{"id":24501,"date":"2015-07-13T21:49:38","date_gmt":"2015-07-13T21:49:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=24501"},"modified":"2015-07-13T21:49:38","modified_gmt":"2015-07-13T21:49:38","slug":"caes-de-ong-paulista-visitam-hospitais-infantis-e-ajudam-a-curar-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/caes-de-ong-paulista-visitam-hospitais-infantis-e-ajudam-a-curar-criancas\/","title":{"rendered":"C\u00e3es de ONG paulista visitam hospitais infantis e ajudam a curar crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-24502\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Mambo<\/strong> \u00e9 um terapeuta jovem. Dedica-se \u00e0 carreira h\u00e1 dois anos. E pode dizer que acumula relativo sucesso. Basta que as <strong>crian\u00e7as do hospital <\/strong>avistem seus &#8220;cabelos&#8221; dourados para ficar animadas. Mambo \u00e9 um <strong>golden retriever <\/strong>tranquilo que, algumas vezes ao m\u00eas, junta-se \u00e0 dona, Carla Bononi, para fazer <strong>trabalho volunt\u00e1rio<\/strong>. Em uma tarde de quinta-feira de junho, os dois estavam no Hospital Cruz Azul, no Cambuci, em S\u00e3o Paulo. Sua miss\u00e3o, em companhia de outros quatro cachorros e de seus respectivos tutores, era alegrar as <strong>crian\u00e7as internadas <\/strong>e, com isso, ajud\u00e1-las a se recuperar melhor e mais rapidamente.<\/p>\n<p>Mambo e sua dona s\u00e3o volunt\u00e1rios do <strong>Instituto Nacional de A\u00e7\u00f5es e Terapias Assistidas por Animais (Inataa)<\/strong>. A ONG paulista, fundada em 2008, leva c\u00e3es para visitar asilos e hospitais infantis por toda a cidade. S\u00e3o quatro asilos e dois hospitais que recebem visitas regulares dos cachorros. O time habitual, montado para cada visita, \u00e9 composto por tr\u00eas c\u00e3es de m\u00e9dio porte, como Mambo, dois cachorros menores e seus tutores humanos &#8211; que podem ser os donos do animal ou algum volunt\u00e1rio da ONG. No Inataa, trabalham pouco mais de 40 c\u00e3es.<\/p>\n<p>A ideia do Inataa, e de outras organiza\u00e7\u00f5es que fazem trabalho parecido, \u00e9 de que o <strong>contato com os animais <\/strong>ameniza as tens\u00f5es do meio hospitalar, e ajuda o paciente a se sentir melhor. \u201cPassar 20 minutos na presen\u00e7a desses animais j\u00e1 melhora os seus batimentos card\u00edacos, a sua press\u00e3o sangu\u00ednea\u201d, diz Vera Abruzzini, presidente do Inataa. \u201cEles tamb\u00e9m trazem conforto para quem vive em asilos e se sente s\u00f3.\u201d<\/p>\n<p>As visitas ao Cruz Azul ocorrem nas tardes de quinta-feira, semana sim, semana n\u00e3o. Come\u00e7aram por iniciativa de Claudia Begueldo, assistente social do hospital e respons\u00e1vel pelas iniciativas que tentam humanizar o ambiente hospitalar. A decis\u00e3o de Claudia foi influenciada por dois fatores: primeiro, h\u00e1 evid\u00eancias cient\u00edficas de que a presen\u00e7a de animais ajuda na recupera\u00e7\u00e3o de pacientes. Cl\u00e1udia teve a ideia de trazer c\u00e3es terapeutas para o Cruz Azul depois de ver experi\u00eancias bem-sucedidas em outros hospitais. Inspirou-se na iniciativa do Hospital S\u00e3o Paulo, institui\u00e7\u00e3o ligada a Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). L\u00e1, as interven\u00e7\u00f5es com animais acontecem h\u00e1 9 anos.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, ela mesma adora cachorros. N\u00e3o \u00e9 a \u00fanica: \u201cOs funcion\u00e1rios daqui tamb\u00e9m ficam animados quando \u00e9 dia de visita\u201d, diz ela.\u00a0 Quem andava pelo corredores do hospital, naquela quinta-feira, percebia certa excita\u00e7\u00e3o. \u201cHoje \u00e9 o dia dos cachorros? J\u00e1 j\u00e1 eu subo l\u00e1\u201d, disse uma m\u00e9dica ao encontrar Cl\u00e1udia no elevador. Ela respondeu com um sorriso.<\/p>\n<div id=\"4310958\" class=\"video componente_materia\">\n<div class=\"wm-poster-wrapper\">\n<div class=\"wm-poster-inner-wrapper\">\n<div class=\"wm-poster-play\"><\/div>\n<p><img class=\"wm-poster-image\" src=\"http:\/\/s03.video.glbimg.com\/x360\/4310958.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tratamentos assistidos por animais<\/strong>, ou TAAs, s\u00e3o antigos. H\u00e1 sinais de que ocorram h\u00e1 s\u00e9culos, de maneira quase informal. Um dos registros mais antigos da t\u00e9cnica foi feito pela brit\u00e2nica <strong>Florence Nightingale<\/strong>, considerada a m\u00e3e da enfermagem moderna. Em 1860, Nightingale observou que aqueles pacientes que contavam com a companhia de pequenos animais dom\u00e9sticos manifestavam sens\u00edvel melhora de sa\u00fade. \u201cO coment\u00e1rio dela influenciou muitos m\u00e9dicos a aplicar as terapias assistidas por animais aos seus pr\u00f3prios tratamentos\u201d diz Aubrey Fine, psic\u00f3logo cl\u00ednico e professor da Universidade Polit\u00e9cnica da Calif\u00f3rnia. Fine se dedica \u00e0 \u00e1rea desde 1973. Seu interesse surgiu