{"id":24326,"date":"2015-07-11T13:00:32","date_gmt":"2015-07-11T13:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=24326"},"modified":"2015-07-10T19:19:30","modified_gmt":"2015-07-10T19:19:30","slug":"tratamento-e-disposicao-do-lodo-de-eta-e-impactos-na-qualidade-das-aguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/tratamento-e-disposicao-do-lodo-de-eta-e-impactos-na-qualidade-das-aguas\/","title":{"rendered":"Tratamento e disposi\u00e7\u00e3o do lodo de ETA e impactos na qualidade das \u00e1guas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-24327\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O controle da polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas \u00e9 fundamental para a sa\u00fade humana, assim como para o meio em que essa se insere. Uma importante quest\u00e3o ambiental que vem sendo pesquisada atualmente, e um dos principais problemas enfrentados pelos grandes centros urbanos, \u00e9 o processo de disposi\u00e7\u00e3o final para o lodo gerado nas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua (ETA).<\/p>\n<p>Com o crescimento populacional vem aumentando o consumo de \u00e1gua pot\u00e1vel, sendo necess\u00e1rio o tratamento de uma maior vaz\u00e3o de \u00e1gua para prover toda a demanda da popula\u00e7\u00e3o. Com a deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua, torna-se necess\u00e1rio o uso de coagulantes para garantir que a \u00e1gua tratada atenda aos padr\u00f5es de potabilidade da Portaria n\u00ba 2.914\/2011, levando a um aumento da gera\u00e7\u00e3o de lodo dentro da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Fonte: SAAE Vi\u00e7osa<\/strong><\/p>\n<p>Segundo os especialistas o lodo \u00e9 gerado de duas maneiras: primeira devido \u00e0 sedimenta\u00e7\u00e3o dos flocos que ocorre nos decantadores, onde ficam retidos por dias ou at\u00e9 meses, de acordo com o sistema de descarga. E a outra forma de produ\u00e7\u00e3o de lodo \u00e9 devido \u00e0 parte dos flocos que n\u00e3o se sedimentaram nos decantadores, e que seguem para a etapa de filtra\u00e7\u00e3o, onde s\u00e3o retidos. Durante a limpeza dos decantadores, por processos mecanizados ou manuais, e dos filtros por lavagem, o lodo \u00e9 removido e encaminhado para o processo de desidrata\u00e7\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o. Assim, a gera\u00e7\u00e3o do lodo ocorre nos decantadores e na lavagem dos filtros.<\/p>\n<p>Os lodos possuem caracter\u00edsticas variadas, dependendo fundamentalmente das condi\u00e7\u00f5es apresentadas pela \u00e1gua bruta, da dose e tipo de produtos qu\u00edmicos utilizados, e da forma de limpeza dos decantadores. Com a produ\u00e7\u00e3o de uma grande quantidade de res\u00edduos, as ETAs precisam dispor de forma correta todo o lodo para atender a legisla\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>No Brasil, grande parte das esta\u00e7\u00f5es lan\u00e7am seus res\u00edduos sem nenhuma forma de tratamento, diretamente no corpo d\u2019\u00e1gua mais pr\u00f3ximo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, ocasionando assoreamento e deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua dos rios e lagos.<\/p>\n<p>Atualmente \u00e9 necess\u00e1rio realizar novas buscas por tecnologias de tratamento do lodo e determinar formas diferenciadas de disposi\u00e7\u00e3o, de maneira a causar o menor impacto poss\u00edvel no meio ambiente e atender as legisla\u00e7\u00f5es ambientais.<\/p>\n<p>A busca por solu\u00e7\u00f5es visando minimizar os impactos e viabilizar a disposi\u00e7\u00e3o adequada dos res\u00edduos da ETA, levou ao desenvolvimento de v\u00e1rias tecnologias. No entanto, a escolha da melhor tecnologia depende das caracter\u00edsticas qualitativa e quantitativa do lodo, e das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, sendo que cada esta\u00e7\u00e3o ter\u00e1 um lodo com caracter\u00edsticas diferentes. Pode-se estender a estes fatores a \u00e1rea necess\u00e1ria para implanta\u00e7\u00e3o, custo da \u00e1rea, dist\u00e2ncia da esta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o destino final, custo dos equipamentos, opera\u00e7\u00e3o, preparo de recursos humanos para prepara\u00e7\u00e3o e a necessidade de condicionamento do lodo.