{"id":25211,"date":"2015-07-25T18:11:36","date_gmt":"2015-07-25T18:11:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25211"},"modified":"2015-07-25T18:13:10","modified_gmt":"2015-07-25T18:13:10","slug":"reflorestamento-da-mata-atlantica-nao-existem-mudas-suficientes-para-recuperar-a-floresta-entrevista-especial-com-jaeder-lopes-vieira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/reflorestamento-da-mata-atlantica-nao-existem-mudas-suficientes-para-recuperar-a-floresta-entrevista-especial-com-jaeder-lopes-vieira\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Jaeder Lopes Vieira"},"content":{"rendered":"<p><strong>Reflorestamento da Mata Atl\u00e2ntica: n\u00e3o existem mudas suficientes para recuperar a floresta.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cExistem v\u00e1rios fragmentos da Mata Atl\u00e2ntica isolados uns dos outros e esse isolamento pode levar a floresta \u00e0 extin\u00e7\u00e3o\u201d, adverte o engenheiro agr\u00f4nomo.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i58.tinypic.com\/wlqjb.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em><em>Foto: brasilescola.com.br<\/em><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os desafios para <strong>recuperar 85% da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/538831-instituicoes-alertam-para-a-falta-de-conhecimento-sobre-a-mata-atlantica\" target=\"_blank\">Mata Atl\u00e2ntica<\/a><\/strong>, percentual que j\u00e1 foi degradado ao longo dos anos, s\u00e3o enormes, a come\u00e7ar pelas dificuldades t\u00e9cnicas, visto que hoje n\u00e3o existem \u201cmudas suficientes para fazer a recupera\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica. Mesmo se tiv\u00e9ssemos dinheiro, h\u00e1 um limite em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de viveiros suficientes para a empreitada que temos pela frente\u201d, informa <strong>Jaeder Lopes Vieira<\/strong>, na entrevista a seguir, concedida \u00e0<strong> IHU On-Line<\/strong> por telefone.<\/p>\n<p><strong>Vieira<\/strong> explica que a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/541220-pesquisa-de-35-anos-mostra-como-floresta-se-recompoe\" target=\"_blank\"><strong>regenera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> da Mata Atl\u00e2ntica n\u00e3o depende somente do plantio de novas mudas de \u00e1rvores, mas \u00e9 necess\u00e1rio <strong>recuperar a biodiversidade<\/strong> de modo geral. \u201cA floresta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u00e1rvore; a floresta que s\u00f3 tem \u00e1rvore n\u00e3o \u00e9 floresta. Floresta tem toda uma biodiversidade de animais e de plantas interagindo com o ambiente, ou seja, em intensa intera\u00e7\u00e3o com o solo e com a atmosfera, reciclando nutrientes e fazendo com que esses nutrientes se convertam ora em mat\u00e9ria org\u00e2nica, ora em mat\u00e9ria inorg\u00e2nica. Ent\u00e3o, a floresta \u00e9 muito mais do que a vegeta\u00e7\u00e3o em si e que as \u00e1rvores propriamente ditas; existem<strong> outros elementos<\/strong> n\u00e3o arbustivos que fazem parte da floresta e que s\u00e3o fundamentais para manuten\u00e7\u00e3o dela\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>Entre os investimentos poss\u00edveis para <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/544688-o-desafio-de-refazer-a-biodiversidade-da-mata-atlantica\" target=\"_blank\">reflorestar a Mata Atl\u00e2ntica<\/a><\/strong>, o engenheiro agr\u00f4nomo frisa a necessidade de p\u00f4r em pr\u00e1tica as determina\u00e7\u00f5es do <strong>C\u00f3digo Florestal,<\/strong> a exemplo do pagamento aos produtores rurais para reflorestarem as \u00e1reas degradadas. \u201cEm primeiro lugar precisamos de uma pol\u00edtica p\u00fablica de incentivo aos propriet\u00e1rios rurais, ou seja, \u00e9 preciso retirar do papel o <strong>pagamento dos servi\u00e7os ambientais<\/strong>, porque a recupera\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas ir\u00e1 gerar benef\u00edcios aos homens\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, tamb\u00e9m \u00e9 fundamental <strong>preservar<\/strong> os outros biomas brasileiros, como a <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4360&amp;secao=389\" target=\"_blank\"><strong>Caatinga<\/strong><\/a> e o <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4229&amp;secao=382\" target=\"_blank\"><strong>Cerrado<\/strong><\/a>, e