{"id":25321,"date":"2015-07-27T14:00:46","date_gmt":"2015-07-27T14:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25321"},"modified":"2015-07-26T23:15:35","modified_gmt":"2015-07-26T23:15:35","slug":"bacterias-e-outros-micro-organismos-seriam-comuns-no-universo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/bacterias-e-outros-micro-organismos-seriam-comuns-no-universo\/","title":{"rendered":"Bact\u00e9rias e outros micro-organismos seriam comuns no universo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-25322\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A descoberta dos primeiros planetas extrassolares no in\u00edcio dos anos 1990 deu um grande impulso para o ent\u00e3o emergente campo da astrobiologia, que une astronomia, biologia, qu\u00edmica, f\u00edsica e outras disciplinas para estudar as condi\u00e7\u00f5es que permitiram o desenvolvimento da vida na Terra e como elas poderiam estar presentes em outros lugares no Universo. De l\u00e1 para c\u00e1, cada vez mais cientistas se dedicam, direta ou indiretamente, a estas quest\u00f5es, inclusive muitos brasileiros.<\/p>\n<p>Os resultados de suas pesquisas indicam que, de fato, os compostos b\u00e1sicos para que isso aconte\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o abundantes como largamente produzidos e distribu\u00eddos no espa\u00e7o por fen\u00f4menos naturais. Diante disso, para muitos especialistas \u00e9 razo\u00e1vel supor que a vida, pelo menos nas suas formas mais simples como conhecemos, como bact\u00e9rias e outros micro-organismos, seria comum no Cosmo, estando em quase todo lugar prop\u00edcio para que ela surja.<\/p>\n<p>A mais recente descoberta no campo da astrobiologia foi anunciada pela Nasa na \u00faltima quinta-feira: o planeta Kepler 452b est\u00e1 entre os mais parecidos com a Terra j\u00e1 detectados. Seria apenas 60% maior, e teria dist\u00e2ncia e \u00f3rbita ao redor de uma estrela similar ao nosso sol tamb\u00e9m muito parecidas. Isso sugere que sua temperatura n\u00e3o \u00e9 nem t\u00e3o fria, nem t\u00e3o quente, o que permitiria a exist\u00eancia de \u00e1gua l\u00edquida em sua superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Na receita para o desenvolvimento da vida como a conhecemos, o ingrediente mais fundamental \u00e9 justamente a \u00e1gua. Nossos pr\u00f3prios corpos s\u00e3o prova disso, compostos por 60% a 70% dela. Assim, n\u00e3o \u00e9 por menos que \u201cseguir a \u00e1gua\u201d, isto \u00e9, saber de onde ela veio e como chegou em nosso planeta, foi um dos primeiros focos da astrobiologia.<\/p>\n<p>\u00c1GUA SERIA MAIS ANTIGA DO QUE O SOL<\/p>\n<p>Hoje se sabe que as densas nuvens interestelares de g\u00e1s e poeira, as \u201csementes\u201d de novos sistemas estelares como o nosso, s\u00e3o ricas em \u00e1gua, e estudo divulgado em setembro do ano passado sugere que entre 30% e 50% da \u00e1gua em nossos oceanos seriam mais antigos que nosso pr\u00f3prio Sol. J\u00e1 a tese principal sobre como ela chegou \u00e0 Terra aponta para um intenso bombardeio por asteroides e cometas contendo grandes quantidades de \u00e1gua na inf\u00e2ncia do Sistema Solar, fen\u00f4meno j\u00e1 observado em outros sistemas planet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Fora de nosso planeta, mas ainda dentro do Sistema Solar, esta busca pela \u00e1gua se concentrou inicialmente em Marte. Hoje in\u00f3spito, os cientistas acreditam que o planeta vermelho outrora j\u00e1 teve vastos oceanos onde a vida pode ter se desenvolvido. Professor da Universidade de Michigan, o cientista planet\u00e1rio brasileiro Nilton Renn\u00f3 integra a equipe de pesquisadores que, com base em dados do ve\u00edculo-rob\u00f4 Curiosity, da Nasa, confirmou em estudo publicado na revista \u201cNature\u201d em abril passado que, dependendo da hora do dia, da \u00e9poca do ano e do local, \u00e1gua em estado l\u00edquido, na forma de