f3gico que consiste em excluir a justi\u00e7a social do campo da economia<\/strong>&#8220;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O <strong>Papa Francisco<\/strong> j\u00e1 denunciou o absurdo dos credores europeus que exigem o pagamento de uma d\u00edvida que os gregos nunca conseguir\u00e3o pagar. Em sua <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/544553-laudato-si-a-perspectiva-sistemica-que-atualiza-o-debate-ambiental-entrevista-especial-com-moema-miranda\" target=\"_blank\">Enc\u00edclica<\/a>, ele denuncia a \u201c<strong>d\u00edvida ecol\u00f3gica<\/strong>\u201d, ou seja, o fato de que, extraindo hoje da natureza mais do que ela \u00e9 capaz de nos dar sem p\u00f4r em perigo sua pr\u00f3pria renova\u00e7\u00e3o, acumulamos uma d\u00edvida muito maior do que os bilh\u00f5es que a d\u00edvida da Gr\u00e9cia representa. Se avaliarmos, por exemplo, as degrada\u00e7\u00f5es que infligimos ao planeta pela nossa <strong>pegada ecol\u00f3gica<\/strong>, esta \u00e9, hoje, equivalente a cerca de um planeta e meio. Em outras palavras, os ricos (pois s\u00e3o eles que, em sua maioria, degradam o planeta, como j\u00e1 disse acima) vivem como se tivessem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o planeta e meio. A quem eles devem essa d\u00edvida ecol\u00f3gica? A toda a humanidade que vive hoje no planeta e que j\u00e1 sofre com o <strong>desajuste clim\u00e1tico<\/strong> (como, por exemplo, os habitantes das ilhas do Pac\u00edfico, principalmente em <strong>Vanuatu<\/strong>, que em breve ser\u00e1 engolida pela subida do n\u00edvel das \u00e1guas), bem como \u00e0 humanidade que habitar\u00e1 esse planeta nos pr\u00f3ximos anos e que sofrer\u00e1 ainda mais com o desajuste clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>O pagamento dessa d\u00edvida \u00e9 uma quest\u00e3o elementar de justi\u00e7a. O <strong>Papa<\/strong> n\u00e3o est\u00e1 fazendo nada mais que lembrar a justi\u00e7a. E a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, desde sempre, fez da justi\u00e7a a marca distintiva da santidade, da amizade com Deus. Em outras palavras, aos olhos de <strong>Francisco<\/strong>, a recusa pelos mais ricos de pagar sua d\u00edvida ecol\u00f3gica \u00e9 um imenso pecado. Talvez o pecado mais grave hoje.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que tipo de \u201cprogresso\u201d Bergoglio prop\u00f5e quando sustenta que devemos redefinir tal conceito?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; \u00c9 preciso entender que o progresso humano n\u00e3o pode ser medido pela t\u00e9cnica, tampouco pelo lucro. Mede-se, sobretudo, pela qualidade das <strong>rela\u00e7\u00f5es sociais<\/strong> que tecemos entre n\u00f3s. Assim, a Enc\u00edclica insiste muito na vertente relacional da antropologia. <strong>O ser humano \u00e9, antes de tudo, rela\u00e7\u00e3o<\/strong>. Com Deus, com outrem, com a natureza. E quando danifica uma dessas tr\u00eas rela\u00e7\u00f5es, ele danifica automaticamente as duas outras. O progresso \u00e9 a cura do que est\u00e1 ferido nessas rela\u00e7\u00f5es, \u00e9 a regenera\u00e7\u00e3o de uma maneira santa de nos relacionarmos uns com os outros, com Deus e com a natureza. Desenvolvi, juntamente com <strong>C\u00e9cile Renouard [12]<\/strong>, um \u00edndice que batizamos de <strong>Relational Capability<\/strong> <strong>Index<\/strong>, que mede a qualidade do tecido social. \u00c9 uma maneira de medir o progresso.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que forma a ideia da \u201cm\u00e3o invis\u00edvel do mercado\u201d e, consequentemente, a racionalidade moderna fracassaram no projeto de desenvolvimento humano? De que forma esta matriz de pensamento nos levou ao paradigma tecnocr\u00e1tico contempor\u00e2neo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; Como eu disse, o mercado \u00e9 muito ineficiente. A<strong> pobreza<\/strong> est\u00e1 longe de ter desaparecido no mundo. Em realidade, as estat\u00edsticas que mostram que a propor\u00e7\u00e3o do n\u00famero de pobres diminuiu se esquecem de explicar que isso se deve essencialmente \u00e0 pol\u00edtica voluntarista da <strong>China<\/strong>. E isso nada tem a ver com o <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/21119-e-o-fim-do-consenso-de-washington-afirma-primeiro-ministro-ingles\" target=\"_blank\">Consenso de Washington<\/a> [13]<\/strong> ou o livre-com\u00e9rcio, uma vez que a China \u00e9 um dos raros pa\u00edses do planeta que n\u00e3o adotaram a economia neocl\u00e1ssica como paradigma.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;De fato, os financistas t\u00eam a maior fatia de responsabilidade no desastre atual&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais sa\u00eddas a Enc\u00edclica aponta? De que forma o texto aborda as complexidades de nosso tempo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; A Enc\u00edclica diz muito claramente que a <strong>finan\u00e7a<\/strong> \u00e9 o principal obst\u00e1culo ao progresso. De fato, os financistas t\u00eam a maior fatia de responsabilidade no desastre atual. Este foi um tema denunciado muitas vezes pelo <strong>Papa<\/strong> <strong>Francisco<\/strong>: muitos financistas s\u00e3o os grandes sacerdotes de uma religi\u00e3o pag\u00e3 que erigiu o dinheiro em bezerro de ouro.