investir na recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas j\u00e1 degradadas pela agricultura e pela agropecu\u00e1ria ao inv\u00e9s de abrir novas \u00e1reas para plantio. Contudo, \u201cinfelizmente\u201d, pontua, \u201cao inv\u00e9s de ocupar uma \u00e1rea da Mata Atl\u00e2ntica que j\u00e1 est\u00e1 degradada, as pessoas seguem para <strong>novas fronteiras<\/strong> que t\u00eam floresta, onde o solo ainda tem uma mat\u00e9ria org\u00e2nica f\u00e9rtil. A\u00ed as pessoas retiram a floresta, implantam uma <strong>produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola<\/strong> que, inclusive, na Amaz\u00f4nia n\u00e3o passa de tr\u00eas ciclos (tr\u00eas anos)\u201d.<\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira<\/strong> \u00e9 graduado em Engenharia Agr\u00f4noma pela Universidade Federal de Lavras e em Biologia pelo Centro Universit\u00e1rio Geraldo Di Biase \u2013 UGB. Atualmente \u00e9 engenheiro agr\u00f4nomo do Instituto Terra, uma associa\u00e7\u00e3o civil, sem fins lucrativos, que promove a recupera\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica no Vale do Rio Doce h\u00e1 16 anos.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i60.tinypic.com\/157268z.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em><em>Imagem:\u00a0estudopratico.com.br<\/em><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica hoje no Brasil? Que percentual dela ainda est\u00e1 preservado? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira &#8211;<\/strong> O percentual preservado gira em torno de 8,5% do remanescente, mas o problema \u00e9 que esse remanescente est\u00e1 isolado, ou seja, existem v\u00e1rios fragmentos da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/543056-novos-dados-sobre-a-mata-atlantica\" target=\"_blank\"><strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong><\/a> isolados uns dos outros e esse isolamento pode levar a floresta \u00e0 <strong>extin\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>A <strong>degrada\u00e7\u00e3o da floresta<\/strong> leva \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios servi\u00e7os ambientais que essa floresta proporciona ao homem, ou que naturalmente proporcionaria se estivesse preservada. Por exemplo, a limpeza dos rios, que hoje \u00e9 necess\u00e1ria, seria feita se houvesse mais \u00e1reas de florestas preservadas pr\u00f3ximo aos rios, mas muitos servi\u00e7os ambientais est\u00e3o deixando de ser realizados por conta de estarmos ocupando essas \u00e1reas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que regi\u00f5es do pa\u00eds ainda h\u00e1 maior concentra\u00e7\u00e3o de Mata Atl\u00e2ntica? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira &#8211;<\/strong> A Mata Atl\u00e2ntica vai do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte e os <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/38917-a-mata-atlantica-fragmentada-entrevista-especial-com-maury-abreu\" target=\"_blank\">fragmentos<\/a> continuam espalhados nessas regi\u00f5es, em alguns lugares mais e em outro menos. Mas o importante \u00e9 tentarmos <strong>conectar esses fragmentos<\/strong>; esse \u00e9 o nosso grande desafio para o futuro. J\u00e1 temos v\u00e1rias iniciativas, e o <strong>C\u00f3digo Florestal<\/strong> vem ao encontro de buscar essa solu\u00e7\u00e3o, mas falta, na pr\u00e1tica, realizarmos mais a\u00e7\u00f5es para recuperar as florestas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o os desafios em torno de regenerar a Mata Atl\u00e2ntica? O que significa refazer a biodiversidade da floresta? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira &#8211;<\/strong> Na verdade existem iniciativas de governo e de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, como a do <strong>Instituto Terra<\/strong>, e h\u00e1 iniciativas tamb\u00e9m do setor privado, tanto de empresas quanto de pessoas. Quando pensamos na extens\u00e3o da <strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong> e imaginamos que tem mais de 85% de \u00e1rea a recuperar, percebemos que o desafio \u00e9 enorme, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 um desafio t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m um desafio financeiro e de mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade, porque grande parte dessas \u00e1reas est\u00e1 nas m\u00e3os de <strong>propriet\u00e1rios rurais.