{"id":25374,"date":"2015-07-28T14:00:18","date_gmt":"2015-07-28T14:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25374"},"modified":"2015-07-27T23:29:19","modified_gmt":"2015-07-27T23:29:19","slug":"nova-deteccao-espacial-do-desmatamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nova-deteccao-espacial-do-desmatamento\/","title":{"rendered":"Como vai funcionar a nova detec\u00e7\u00e3o espacial do desmatamento"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-25375\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Sandra Damiani*<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>O uso de duas novas tecnologias deve gerar ganhos significativos na detec\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia ao permitir o monitoramento de \u00e1reas cobertas por nuvens e aquelas desmatadas de menor dimens\u00e3o a partir deste segundo semestre do ano. A primeira inova\u00e7\u00e3o, anunciada nesta semana, \u00e9 o uso de imagens do radar orbital SAR (sigla em ingl\u00eas para Synthetic Aperture Radar) que come\u00e7a a gerar dados para a fiscaliza\u00e7\u00e3o a partir de outubro. O investimento totalizou R$ 80,5 milh\u00f5es, R$ 63,9 milh\u00f5es dos quais fazem parte dos recursos n\u00e3o reembols\u00e1veis do Fundo Amaz\u00f4nia e o restante do or\u00e7amento da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>A segunda ser\u00e1 o aumento da resolu\u00e7\u00e3o do mapeamento do Deter com a ado\u00e7\u00e3o de imagens do sat\u00e9lite indiano, ResourceSat-2 (AWiFS). Em fase de testes, ele \u00e9 capaz de detectar desmatamentos com tamanho m\u00ednimo de 6,25 hectares. Esperado inicialmente para final de 2014, a previs\u00e3o, segundo o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, \u00e9 de que a nova ferramenta seja lan\u00e7ada nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Com os dois investimentos, a pol\u00edtica brasileira de monitoramento e combate ao desmatamento superaria neste ano dois limitadores: a impossibilidade de identifica\u00e7\u00e3o de desmatamentos em \u00e1reas sob nuvens e a baixa resolu\u00e7\u00e3o do Sistema de Detec\u00e7\u00e3o do Desmatamento em Tempo Real (Deter), usado para alertas \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o, quando comparado ao Prodes, respons\u00e1vel pela taxa anual de desmatamento com base em tr\u00eas sat\u00e9lites.<\/p>\n<p><strong>Aprimorando o monitoramento<\/strong><\/p>\n<p>Conforme o diretor do Departamento de Pol\u00edticas para o Combate ao Desmatamento (DPCD) do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Francisco Oliveira Filho, o governo federal deve anunciar ainda neste segundo semestre o aprimoramento do Deter, aumentando sua resolu\u00e7\u00e3o para padr\u00f5es equivalentes ao do radar orbital e ao dos sat\u00e9lites que alimentam o Prodes. Hoje o Deter identifica \u00e1reasdesmatadas a partir de 25 metros, mas com as imagens do sat\u00e9lite indiano e a melhor resolu\u00e7\u00e3o ter\u00e1 capacidade para descobrir desmatamentos pelo menos quatro vezes menores.<\/p>\n<p><strong>Fiscaliza\u00e7\u00e3o antecipada e em \u00e1reas sob cont\u00ednua nebulosidade<\/strong><\/p>\n<p>O uso do radar orbital tr\u00e1s como principal avan\u00e7o o fornecimento de informa\u00e7\u00f5es sobre o desflorestamento durante o per\u00edodo com maior predomin\u00e2ncia de nuvens, entre outubro e mar\u00e7o, e em regi\u00f5es com alta nebulosidade mesmo fora da esta\u00e7\u00e3o chuvosa. Oliveira Filho explica que a oferta desses dados, at\u00e9 ent\u00e3o indispon\u00edveis ou limitados, permitir\u00e1 antecipar e melhor distribuir ao longo do ano as a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o terrestre. \u201cNossa capacidade de observa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia est\u00e1 mais completa. Neste per\u00edodo fic\u00e1vamos com um olhar limitado \u00e0 equipe de intelig\u00eancia no campo, agora temos um novo aliado que s\u00e3o as imagens de radar.\u201d<\/p>\n<p>Sem o radar, a derrubada da floresta no in\u00edcio dos meses chuvosos s\u00f3 seria descoberta ap\u00f3s v\u00e1rios meses quando a condi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica estaria favor\u00e1vel \u00e0 captura de imagens pelo sensor \u00f3tico do sat\u00e9lite MODIS, usado pelo Deter. Dessa forma, a informa\u00e7\u00e3o \u00e1gil que estar\u00e1 acess\u00edvel a partir de outubro, pode ajudar a coibir os desmates antes que alcancem maiores propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O radar tamb\u00e9m tornar\u00e1 vis\u00edvel a retirada de cobertura florestal em regi\u00f5es que est\u00e3o continuamente sob nuvens, independente do per\u00edodo do ano, como \u00e9 o caso de todo o estado do Amap\u00e1 e de partes do extremo norte do Par\u00e1. \u201cVamos passar a monitorar sistematicamente o Amap\u00e1 e outras \u00e1reas com essas caracter\u00edsticas\u201d, adianta o diretor Geral do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia (Censipam), Rog\u00e9rio Guedes.