<\/p>\n<p>Uma grande preocupa\u00e7\u00e3o em dispor corretamente o lodo das ETA est\u00e1 na presen\u00e7a de metais na composi\u00e7\u00e3o desse res\u00edduo e no aumento do volume de chorume gerado durante o processo de degrada\u00e7\u00e3o quando o lodo \u00e9 disposto em aterros sanit\u00e1rios, contribuindo para a gera\u00e7\u00e3o de impactos adversos ao meio ambiente (\u00e1gua, solo, flora e fauna) e \u00e0 sa\u00fade humana, quando depositados de forma inadequada. Muito se tem pesquisado sobre as op\u00e7\u00f5es de disposi\u00e7\u00e3o do lodo de ETA, como: insumo na agricultura, disposi\u00e7\u00e3o em aterro sanit\u00e1rio, incinera\u00e7\u00e3o, uso na fabrica\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica, recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1rea degradada e recupera\u00e7\u00e3o do coagulante. No entanto, ainda existem lacunas sobre a melhor maneira de dispor estes res\u00edduos, de forma que cause o menor impacto ambiental poss\u00edvel, devido \u00e0s diversas caracter\u00edsticas do lodo produzido.<\/p>\n<p><strong>Tratamento do Lodo de ETA<\/strong><\/p>\n<p>Os res\u00edduos gerados em ETAs, segundo os especialistas caracterizam-se por possu\u00edrem grande umidade, geralmente maior que 95%, estando, de maneira geral, sob forma flu\u00edda. A redu\u00e7\u00e3o do seu volume propicia uma disposi\u00e7\u00e3o mais adequada, a redu\u00e7\u00e3o do custo de transporte e de disposi\u00e7\u00e3o final al\u00e9m de minimizar os riscos de polui\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>As estrat\u00e9gias de tratamento e disposi\u00e7\u00e3o final de lodos de ETAs envolvem diversas op\u00e7\u00f5es e t\u00e9cnicas cujas pertin\u00eancias s\u00e3o grandemente influenciadas, dentre outros fatores, pelas caracter\u00edsticas do lodo, \u00e1rea dispon\u00edvel, clima local e condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, culturais e ambientais da regi\u00e3o onde se pretende implantar o sistema de tratamento de lodo.<\/p>\n<p>Normalmente, a primeira etapa dos sistemas de tratamento de lodo gerados em ETAs convencionais \u00e9 o seu espessamento ou adensamento, que \u00e9 um processo preparat\u00f3rio para o seu posterior condicionamento e desidrata\u00e7\u00e3o final. Essa etapa objetiva a separa\u00e7\u00e3o de parte da \u00e1gua mais facilmente remov\u00edvel do lodo com vistas \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do volume desse lodo e, consequentemente, possibilita a redu\u00e7\u00e3o no tamanho dos equipamentos utilizados na etapa subsequente de desidrata\u00e7\u00e3o final do lodo, cujos custos de implanta\u00e7\u00e3o e de opera\u00e7\u00e3o (energia, manuten\u00e7\u00e3o, etc.) dependem do volume e das caracter\u00edsticas do lodo a ser desidratado.<\/p>\n<p>O adensamento \u00e9 uma das mais importantes opera\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias do processamento de tratamento da fase s\u00f3lida, pois, de modo geral, os equipamentos de desidrata\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica existentes no mercado recomendam uma concentra\u00e7\u00e3o de ST no lodo de entrada na ordem de 2% para que o seu funcionamento ocorra de forma adequada.<\/p>\n<p>O espessamento pode ser efetuado em unidades de sedimenta\u00e7\u00e3o (espessamento por gravidade), em unidade de flota\u00e7\u00e3o por ar dissolvido (espessamento por flota\u00e7\u00e3o) ou em espessadores mec\u00e2nicos de esteira.