<\/strong> Esses propriet\u00e1rios rurais, no passado, foram incentivados a retirar a mata, e hoje temos que pensar que a sociedade tem de ajud\u00e1-los a recuperar a <strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong>, porque os custos da recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o baixos. Evidentemente, h\u00e1 v\u00e1rias t\u00e9cnicas que podem ser aplicadas, as quais podem diminuir ou aumentar o <strong>custo do reflorestamento<\/strong>, mas, de toda sorte, pelo tamanho da \u00e1rea, os recursos n\u00e3o s\u00e3o baixos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em primeiro lugar precisamos de uma pol\u00edtica p\u00fablica de incentivo aos propriet\u00e1rios rurais, ou seja, \u00e9 preciso retirar do papel o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/14429-enquanto-o-lucro-anual-com-um-boi-e-de-r$-100-o-valor-do-carbono-emitido-para-o-pasto-crescer-chega-aos-us$-4800-\" target=\"_blank\"><strong>pagamento dos servi\u00e7os ambientais<\/strong><\/a>, porque a recupera\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas ir\u00e1 gerar benef\u00edcios aos homens. Por isso, os propriet\u00e1rios rurais deveriam receber um valor para recuperar e conservar essas \u00e1reas. Assim, o primeiro desafio \u00e9 n\u00e3o aumentar o desmatamento, ou seja, preservar os fragmentos que a\u00ed est\u00e3o; o segundo \u00e9 remunerar o produtor para que ele possa fazer a recupera\u00e7\u00e3o das outras \u00e1reas que n\u00e3o foram reflorestadas.<\/p>\n<p>H\u00e1 um desafio tamb\u00e9m t\u00e9cnico no sentido de que hoje, por exemplo, n\u00f3s n\u00e3o temos nem mudas suficientes para fazer a recupera\u00e7\u00e3o da <strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong>. Mesmo se tiv\u00e9ssemos dinheiro, h\u00e1 um limite em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de viveiros suficientes para empreitada que temos pela frente. Depois, precisamos mapear essas \u00e1reas que precisam ser reflorestadas e proteg\u00ea-las dos<strong> fatores de degrada\u00e7\u00e3o<\/strong>. A maior parte desses fragmentos, que seriam poss\u00edveis de se regenerar naturalmente, n\u00e3o est\u00e1 se regenerando por causa pisoteio do gado e pela entrada de fogo; esses s\u00e3o dois fatores importantes que temos de combater.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;O caminho para solucionar a crise h\u00eddrica \u00e9 come\u00e7ar a recuperar e conservar as nascentes&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em que consiste refazer a biodiversidade? O senhor sempre insiste que n\u00e3o basta plantar \u00e1rvores. Pode nos explicar melhor em que consiste essa concep\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira &#8211;<\/strong> A floresta n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 \u00e1rvore; a floresta que s\u00f3 tem \u00e1rvore n\u00e3o \u00e9 floresta. Floresta tem toda uma <strong>biodiversidade de animais e de plantas<\/strong> interagindo com o ambiente, ou seja, em intensa intera\u00e7\u00e3o com o solo e com a atmosfera, reciclando nutrientes e fazendo com que esses nutrientes se convertam ora em mat\u00e9ria org\u00e2nica, ora em mat\u00e9ria inorg\u00e2nica. Ent\u00e3o, a floresta \u00e9 muito mais do que a vegeta\u00e7\u00e3o em si e que as \u00e1rvores propriamente ditas; existem <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1853&amp;secao=260\" target=\"_blank\">outros elementos<\/a> n\u00e3o arbustivos que fazem parte da floresta e que s\u00e3o fundamentais para manuten\u00e7\u00e3o dela.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 l\u00f3gico que, num primeiro momento, quem faz essa convers\u00e3o da mat\u00e9ria inorg\u00e2nica em mat\u00e9ria org\u00e2nica s\u00e3o os vegetais; eles s\u00e3o os \u00fanicos capazes de fazer isso, atrav\u00e9s da fotoss\u00edntese. Por isso, o primeiro passo \u00e9 aumentar a <strong>prote\u00e7\u00e3o da mata<\/strong> para o solo, ou seja, quando se tem \u00e1rvores, se consegue, atrav\u00e9s dessas \u00e1rvores, diminuir a primeira degrada\u00e7\u00e3o da gota da chuva direta no solo, arrastando esse solo para os cursos d\u2019\u00e1gua e, com isso, \u00e9 poss\u00edvel diminuir o assoreamento dos cursos d\u2019\u00e1gua. Desse modo, \u00e9 preciso <strong>aumentar a cobertura vegetal<\/strong> para