{"id":24843,"date":"2015-07-19T13:00:50","date_gmt":"2015-07-19T13:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=24843"},"modified":"2015-07-18T23:32:41","modified_gmt":"2015-07-18T23:32:41","slug":"hipertensao-afeta-tres-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/hipertensao-afeta-tres-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-brasileiros\/","title":{"rendered":"Hipertens\u00e3o afeta tr\u00eas milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes brasileiros"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/hipertensao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-24844\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/hipertensao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/hipertensao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/hipertensao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quem v\u00ea cara n\u00e3o v\u00ea cora\u00e7\u00e3o. No caso de milh\u00f5es de crian\u00e7as e jovens brasileiros, o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o guarda maus sentimentos, como no ditado popular, mas um permanente cansa\u00e7o. N\u00e3o h\u00e1 sintomas por anos a fio. Mas o problema quase sempre evolui para complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas em adultos jovens, sendo a mais grave a insufici\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o e de \u00f3rg\u00e3os nobres do corpo, como o c\u00e9rebro e os rins. A causa \u00e9 uma s\u00f3. Hipertens\u00e3o. Chamada de inimigo oculto por seus danos em adultos e idosos, ela \u00e9 mais perniciosa do que se acreditava. Chega mais cedo e faz o cora\u00e7\u00e3o dos jovens funcionar como o de velhos. No Brasil, cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de crian\u00e7as e jovens dos 3 aos 18 anos de idade sofrem de hipertens\u00e3o, a maioria sem saber, destacam m\u00e9dicos. E, agora, um novo estudo prop\u00f5e baixar o patamar do que \u00e9 considerado press\u00e3o alta em crian\u00e7as e jovens.<\/p>\n<p>O que especialistas desconfiavam h\u00e1 tempos teve comprova\u00e7\u00e3o no mais completo estudo realizado no mundo, publicado na revista cient\u00edfica \u201cJournal of American College of Cardiology\u201d. A pesquisa foi liderada pelo cardiologista brasileiro Jo\u00e3o Lima, professor de medicina e radiologia da Universidade Johns Hopkins e diretor do servi\u00e7o de imagem cardiovascular do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o da mesma institui\u00e7\u00e3o. Lima e seus colegas se debru\u00e7aram sobre dados de exames detalhados de 2.500 homens e mulheres acompanhados por 25 anos, da adolesc\u00eancia \u00e0 maturidade. Um trabalho dif\u00edcil de realizar pela dura\u00e7\u00e3o e fidelidade dos volunt\u00e1rios, que jamais perderam uma avalia\u00e7\u00e3o, e pelo grande n\u00famero de pessoas estudadas, de diferentes origens \u00e9tnicas e classes socioecon\u00f4micas.<\/p>\n<p>\u2014 Tivemos a comprova\u00e7\u00e3o de que eleva\u00e7\u00f5es moderadas da press\u00e3o sangu\u00ednea, consideradas dentro do limite da normalidade para jovens adultos, podem causar danos no cora\u00e7\u00e3o na meia idade \u2014 salienta Lima.<\/p>\n<p>IDEAL M\u00c1XIMO \u00c9 12\/7<\/p>\n<p>Essa condi\u00e7\u00e3o pode levar at\u00e9 mesmo \u00e0 fal\u00eancia card\u00edaca. O problema \u00e9 que a press\u00e3o de crian\u00e7as e jovens nem sempre \u00e9 encarada com seriedade. Hoje, a medida m\u00e1xima dentro da normalidade \u00e9 a press\u00e3o de 140 mmHg\/90 mmHg (ou, simplesmente, 14\/9). Acima disso, \u00e9 hipertens\u00e3o. A press\u00e3o \u00e9 indicada por dois n\u00fameros: o primeiro, de maior valor, \u00e9 o sist\u00f3lico. O segundo, o diast\u00f3lico. O primeiro diz respeito \u00e0 for\u00e7a de bombeamento do cora\u00e7\u00e3o. O segundo, \u00e0 press\u00e3o dos vasos sangu\u00edneos perif\u00e9ricos, e est\u00e1 relacionado ao relaxamento do m\u00fasculo card\u00edaco.