<\/p>\n<p>Embora o uso de adensadores por gravidade seja mais antigo e difundido em v\u00e1rios pa\u00edses, a alternativa de espessamento por flota\u00e7\u00e3o vem conquistando o apre\u00e7o dos projetistas. Tal fato ocorre devido a algumas vantagens inerentes ao espessamento de alguns tipos de lodo por flota\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao procedimento de sedimenta\u00e7\u00e3o, podendo-se citar: maiores taxas de aplica\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos e de clarifica\u00e7\u00e3o (unidades mais compactas), maiores concentra\u00e7\u00f5es de s\u00f3lidos no lodo espessado por flota\u00e7\u00e3o e maior versatilidade operacional da instala\u00e7\u00e3o devido \u00e0 possibilidade de controle da qualidade de ar fornecida para flota\u00e7\u00e3o. Contudo, salientam que a escolha do tipo de unidade de espessamento de lodos de ETAs deve sempre se pautar em resultados de ensaios de laborat\u00f3rios, ou escala-piloto, pois o desempenho de qualquer processo de espessamento depender\u00e1 das caracter\u00edsticas do lodo considerado, as quais podem variar significativamente de uma ETA para outra.<\/p>\n<p>Estudos realizados pelo Prof. Dr. Luiz Di Bernardo avaliaram a tratabilidade de res\u00edduos produzidos na ETA Descalvado, localizada no munic\u00edpio de Descalvado em S\u00e3o Paulo, e verificou que com uso de pol\u00edmero foi obtido um lodo com maior facilidade de desaguamento por centrifuga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Prof. Di Bernardo tamb\u00e9m demonstrou que o tratamento do lodo realizado unicamente por adensamento, inviabiliza sua disposi\u00e7\u00e3o em aterro, dada a dificuldade na sustenta\u00e7\u00e3o dos equipamentos e taludes, devido \u00e0 baixa concentra\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos \u2264 8%. Acrescentou ainda que este fato tamb\u00e9m limita sua utiliza\u00e7\u00e3o como mat\u00e9ria-prima na fabrica\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica e na incorpora\u00e7\u00e3o em matriz de concreto, embora essa baixa concentra\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos possa ser recomend\u00e1vel para disposi\u00e7\u00e3o desses res\u00edduos em ETEs ou recupera\u00e7\u00e3o de solos agr\u00edcolas, dependendo das caracter\u00edsticas qualitativas e quantitativas dos res\u00edduos. Logo, dependendo da disposi\u00e7\u00e3o final que se pretende dar ao lodo de ETAs, pode ser necess\u00e1ria, ap\u00f3s o adensamento, a aplica\u00e7\u00e3o de outra tecnologia de desaguamento, com o prop\u00f3sito de aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos totais e, consequentemente, reduzir de forma mais significativa o volume de lodo.<\/p>\n<p>O especialista concluiu na sua pesquisa que a escolha da t\u00e9cnica de tratamento deve ser analisada do ponto de vista sist\u00eamico, considerando que o grau de tratamento do lodo da esta\u00e7\u00e3o depende, diretamente, do m\u00e9todo de aproveitamento e de disposi\u00e7\u00e3o do res\u00edduo, junto com a qualidade desejada para a parcela l\u00edquida a ser recirculada no in\u00edcio da ETA (se esta possibilidade for avaliada).<\/p>\n<p><strong>Disposi\u00e7\u00e3o do lodo de ETA<\/strong><\/p>\n<p>As ETAs que utilizam o tratamento convencional (coagula\u00e7\u00e3o, flocula\u00e7\u00e3o, decanta\u00e7\u00e3o e filtra\u00e7\u00e3o), transformam a \u00e1gua inadequada ao consumo humano em um produto em acordo com o padr\u00e3o de potabilidade, para isso s\u00e3o necess\u00e1rios processos e opera\u00e7\u00f5es que geram res\u00edduos. No Brasil, a maior preocupa\u00e7\u00e3o tem sido em rela\u00e7\u00e3o aos res\u00edduos gerados em esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto (ETEs), enquanto pouco tem sido discutido em rela\u00e7\u00e3o aos rejeitos gerados em ETAs, como o lodo. De acordo com a NBR 10.004, o lodo \u00e9 classificado como res\u00edduo s\u00f3lido, n\u00e3o sendo permitido seu lan\u00e7amento in natura em \u00e1guas superficiais. No entanto, no Brasil essa pr\u00e1tica \u00e9 realizada pela maioria dos sistemas de tratamento de \u00e1gua, promovendo impactos ambientais diversos. Segundo IBGE (2010), dos 5.564 munic\u00edpios brasileiros, 2.098 produzem lodo no processo de tratamento da \u00e1gua. As destina\u00e7\u00f5es desse lodo gerado s\u00e3o apresentadas na Figura 1. \u00c9 importante frisar que um munic\u00edpio pode dar mais de um destino ao lodo gerado.