proteger o solo e, evidentemente, devemos ter a maior diversidade de vegeta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, porque isso permite a entrada da fauna na floresta. Ou seja, n\u00f3s temos que realmente fazer <strong>reflorestamento<\/strong> visando uma maior diversidade poss\u00edvel para que a fauna possa ter alimento suficiente ao longo de todo o ano. Plantar \u00e9 fundamental, mas \u00e9 preciso plantar visando um aumento da diversidade da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Diversas empresas de celulose mant\u00eam projetos florestais. \u00c9 poss\u00edvel chamar essas planta\u00e7\u00f5es de florestas? Como o senhor v\u00ea esse debate entre as florestas plantadas com esp\u00e9cies nativas e ex\u00f3ticas? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira \u2013<\/strong> Creio que toda a iniciativa \u00e9 importante. Acredito que a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/formacao\/027cadernosihuemformacao.pdf\" target=\"_blank\"><strong>monocultura<\/strong><\/a> de qualquer coisa que seja, \u00e9 impactante, independente de ser pinus, eucalipto, seringueira, inclusive. As empresas de celulose, hoje, t\u00eam uma responsabilidade socioambiental muito grande, at\u00e9 porque elas trabalham com commodities. Assim, h\u00e1 a preocupa\u00e7\u00e3o hoje de n\u00e3o levar o plantio de eucalipto at\u00e9, por exemplo, as nascentes e at\u00e9 os cursos d\u2019\u00e1gua. Para eles \u00e9 fundamental, inclusive, a preserva\u00e7\u00e3o dos fragmentos de floresta. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande de preservar os fragmentos e n\u00e3o entrar nas \u00e1reas que s\u00e3o mais sens\u00edveis ambientalmente, que s\u00e3o as \u00e1reas que o <strong>C\u00f3digo Florestal<\/strong> identifica como pass\u00edveis de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como \u00e9 feita, no Brasil, a reestrutura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de \u00e1reas florestais degradadas? O pa\u00eds tem uma preocupa\u00e7\u00e3o em restaurar essas terras? Existe alguma pol\u00edtica p\u00fablica nesse sentido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira \u2013<\/strong> Existe um instrumento no C\u00f3digo Florestal, que \u00e9 o <strong>Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais \u2013 PSA<\/strong>. Conhe\u00e7o duas iniciativas nesse sentido: uma em <strong>Vit\u00f3ria<\/strong>, no Esp\u00edrito Santo, do governo do estado, e outra do <strong>governo de Minas Gerais<\/strong>. Nesses casos, o estado paga por floresta em p\u00e9 \u2014 florestas e fragmentos j\u00e1 existentes \u2014 e tamb\u00e9m pela restaura\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o de \u00e1reas n\u00e3o florestais em \u00e1reas florestais, com floresta de <strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong>. Trata-se de uma iniciativa de pagar o produtor para que ele possa converter essas \u00e1reas ou ent\u00e3o para mant\u00ea-las em p\u00e9.<\/p>\n<p>Evidentemente que esse valor nunca ser\u00e1 maior do que o custo de oportunidade que o produtor tem na produ\u00e7\u00e3o dele, mas essas s\u00e3o \u00e1reas que, segundo o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/521995-codigo-florestal-falha-na-protecao-da-mata-brasileira-dizem-especialistas\" target=\"_blank\"><strong>C\u00f3digo Florestal<\/strong><\/a>, deveriam estar em conserva\u00e7\u00e3o. Assim, essas s\u00e3o iniciativas que incentivam o produtor a converter essas \u00e1reas. Essas duas iniciativas s\u00e3o leis estaduais que t\u00eam gerado um resultado positivo. Creio que deveria ser ampliado para o governo federal tamb\u00e9m e at\u00e9 para os munic\u00edpios.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;Plantar \u00e9 fundamental, mas \u00e9 preciso plantar visando um aumento da diversidade da vegeta\u00e7\u00e3o&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Alguns ambientalistas chamam aten\u00e7\u00e3o para a degrada\u00e7\u00e3o do cerrado, da caatinga, alertando para o fato de que essas \u00e1reas podem chegar a uma situa\u00e7\u00e3o de degrada\u00e7\u00e3o igual a da Mata Atl\u00e2ntica no futuro. O senhor identifica alguma rela\u00e7\u00e3o entre a degrada\u00e7\u00e3o do cerrado, caatinga e outros biomas com a degrada\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira \u2013<\/strong> Sim. Quando vemos