{"id":24138,"date":"2015-07-07T13:00:37","date_gmt":"2015-07-07T13:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=24138"},"modified":"2015-07-06T23:11:05","modified_gmt":"2015-07-06T23:11:05","slug":"relatos-de-casos-de-reproducao-por-partenogenese-em-tubaroes-e-raias-intrigam-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/relatos-de-casos-de-reproducao-por-partenogenese-em-tubaroes-e-raias-intrigam-cientistas\/","title":{"rendered":"Relatos de casos de reprodu\u00e7\u00e3o por partenog\u00eanese em tubar\u00f5es e raias intrigam cientistas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-24140\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O Zool\u00f3gico de Henry Doorly no Nebraska, Estados Unidos, foi palco de uma sensacional descoberta em 2001. Uma f\u00eamea de tubar\u00e3o-martelo deu \u00e0 luz a um filhote sem que ela tinha tido contato anterior com qualquer macho da sua esp\u00e9cie. A hist\u00f3ria teve contornos tr\u00e1gicos, j\u00e1 que o filhotinho foi atacado e morto por uma raia mantida no mesmo tanque. Mas trouxe novidade para a ci\u00eancia: refinadas <span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/rsbl.royalsocietypublishing.org\/content\/3\/4\/425\" target=\"_blank\">an\u00e1lises gen\u00e9ticas no DNA do filhote do tubar\u00e3o-martelo <\/a><\/span>comprovaram que n\u00e3o havia contribui\u00e7\u00e3o paternal na sua gera\u00e7\u00e3o, o que levava \u00e0 tese de reprodu\u00e7\u00e3o por partenog\u00eanese.<\/p>\n<p>A maioria dos vertebrados se reproduz de forma sexuada, em que h\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o de um \u00f3vulo (gameta feminino) e de um espermatozoide (gameta masculino) para a concep\u00e7\u00e3o da nova prole. No entanto, na natureza, alguns grupos animais apresentam a reprodu\u00e7\u00e3o assexuada, em que n\u00e3o \u00e9 preciso a contribui\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos de diferentes sexos para que os filhotes nas\u00e7am. Na partenog\u00eanese, modo de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada, ocorre o crescimento e desenvolvimento de um embri\u00e3o sem que a f\u00eamea seja fertilizada pelo macho, ou seja, existe a participa\u00e7\u00e3o unicamente de um gameta feminino.<\/p>\n<p>Nesse fen\u00f4meno, metade do material gen\u00e9tico de uma f\u00eamea se agrega a uma c\u00f3pia id\u00eantica, que tamb\u00e9m se encontra nas suas c\u00e9lulas. Assim, pode-se dizer que o embri\u00e3o \u00e9 um clone da m\u00e3e pela metade. Geralmente, a partenog\u00eanese ocorre em seres invertebrados, como abelhas e mariposas, entre outros, mas alguns animais vertebrados \u2013 como r\u00e9pteis, aves e peixes \u2013 tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de se reproduzir desse modo. No final de 2006, causou sensa\u00e7\u00e3o <span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www.nature.com\/nature\/journal\/v444\/n7122\/full\/4441021a.html\" target=\"_blank\">o artigo na conceituada <em>Nature<\/em><\/a><\/span> que relatava o nascimento de filhotes de drag\u00f5es-de-Komodo a partir de f\u00eameas mantidas em diferentes institui\u00e7\u00f5es na Inglaterra. Como elas n\u00e3o tinham tido contato anterior com machos, por anos deduziu-se que foram capazes de produzir ninhadas a partir de ovos gerados por partenog\u00ease. Alguns testes com o material gen\u00e9tico dos filhotes confirmaram as suspeitas dos cientistas e provaram que os drag\u00f5es-de-Komodo podem se valer dessa estrat\u00e9gia para manter suas reduzidas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned image-inline\">\n<dt><a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/06\/imagens\/Filhotessempais02.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" title=\"Drag\u00e3o-de-komodo filhote\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/06\/imagens\/Filhotessempais02.jpg\/image_preview\" alt=\"Drag\u00e3o-de-komodo filhote\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Drag\u00f5es-de-komodo tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de se reproduzir de maneira assexuada. Esse comportamento foi observado em 2006 em diferentes institui\u00e7\u00f5es na Inglaterra e confirmado pela an\u00e1lise gen\u00e9tica dos filhotes. (foto: Neil \/ Wikimedia Commons \/ CC BY-SA 3.0)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De volta aos tubar\u00f5es e raias, s\u00e3o conhecidas suas diversas estrat\u00e9gias de reprodu\u00e7\u00e3o sexuada, fruto de mais de 400 milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o. Mas, a partir do ano de 2001, a ocorr\u00eancia de alguns casos de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada por partenog\u00eanese em tubar\u00f5es mantidos em cativeiro tem surpreendido os cientistas e aumentado ainda mais a fascina\u00e7\u00e3o que os seres humanos sentem por estes animais.