{"id":25141,"date":"2015-07-24T18:00:02","date_gmt":"2015-07-24T18:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=25141"},"modified":"2015-07-24T02:14:08","modified_gmt":"2015-07-24T02:14:08","slug":"brasil-esta-mais-inflamavel-e-cientistas-culpam-clima-e-fragmentacao-de-florestas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasil-esta-mais-inflamavel-e-cientistas-culpam-clima-e-fragmentacao-de-florestas\/","title":{"rendered":"Brasil est\u00e1 mais inflam\u00e1vel e cientistas culpam clima e fragmenta\u00e7\u00e3o de florestas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-25142\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O desmatamento e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas deixaram o Brasil mais vulner\u00e1vel a inc\u00eandios florestais nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Na Amaz\u00f4nia, essa tend\u00eancia persiste mesmo com a queda na velocidade da devasta\u00e7\u00e3o a partir de 2005.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es s\u00e3o de dois estudos independentes, um publicado na semana passada e outro no prelo, assinados por pesquisadores americanos e brasileiros. Ambos se valem de extensos registros de imagens de sat\u00e9lite, que cobrem um per\u00edodo que vai de 1979 a 2013.<\/p>\n<p>O estudo americano foi liderado por Matt Jolly, do Servi\u00e7o Florestal dos EUA, e saiu no peri\u00f3dico <em>Nature Communications<\/em>. Jolly e seus colegas buscaram avaliar a influ\u00eancia das mudan\u00e7as do clima na dura\u00e7\u00e3o da temporada de queimadas e na vulnerabilidade a inc\u00eandios de florestas do mundo todo nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Analisando imagens de sat\u00e9lite e dados meteorol\u00f3gicos desde 1979, o grupo concluiu que todos os continentes menos a Austr\u00e1lia apresentaram tend\u00eancias significativas de aumento nos inc\u00eandios. No total, o per\u00edodo do ano em que o calor e a secura favorecem o fogo aumentou 18,7% no planeta, e a \u00e1rea global sujeita a queimar dobrou.<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios florestais est\u00e3o mais longos e atingem \u00e1reas maiores. No per\u00edodo de 34 anos analisado, houve seis anos nos quais mais de 20% da \u00e1rea vegetada do planeta foi afetada por longas esta\u00e7\u00f5es de fogo. Todos aconteceram na \u00faltima d\u00e9cada \u2013 que foi tamb\u00e9m a mais quente j\u00e1 registrada desde que a humanidade come\u00e7ou a medir temperaturas com term\u00f4metros, no s\u00e9culo XIX. Um desses anos foi 2010, quando a R\u00fassia foi atingida pelo pior inc\u00eandio florestal de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Captura-de-Tela-2015-07-23-a%CC%80s-07.36.39.png\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-886\" src=\"http:\/\/www.observatoriodoclima.eco.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Captura-de-Tela-2015-07-23-a%CC%80s-07.36.39.png\" alt=\"Imagem mostra como inflamabilidade evoluiu no planeta entre 1979 e 2013 \" width=\"639\" height=\"555\" \/><\/a><\/p>\n<p>O grupo americano suspeita da perturba\u00e7\u00e3o no ciclo hidrol\u00f3gico induzida pelo aquecimento do planeta. Embora o total de chuvas no ano n\u00e3o tenha diminu\u00eddo nas \u00e1reas afetadas, essas chuvas est\u00e3o menos espa\u00e7adas \u2013 e possivelmente mais intensas. Isso aumenta o n\u00famero de dias secos na temporada de queimadas: em m\u00e9dia, o mundo ganhou 1,31 dia seco a mais por d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Em nenhum lugar essa tend\u00eancia \u00e9 t\u00e3o marcada quanto na Am\u00e9rica do Sul. Na Amaz\u00f4nia e no cerrado, o aumento m\u00e9dio na temporada de queimadas foi de impressionantes 33 dias em 35 anos. \u201cEsta\u00e7\u00f5es de queimada mais longas prolongam condi\u00e7\u00f5es para inc\u00eandios por condu\u00e7\u00e3o, potencialmente expandindo a \u00e1rea suscet\u00edvel a inc\u00eandios que escapam de \u00e1reas desmatadas\u201d, afirmam os pesquisadores. Entre as regi\u00f5es afetadas est\u00e1 Rond\u00f4nia, que decretou estado de emerg\u00eancia neste m\u00eas devido \u00e0s queimadas.<\/p>\n<p><strong>Satura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 precisamente isso o que parece estar acontecendo na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, de acordo com o outro estudo, liderado por Ane Alencar, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia), que ser\u00e1 publicado em agosto na revista <em>Ecological Applications<\/em> e j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel on-line.