{"id":25584,"date":"2015-07-31T22:11:26","date_gmt":"2015-08-01T01:11:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25584"},"modified":"2015-07-31T22:11:26","modified_gmt":"2015-08-01T01:11:26","slug":"os-muitos-lixos-na-nossa-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-muitos-lixos-na-nossa-vida\/","title":{"rendered":"Os muitos lixos na nossa vida"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lixocapa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-198309\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lixocapa.jpg\" alt=\"Engenheiro ambiental mede a polui\u00e7\u00e3o em aterro sanit\u00e1rio municipal. Foto: Shutterstock\" width=\"639\" height=\"427\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Washington Novaes*<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 muito bem-vinda a not\u00edcia (28\/7) de que o Brasil acaba de adotar um projeto comum com o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em ingl\u00eas) e o Global Environment Facility (GEF) para pesquisar o ciclo do merc\u00fario e a capacita\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds em gerenciar os riscos desse tipo de subst\u00e2ncia met\u00e1lica. Pode ser um passo muito importante para o controle\/elimina\u00e7\u00e3o desse tipo de lixo t\u00f3xico no Pa\u00eds \u2013 e talvez abra caminho para outros res\u00edduos t\u00f3xicos. Tamb\u00e9m pode facilitar a homologa\u00e7\u00e3o, pelo Pa\u00eds, da Conven\u00e7\u00e3o de Minamata, que o Brasil assinou (ela s\u00f3 foi homologada por 13 pa\u00edses dos 50 necess\u00e1rios para entrar em vigor). O tratado fixou normas para essa \u00e1rea e estabeleceu que at\u00e9 2020 o merc\u00fario deve ser eliminado de pilhas, baterias, l\u00e2mpadas, cosm\u00e9ticos, pesticidas e outros materiais, tendo em vista os riscos que implica para a sa\u00fade humana (danos \u00e0 tireoide e \u00e0 fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica, tremores, irritabilidade, perda de mem\u00f3ria, problemas cardiovasculares e na vis\u00e3o). Os riscos podem estar no consumo de pescado, em am\u00e1lgamas dentais, na exposi\u00e7\u00e3o no trabalho, em muitas formas. Envenenamento agudo pode levar \u00e0 morte em uma semana.<\/p>\n<p>O Brasil, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Qu\u00edmica, \u00e9 a s\u00e9tima maior economia no setor qu\u00edmico. Mas tem dificuldade em implantar estrat\u00e9gias para controle e redu\u00e7\u00e3o do merc\u00fario, por falta de dados. Tamb\u00e9m tem pouca experi\u00eancia na coleta e no armazenamento separado de merc\u00fario e de seus res\u00edduos, como o encontrado em l\u00e2mpadas (das quais o Pa\u00eds consome 300 milh\u00f5es por ano \u2013 s\u00f3 16 milh\u00f5es s\u00e3o recicladas e t\u00eam destina\u00e7\u00e3o correta). O custo do projeto agora acordado ser\u00e1 de US$ 2,5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O merc\u00fario \u00e9 apenas um dos v\u00e1rios t\u00f3xicos perigosos. Ainda h\u00e1 pouco tempo divulgou-se que uma pesquisa da engenheira ambiental Bruna Fernanda Faria (Unicamp, julho) encontrou, num aterro sanit\u00e1rio para onde vai todo o lixo de Campinas (SP), alta concentra\u00e7\u00e3o de metais pesados, inclusive em \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas \u2013 chumbo, cromo, n\u00edquel, zinco e cobre. Em dois outros aterros desativados h\u00e1 mais de 20 anos tamb\u00e9m se registrou a presen\u00e7a de metais t\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Em Paracatu (MG), relat\u00f3rio aponta (El Pa\u00eds, 26\/5) concentra\u00e7\u00f5es de ars\u00eanio at\u00e9 200 vezes mais altas que as permitidas. O ars\u00eanio \u00e9 liberado na atmosfera pela explos\u00e3o de rochas para retirar ouro da maior mina a c\u00e9u aberto no mundo (US$ 3,4 bilh\u00f5es\/ano), operada por uma empresa canadense (25% da produ\u00e7\u00e3o nacional do min\u00e9rio). E contamina a \u00e1gua e o solo. Em um c\u00f3rrego foi encontrada concentra\u00e7\u00e3o de ars\u00eanio 252 vezes mais alta que a admitida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).