essas aberturas de novas \u00e1reas, n\u00e3o vemos sentido nisso, porque h\u00e1 \u00e1reas na <strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong> com produtividade muito baixa. A \u00e1rea de <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=2868&amp;secao=311\" target=\"_blank\"><strong>pecu\u00e1ria<\/strong><\/a>, por exemplo, \u00e9 baix\u00edssima, com n\u00famero de 0,6 cabe\u00e7as de gado por hectare, porque o ambiente foi t\u00e3o degradado que ele j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 respostas produtivas. Ent\u00e3o, ao inv\u00e9s de abrir novas \u00e1reas, \u00e9 preciso recuperar essas \u00e1reas que j\u00e1 est\u00e3o abertas e desflorestadas. Infelizmente, ao inv\u00e9s de ocupar uma \u00e1rea da <strong>Mata Atl\u00e2ntica<\/strong> que j\u00e1 est\u00e1 degradada, as pessoas seguem para <strong>novas fronteiras<\/strong> que t\u00eam floresta, onde o solo ainda tem uma mat\u00e9ria org\u00e2nica f\u00e9rtil. A\u00ed as pessoas retiram a floresta, implantam uma produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola que, inclusive, na Amaz\u00f4nia n\u00e3o passa de tr\u00eas ciclos (tr\u00eas anos).<\/p>\n<p>Por conta dessa <strong>baixa produtividade<\/strong> nas \u00e1reas desflorestadas, o <strong>agroneg\u00f3cio<\/strong> est\u00e1 buscando novas fronteiras. Entretanto, \u00e9 poss\u00edvel recuperar essas \u00e1reas tranquilamente, pois j\u00e1 existem tecnologias da Embrapa e de outros \u00f3rg\u00e3os de pesquisa, as quais viabilizam a recupera\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas degradadas para produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; E existem rela\u00e7\u00f5es entre a crise h\u00eddrica e a degrada\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira \u2013<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/544463-florestas-e-producao-de-agua-artigo-de-osvaldo-ferreira-valente\" target=\"_blank\">Essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 direta<\/a>; n\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida disso. O que mant\u00e9m os rios perenes? S\u00e3o as nascentes; se elas forem perenes, os rios ser\u00e3o perenes. Se protegermos as <strong>matas ciliares<\/strong> e n\u00e3o deixarmos o arrasto do material ir para dentro do rio, evitamos que o rio se torne assoreado e ele ser\u00e1 perene tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 direta, e o caminho para solucionar a <strong>crise h\u00eddrica<\/strong> \u00e9 come\u00e7ar a recuperar e conservar as nascentes. Este \u00e9 o caminho que temos que trilhar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais as a\u00e7\u00f5es do Instituto Terra para reflorestar a Mata Atl\u00e2ntica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jaeder Lopes Vieira \u2013<\/strong> N\u00f3s temos duas grandes linhas de trabalho: uma \u00e9 a <strong>restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas<\/strong> \u2014 e a nossa fazenda funciona como laborat\u00f3rio e como sede da nossa organiza\u00e7\u00e3o \u2014, e a outra \u00e9 a <strong>recupera\u00e7\u00e3o de nascentes fora da fazenda<\/strong>. Atingimos o n\u00famero de mil nascentes e temos um projeto ambicioso para o <strong>Vale do Rio Doce<\/strong>, que \u00e9 um Vale com uma superf\u00edcie do tamanho de Portugal, de 85.000 km\u00b2. Estimamos que haja <strong>375 mil nascentes<\/strong> no <strong>Vale do Rio Doce<\/strong>, que est\u00e1 localizado entre os estados de <strong>Minas Gerais<\/strong> e <strong>Esp\u00edrito Santo<\/strong>, e n\u00f3s estamos apresentando \u00e0 sociedade um projeto para recuperar essas 375 mil nascentes ao longo dos pr\u00f3ximos 30 anos.<\/p>\n<p><em>Por Patr\u00edcia Fachin<\/em><\/p>\n<p>Fonte: IHU On-Line<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflorestamento da Mata Atl\u00e2ntica: n\u00e3o existem mudas suficientes para recuperar a floresta. \u201cExistem v\u00e1rios fragmentos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Reflorestamento da Mata Atl\u00e2ntica: n\u00e3o existem mudas suficientes para recuperar a floresta. \u201cExistem v\u00e1rios fragmentos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25211"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25211"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25211\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}