salmoura, ainda corre pela superf\u00edcie de Marte atualmente. E embora estas \u201c\u00e1guas de Marte\u201d que fecham o ver\u00e3o do planeta sejam muito \u201csalgadas\u201d para sustentar organismos como conhecemos, sua presen\u00e7a \u00e9 mais uma evid\u00eancia de seu prov\u00e1vel \u201cpassado \u00famido\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 tempos o tema nas pesquisas e na explora\u00e7\u00e3o espacial da Nasa tem sido seguir a \u00e1gua, n\u00e3o s\u00f3 aqui no Sistema Solar, mas olhando mais para longe, nos planetas extrassolares \u2014 lembra Renn\u00f3. \u2014 Aqui na Terra, se tiver \u00e1gua, temos evid\u00eancias de vida bacteriana, praticamente n\u00e3o importando qu\u00e3o salina, qu\u00e3o \u00e1cida ou qu\u00e3o fria ela esteja. Al\u00e9m disso, hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio s\u00e3o elementos muito comuns no espa\u00e7o, no topo da lista. Ent\u00e3o, a \u00e1gua \u00e9 uma mol\u00e9cula bem abundante no Universo. S\u00f3 aqui no Sistema Solar j\u00e1 encontramos sinais da exist\u00eancia de muita \u00e1gua, talvez l\u00edquida, por exemplo, em Marte, e abaixo das crostas geladas de Europa e Ganimedes (duas das luas de J\u00fapiter) e em Tit\u00e3 e Enc\u00e9lado (duas das luas de Saturno).<\/p>\n<p>Mas s\u00f3 \u00e1gua n\u00e3o basta. A vida como conhecemos \u00e9 composta por mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas, que t\u00eam por base ainda mais elementos, em especial carbono, nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e enxofre. Por \u201csorte\u201d, estes elementos tamb\u00e9m s\u00e3o comuns no Universo e podem ser combinados nestes tipos de mol\u00e9culas por v\u00e1rios processos c\u00f3smicos naturais.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso, por exemplo, de recente estudo liderado pelo astr\u00f4nomo Ramiro de La Reza, pesquisador do Observat\u00f3rio Nacional, publicado no in\u00edcio do m\u00eas passado no \u201cAstrophysical Journal\u201d, um dos mais prestigiados peri\u00f3dicos cient\u00edficos na \u00e1rea. Nele, Reza e colegas mostram que estrelas gigantes sa\u00eddas da chamada sequ\u00eancia principal, entrando numa das fases finais da exist\u00eancia destes astros pela qual a grande maioria passar\u00e1, produzem enormes quantidades de compostos org\u00e2nicos, desde os mais simples, como o metano, at\u00e9 mais complexos, como cadeias arom\u00e1ticas, que depois s\u00e3o lan\u00e7ados ao espa\u00e7o interestelar nos estertores de sua agonia, \u201csemeando-o\u201d com estes tijolos b\u00e1sicos para a constru\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>\u2014 Para o Universo ter vida, teve que haver antes o desenvolvimento de um processo qu\u00edmico fundamental para possibilitar seu surgimento. E praticamente todas as estrelas passam por isso, ent\u00e3o \u00e9 um monte delas. Ver como a natureza \u00e9 capaz de produzir estes compostos pr\u00e9-bi\u00f3ticos em grandes quantidades e espalh\u00e1-los pelo espa\u00e7o interestelar nos d\u00e1 a ideia de que a vida pode ser resultado de um processo relativamente comum \u2014 diz Reza.<\/p>\n<p>Neste ponto, os cometas voltam a ser fundamentais na hist\u00f3ria. Aqui no Sistema Solar, e provavelmente na grande maioria dos sistemas estelares, eles s\u00e3o resqu\u00edcios de sua forma\u00e7\u00e3o. Acredita-se que tenham ajudado a preservar e depois distribuir parte da \u00e1gua e das mol\u00e9culas org\u00e2nicas que de outra forma teriam sido destru\u00eddas pelo violento ambiente do nascimento de nosso Sol e seus planetas. Mais tarde, com os ingredientes b\u00e1sicos para a vida e submetidos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica e solar, pode ter sido neles que os primeiros amino\u00e1cidos e mol\u00e9culas org\u00e2nicas ainda mais complexas foram criados e depois \u201centregues\u201d na Terra, junto com parte da \u00e1gua de nossos oceanos.