{"id":24184,"date":"2015-07-08T21:00:07","date_gmt":"2015-07-08T21:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=24184"},"modified":"2015-07-08T00:32:07","modified_gmt":"2015-07-08T00:32:07","slug":"o-mapa-de-sabores-da-lingua-que-voce-estudou-na-escola-esta-errado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-mapa-de-sabores-da-lingua-que-voce-estudou-na-escola-esta-errado\/","title":{"rendered":"O mapa de sabores da l\u00edngua que voc\u00ea estudou na escola est\u00e1 errado"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-24185\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>T<\/span>odo mundo viu o mapa da l\u00edngua &#8211; aquele gr\u00e1fico com uma l\u00edngua dividida em diferentes partes, atribu\u00eddas a sabores distintos. Doce na frente, salgado e azedo nas laterais e amargo no fundo.<\/p>\n<p>Esse \u00e9, possivelmente, o s\u00edmbolo mais reconhecido no estudo dos sabores &#8211; mas ele est\u00e1 errado. Na verdade, o mito foi detomado por cientistas qu\u00edmico-sensoriais (o pessoal que estuda como \u00f3rg\u00e3os, como a l\u00edngua, respondem a est\u00edmulos qu\u00edmicos) um bom tempo atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A habilidade de sentir o gosto doce, salgado, amargo e azedo n\u00e3o \u00e9 separado em diferentes partes da l\u00edngua. Os receptores que sentem esses gostos est\u00e3o todos distribu\u00eddos por todas as partes da l\u00edngua. De novo, sabemos disso faz tempo.<\/p>\n<p>Mas, mesmo assim, voc\u00ea provavelmente viu o mapa na escola quando estava aprendendo sobre o paladar. Ent\u00e3o de onde essa ideia veio?<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">As origens do mapa de gostos<\/div>\n<\/div>\n<p>Esse mapa familiar, mas n\u00e3o muito correto, foi criado em 1901, aparecendo em um artigo do cientista alem\u00e3o David\u00a0P. H\u00e4nig no peri\u00f3dico\u00a0<a href=\"http:\/\/books.google.com\/books?id=FmAUAQAAIAAJ&amp;amp;pg=PA1#v=onepage&amp;amp;q&amp;amp;f=false\" target=\"_blank\">Psychophysik des Geschmackssinnes.<\/a><\/p>\n<p>H\u00e4nig decidiu medir a percep\u00e7\u00e3o do paladar nas bordas da l\u00edngua (o que ele chamava de &#8216;cinto de sabores&#8217;) pingando subst\u00e2ncias que estimulavam os sabores salgado, doce, azedo e amargo, em espa\u00e7os determinados da l\u00edngua.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a ponta e as bordas da l\u00edngua s\u00e3o particularmente sens\u00edveis aos sabores, j\u00e1 que essas \u00e1reas possuem pequenos \u00f3rg\u00e3os sensoriais chamadas papilas gustativas.<\/p>\n<p>H\u00e4nig descobriu que existia alguma varia\u00e7\u00e3o na forma em que os est\u00edmulos eram registrados em toda a regi\u00e3o da l\u00edngua. E, apesar de sua pesquisa nunca ter testado o quinto sabor reconhecido, o umami (o gostinho de glutamato), a hip\u00f3tese de\u00a0H\u00e4nig faz sentido. Diferentes partes da l\u00edngua possuem menos papilas para perceber os gostos &#8211; mas essas diferen\u00e7as s\u00e3o diminutas.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-500\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"o mapa dos sabores (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/14DWxGPp67u7d23VTNM8lsBmLoE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/07\/07\/mapa-paladar.jpg\" alt=\"o mapa dos sabores (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"640\" height=\"605\" \/><label class=\"foto-legenda\">o mapa dos sabores (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)<\/label><\/div>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 com as descobertas de\u00a0H\u00e4nig\u2019 e sim com a forma que ele decidiu apresentar essa informa\u00e7\u00e3o. Quando ele publicou os resultados ele incluiu um gr\u00e1fico de suas medidas. O gr\u00e1fico mostra a mudan\u00e7a relativa da sensibilidade para cada gosto de um ponto a outro, n\u00e3o um contra o outro.<\/p>\n<p>Era mais uma interpreta\u00e7\u00e3o art\u00edstica de suas medidas do que uma representa\u00e7\u00e3o correta delas. E isso deu a entender que diferentes partes da l\u00edngua eram respons\u00e1veis por sabores diferentes, em vez de mostrar que algumas regi\u00f5es eram levemente mais sens\u00edveis a alguns gostos do que a outros.<\/p>\n<p>Mas essa interpreta\u00e7\u00e3o art\u00edstica ainda n\u00e3o \u00e9 o mapa dos gostos. Para isso, precisamos olhar para o trabalho de\u00a0Edwin G Boring. Em 1940, esse gr\u00e1fico foi refeito por Boring, um professor de psicologia de Harvard, em seu livro <a href=\"http:\/\/www.researchgate.net\/publication\/232480794_Sensation_and_perception_in_the_history_of_experimental_psychology\">&#8220;Sensation and Perception in the History of Experimental Psychology&#8221;.