<\/p>\n<p>\u2014 Defendemos que a press\u00e3o m\u00e1xima dos jovens n\u00e3o pode ultrapassar os 12\/8, o ideal m\u00e1ximo sendo 12\/7. Acima disso, o cora\u00e7\u00e3o sofre. Em pessoas com mais de 55 anos, pode ser maior. Mas nas crian\u00e7as e nos jovens, n\u00e3o. Nosso estudo revelou que uma press\u00e3o constante igual ou superior a 14\/9 come\u00e7a a causar danos na faixa dos 20 anos de idade e pode provocar mudan\u00e7as na fun\u00e7\u00e3o card\u00edaca t\u00e3o cedo quanto aos 25 anos \u2014 frisa o pesquisador.<\/p>\n<p>O sistema circulat\u00f3rio pode ser comparado ao hidr\u00e1ulico. Quanto mais press\u00e3o, maior o dano aos vasos e ao cora\u00e7\u00e3o, nossa bomba de m\u00fasculo. A hipertens\u00e3o nada mais \u00e9 do que a press\u00e3o elevada persistente. O n\u00famero 14\/9, por exemplo, mede a for\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o quando ele contrai e relaxa entre as contra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2014 A press\u00e3o igual ou superior a 14\/9 deixa o cora\u00e7\u00e3o enfraquecido, porque ele n\u00e3o se dilata normalmente. Assim, um jovem que sempre teve a press\u00e3o elevada chega aos 25 anos com um cora\u00e7\u00e3o de 50 \u2014 explica o professor de cardiologia.<\/p>\n<p>Quando o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue relaxar t\u00e3o depressa quanto deveria, o resultado pode ser um dist\u00farbio chamado disfun\u00e7\u00e3o diast\u00f3lica do ventr\u00edculo esquerdo.<\/p>\n<p>\u2014 Se o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o relaxa, n\u00e3o se enche de sangue no tempo devido. \u00c9 uma sobrecarga. E esta leva \u00e0 insufici\u00eancia card\u00edaca. Hoje, esse \u00e9 o problema de sa\u00fade mais caro dos EUA. \u00c9 recorrente, n\u00e3o tem cura \u2014 observa Lima.<\/p>\n<p>O problema faz com as pessoas se sintam permanentemente cansadas. Qualquer pequeno esfor\u00e7o, como subir um ou dois lances de escada, se torna um grande problema. Perde-se qualidade de vida. Ganha-se risco card\u00edaco. O m\u00fasico Carlos Henrique Vicente, de 39 anos, sabe exatamente como \u00e9. Teve a hipertens\u00e3o diagnosticada aos 18 anos. O alerta foi uma dor de cabe\u00e7a que n\u00e3o o deixava. Carlos Henrique teve a sorte de identificar logo o problema, que hoje mant\u00e9m sob controle, porque desde os 8 anos participava de um programa de estudo da press\u00e3o em crian\u00e7as e jovens realizado pelo grupo da professora Andr\u00e9a Brand\u00e3o, coordenadora do setor de hipertens\u00e3o arterial do Servi\u00e7o de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Uerj.<\/p>\n<p>MEDI\u00c7\u00c3O A PARTIR DOS 3 ANOS<\/p>\n<p>O programa existe h\u00e1 30 anos, o grupo j\u00e1 avaliou mais de 500 crian\u00e7as e inicia uma nova etapa, com estudantes da rede p\u00fablica e de duas escolas privadas, na faixa dos 10 aos 15 anos.<\/p>\n<p>\u2014 Quase sempre o perfil da crian\u00e7a ou do jovem hipertenso costuma associar obesidade, sedentarismo e hist\u00f3ria familiar da doen\u00e7a. Mas nem todos se enquadram nisso. Por isso, \u00e9 preciso seguir as recomenda\u00e7\u00f5es das sociedades m\u00e9dicas de pediatria e cardiologia e medir a press\u00e3o em exames de rotina a partir dos 3 anos de idade \u2014 ressalta Andr\u00e9a.<\/p>\n<p>As recomenda\u00e7\u00f5es existem, mas n\u00e3o s\u00e3o seguidas como deveriam.<\/p>\n<p>\u2014 O resultado \u00e9 que, dos cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de crian\u00e7as e jovens brasileiros que estimamos ser hipertensos, s\u00f3 uma pequena parcela recebe tratamento preventivo \u2014 lamenta a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Carlos Henrique se enquadrava no perfil t\u00edpico do jovem hipertenso, com casos na fam\u00edlia. Mas ainda assim ficou surpreso com o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 uma doen\u00e7a silenciosa. Ficou assim por anos. Hoje me trato, me cuido mais, larguei o sal, mudei h\u00e1bitos. Mas, se n\u00e3o fosse o programa, jamais descobriria que era hipertenso \u2014 afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem v\u00ea cara n\u00e3o v\u00ea cora\u00e7\u00e3o. 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