<\/p>\n<p>Nota-se que o percentual de munic\u00edpios brasileiros que destinam o lodo em rios corresponde a 62,44%. Esse percentual mostra que um grande volume de lodo vem sendo lan\u00e7ado nos rios brasileiros, o que interfere na qualidade das \u00e1guas, podendo causar diversos impactos. Dentre os munic\u00edpios que destinam o lodo gerado em rios, a regi\u00e3o sudeste \u00e9 a que contribui com o maior n\u00famero de munic\u00edpios, seguida da regi\u00e3o sul, conforme a Tabela 1. Essas duas regi\u00f5es s\u00e3o as que possuem a maior demanda por \u00e1gua e consequentemente as que produzem a maior quantidade de \u00e1gua tratada e lodo.<\/p>\n<p>Segundo a\u00a0<em>Profa<\/em>.\u00a0<em>Dra<\/em>.\u00a0<em>Cali Laguna Achon do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, em\u00a0<\/em>um estudo realizado sobre as 23 ETAs da sub-bacia do rio Piracicaba em S\u00e3o Paulo, que \u00e9 precursora na gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, a forma de destina\u00e7\u00e3o que prevalece \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o in natura do lodo nos corpos d\u2019\u00e1gua, sendo que 73% do lodo \u00e9 lan\u00e7ado nos corpos receptores sem tratamento pr\u00e9vio, 23% das ETAs n\u00e3o disponibilizaram esta informa\u00e7\u00e3o e somente 4% enviam o lodo para aterro, ap\u00f3s desaguamento.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a pesquisadora as informa\u00e7\u00f5es sobre o lodo gerado na maioria das ETAs n\u00e3o \u00e9, sequer efetivamente medido e quantificado, o que dificulta a\u00e7\u00f5es de melhoria da gest\u00e3o destes res\u00edduos e a avalia\u00e7\u00e3o de impactos ambientais advindos da disposi\u00e7\u00e3o inadequada.<\/p>\n<p>As principais caracter\u00edsticas que distinguem o lodo de outros res\u00edduos s\u00e3o: a capacidade de suportar a vida vegetal, a capacidade de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e o conte\u00fado de ferro e alum\u00ednio.<\/p>\n<p>Com base nesses aspectos, podem ser citadas algumas t\u00e9cnicas de disposi\u00e7\u00e3o final: aplica\u00e7\u00e3o em solos agr\u00edcolas, recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, material de constru\u00e7\u00e3o, materiais cer\u00e2micos, recupera\u00e7\u00e3o do coagulante, disposi\u00e7\u00e3o em ETE, disposi\u00e7\u00e3o em aterro, dentre outras. No Brasil, tais alternativas ainda s\u00e3o pouco utilizadas.<\/p>\n<p><strong>Aplica\u00e7\u00e3o em solos agr\u00edcolas<\/strong><\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o em solos agr\u00edcolas \u00e9 umas das poss\u00edveis formas de disposi\u00e7\u00e3o do lodo de ETA. Como o sulfato de alum\u00ednio \u00e9 bastante utilizado como coagulante nas ETAs, os poss\u00edveis efeitos que ele pode causar t\u00eam sido um ponto central nas pesquisas sobre a aplica\u00e7\u00e3o do lodo em solos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>A toxicidade do alum\u00ednio \u00e9 um dos mais importantes fatores que limitam a produtividade das culturas em solos \u00e1cidos, os quais compreendem mais de 40% das terras ar\u00e1veis do mundo. No Brasil, aproximadamente 1,8 milh\u00e3o de km\u00b2 de solos, sob vegeta\u00e7\u00e3o de cerrado, caracteriza-se por apresentar forte acidez, defici\u00eancia extrema de f\u00f3sforo, c\u00e1lcio, magn\u00e9sio e n\u00edveis elevados de alum\u00ednio e mangan\u00eas. A baixa produtividade e a baixa resposta de muitos desses solos \u00e0 fertiliza\u00e7\u00e3o t\u00eam sido, em grande parte, atribu\u00eddas \u00e0 presen\u00e7a de alum\u00ednio em concentra\u00e7\u00f5es t\u00f3xicas.<\/p>\n<p>Diante dos poss\u00edveis efeitos causados pelo alum\u00ednio, para a aplica\u00e7\u00e3o de lodos de ETAs em solos agr\u00edcolas \u00e9 necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises, principalmente quando o coagulante utilizado no tratamento for o sulfato de alum\u00ednio.