<\/p>\n<p>Nos primeiros registros de partenog\u00eanese em tubar\u00f5es, os filhotes quase sempre morriam com poucos dias de nascidos. Contudo, <span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/jhered.oxfordjournals.org\/content\/101\/3\/374.full\" target=\"_blank\">existem registros de filhotes de tubar\u00f5es nascidos de reprodu\u00e7\u00e3o por partenog\u00eanese<\/a><\/span> que sobreviveram at\u00e9 cinco anos. Al\u00e9m disso, apenas muito recentemente, em 1\u00ba de junho de 2015, foi registrada a <span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www.cell.com\/current-biology\/abstract\/S0960-9822%2815%2900431-5\" target=\"_blank\">ocorr\u00eancia de partenog\u00eanese vi\u00e1vel em peixes cartilaginosos em seu ambiente natural<\/a><\/span>. O caso foi descrito com a esp\u00e9cie de raia denominada peixe-serra-de-dentes-pequenos (<em>Pristis pectinata<\/em>), que hoje encontra-se criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Testes gen\u00e9ticos de paternidade foram realizados em amostras de DNA provenientes de 190 exemplares de peixes-serra que vivem nos rios Caloosahatchee e Peace e na regi\u00e3o das Ten Thousand Islands, na Fl\u00f3rida, Estados Unidos. Sete desses exemplares, todas f\u00eameas, eram altamente aparentadas entre si, com mais de 80% de \u00edndice de parentesco interno. Ou seja, as an\u00e1lises gen\u00e9ticas mostraram que eram praticamente c\u00f3pias id\u00eanticas do DNA contido no \u00f3vulo de sua m\u00e3e, comprovando a partenog\u00eanese. Os cientistas que fizeram esta descoberta discutem que a ocorr\u00eancia facultativa de partenog\u00eanese na natureza pode estar relacionada a baixas densidades populacionais destes peixes e pode figurar como uma sa\u00edda ao fato de as f\u00eameas n\u00e3o encontrarem machos para acasalarem.<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned image-inline\">\n<dt><a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/06\/imagens\/Filhotessempais03.JPG\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" title=\"Peixe-serra\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/2015\/06\/imagens\/Filhotessempais03.JPG\/image_preview\" alt=\"Peixe-serra\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Cientistas desconfiam que a reprodu\u00e7\u00e3o por partenog\u00eanese em peixes-serra esteja relacionada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es deste animal na natureza. (foto: Catarina Chagas)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>A ocorr\u00eancia de partenog\u00eanese levanta quest\u00f5es importantes sobre a conserva\u00e7\u00e3o do grupo. Como nos filhotes provenientes da partenog\u00eanese s\u00f3 existe material gen\u00e9tico da m\u00e3e, esse tipo de reprodu\u00e7\u00e3o diminui a variabilidade gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es, o que, por sua vez, reduz a capacidade destes animais de se adaptarem a ambientes que cada vez mais sofrem mudan\u00e7as dr\u00e1sticas. De maneira prudente, cientistas est\u00e3o longe de realizar infer\u00eancias detalhadas a respeito dos impactos que este fen\u00f4meno acarreta nas popula\u00e7\u00f5es destes peixes. Todavia, \u00e9 bem prov\u00e1vel que mais e mais casos de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada em tubar\u00f5es sejam registrados em um futuro pr\u00f3ximo, o que ir\u00e1 nos esclarecer mais a este respeito. Al\u00e9m disso, por meio do desenvolvimento de novas t\u00e9cnicas em pesquisa gen\u00e9tica e estudos populacionais detalhados, ser\u00e1 poss\u00edvel saber com precis\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es evolutivas e ecol\u00f3gicas da reprodu\u00e7\u00e3o por partenog\u00eanese em popula\u00e7\u00f5es destes t\u00e3o amea\u00e7ados e magn\u00edficos animais.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1rcio Luiz V. Barbosa Filho<\/strong><br \/>\nPrograma de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Zoologia, Universidade Estadual de Santa Cruz<\/p>\n<p><strong>Salvatore Siciliano<\/strong><br \/>\nInstituto Oswaldo Cruz, Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Zool\u00f3gico de Henry Doorly no Nebraska, Estados Unidos, foi palco de uma sensacional descoberta<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":24140,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/tubarao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O Zool\u00f3gico de Henry Doorly no Nebraska, Estados Unidos, foi palco de uma sensacional descoberta","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24138"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24138\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}