{"id":24401,"date":"2015-07-11T18:21:58","date_gmt":"2015-07-11T18:21:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=24401"},"modified":"2015-07-11T18:21:58","modified_gmt":"2015-07-11T18:21:58","slug":"os-ponteiros-da-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-ponteiros-da-acao\/","title":{"rendered":"Os ponteiros da a\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-197146 alignleft\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/jose-graziano-ecod.jpg\" alt=\"Brasileiro Jos\u00e9 Graziano dirige a FAO. Foto: Ryan Brown\/ONU\" width=\"340\" height=\"208\" \/>Por Jos\u00e9 Graziano da Silva*<\/p>\n<p>O tempo das constata\u00e7\u00f5es ficou para tr\u00e1s. Alarmes econ\u00f4micos e ambientais j\u00e1 cumpriram o seu papel: chegou a hora de ajustar os ponteiros da coopera\u00e7\u00e3o internacional para uma a\u00e7\u00e3o transformadora.<\/p>\n<p>Vivemos uma transi\u00e7\u00e3o de ciclo econ\u00f4mico. A correla\u00e7\u00e3o entre as escolhas do desenvolvimento e o manejo sustent\u00e1vel dos recursos naturais incorporou-se \u00e0 pauta das na\u00e7\u00f5es. \u00c9 atrav\u00e9s dela que todas as demais prioridades poder\u00e3o respirar; sem contempl\u00e1-la, definhar\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse discernimento \u00e9 indispens\u00e1vel para enxergar melhor a oportunidade e a relev\u00e2ncia de tr\u00eas eventos agendados para este segundo semestre de 2015.<\/p>\n<p>Em setembro, representantes de todo o planeta re\u00fanem-se na ONU para aprovar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), que suceder\u00e3o os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM).<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 uma mera mudan\u00e7a de siglas. Os ODM foram em grande medida uma cria\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es internacionais impostas \u201ctop-down\u201d aos pa\u00edses em desenvolvimento. Agora, com os ODS, vemos um processo inverso em marcha: os pa\u00edses membros do Sistema ONU, desenvolvidos e em desenvolvimento, tomaram a lideran\u00e7a em definir o \u201cfuturo que queremos\u201d, como sugeria o t\u00edtulo do documento final da Rio+20 que deu origem a tais metas.<\/p>\n<p>Em dezembro, ser\u00e1 a vez da Confer\u00eancia do Clima, que acontece em Paris. A chamada CoP21 tem a miss\u00e3o de pactuar um novo consenso global para evitar um aquecimento da terra superior a 2\u00ba C at\u00e9 o final do s\u00e9culo. Nesta ocasi\u00e3o, os compromissos concretos j\u00e1 assumidos por v\u00e1rios pa\u00edses esbo\u00e7am o cen\u00e1rio de uma confer\u00eancia que promete ir al\u00e9m de declara\u00e7\u00f5es superficiais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Parisrelogio_180618269.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-197147\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Parisrelogio_180618269.jpg\" alt=\"Foto: Gare de Lyon, Paris\/Shutterstock\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o estamos diante de um calend\u00e1rio protocolar. As reuni\u00f5es de setembro e dezembro derivam e convergem para um mesmo fio condutor, aquele que o Papa Francisco resumiu de forma lapidar na enc\u00edclica \u201cLouvado Seja\u201d: o desafio do meio ambiente e o da pobreza s\u00e3o parte de uma mesma crise.<\/p>\n<p>Novas formas de viver e de produzir cobram seu espa\u00e7o nas metas que ser\u00e3o consagradas na ONU, em setembro e, tr\u00eas meses depois, nos compromissos para o clima, em Paris. A consci\u00eancia da travessia s\u00f3 se transformar\u00e1 em a\u00e7\u00e3o consequente, por\u00e9m, se a coopera\u00e7\u00e3o internacional providenciar os recursos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Entra a\u00ed o terceiro pilar deste ano decisivo: a Confer\u00eancia da ONU sobre Financiamento ao Desenvolvimento, que ocorre em Adis Abeba em julho. Anterior \u00e0s edi\u00e7\u00f5es de Nova York e Paris, menos midi\u00e1tica, mas n\u00e3o menos importante \u2013 na verdade crucial- a reuni\u00e3o na capital et\u00edope desafia as na\u00e7\u00f5es a firmarem um acordo para compartilhar a conta global do combate \u00e0 fome e \u00e0 pobreza extrema, do desenvolvimento sustent\u00e1vel, da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e da transi\u00e7\u00e3o para modelos de produ\u00e7\u00e3o menos destrutivos.