<\/p>\n<p>Portanto, primeiro ponto muito concreto: a Enc\u00edclica recomenda neutralizar o poder dos banqueiros. J\u00e1 era o que dizia o <strong>Papa Pio XI<\/strong>,<strong> [14]<\/strong> em 1931, em sua enc\u00edclica <strong><em>Quadragesimo Anno<\/em> [15]<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo ponto: a Enc\u00edclica evoca tamb\u00e9m muito claramente a necessidade de os pa\u00edses do Norte aceitarem \u201ccerto decrescimento\u201d. \u00c9 preciso romper com o produtivismo, a loucura da concorr\u00eancia de todos contra todos, do <strong>crescimento do PIB<\/strong> <strong>a qualquer custo<\/strong>.<\/p>\n<p>Em seguida, em seu <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/544477-qesta-economia-mataq-afirma-papa-francisco\"><strong>grande discurso de Santa Cruz de la Sierra<\/strong><\/a>, <strong>Francisco<\/strong> diz, de forma ainda mais clara do que na Enc\u00edclica, que a \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/543733-sete-chaves-para-uma-enciclica-urgente\" target=\"_blank\">chave<\/a>\u201d s\u00e3o os<strong> pobres<\/strong>. S\u00e3o eles que inventar\u00e3o formas humanas e dignas de vida. A economia solid\u00e1ria, a partilha, as cooperativas, a economia circular s\u00e3o exemplos dessas inven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Bergoglio diz na Enc\u00edclica: \u201c\u00c0s vezes, para que haja uma liberdade econ\u00f4mica da qual todos realmente se beneficiem, pode ser necess\u00e1rio p\u00f4r limites \u00e0queles que det\u00eam maiores recursos e poder financeiro\u201d (LS 129). \u00c9 poss\u00edvel fazer uma rela\u00e7\u00e3o desta perspectiva com propostas que defendem a taxa\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes fortunas? Como?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; \u00c9 claro. Aumentar o <strong>imposto sobre a fortuna<\/strong> \u00e9 uma maneira entre muitas outras de estabelecer limites para aqueles que disp\u00f5em de mais meios de destruir o planeta e, portanto, de ferir a Deus e aos homens. Mas existem muitas outras maneiras. O problema do imposto \u00e9 que ele sempre interv\u00e9m tarde demais. Ele sup\u00f5e que a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as j\u00e1 esteja estabelecida, para tentar corrigir desigualdades <em>ex post<\/em>. Ent\u00e3o, ele n\u00e3o contesta radicalmente o modo de produ\u00e7\u00e3o e as desigualdades que o acompanham. \u00c9 isso que meu colega <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530907-o-capital-de-thomas-piketty-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-surpreendente-best-seller\" target=\"_blank\">Piketty<\/a> [16]<\/strong> n\u00e3o entende. Ao propor um imposto sobre o capital, <strong>Piketty<\/strong> quer apenas manter o sistema. O <strong>Papa Francisco,<\/strong> ao contr\u00e1rio, pede que se implemente \u201c<strong>outro sistema<\/strong>\u201d. Como fazer isso? Em meu livro<strong><em> Vingt propositions pour r\u00e9former le capitalisme<\/em> <\/strong>(Paris: Ed. Flammarion, 2009), apresento v\u00e1rias propostas nesse sentido. O mais urgente e importante \u00e9 reformar a finan\u00e7a. Cindir os bancos entre bancos de dep\u00f3sitos e bancos de mercado, principalmente.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que maneira a Enc\u00edclica coloca em pauta outro tipo de racionalidade e como isso pode impactar e tensionar a compreens\u00e3o hegem\u00f4nica da economia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; A racionalidade que a<strong> Enc\u00edclica prop\u00f5e<\/strong> \u00e9 aquela do amor, da ternura. A que a economia neocl\u00e1ssica promove \u00e9 uma racionalidade mort\u00edfera, de uma humanidade que n\u00e3o cr\u00ea mais em seu futuro e cujas elites tentam se apropriar do m\u00e1ximo de riquezas poss\u00edveis para salvar sua pele quando o <em>Titanic<\/em> afundar.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O senhor deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ga\u00ebl Giraud<\/strong> &#8211; Leiam a Enc\u00edclica! \u00c9 provavelmente o texto magisterial mais importante que a Igreja cat\u00f3lica escreveu desde o<strong> Conc\u00edlio Vaticano II [17]<\/strong>.<\/p>\n<p><em>Por Ricardo Machado | Tradu\u00e7\u00e3o Vanise Dresch<\/em><\/p>\n<p>Fonte: IHU On-Line<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da d\u00edvida ecol\u00f3gica ao d\u00e9bito do sistema financeiro com os pobres. &#8220;A racionalidade que a\u00a0Enc\u00edclica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Da d\u00edvida ecol\u00f3gica ao d\u00e9bito do sistema financeiro com os pobres. &#8220;A racionalidade que a\u00a0Enc\u00edclica","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25631"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25631"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25631\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25631"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25631"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25631"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}