<\/p>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas<\/strong><\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do lodo de ETA para a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas \u00e9 uma alternativa vi\u00e1vel, desde que sejam realizadas an\u00e1lises para identificar os efeitos causados ao solo e as plantas.<\/p>\n<p>O lodo de ETA pode ser disposto em \u00e1reas degradadas, pois eleva os teores de macronutrientes e o valor do pH do solo. Em altas doses pode causar a salinidade do solo. Para fins de recupera\u00e7\u00e3o, sua aplica\u00e7\u00e3o deve estar associada a um res\u00edduo org\u00e2nico, como composto de serragem e esterco bovino, entre outros.<\/p>\n<p><strong>Material de constru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 um setor que apresenta um alto consumo de recursos naturais e a utiliza\u00e7\u00e3o do lodo de ETA pode ser uma alternativa ben\u00e9fica para mitigar tal consumo. Pesquisas t\u00eam sido realizadas a fim de verificar a adequabilidade dos produtos para constru\u00e7\u00e3o gerados com adi\u00e7\u00e3o de lodo de ETAs em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s normas pertinentes.<\/p>\n<p>As caracter\u00edsticas f\u00edsicas e qu\u00edmicas de lodos de ETAs s\u00e3o, muitas vezes, similares \u00e0s caracter\u00edsticas dos materiais utilizados na fabrica\u00e7\u00e3o de tijolos, pois apresentam propriedades similares \u00e0 argila natural e xisto utilizados na produ\u00e7\u00e3o destes materiais. As grandes quantidades de lodos gerados em ETAs podem diminuir significativamente a quantidade de argila e xisto utilizados na fabrica\u00e7\u00e3o de tijolos, aumentando a vida \u00fatil das jazidas naturais. A possibilidade de reunir os rejeitos advindos do lodo de ETAs em conjunto com os res\u00edduos da constru\u00e7\u00e3o civil, no intuito de estudar formas de utiliza\u00e7\u00e3o dos mesmos, poder\u00e1 ser uma interessante estrat\u00e9gia no sentido de minimizar os impactos ambientais gerados por estes dois setores.<\/p>\n<p><strong>Material cer\u00e2mico<\/strong><\/p>\n<p>A agrega\u00e7\u00e3o de res\u00edduos de diversas atividades em produtos cer\u00e2micos argilosos \u00e9 uma alternativa tecnol\u00f3gica que pode contribuir para a redu\u00e7\u00e3o do impacto ambiental causado por estes. Durante a queima da cer\u00e2mica pode ocorrer a inertiza\u00e7\u00e3o de materiais potencialmente t\u00f3xicos por volatiliza\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e estabiliza\u00e7\u00e3o na fase v\u00edtrea que se forma pela participa\u00e7\u00e3o de alumino silicatos e fundentes na massa cer\u00e2mica. Dependendo da quantidade e da caracter\u00edstica do res\u00edduo, essa incorpora\u00e7\u00e3o pode, inclusive, melhorar o processamento cer\u00e2mico, a qualidade da cer\u00e2mica e ainda, contribuir para a redu\u00e7\u00e3o do gasto energ\u00e9tico na etapa de queima e na redu\u00e7\u00e3o do consumo de argilas, recurso natural utilizado como mat\u00e9ria prima na confec\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica.<\/p>\n<p>O lodo gerado em ETAs, principalmente o proveniente de \u00e1gua de superf\u00edcie, pode ser incorporado \u00e0 massa cer\u00e2mica devido a sua composi\u00e7\u00e3o mineral\u00f3gica sem alterar de forma significativa as propriedades f\u00edsicas das pe\u00e7as produzidas. A incorpora\u00e7\u00e3o do lodo gerado em ETAs na massa cer\u00e2mica pode reduzir a temperatura de queima, devido \u00e0 fra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, e consequentemente reduzir a energia total requerida durante o processo. Al\u00e9m disso, os hidr\u00f3xidos met\u00e1licos presentes no lodo reduzem a porosidade e, no caso dos lodos f\u00e9rricos, aumentam a intensidade da cor vermelha dos tijolos e telhas.