por acaso, ao trabalhar com crian\u00e7as hiperativas. Numa tarde, Fine levou Sasha \u2013 uma pequena ratinha-do-deserto \u2013 para brincar com as crian\u00e7as. Notou como elas mudavam de comportamento: \u201cMesmo as crian\u00e7as mais agitadas se aquietavam, e esperavam a vez para pegar Sasha nas m\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>O campo ganhou f\u00f4lego cient\u00edfico \u2013 ainda que fraco \u2013 a partir de 1961. Naquele ano, o psic\u00f3logo <strong>Boris Levinson<\/strong> defendeu, em uma palestra que ficaria famosa, os m\u00e9ritos dos <strong>bichos terapeutas<\/strong>. Seus coment\u00e1rios foram recebidos com entusiasmo por alguns, e com deboche por outros. No Brasil, alguns dos trabalhos mais importantes foram publicados pela <strong>psiquiatra Nise da Silveira <\/strong>durante a d\u00e9cada de 1990. No livro <em>Gatos, a emo\u00e7\u00e3o de lidar,<\/em>\u00a0ela relata suas experi\u00eancias com o uso de <strong>gatos no tratamento de pacientes com esquizofrenia<\/strong>. Al\u00e9m de gatos e cachorros, h\u00e1 terapias desenvolvidas com uma infinidade de animais \u2013 de cavalos a cobras.<\/p>\n<p>Ainda faltam evid\u00eancias cient\u00edficas quem amparem as TAAs. Fine diz que a maioria dos trabalhos hoje publicados se resume a revisar os resultados de pesquisas antigas, sem que novas experi\u00eancias sejam realizadas. A maioria defende que a presen\u00e7a dos animais interfere na regula\u00e7\u00e3o de tr\u00eas tipos de subst\u00e2ncias importantes para o bem-estar dos humanos:\u00a0 <strong>endorfina, oxitocina e as catecolaminas<\/strong>. As duas primeiras s\u00e3o horm\u00f4nios associados \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es de prazer. Elas aumentam na presen\u00e7a dos animais. J\u00e1s as catecolaminas s\u00e3o horm\u00f4nios como a adrenalina, que contribuem para que a pessoa se sinta estressada. Quando os animais est\u00e3o por perto, seus n\u00edveis caem.<\/p>\n<p>Os efeitos das visitas s\u00e3o sentidos tamb\u00e9m nos c\u00e3ezinhos. Um estudo desenvolvido por veterin\u00e1rios parceiros do Inataa constatou que a frequ\u00eancia card\u00edaca dos animais salta quando em contato com as crian\u00e7as. Por isso, as visitas tendem a ser curtas \u2013 duram entre 40 minutos e 1 hora. \u00c9 importante n\u00e3o deixar os cachorros estressados demais.<\/p>\n<p>No Cruz Azul, as crian\u00e7as usam os c\u00e3es para perder o medo do tratamento. Enfaixam os cahorros, fingem que v\u00e3o fazer opera\u00e7\u00f5es, trocam \u00f3rg\u00e3os de mentira entre os c\u00e3es. Os cachorros recebem os afagos e pux\u00f5es docilmente. Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica importante do c\u00e3o terapeuta: ele precisa ser receptivo ao toque.<\/p>\n<p>Na teoria, qualquer cachorro pode virar terapeuta: \u201cUm c\u00e3o terapeuta n\u00e3o precisa ter ra\u00e7a\u201d, diz Vera. Mas carece de alguma voca\u00e7\u00e3o. Os interessados passam por testes do Inaata, para assegurar que v\u00e3o se manter d\u00f3ceis quando puxados, apertados ou afagados. E para saber como reagem na presen\u00e7a de bengalas, cadeiras de rodas ou do cheiro do hospital. O cachorro tamb\u00e9m precisa obedecer a alguns comandos b\u00e1sicos \u2013 \u201cdeita\u201d, \u201cfica\u201d, \u201csenta\u201d. uma vez aprovado nos testes, ele passa por um per\u00edodo de est\u00e1gio: come\u00e7a a frequentar asilos por per\u00edodos curtos, em se\u00e7\u00f5es de 10 ou 15 minutos. Visitas a crian\u00e7as, s\u00f3 depois da gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante aquela tarde, Mambo se comportou como um c\u00e3o modelo. Derreteu-se aos p\u00e9s de Vitor, um menino de dois anos, internado h\u00e1 tr\u00eas dias. O encanto era rec\u00edproco. \u201cA gente n\u00e3o tem muito espa\u00e7o em casa, ent\u00e3o ele n\u00e3o est\u00e1 acostumado com cachorros grades\u201d, diz Manoel Rodrigues, pai do menino. Carla Bononi, a dona de Mambo, estava orgulhosa. \u201cN\u00e3o tem nada melhor do que a gente receber sorrisos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mambo \u00e9 um terapeuta jovem. Dedica-se \u00e0 carreira h\u00e1 dois anos. E pode dizer que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":24502,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/caes_voluntarios.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Mambo \u00e9 um terapeuta jovem. Dedica-se \u00e0 carreira h\u00e1 dois anos. E pode dizer que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24501"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24501"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24501\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24502"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24501"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24501"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24501"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}