<\/p>\n<p>E \u00e9 para investigar esta possibilidade, entre outras, que uma equipe liderada por Enio Frota da Silveira, professor do Centro T\u00e9cnico-Cient\u00edfico da PUC-Rio, pretende come\u00e7ar, j\u00e1 a partir do m\u00eas que vem, a produzir seus pr\u00f3prios \u201ccometas de laborat\u00f3rio\u201d e submet\u00ea-los a condi\u00e7\u00f5es similares \u00e0s observadas no espa\u00e7o, coletando dados de alta qualidade, que podem ajudar a esclarecer estes processos e orientar que instrumentos devem ir a bordo de futuras miss\u00f5es como a da sonda Rosetta-Philae, da Ag\u00eancia Espacial Europeia, que desde o ano passado acompanha o cometa 67P\/Churyumov-Gerasimenko na sua trajet\u00f3ria em torno do Sol.<\/p>\n<p>\u2014 Faremos simula\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, e n\u00e3o de computador, o que exige o cuidado de replicar ao m\u00e1ximo aqui as condi\u00e7\u00f5es encontradas no espa\u00e7o, como temperatura, press\u00e3o, umidade etc. \u2014 conta Silveira. \u2014 Como uma das coisas que estamos querendo fazer \u00e9 a s\u00edntese de mol\u00e9culas org\u00e2nicas pr\u00e9-bi\u00f3ticas, isso tamb\u00e9m vai requerer um cuidado enorme com todos os elementos contaminantes que temos espalhados pelo laborat\u00f3rio, como o pr\u00f3prio lubrificante das m\u00e1quinas, que podem arruinar os resultados. Para evitar isso, por exemplo, vamos usar uma bomba de v\u00e1cuo \u201cseca\u201d, que usa um lubrificante s\u00f3lido, o mesmo teflon das panelas de nossas cozinhas. Nossa ideia \u00e9 examinar fen\u00f4menos astrof\u00edsicos que geram rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas para saber se eles s\u00e3o mesmo capazes de formar compostos pr\u00e9-bi\u00f3ticos mais complexos.<\/p>\n<p>A F\u00c1BRICA DE VIDA DO UNIVERSO<\/p>\n<p>Diante disso tudo, \u00e9 poss\u00edvel ent\u00e3o ver o Universo como uma grande f\u00e1brica que talvez produza vida sempre que poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u2014 Pensando probabilisticamente, a vida \u00e9 comum no Universo. Nosso Sistema Solar tem 4,6 bilh\u00f5es de anos e temos evid\u00eancias de que a vida bacteriana j\u00e1 existia na Terra h\u00e1 cerca de 3,8 bilh\u00f5es de anos, isto \u00e9, logo depois de sua forma\u00e7\u00e3o a vida j\u00e1 apareceu. O Universo tem quase 14 bilh\u00f5es de anos, ent\u00e3o isso quer dizer que existem sistemas estelares muito mais antigos que o nosso. Ent\u00e3o, se a vida come\u00e7ou t\u00e3o cedo aqui, n\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil imaginar que ela j\u00e1 tenha surgido em outro lugar \u2014 diz Renn\u00f3, da Universidade de Michigan.<\/p>\n<p>\u2014 Com um Universo cheio de mol\u00e9culas org\u00e2nicas, basta que um dia apare\u00e7am condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para que elas se unam e formem mol\u00e9culas mais complexas, como prote\u00ednas, capazes de se reproduzir \u2014 refor\u00e7a Reza, do Observat\u00f3rio Nacional.<\/p>\n<p>\u2014 Se os fen\u00f4menos naturais s\u00e3o iguais no Universo inteiro e os materiais dispon\u00edveis tamb\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para que n\u00e3o exista vida em outros lugares \u2014 conclui Silveira, da PUC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A descoberta dos primeiros planetas extrassolares no in\u00edcio dos anos 1990 deu um grande impulso<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25322,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/bacteria.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A descoberta dos primeiros planetas extrassolares no in\u00edcio dos anos 1990 deu um grande impulso","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25321"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25321"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25321\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}