{"id":24360,"date":"2015-07-11T17:22:58","date_gmt":"2015-07-11T17:22:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=24360"},"modified":"2015-07-11T17:22:58","modified_gmt":"2015-07-11T17:22:58","slug":"estudo-da-nasa-publicado-na-revista-science-explica-o-suposto-hiato-do-aquecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-da-nasa-publicado-na-revista-science-explica-o-suposto-hiato-do-aquecimento\/","title":{"rendered":"Estudo da NASA publicado na revista Science explica o suposto &#8220;hiato&#8221; do aquecimento"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/estruturas_terra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-24361\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/estruturas_terra-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/estruturas_terra-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/estruturas_terra.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O planeta est\u00e1 esquentando, n\u00e3o h\u00e1 como negar. Desde 1880, quando come\u00e7aram os registros formais, a temperatura subiu 0,8 grau, e dois ter\u00e7os desse aumento aconteceu nos \u00faltimos 40 anos. N\u00e3o s\u00f3 treze dos catorze anos mais quentes j\u00e1 documentados ocorreram neste come\u00e7o de s\u00e9culo, como 2014 bateu o recorde dos registros. Detecta-se hoje, por\u00e9m, um fen\u00f4meno que intriga cientistas. Apesar de o calor planet\u00e1rio crescer ano a ano, o ritmo desse aumento vem diminuindo. Isso vai na contram\u00e3o das previs\u00f5es de climatologistas, que apontavam que quanto maior fosse a emiss\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico (o CO2) na atmosfera, \u00edndice que s\u00f3 sobe, maior seria tamb\u00e9m o fator de eleva\u00e7\u00e3o da temperatura da Terra. A esse estranho acontecimento foi dado o nome de &#8220;hiato&#8221;, justamente por representar uma aparente pausa no aquecimento. Na quinta-feira passada, por\u00e9m, a Nasa, a ag\u00eancia espacial americana, finalmente achou uma resposta para esse fen\u00f4meno que negaria as estimativas catastr\u00f3ficas de ambientalistas, e poderia jogar uma p\u00e1 de cal nos esfor\u00e7os conservacionistas para reverter os efeitos negativos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Em resumo, os pesquisadores da Nasa descobriram que \u00e9 s\u00f3 aparente a redu\u00e7\u00e3o no ritmo do aquecimento global. .<\/p>\n<p>O hiato era utilizado por estudiosos &#8220;c\u00e9ticos&#8221; como o principal argumento contr\u00e1rio \u00e0 ideia da exist\u00eancia de aquecimento global. Diferentemente do que \u00e9 mais aceito pela comunidade cient\u00edfica, esse grupo n\u00e3o credita as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e0 atividade humana, que tem lotado a atmosfera com gases de efeito estufa por meio, por exemplo, da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, como petr\u00f3leo e carv\u00e3o. Para os c\u00e9ticos, fatores naturais explicariam a oscila\u00e7\u00e3o de temperatura, como ciclos esperados do clima da Terra, ou ainda a inconstante atividade do Sol.<\/p>\n<p>O estudo da Nasa publicado na revista americana <em>Science<\/em> acaba com argumentos dos c\u00e9ticos. Segundo c\u00e1lculos da ag\u00eancia espacial americana, o calor acumulado nos \u00faltimos anos na atmosfera e pela \u00e1gua dos mares se deslocou para camadas mais profundas dos oceanos. Esse calor, por\u00e9m, deve voltar \u00e0 superf\u00edcie a curto prazo, aumentando bruscamente a temperatura global. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 que o aquecimento passa por um hiato. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas continuam a todo vapor, s\u00f3 n\u00e3o se sabia onde estava armazenada parte substancial do calor acumulado nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise de dados coletados por sat\u00e9lites da Nasa mostrou que os oceanos t\u00eam absorvido grande quantidade de calor ao longo do tempo. Os pesquisadores analisaram a distribui\u00e7\u00e3o de calor no planeta e descobriram que, ao menos desde 2003, as \u00e1guas quentes que ocupavam os primeiros 100 metros a partir da superf\u00edcie do Oceano Pac\u00edfico resfriaram &#8211; o que condiz com a teoria da pausa do aquecimento. Por\u00e9m, e a\u00ed est\u00e1 a novidade, essa perda de calor foi compensada com o aquecimento de \u00e1guas profundas, abaixo de 300 metros da superf\u00edcie, nos oceanos \u00cdndico e Ant\u00e1rtico.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o entendemos esse mecanismo por completo. Mas podemos afirmar que o resfriamento da superf\u00edcie nos iludiu. Nos pr\u00f3ximos anos o calor regressar\u00e1 \u00e0s \u00e1guas rasas e \u00e0 atmosfera&#8221;, disse ao site de VEJA a espanhola Veronica Nieves, f\u00edsica da NASA e uma dos autores do estudo. &#8220;A oscila\u00e7\u00e3o, combinada ao fato de que estamos fornecendo calor extra para a atmosfera por meio das emiss\u00f5es de gases estufa, indica que o aquecimento vai acelerar novamente&#8221;, completa.<\/p>\n<p>A descoberta foi agora inclu\u00edda nos modelos clim\u00e1ticos utilizados por cientistas para prever o aquecimento e seus efeitos em diferentes cen\u00e1rios de emiss\u00f5es de gases estufa. A conclus\u00e3o \u00e9 importante ainda por revelar com mais detalhes como os oceanos agem como reguladores da temperatura do planeta. &#8220;Se n\u00e3o fosse pelos mares, a atmosfera teria aquecido mais de 1,5 graus nos \u00faltimos 150 anos, e n\u00e3o 0,8 grau, agravando a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 ruim&#8221;, diz o climatologista Paulo Artaxo, da Universidade de S\u00e3o Paulo. &#8220;O problema \u00e9 que, ao absorver o calor excessivo da atmosfera, os oceanos tamb\u00e9m est\u00e3o sendo fortemente afetados, com altera\u00e7\u00f5es nas correntes oce\u00e2nicas, na salinidade e na acidez da \u00e1gua.&#8221;<\/p>\n<p>O debate sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas teve idas e vindas. Enquanto se acumulavam evid\u00eancias de que o aumento das temperaturas estaria ligado \u00e0 emiss\u00e3o de gases estufa pelo homem, os c\u00e9ticos se opunham opor \u00e0 explica\u00e7\u00e3o. A tese desse grupo ganhou for\u00e7a no fim dos anos 2000, quando aconteceu o esc\u00e2ndalo apelidado de &#8220;climategate&#8221;. Em 2009, mais de 1 000 e-mails de cientistas e ambientalistas foram hackeados e divulgados na internet. Trechos dos e-mails sugeriam que os pesquisadores haviam manipulado, ou mesmo escondido, dados, al\u00e9m de negar acesso p\u00fablico \u00e0s informa\u00e7\u00f5es e impedir a divulga\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos com posi\u00e7\u00e3o diferente da deles. Em outras palavras, maquiaram informa\u00e7\u00f5es para solidificar as teses mais extremas sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Pouco depois, outro esc\u00e2ndalo sobre o assunto surgiu. Revelou-se que um relat\u00f3rio divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), \u00f3rg\u00e3o da ONU, continha alega\u00e7\u00f5es mentirosas sobre os glaciares do Himalaia, com c\u00e1lculos que indicavam que eles derreteriam at\u00e9 2035. Georg Kaser, glaci\u00f3logo que apontou a falha, afirmou que &#8220;o dado n\u00e3o estava apenas um pouco errado, mas muito fora de qualquer ordem de magnitude&#8221;.