<\/p>\n<p>No final do ano passado, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, assinou com entidades do setor de l\u00e2mpadas fluorescentes, de vapor de s\u00f3dio e merc\u00fario e de luz mista um acordo setorial que estabeleceu a log\u00edstica reversa desses produtos, prevista na lei da Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, de 2010. Fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes desse tipo de produto que possa prejudicar o meio ambiente ou a sa\u00fade humana devem criar um sistema de recolhimento e destina\u00e7\u00e3o final, independentemente dos sistemas p\u00fablicos de limpeza urbana. Ele garante o retorno dos res\u00edduos \u00e0 ind\u00fastria, para reaproveitamento.<\/p>\n<p>Outro tipo de res\u00edduo muito problem\u00e1tico \u00e9 o eletroeletr\u00f4nico, que pode envenenar pessoas e gerar doen\u00e7as cr\u00f4nicas. \u00c9 bastante prov\u00e1vel que, a partir do ano que vem, cres\u00e7a bastante o volume de lixo eletr\u00f4nico no Brasil, porque come\u00e7a a ser desligado o sinal anal\u00f3gico para a televis\u00e3o aberta. Os donos de casas podem implantar antenas adequadas para o novo sistema. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que boa parte prefira comprar novos aparelhos e descartar os antigos.<\/p>\n<p>H\u00e1 pa\u00edses que resolvem por outros caminhos \u2013 muito contestados \u2013 os problemas nesta \u00e1rea. Os Estados Unidos, por exemplo, at\u00e9 recentemente exportavam 80% dos seus res\u00edduos eletr\u00f4nicos, principalmente para pa\u00edses mais pobres da \u00c1frica, onde eram parcialmente recolhidos pela popula\u00e7\u00e3o mais pobre e reaproveitados \u2013 uma pr\u00e1tica chamada de \u201ccolonialismo da mis\u00e9ria\u201d. A Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) tamb\u00e9m exportou da Europa (O Estado de S. Paulo, 24\/7) enormes quantidades.<\/p>\n<p>No Brasil, \u00e9 dif\u00edcil de ser otimista nesta \u00e1rea, tendo em vista o desolador panorama mostrado h\u00e1 poucas semanas na \u00e1rea do lixo por este jornal, com base em n\u00fameros de 2014. Praticamente nada mudou, por exemplo, na quest\u00e3o dos lix\u00f5es, para onde continuavam a ir 41,6% dos res\u00edduos nacionais (eram 42,4% em 2013) \u2013 apesar dos muitos pronunciamentos do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Ouvidos moucos, o Senado Federal aprovou no in\u00edcio de julho projeto que prorroga at\u00e9 2018 o prazo para elimina\u00e7\u00e3o dos lix\u00f5es, que uma lei de 2010 previa para 2014.<\/p>\n<p>Agora, se a C\u00e2mara tamb\u00e9m aprovar, as capitais e munic\u00edpios de regi\u00f5es metropolitanas ter\u00e3o prazo at\u00e9 31 de julho de 2018; munic\u00edpios de fronteira e com mais de 100 mil pessoas ter\u00e3o um ano al\u00e9m desse limite; e os de 50 mil a 100 mil habitantes, at\u00e9 julho de 2020. Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Munic\u00edpios, at\u00e9 2014 s\u00f3 9% os eliminaram. Mais de metade das cidades consultadas nem sequer tinha planos para a elimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Limpeza e Res\u00edduos Especiais (Abrelpe), ser\u00e3o necess\u00e1rios R$ 11,6 bilh\u00f5es at\u00e9 2031 s\u00f3 para implantar a infraestrutura indispens\u00e1vel para a destina\u00e7\u00e3o final adequada de res\u00edduos; e R$ 15,59 bilh\u00f5es anuais para controle de aterros, coleta seletiva, reciclagem e aproveitamento para biog\u00e1s. A quem se espantar, a associa\u00e7\u00e3o lembra que ser\u00e3o apenas R$ 6,50 por pessoa a cada m\u00eas para ter os recursos.<\/p>\n<p>No mundo, dizem a ONU e o Banco Mundial, a gera\u00e7\u00e3o de lixo urbano em tr\u00eas d\u00e9cadas cresceu tr\u00eas vezes mais que a popula\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 em 1,4 bilh\u00e3o de toneladas\/ano e chegar\u00e1, em dez anos, a 2,2 bilh\u00f5es de toneladas\/ano. Perto de 250 kg anuais por habitante. N\u00e3o consola saber. <em>(O Estado de S. Paulo\/ #Envolverde)<\/em><\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista (wlrnovaes@uol.com.br)<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: Envolverde &#8211; O Estado de S. Paulo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* \u00c9 muito bem-vinda a not\u00edcia (28\/7) de que o Brasil acaba de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes* \u00c9 muito bem-vinda a not\u00edcia (28\/7) de que o Brasil acaba de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25584"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25584"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25584\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}