<\/p>\n<p>Trata-se de harmonizar tr\u00eas imperativos: o crescimento equilibrado; o crescimento inclusivo e o crescimento sem fome. Um resultado pr\u00e1tico poder\u00e1 ser a inclus\u00e3o dos mais pobres nos or\u00e7amentos nacionais dos pa\u00edses que definirem o combate \u00e0 fome e \u00e0 mis\u00e9ria como suas prioridades pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 70 anos, a popula\u00e7\u00e3o mundial triplicou; a oferta per capita de comida quase duplicou. O n\u00famero de pessoas com fome caiu em mais de 210 milh\u00f5es desde 1990; a propor\u00e7\u00e3o dos que passam fome recuou cerca de 40%.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel \u2013 \u00e9 imperativo \u2013 ir al\u00e9m: 800 milh\u00f5es ainda vivem sob o torniquete da inseguran\u00e7a alimentar. Ao mesmo tempo, taxas de obesidade sobem em todo o planeta, na evid\u00eancia incontorn\u00e1vel de que a seguran\u00e7a alimentar adequada deixou de significar apenas a garantia m\u00ednima de calorias. Cada vez mais ela abarcar\u00e1 tamb\u00e9m o cuidado com a qualidade da dieta humana.<\/p>\n<p>A abund\u00e2ncia ao lado da fome reitera, sobretudo, a persist\u00eancia de desafios de distribui\u00e7\u00e3o e acesso que extrapolam a quest\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Definitivamente, essa n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o t\u00e9cnica. O ferrolho que comprime o passo seguinte do nosso tempo \u00e9 de outra ordem. Destrav\u00e1-lo implica uma coordena\u00e7\u00e3o cooperativa dos recursos para o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Trata-se, entre outras coisas, de dar ao desenvolvimento reprimido, \u00e0 terra ociosa, ao trabalho subutilizado, o emprego, o cr\u00e9dito, a renda e os recursos tecnol\u00f3gicos necess\u00e1rios \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica movedi\u00e7a da crise mundial. Mais que nunca est\u00e1 claro, trata-se de uma crise fruto do desemprego e da desigualdade crescentes, e de uma satura\u00e7\u00e3o f\u00edsica no uso dos recursos que formam as bases da vida na terra.<\/p>\n<p>A FAO se preparou para fazer a sua parte nessa travessia.<\/p>\n<p>Equipes e recursos refor\u00e7aram a nossa presen\u00e7a nos pa\u00edses e regi\u00f5es que mais precisam de apoio nessa transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Remanejamentos de quadros e de or\u00e7amento foram implementados para torn\u00e1-la um centro irradiador de intelig\u00eancia com os p\u00e9s ancorados nas frentes da universaliza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a alimentar, da produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, da valoriza\u00e7\u00e3o dos agricultores familiares, da inclus\u00e3o social, e da resili\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Interliga-se a essas diretrizes o desafio de incorporar 500 milh\u00f5es de propriedades familiares ao novo padr\u00e3o de crescimento do s\u00e9culo 21, de modo a refor\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar ali onde, paradoxalmente, ela \u00e9 mais fr\u00e1gil: 75% da fome hoje concentra-se na \u00e1rea rural. N\u00e3o estamos falando de boas inten\u00e7\u00f5es, mas de urg\u00eancias dotadas de lastro social, pol\u00edtico e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma d\u00e9cada, erradicar a fome no Brasil era considerado uma agenda ut\u00f3pica. O pa\u00eds provou que isso era poss\u00edvel e saiu do mapa da fome. Mundo afora, 72 de 129 na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento monitoradas pela FAO alcan\u00e7aram o desempenho previsto nos ODM de reduzir a propor\u00e7\u00e3o de pessoas subnutridas a menos da metade.<\/p>\n<p>Podemos ser a primeira gera\u00e7\u00e3o Fome Zero, consolidando o passo indispens\u00e1vel a um desenvolvimento equilibrado e inclusivo. \u00c9 isso que os ponteiros da urg\u00eancia e da oportunidade est\u00e3o a nos dizer: chegou a hora. (EcoD\/ #Envolverde)<\/p>\n<p><em>* <strong>Jos\u00e9 Graziano da Silva<\/strong> \u00e9 diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO).<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Envolverde &#8211; Jornal Valor Econ\u00f4mico &#8211; EcoD<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Graziano da Silva* O tempo das constata\u00e7\u00f5es ficou para tr\u00e1s. 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