<\/p>\n<p>Alencar e colegas do Ipam e das universidades de Stanford e da Fl\u00f3rida, nos EUA, analisaram imagens de sat\u00e9lite de 1983 a 2007 e mostraram que a regi\u00e3o sudeste da floresta amaz\u00f4nica, onde est\u00e1 o chamado Arco do Desmatamento, tem sofrido o impacto duplo da extrema fragmenta\u00e7\u00e3o e da recorr\u00eancia de extremos clim\u00e1ticos, como o El Ni\u00f1o de 1998 e a seca de 2005.<\/p>\n<p>\u201cEntre 1983 e 2007, eventos de estiagem causaram inc\u00eandios florestais que ficaram maiores, mais frequentes e abarcaram um leque maior de meses da esta\u00e7\u00e3o seca\u201d, descrevem os autores.<\/p>\n<p>Eles destacam que o pr\u00f3prio fato de uma floresta pegar fogo na Amaz\u00f4nia j\u00e1 \u00e9 algo extraordin\u00e1rio, uma vez que a ideia cl\u00e1ssica sobre a regi\u00e3o era de que a selva fosse \u00famida demais para queimar. Antes da coloniza\u00e7\u00e3o, evid\u00eancias sugerem que as matas amaz\u00f4nicas s\u00f3 incendiassem a cada 400 ou mil anos. Essa realidade mudou radicalmente.<\/p>\n<p>Nos 24 anos de an\u00e1lise do grupo de Alencar, 15% de florestas densas, de dossel fechado \u2013 \u201cinqueim\u00e1veis\u201d, segundo o racioc\u00ednio cl\u00e1ssico \u2013 na \u00e1rea estudada pegaram fogo. A maior parte dos inc\u00eandios, por\u00e9m, aconteceu em florestas abertas (44%) e nas matas de transi\u00e7\u00e3o, entre a Amaz\u00f4nia e o cerrado (46%).<\/p>\n<p>\u201cEm florestas \u00famidas, este aumento foi associado a eventos de seca, enquanto em florestas mais abertas o aumento na probabilidade de queima ocorreu mesmo se descontarmos a seca \u2013 provavelmente algo relacionado com a fragmenta\u00e7\u00e3o da paisagem\u201d, diz Paulo Brando, pesquisador do Ipam e coautor do estudo.<\/p>\n<p>Segundo ele, mesmo com a redu\u00e7\u00e3o das chamadas fontes de igni\u00e7\u00e3o (queimadas iniciadas por desmatamentos), na \u00faltima d\u00e9cada, quando a taxa de corte raso come\u00e7ou a cair, as florestas ainda est\u00e3o pegando fogo. Em 2007, por exemplo, a \u00e1rea queimada na regi\u00e3o do Xingu, que tem florestas abertas e de transi\u00e7\u00e3o, foi muito superior \u00e0 de outros anos, embora a quantidade de fontes de igni\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha aumentado significativamente.<\/p>\n<p>Isso sugere, prossegue Brando, que boa parte da Amaz\u00f4nia est\u00e1 \u201csaturada\u201d de fontes de igni\u00e7\u00e3o. Ou seja, o desmatamento avan\u00e7ou tanto na fronteira que a \u00fanica coisa que determina se as florestas v\u00e3o ou n\u00e3o pegar fogo \u00e9 o clima.<\/p>\n<p>\u00c9 como se a floresta no Arco do Desmatamento tivesse atingido um ponto de virada, a partir do qual grandes inc\u00eandios ocorrer\u00e3o sempre que houver um ano de estiagem anormal. Com a mudan\u00e7a do clima, esses anos anormais est\u00e3o virando o novo normal.<\/p>\n<p>\u201cEstamos vivendo um novo regime de fogo nessas \u00e1reas, onde o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas acaba sendo potencializado pelos impactos locais decorrentes da fragmenta\u00e7\u00e3o e supress\u00e3o da cobertura florestal\u201d, disse Ane Alencar ao OC.<\/p>\n<p>Como os inc\u00eandios florestais podem aumentar as emiss\u00f5es de carbono por degrada\u00e7\u00e3o florestal tr\u00eas ou quatro vezes mais do que o desmatamento, esse novo regime pode criar um perigoso mecanismo de \u201cfeedback\u201d entre devasta\u00e7\u00e3o e aquecimento global, no qual um alimenta o outro.<\/p>\n<p>Segundo os cientistas, o ideal, na Amaz\u00f4nia, \u00e9 reduzir o desmatamento de forma dr\u00e1stica, para prevenir inc\u00eandios mesmo nos anos secos.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o cerrado a hist\u00f3ria \u00e9 outra, diz Brando. \u201cApesar de os fogos serem parte natural do bioma, eles est\u00e3o acontecendo no final da esta\u00e7\u00e3o seca e n\u00e3o no in\u00edcio, como acontecia naturalmente. Al\u00e9m disso, temos gram\u00edneas invasoras que ajudam a deixar os inc\u00eandios muito mais intensos do que costumavam ser.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desmatamento e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas deixaram o Brasil mais vulner\u00e1vel a inc\u00eandios florestais nas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25142,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/queimada.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O desmatamento e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas deixaram o Brasil mais vulner\u00e1vel a inc\u00eandios florestais nas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25141"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25141\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}