<\/p>\n<p>Os dois casos tiveram impacto profundo na C\u00fapula do Clima que aconteceu em Copenhague em dezembro de 2009, considerada um fracasso pelos ambientalistas por n\u00e3o ter representado avan\u00e7o nas discuss\u00f5es para um acordo que levaria \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o significativa da emiss\u00e3o de CO2 pelos pa\u00edses envolvidos nas negocia\u00e7\u00f5es. A reputa\u00e7\u00e3o do IPCC e dos cientistas que defendiam o aquecimento global tamb\u00e9m foi abalada, mesmo depois de a institui\u00e7\u00e3o ter reconhecido as falhas e se desculpado por elas, e de as investiga\u00e7\u00f5es instauradas para averiguar o <em>climategate<\/em> reconhecerem que os cientistas eram inocentes das acusa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, estudiosos v\u00eam se esfor\u00e7ando para mostrar que a amea\u00e7a das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 muito maior do que as pol\u00eamicas que apareceram no caminho. Em seu \u00faltimo relat\u00f3rio, divulgado entre 2013 e 2014, o IPCC determinou crit\u00e9rios mais r\u00edgidos para selecionar quais estudos levaria em considera\u00e7\u00e3o. A revis\u00e3o foi extensa, com tr\u00eas rodadas de an\u00e1lise resultando em 54 000 coment\u00e1rios de revisores, o dobro dos recebidos na vers\u00e3o anterior. At\u00e9 os dados que projetavam o aumento de temperatura em diferentes cen\u00e1rios foram mais cautelosos, apontando para uma eleva\u00e7\u00e3o que deve variar de 1 a 3,7 graus at\u00e9 o final do s\u00e9culo &#8211; no relat\u00f3rio anterior, essa escala ia de 1,8 a 4 graus. O \u00f3rg\u00e3o, por\u00e9m, foi taxativo no mais importante: definiu a possibilidade de o homem ser o maior causador do aquecimento global em 95%, um aumento de 5% em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho anterior.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do &#8220;hiato&#8221;, por\u00e9m, ainda se mostrava como um desafio para os ambientalistas. N\u00e3o havia explica\u00e7\u00f5es cr\u00edveis para a aparente pausa do aquecimento global nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. A descoberta da Nasa, portanto, \u00e9 fundamental. Sim, h\u00e1 aquecimento global, e seu ritmo deve voltar de forma ainda mais intensa justamente em consequ\u00eancia desse &#8220;hiato&#8221;, que acabou por armazenar calor em \u00e1reas mais profundas dos oceanos.<\/p>\n<p>Com isso, os c\u00e9ticos ter\u00e3o de repensar seus argumentos &#8211; ou mudar de opini\u00e3o. Como fez, em 2012, o climatologista e f\u00edsico Richard Muller, pesquisador que at\u00e9 ent\u00e3o integrava o grupo de descrentes, mas que <strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/ex-cetico-do-clima-afirma-que-aquecimento-global-e-causado-pelo-homem\" rel=\"\">reconheceu<\/a><\/strong>, em artigo publicado no <em>New York Times<\/em>, que a melhor explica\u00e7\u00e3o para o aquecimento do planeta \u00e9 mesmo a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa pelo homem. Resta saber se esse posicionamento vai se refletir na conversa que governantes de todo o mundo ter\u00e3o em Paris, no fim do ano, durante a C\u00fapula do Clima, na qual se estabelecer\u00e1 o acordo clim\u00e1tico que substituir\u00e1 o defasado Protocolo de Quioto na regula\u00e7\u00e3o global da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. Assim como fez o <strong><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/mestas-anunciadas-por-dilma-sao-insuficientes-dizem-ambientalistas\" rel=\"\">Brasil<\/a><\/strong> na semana passada, todos os pa\u00edses devem apresentar metas com anteced\u00eancia para que o di\u00e1logo em Paris j\u00e1 comece adiantado. &#8220;Este trabalho da Nasa \u00e9 mais uma contribui\u00e7\u00e3o para a discuss\u00e3o e espero que ajude a criar um consenso definitivo&#8221;, diz a pesquisadora Veronica Nieves.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O planeta est\u00e1 esquentando, n\u00e3o h\u00e1 como negar. 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