<\/p>\n<p>H\u00e1 possibilidade da utiliza\u00e7\u00e3o do lodo na fabrica\u00e7\u00e3o de materiais cer\u00e2micos desde que o teor m\u00e1ximo de lodo n\u00e3o ultrapasse 10%, pois observou que com concentra\u00e7\u00f5es maiores houve comprometimento das propriedades f\u00edsicas e mec\u00e2nica do material.<\/p>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o do coagulante<\/strong><\/p>\n<p>A alternativa de recupera\u00e7\u00e3o do coagulante permite minimizar os custos e os problemas associados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o final do lodo, pois al\u00e9m de diminuir o volume a ser descartado, promove a reciclagem dos produtos qu\u00edmicos dosados no tratamento. A redu\u00e7\u00e3o dos custos pode chegar a valores pr\u00f3ximos de 45%. Entorno de 35 a 45% dos s\u00f3lidos presentes no lodo s\u00e3o hidr\u00f3xidos e qualquer que seja o tipo de regenera\u00e7\u00e3o, a etapa inicial ser\u00e1 a solubiliza\u00e7\u00e3o dos hidr\u00f3xidos precipitados. Os processos se diferenciam na forma pela qual os compostos sol\u00faveis ser\u00e3o separados dos materiais inertes.<\/p>\n<p>As op\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que se encontram dispon\u00edveis para a realiza\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o de coagulantes de lodos de ETAs s\u00e3o: recupera\u00e7\u00e3o pela via \u00e1cida, recupera\u00e7\u00e3o pela via alcalina, extra\u00e7\u00e3o com solventes org\u00e2nicos e extra\u00e7\u00e3o com quelantes. Dentre as quatro, a que alcan\u00e7ou o maior desenvolvimento industrial foi a recupera\u00e7\u00e3o pela via \u00e1cida.<\/p>\n<p><strong>Disposi\u00e7\u00e3o em ETE<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Di Bernardo et al. (1999), um m\u00e9todo de disposi\u00e7\u00e3o do lodo gerado nas ETAs, que tem sido observado em alguns pa\u00edses da Europa e nos Estados Unidos, \u00e9 o seu lan\u00e7amento nas esta\u00e7\u00f5es de tratamento de esgoto (ETEs), via rede coletora de esgoto ou por meio de transporte em caminh\u00e3o. Tal alternativa torna-se atraente, pois elimina a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema de tratamento nas pr\u00f3prias ETAs. No entanto, o que ocorre \u00e9 a transfer\u00eancia do gerenciamento para a administra\u00e7\u00e3o das ETEs.<\/p>\n<p>Para a realiza\u00e7\u00e3o de tal procedimento s\u00e3o necess\u00e1rias an\u00e1lises criteriosas para avaliar as poss\u00edveis interfer\u00eancias que podem ocorrer nas unidades da ETE devido \u00e0s caracter\u00edsticas do lodo gerado e do incremento da vaz\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 foram analisados em escala piloto o impacto do lan\u00e7amento dos res\u00edduos de uma ETA em uma ETE operando com reator UASB, sendo verificado que a disposi\u00e7\u00e3o do lodo em um reator UASB n\u00e3o interfere prejudicialmente no desempenho operacional do mesmo.<\/p>\n<p><strong>Disposi\u00e7\u00e3o em aterro<\/strong><\/p>\n<p>A alternativa de disposi\u00e7\u00e3o dos lodos de ETAs em aterros \u00e9 sempre recomendada por ser comprovadamente vi\u00e1vel tecnicamente e possuir regulamenta\u00e7\u00e3o pelas legisla\u00e7\u00f5es ambientais vigentes. Mesmo adotando-se outras formas de disposi\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e-se sempre prever a utiliza\u00e7\u00e3o de aterros sanit\u00e1rios como op\u00e7\u00e3o de armazenamento dos lodos, pois pode haver necessidade de sua utiliza\u00e7\u00e3o nos casos de varia\u00e7\u00f5es bruscas na quantidade ou qualidade dos lodos.<\/p>\n<p>Para a disposi\u00e7\u00e3o do lodo de ETA em aterros \u00e9 necess\u00e1ria a an\u00e1lise da intera\u00e7\u00e3o das subst\u00e2ncias qu\u00edmicas presentes na composi\u00e7\u00e3o do lodo de ETA com os res\u00edduos de origem predominantemente dom\u00e9stica.