{"id":25552,"date":"2015-07-31T16:00:00","date_gmt":"2015-07-31T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25552"},"modified":"2015-07-30T23:58:17","modified_gmt":"2015-07-30T23:58:17","slug":"gambas-ao-contrario-do-que-se-pensava-podem-viver-em-grupos-diz-estudo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/gambas-ao-contrario-do-que-se-pensava-podem-viver-em-grupos-diz-estudo-brasileiro\/","title":{"rendered":"Gamb\u00e1s, ao contr\u00e1rio do que se pensava, podem viver em grupos, diz estudo brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/gambar.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-25556\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/gambar-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/gambar-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/gambar.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pensou em gamb\u00e1s, pensou em&#8230; fedor. O mau cheiro emitido em situa\u00e7\u00f5es de amea\u00e7a \u00e9 talvez a peculiaridade mais marcante desses animais. Mas, entre especialistas, outra caracter\u00edstica muito relevante dos gamb\u00e1s \u00e9 andarem por a\u00ed solit\u00e1rios, raz\u00e3o pela qual ganharam fama de antissociais. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, no entanto, vai contra essa ideia: ele mostra que gamb\u00e1s podem viver em grupo.<\/p>\n<p>H\u00e1 oito anos, os especialistas acompanham marsupiais da fam\u00edlia Didelphidae \u2013 que inclui mais de 100 esp\u00e9cies de gamb\u00e1s e cu\u00edcas \u2013 em uma pesquisa de campo realizada em Guapimirim, no Rio de Janeiro. Eles montaram 312 ninhos artificiais para atrair os animais em um ambiente pr\u00f3ximo ao natural. \u201cDiferentemente de estudos feitos com armadilhas que cont\u00eam comida, nosso \u00fanico atrativo para os gamb\u00e1s era um lugar para ficar\u201d, conta o bi\u00f3logo Diego Ast\u00faa, pesquisador da UFPE e um dos autores do estudo publicado na revista <span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/rsbl.royalsocietypublishing.org\/content\/11\/6\/20150307\" target=\"_blank\"><em>Biology Letters<\/em><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>A ideia era atrair as seis esp\u00e9cies de Didelphidae que habitam a regi\u00e3o e avaliar se os animais dividiriam os ninhos artificiais. Ent\u00e3o, a cada gamb\u00e1 que aparecia, os pesquisadores atribu\u00edam n\u00fameros e aguardavam sua escolha de lugar para ficar. A observa\u00e7\u00e3o mostrou que alguns irm\u00e3os da mesma ninhada deitavam juntos para descansar, al\u00e9m de f\u00eameas com filhotes j\u00e1 desmamados e at\u00e9 mesmo indiv\u00edduos de fam\u00edlias diferentes.<\/p>\n<p>No total, o compartilhamento de ninhos foi observado em dez ocasi\u00f5es. Apesar do n\u00famero pequeno, foi considerado muito relevante, pois os Didelphidae s\u00e3o conhecidos por n\u00e3o interagirem entre si. \u201c\u00c0s vezes, mal se toleram: brigam por espa\u00e7o, n\u00e3o se d\u00e3o bem e at\u00e9 se machucam\u201d, explica o bi\u00f3logo. \u201cEste estudo foi curioso porque mostrou intera\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas anteriores \u00e0 esta\u00e7\u00e3o reprodutiva, que n\u00e3o envolviam, portanto, prote\u00e7\u00e3o de filhotes\u201d.<\/p>\n<p>Surpresa na hora da faxina<\/p>\n<p>Al\u00e9m da observa\u00e7\u00e3o de campo no Rio de Janeiro, o estudo incluiu outra, realizada quase por acaso, no <em>campus<\/em> da UFPE, em Recife. Durante a limpeza de uma caixa de luz no quintal do laborat\u00f3rio, funcion\u00e1rios se depararam com gamb\u00e1s e notificaram os pesquisadores.<\/p>\n<dl class=\"image-right captioned image-inline\">\n<dt><a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/07\/imagens\/Osfedidostambmamam02.JPG\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" title=\"Gamb\u00e1-de-orelha-branca\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/07\/imagens\/Osfedidostambmamam02.JPG\/image_mini\" alt=\"Gamb\u00e1-de-orelha-branca\" width=\"132\" height=\"200\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">A esp\u00e9cie encontrada na caixa de luz foi o simp\u00e1tico gamb\u00e1-de-orelha-branca (&#8216;Didelphis albiventris&#8217;). (foto: Rafael de Albuquerque Carvalho)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>\u201cEra um grupo grande, com 13 indiv\u00edduos, sendo tr\u00eas adultos e os demais, filhotes de duas idades diferentes \u2013 ou seja, de pelo menos duas ninhadas \u2013, convivendo sem hostilidade. Ficamos bem animados, foi um relato \u00fanico\u201d, relembra Ast\u00faa. Segundo o pesquisador, \u00e9 a primeira vez que se descreve na literatura um ninho com tantos indiv\u00edduos. Geralmente, constam dos relatos grupos menores ou apenas de m\u00e3es com seus filhotes.<\/p>\n<p>Agora, os cientistas trabalham para desvendar o porqu\u00ea dessas intera\u00e7\u00f5es. \u201cQueremos saber se eles estariam cooperando por algum motivo, como trabalhar para construir um ninho\u201d, formula Ast\u00faa. Os autores do artigo recomendam que estudos de campo com gamb\u00e1s sejam realizados, sempre que poss\u00edvel, com ninhos artificiais grandes, que permitam abrigar v\u00e1rios indiv\u00edduos. Desta forma, ser\u00e1 poss\u00edvel avaliar se a conviv\u00eancia em grupo \u00e9 comum ou se a observa\u00e7\u00e3o feita por eles foi uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em todo caso, talvez j\u00e1 possamos atribuir um pouco de simpatia a esses animais com fama de fedidos e mal-encarados!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensou em gamb\u00e1s, pensou em&#8230; fedor. 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