{"id":25478,"date":"2015-07-30T13:00:06","date_gmt":"2015-07-30T13:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25478"},"modified":"2015-07-29T23:06:50","modified_gmt":"2015-07-29T23:06:50","slug":"populacao-mundial-pobre-nao-esta-consciente-sobre-os-efeitos-das-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/populacao-mundial-pobre-nao-esta-consciente-sobre-os-efeitos-das-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o mundial pobre n\u00e3o est\u00e1 consciente sobre os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-25479\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma pesquisa publicada segunda-feira (27) na revista <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/nclimate\/index.html\" target=\"_blank\">\u201cNature Climate Change\u201d<\/a>, sobre a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mundial a respeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ratifica a tremenda desigualdade social, o maior desafio do s\u00e9culo XXI. Noventa por cento das pessoas que moram na Europa, no Jap\u00e3o e na Am\u00e9rica do Norte est\u00e3o conscientes do problema, ao passo que muito poucas dos pa\u00edses pobres disseram saber das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, embora sintam bem pr\u00f3ximo os novos padr\u00f5es do clima local. A entrevista foi feita pela equipe do Gallup World Poll em 2007\/2008 e consolidada pela <a href=\"http:\/\/news.yale.edu\/2015\/07\/27\/study-reveals-what-world-thinks-climate-change\" target=\"_blank\">Yale<\/a>.<\/p>\n<p>Anthony Leiserowitz, co-autor da pesquisa, constatou que nada menos do que 40% dos adultos entrevistados nos 119 pa\u00edses nunca ouviram falar sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cEste percentual sobe para mais de 65% se fizermos o recorte apenas entre os pa\u00edses n\u00e3o desenvolvidos\u201d, disse ele para o site. Como era de se prever, o n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o interfere diretamente no conhecimento do problema, mas a pesquisa aprofundou um pouco mais sobre essa quest\u00e3o e descobriu que nos Estados Unidos contam tamb\u00e9m o engajamento c\u00edvico e o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Na China, as pessoas mais interessadas no tema s\u00e3o aquelas que t\u00eam mais escolaridade, moram em regi\u00f5es urbanas e de maior renda familiar.<\/p>\n<p>Outro ponto que a pesquisa mostra\u00a0 &#8211; e que n\u00e3o \u00e9 surpresa &#8211; \u00e9 que as pessoas que est\u00e3o conscientes da mudan\u00e7a clim\u00e1tica percebem essa quest\u00e3o como uma amea\u00e7a grave para si e para toda a fam\u00edlia. Mas, isso nos pa\u00edses pobres, muito mais do que nos pa\u00edses desenvolvidos, para quem o risco, de fato, \u00e9 menor. O fato de as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas serem causadas pelo homem est\u00e1 presente para a maioria dos que est\u00e3o conscientes do problema. Mas na China o que chama mais a aten\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e9 a m\u00e1 qualidade do ar, enquanto nos Estados Unidos o que causa essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo a mudan\u00e7a do clima no dia a dia.<\/p>\n<p>Leiserowitz conclui que os resultados dessa pesquisa podem ajudar bastante os governos a entenderem o que \u00e9 preciso fazer para que as pessoas se conscientizem do problema. E, \u00e9 claro, constata que mais educa\u00e7\u00e3o e\u00a0 informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o imprescind\u00edveis.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como discordar disso, embora com alguma frequ\u00eancia eu ande me perguntando se, de fato,\u00a0 os governos de todos os pa\u00edses querem que essa consci\u00eancia se alastre. Como tamb\u00e9m constato que justamente os moradores dos pa\u00edses pobres, aqueles que j\u00e1 est\u00e3o sendo mais afetados com a falta de recursos para consertar os estragos causados pelos desastres ambientais, s\u00e3o os que menos conhecem o tema.<\/p>\n<p>N\u00e3o custa lembrar que foi em 23 de junho de 1988* que o aquecimento global e, consequentemente, as mudan\u00e7as do clima que viriam da\u00ed, tornou-se tema integrante dos discursos de alguns pol\u00edticos nos Estados Unidos. Naquele dia, o ent\u00e3o presidente do Instituto de Estudos Espaciais da Nasa, James Hansen, fez um discurso para os legisladores do Congresso norte-americano onde afirmava que havia quase 99% de certeza de que as altas temperaturas que estavam pegando todo mundo de surpresa naquele ano tinham como origem as atividades humanas. Para o \u201cThe New York Times\u201d, Hansen declarou que j\u00e1 era tempo de encarar a ci\u00eancia, sob esse aspecto, mais seriamente. No mesmo ano, no Canad\u00e1, a quest\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono foi discutida pela primeira vez na Confer\u00eancia Mundial sobre Mudan\u00e7as Atmosf\u00e9ricas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de se surpreender, portanto, que um pa\u00eds rico, que tem mais facilidade de oferecer servi\u00e7os de qualidade a seu povo, tenha mais pessoas conscientes do problema do que o resto do mundo.