<\/p>\n<p>Para o pesquisador s\u00eanior da ONG Imazon, Beto Ver\u00edssimo, o uso do radar precisa ser comemorado e suas informa\u00e7\u00f5es podem intensificar o combate ao desmatamento . Em sua opini\u00e3o, o Brasil tem chance de cumprir a meta oficial de redu\u00e7\u00e3o do desmatamento em 80% at\u00e9 2020, alcan\u00e7ando a taxa anual de 3.900 quil\u00f4metros quadrados de \u00e1rea desmatada, mas o governo teria condi\u00e7\u00f5es de assumir uma posi\u00e7\u00e3o mais ousada com o objetivo de perseguir o desmatamento zero para 2020. \u201cO desmatamento ocorrido na Amaz\u00f4nia \u00e9 muito grande. J\u00e1 desmatamos tr\u00eas vezes o estado de S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o j\u00e1 dever\u00edamos estar zerando e recuperando essas \u00e1reas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p><strong>Como funcionar\u00e1 dobradinha SAR e MODIS<\/strong><\/p>\n<p>O uso do radar orbital ser\u00e1 restrito \u00e0s \u00e1reas sob condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas, complementando o monitoramento do Deter, que faz a cobertura de toda a Amaz\u00f4nia Legal. Como usa a tecnologia \u00f3tica, que n\u00e3o ultrapassa a barreira das nuvens, os dados do Deter n\u00e3o identificam a perda florestal em regi\u00f5es encobertas. Acoplado a um sat\u00e9lite, o sensor radar realiza um monitoramento mais r\u00e1pido e preciso porque funciona com tecnologia de micro-ondas. Sua resolu\u00e7\u00e3o de 18 a 22 metros permitir\u00e1 identificar desmatamentos de dimens\u00f5es menores que todos os demais sistemas.<\/p>\n<p>O radar auxiliar\u00e1, em especial, a gera\u00e7\u00e3o de dados para alertas \u00e0s equipes que atuam na fiscaliza\u00e7\u00e3o em terra. Em raz\u00e3o do alto custo, a a\u00e7\u00e3o ter\u00e1 como foco regi\u00f5es priorit\u00e1rias em fun\u00e7\u00e3o do alto risco de desflorestamento. Esse mapeamento ocorrer\u00e1 dentro do \u00e2mbito de 950 mil quil\u00f4metros quadrados, aproximadamente 17% da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>As imagens do radar ser\u00e3o analisadas pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia (Censipam) e enviadas ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) a cada 30 dias.<\/p>\n<p>Guedes observa que as imagens do radar, compradas pelo \u00f3rg\u00e3o, reduzem o tempo de processamento e an\u00e1lise das \u00e1reas monitoradas de 15 para 3 dias, em compara\u00e7\u00e3o ao desempenho obtido em sobrevoos feitos com a aeronave R-99 da FAB na etapa anterior do projeto Amaz\u00f4nia SAR. Paralelo ao monitoramento constante, o projeto prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o da antena de recep\u00e7\u00e3o em Bras\u00edlia, com in\u00edcio de opera\u00e7\u00f5es em 2018, o que, entre outras coisas, reduzir\u00e1 o custo das imagens e o tempo de processamento.<\/p>\n<p><em>* <strong>Sandra Damiani<\/strong> \u00e9 jornalista e atua h\u00e1 15 anos em iniciativas de comunica\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento. Foi especialista de comunica\u00e7\u00e3o para os biomas Mata Atl\u00e2ntica, Cerrado e Pantanal nas organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas WWF-Brasil e Conserva\u00e7\u00e3o Internacional. Pela ANDI, desenvolve projetos especiais de apoio \u00e0 cobertura em tem\u00e1ticas de relev\u00e2ncia socioambiental, tais como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e desmatamento na Amaz\u00f4nia. \u00c9 mestranda em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel na Universidade de Bras\u00edlia.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sandra Damiani* O uso de duas novas tecnologias deve gerar ganhos significativos na detec\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25375,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/desmatamento_nasa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Sandra Damiani* O uso de duas novas tecnologias deve gerar ganhos significativos na detec\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25374"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25374"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25374\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}