<\/p>\n<p><strong>Impactos do lodo de ETA<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, a maioria das esta\u00e7\u00f5es lan\u00e7am seus res\u00edduos sem nenhuma forma de tratamento diretamente no corpo d\u2019\u00e1gua mais pr\u00f3ximo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, ocasionando assoreamento e deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua dos rios e lagos. A toxidade potencial dos lodos de ETA, para plantas, seres humanos e organismos aqu\u00e1ticos, depende de fatores tais como: caracter\u00edsticas da \u00e1gua bruta, produtos qu\u00edmicos utilizados no tratamento, poss\u00edveis contaminantes contidos nesses produtos, rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas ocorridas durante o processo, forma de remo\u00e7\u00e3o e tempo de reten\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos dos decantadores, caracter\u00edsticas hidr\u00e1ulicas, f\u00edsicas, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas do corpo receptor. As \u00e1guas naturais utilizadas como mananciais est\u00e3o sujeitas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por formas naturais decorrente da a\u00e7\u00e3o da \u00e1gua sobre as rochas e tamb\u00e9m sobre o meio, tais como: aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes e pesticidas e disposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos sanit\u00e1rios e industriais. Esse aspecto \u00e9 de grande import\u00e2ncia, pois esses podem estar presentes nos res\u00edduos gerados.<\/p>\n<p>A grande preocupa\u00e7\u00e3o em dispor corretamente o lodo das ETAs, est\u00e1 na presen\u00e7a de metais na composi\u00e7\u00e3o desse res\u00edduo e no aumento do volume de chorume gerado durante o processo de degrada\u00e7\u00e3o quando o lodo \u00e9 disposto em aterros sanit\u00e1rios, contribuindo para a gera\u00e7\u00e3o de impactos adversos ao meio ambiente (\u00e1gua, solo, flora e fauna) e \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, quando depositados de forma inadequada.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento do lodo em corpos receptores, devido a sua concentra\u00e7\u00e3o, ao tamanho das part\u00edculas dispostas e a baixas velocidades de escoamento do rio a jusante do lan\u00e7amento, pode levar a sedimenta\u00e7\u00e3o das part\u00edculas sobre a camada bent\u00f4nica, inibindo o crescimento de v\u00e1rias esp\u00e9cies de peixes e outros organismos aqu\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A descarga de lodo com altos teores de alum\u00ednio no corpo receptor causa toxicidade do meio aqu\u00e1tico. A carga org\u00e2nica contida no lodo pode contribuir para o consumo de oxig\u00eanio no corpo d\u2019\u00e1gua, levando a condi\u00e7\u00f5es anaer\u00f3bias, produ\u00e7\u00e3o de maus odores e mortandade de peixes e algas, al\u00e9m de afetar a camada bent\u00f4nica.<\/p>\n<p>Desta forma, os lan\u00e7amentos destes efluentes contribuem para aumentar a degrada\u00e7\u00e3o dos corpos d\u2019\u00e1gua e desrespeitam a DN conjunta COPAM\/CERH n\u00ba 01 (MINAS GERAIS, 2008) e a Lei de Crimes Ambientais n\u00ba 9.605 (BRASIL, 1998). Sendo imprescind\u00edvel o conhecimento dos aspectos legais para defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias gerenciais que objetivem a minimiza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos gerados e o aproveitamento e disposi\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos, sem comprometer a qualidade dos corpos receptores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O controle da polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas \u00e9 fundamental para a sa\u00fade humana, assim como para<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":24327,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lodo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O controle da polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas \u00e9 fundamental para a sa\u00fade humana, assim como para","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24326"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24326"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24326\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}