<\/p>\n<p>Um fato inquietante, por\u00e9m, \u00e9 que mesmo quem se esfor\u00e7a para estar o tempo todo antenado com a evolu\u00e7\u00e3o das descobertas sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, vira e mexe se surpreende com um fato novo. Elizabeth Kolbert, jornalista e escritora norte-americana que escreve assiduamente na <a href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/news\/daily-comment\/a-new-climate-change-danger-zone\" target=\"_blank\">\u201cThe New Yorker\u201d <\/a>acaba de noticiar em sua coluna que a meta de aquecimento de 2 graus cent\u00edgrados at\u00e9 o fim do s\u00e9culo estabelecida pelos l\u00edderes no acordo da Confer\u00eancia de Copenhague (COP-15) \u201cn\u00e3o fornece seguran\u00e7a e o aumento do n\u00edvel do mar pode come\u00e7ar muito mais cedo do que se sup\u00f5e\u201d.<\/p>\n<p>Quem d\u00e1 esta not\u00edcia \u00e0 jornalista \u00e9, nada mais nada menos, do que o pr\u00f3prio James Hansen, que hoje lidera uma equipe de cientistas da revista <a href=\"http:\/\/www.atmospheric-chemistry-and-physics.net\/\" target=\"_blank\">\u201cAtmospheric Chemistry and Physics\u201d<\/a> (ACP) . Ele e seus colegas alertam para o fato de que um aumento de 2 graus j\u00e1 \u00e9 o suficiente para derreter grandes por\u00e7\u00f5es da Ant\u00e1rtida o que, por sua vez, pode resultar em v\u00e1rios metros a mais no n\u00edvel do mar. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que as na\u00e7\u00f5es-ilha do Pac\u00edfico se irritaram tanto com o Acordo de Copenhague ao fim da COP-15. Afinal, o resultado direto do aumento do n\u00edvel do mar \u00e9 a saliniza\u00e7\u00e3o de suas terras e, posteriormente, at\u00e9 mesmo o fim delas.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 importante nesse documento divulgado pela ACP \u00e9 perceber que os cientistas est\u00e3o longe de se entender a respeito dos perigos que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem trazer. E isso tem implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas importantes, embora pare\u00e7a pouco prov\u00e1vel que os pol\u00edticos v\u00e3o entend\u00ea-las\u201d, diz Kolbert.<\/p>\n<p>Mas, no fim das contas, o pr\u00f3prio documento assinado por Hansen est\u00e1 sendo contestado por outros cientistas que consideram que muitos dos cen\u00e1rios apontados pela equipe n\u00e3o s\u00e3o realistas. Seja como for, Kolbert ouviu um n\u00famero de \u201cproeminentes climatologistas\u201d\u00a0 &#8211; que n\u00e3o est\u00e3o identificados em seu texto &#8211; que afirmam que mesmo um aumento de 2 graus na temperatura global pode causar secas e tempestades \u201cque desafiariam a sociedade civilizada, levando potencialmente para o conflito e migra\u00e7\u00f5es em massa\u201d.<\/p>\n<p>Ora, como j\u00e1 foi bastante anunciado \u00e0 \u00e9poca, um grupo de pesquisadores da Universidade da Calif\u00f3rnia afirmou que\u00a0 um dos motivos para a Guerra Civil na S\u00edria em 2011 foi uma seca que o pa\u00eds enfrentou entre 2007 e 2010. A falta de condi\u00e7\u00f5es para o plantio inviabilizou a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em v\u00e1rias regi\u00f5es e obrigou mais de 1 milh\u00e3o de pessoas a migrarem do campo para as cidades. Junte-se a isso a m\u00e1 gest\u00e3o governamental para enfrentar esse problema e temos a rebeli\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou seja, conflitos e migra\u00e7\u00f5es por conta das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 est\u00e3o acontecendo hoje. Na pesquisa feita pela Yale certamente a Siria n\u00e3o est\u00e1 entre os pa\u00edses desenvolvidos (o IDH do pa\u00eds \u00e9 m\u00e9dio, segundo o relat\u00f3rio do PNUD de 2013), o que nos faz acreditar que as pessoas que j\u00e1 sofreram na pele um dos muitos dramas causados pelo aquecimento n\u00e3o sabem que isso existe. E, talvez, n\u00e3o tenham mesmo tempo e cabe\u00e7a para lidar com tal problema. Isso n\u00e3o quer dizer que os estudos tenham que parar. A tarefa maior, no entanto, deve ser introduzir a preocupa\u00e7\u00e3o com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica na vida cotidiana das pessoas e oferecer-lhes perspectivas no sentido de adapta\u00e7\u00e3o aos problemas que surgem.<\/p>\n<p><em>*Informa\u00e7\u00e3o retirada do livro \u201cThis Changes Everything\u201d, de Naomi Klein<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa publicada segunda-feira (27) na revista \u201cNature Climate Change\u201d, sobre a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25479,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/mudancas_climaticas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma pesquisa publicada segunda-feira (27) na revista \u201cNature Climate Change\u201d, sobre a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25478"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25478"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25478\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25479"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}