<\/a><\/p>\n<p>A vers\u00e3o de Boring tamb\u00e9m n\u00e3o tinha nenhuma escala significativa, separando as regi\u00f5es mais sens\u00edveis da l\u00edngua no que, hoje, conhecemos como o mapa do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Em questionamento<\/div>\n<\/div>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do mapa de gostos, v\u00e1rios pesquisadores o refutaram.<\/p>\n<p>De fato, resultados de v\u00e1rios experimentos indicam que todas as \u00e1reas da boca que possuem \u00a0papilas gustativas &#8211; incluindo v\u00e1rias partes da l\u00edngua, o c\u00e9u da boca e a garganta &#8211; s\u00e3o sens\u00edveis a todos os tipos de sabores.<\/p>\n<p>Nossa compreens\u00e3o de como a informa\u00e7\u00e3o dos gostos \u00e9 levada da l\u00edngua para o c\u00e9rebro mostram que os gostos n\u00e3o s\u00e3o restritos a uma \u00fanica regi\u00e3o da l\u00edngua. Existem dois nervos cranianos respons\u00e1veis pela percep\u00e7\u00e3o dos gostos nas diferentes \u00e1reas da l\u00edngua &#8211; o nervo\u00a0glossofar\u00edngeo nos fundos e a corda do t\u00edmpano do nervo facial. Se esses gostos fossem exclusivos a suas \u00e1reas respectivas, poss\u00edveis danos na corda do t\u00edmpano, por exemplo, tirariam a habilidade de algu\u00e9m de sentir o doce.<\/p>\n<p>Em 1965, o cirurgi\u00e3o TR Bull <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/231967815_Taste_and_the_Chorda_Tympani\">descobriu que<\/a> pessoas que tiveram sua corda do t\u00edmpano cortada em procedimentos m\u00e9dicos n\u00e3o perdiam o paladar. E, em 1993, Linda Bartoshuk, da Universidade da Fl\u00f3rida, <a href=\"http:\/\/www.researchgate.net\/publication\/240429854_The_biological_basis_of_food_perception_and_acceptance\">notou que<\/a> aplicar anestesia no nervo n\u00e3o apenas n\u00e3o prejudica a sensibilidade como intensifica a percep\u00e7\u00e3o de gostos.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Bi\u00f3logos moleculares<\/div>\n<\/div>\n<p>A biologia molecular moderna tamb\u00e9m \u00e9 contra o mapa da l\u00edngua. Durante os \u00faltimos 15 anos, <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1146\/annurev.nutr.26.061505.111329\">pesquisadores identificaram<\/a> muitas prote\u00ednas receptoras encontradas em c\u00e9lulas da boca que s\u00e3o cr\u00edticas para a detec\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas de sabor.<\/p>\n<p>Por exemplo, sabemos agora que tudo que percebemos como doce ativa o mesmo receptor, enquanto compostos amargos ativam outro tipo de receptor.<\/p>\n<p>Se o mapa da l\u00edngua estivesse correto, poder\u00edamos esperar que o receptor do sabor doce estivesse localizado s\u00f3 na frente da l\u00edngua, assim como os receptores amargos no fundo. Mas esse n\u00e3o \u00e9 o caso. Todos os receptores s\u00e3o encontrados em todas as \u00e1reas da l\u00edngua.<\/p>\n<p>Apesar da evid\u00eancia cient\u00edfica, o mapa da l\u00edngua entrou no conhecimento comum e ainda \u00e9 ensinado em muitas escolas.<\/p>\n<p>Mas o teste verdadeiro n\u00e3o precisa ser feito em laborat\u00f3rio. Tome uma x\u00edcara de caf\u00e9. Um gole de refrigerante. Toque, com a l\u00edngua, um salgadinho. Em todo tipo de teste fica claro que a l\u00edngua sente sabores em v\u00e1rias \u00e1reas.<\/p>\n<p><em>*Steven D Munger \u00e9 professor de farmacologia na Universidade da Fl\u00f3rida<\/em><br \/>\n<a href=\"https:\/\/theconversation.com\/that-neat-and-tidy-map-of-tastes-on-the-tongue-you-learned-in-school-is-all-wrong-44217?utm_medium=email&amp;utm_campaign=Latest+from+The+Conversation+for+July+7+2015&amp;utm_content=Latest+from+The+Conversation+for+July+7+2015+CID_b3d36bab5f92f1222eb91d96a1f3682b&amp;utm_source=campaign_monitor_us&amp;utm_term=That%20neat%20and%20tidy%20map%20of%20tastes%20on%20the%20tongue%20you%20learned%20in%20school%20is%20all%20wrong\">Este texto foi publicado primeiramente no The Conversation. Para ler a vers\u00e3o original, em ingl\u00eas, clique aqui.\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo mundo viu o mapa da l\u00edngua &#8211; aquele gr\u00e1fico com uma l\u00edngua dividida em<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":24185,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lingua.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Todo mundo viu o mapa da l\u00edngua &#8211; aquele gr\u00e1fico com uma l\u00edngua dividida em","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24184"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24184"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24184\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}